Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Não sou brasileiro, mas sei ler [a Constituição]"

Jornalista americano Michael Shellenberger, sobre a Carta garantir liberdade de expressão

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Relator espera 300 votos para manter Brazão preso

Estimativa do relator na Câmara do processo de prisão do deputado Chiquinho Brazão (RJ), Darci de Matos (PSD-SC) em conversa com a coluna, é de cerca de 300 votos pela manutenção do cárcere do parlamentar suspeito de ter sido um dos mandantes da morte da Marielle Franco (2018). Matos se reúne nesta terça-feira (9) com o presidente da Câmara, Arthur Lira, para afinar detalhes da votação, na quinta (11). Para manter a prisão são necessários, no mínimo, 257 votos no plenário.

Precedente perigoso

O relator diz que há temor entre colegas do precedente que a validação pode abrir: prisão em flagrante “que não é bem flagrante”.

Já era

No PP, que deve registrar dissidentes, o conta é pela prisão: “Acredito que teremos um placar acima de 400 votos”, calcula José Nelto (PP-GO).

Pêndulo

O PL, com 95 deputados, se reúne nesta terça para definir a posição do partido. O voto pela manutenção da prisão é dado como certo.

Tecnicidade

Prospera entre liberais a avaliação de que “tecnicamente a prisão não tem razão de ser”, avaliou à coluna uma liderança do partido.

Gabinetes do Senado já consumiram R$7 milhões

Muito bem instalados em Brasília, os 81 senadores já impuseram ao pagador de impostos quase R$7 milhões (R$6.960.990,48) em gastos para manutenção dos seus gabinetes somente em 2024. O sergipano Laércio Oliveira (PP) tem elogiada atuação parlamentar, mas apresenta a estrutura mais cara, ao custo de R$190,2 mil, afora salários. No total, R$87.654,65 somente em “locomoção, hospedagem, alimentação e combustíveis”, despesas mais frequentes da maioria dos senadores.

Prata

O gabinete do senador petista Beto Faro custou R$176,1 mil este ano. Só em propaganda de suas atividades gastou R$49,6 mil.

Alma do negócio

Quem mais gasta em “divulgação da atividade parlamentar” é Davi Alcolumbre (União-AP): R$82,5 mil. Seu gabinete custou R$111,2 mil.

Econômicos

Nada gastaram Eduardo Girão (Novo-CE), Jorge Kajuru (PSB-GO) e Janaína Farias (PT-CE), que não teve tempo: assumiu há dias.

Lista da vergonha

Deltan Dallagnol listou países onde o X, antigo Twitter, é proibido, como periga ocorrer no Brasil. A lista tem Rússia, China, Mianmar, Coréia do Norte, Irã e Turcomenistão. Todos eles ditaduras da pior qualidade.

Presepada reiterada

O governo Lula continua dedicado à tarefa de vitimizar Bolsonaro, com perseguições que viram tiros no pé. É o caso da multa por “importunação de baleia”, acusação da qual foi inocentado pela Polícia Federal.

Oportunismo, não

Vai dar em nada a pressão de José Guimarães (PT-CE), líder de Lula na Câmara, para votar censura nas redes sociais. O presidente da Câmara, Arthur Lira, acha que ânimos acirrados não são bons conselheiros.

Cariocas nas ruas

Líderes políticos do Rio esperam manifestação história em Copacabana, dia 21, convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A ideia é superar o público recorde registrado no recente ato da Avenida Paulista.

Conta outra

Após mais de 450 dias, o 8 de janeiro continua pretextando coisas que até Deus duvida. A Câmara gastará extravagantes R$700 mil na troca do carpete do Salão Verde alegando que teria sido danificado na baderna.

O mundo capota

Agora que está cavando a presidência da Petrobras, Aloizio Mercadante foi acusado na Lava Jato de tentar impedir a delação do ex-senador Delcídio Amaral (PT) contra petista de corrupção... na Petrobras.

Triste memória

Um dos nomes no chapéu para presidir o BNDES, Nelson Barbosa foi duas vezes ministro (Planejamento, depois Fazenda) de Dilma nos anos da pior crise econômica da História. Sem pandemia, nem guerras.

Não é normal

Nikolas Ferreira cobrou que o Senado apure acusações contra Alexandre de Moraes. “É inaceitável lidar com as declarações e acusações do Elon Musk com normalidade”, avaliou o deputado.

Pensando bem...

...a hipocrisia vigente ignora a democracia em nome de “valores democráticos” e dissemina o ódio alegando “combate ao ódio”.

PODER SEM PUDOR

Eu bebo, sim

Flores da Cunha foi um dos maiores líderes políticos do Rio Grande do Sul, mesmo com a reputação de emérito boêmio, chegado ao carteado, às bebidas e às mulheres, como cutucou um adversário, num comício: “Não bebo, não jogo e nem ando com mulheres de vida duvidosa!” O líder gaúcho ganhou a eleição admitindo, sem medo de ser feliz: “Pois eu bebo, fumo, jogo, ando com mulheres... E tenho votos.”

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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