Colunistas

CLAÚDIO HUMBERTO

"Não tem consistência jurídica"

Sérgio Moro (União-PR), senador e ex-juiz, sobre canetada de Dino que protegeu Lulinha

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Vieira fala com dez países; menos EUA, Israel e Irã

Nos últimos dias, o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) anunciou que tratou do “conflito no Oriente Médio”, como descreve o próprio Itamaraty, com representantes de dez países; Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Turquia e até Alemanha. Entretanto, nada de tratativas com os Estados Unidos, Israel e o próprio Irã, os países diretamente envolvidos no conflito, revelando o isolamento do Brasil e sua perda de relevância, no contexto das nações.

Largo muro

As notas do Itamaraty citam “preocupação” e “solidariedade” de Vieira, mas ignoram o Irã, autor dos ataques a todos os países contactados.

Sem carinho

Principal alvo do Irã, Israel não recebeu telefonema, telegrama, e-mail do chanceler brasileiro. EUA, maior força militar, também foram ignorados.

Autor ignorado

Com exceção da Alemanha, todos os países foram atingidos por mísseis lançados pelo Irã, mas o chanceler não condenou os ataques iranianos.

Curioso

Também não receberam contatos representantes do Azerbaijão, Chipre e Síria, outros alvos de ataques do Irã.

Número de famílias no Bolsa Família cresceu 420%

O Bolsa Família atendia 3,6 milhões de famílias no início de 2004, no primeiro governo Lula. O próprio governo petista explica, em documento dos 20 anos do programa, o “contexto” à época: 28% dos brasileiros viviam em situação de pobreza, sendo 9% na pobreza extrema. Desde então, o número de famílias atendidas disparou quase 420%: atualmente são 18,7 milhões de famílias no programa, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social coletados pelo jornalista André Brito. Já as despesas mensais foram multiplicadas em quase dez vezes no período.

Dez vezes (corrigido)

Valores mensais do Bolsa Família saltaram de R$269 milhões em 2004 (R$1,32 bilhão corrigidos pela inflação) para R$13 bilhões/mês em 2026.

Custo x benefício?

Atualmente, segundo o Ipea/IBGE, o número de brasileiros que vivem na pobreza é de 26,8%, enquanto menos de 5% vivem na extrema pobreza.

Quase 500%

O auge no número de famílias no programa foi em setembro de 2023; 21,5 milhões. Em outubro daquele ano, a despesa foi de R$14,7 bilhões.

País x Bolsa

A população brasileira era de 180 milhões, em 2004. Em 2026, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projeta que são cerca de 213,4 milhões (+18,6%) de brasileiros.

Tem histórico

Após a base governista trabalhar para adiar o socorro às empresas mineiras, atingidas pelas cheias, o deputado Marcel van Hatten (Novo-RS) lembra que Lula é reincidente, fez o mesmo com os gaúchos.

É outro

Fausto Pinato (PP-SP) diz que o tal “Ciro” citado pelo enrolado Daniel Vorcaro em conversas de whatsapp não é o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Seria, diz o deputado, o advogado Ciro Soares.

Governo gastador

Deve sair nas próximas semanas mais um bloqueio bilionário de recursos federais. O motivo é o de sempre: o governo Lula gastou demais. A expectativa é de que o bloqueio fique entre R$8 bilhões e R$10 bilhões.

Marçal federal

No União Brasil, Pablo Marçal vai tentar se candidatar a deputado federal e concorrer este ano. Condenado à inelegibilidade, Marçal aposta em um recurso para poder disputar o pleito em outubro.

Montado na grana

O senador Jorge Seif (PL-SC) ironizou o “milagre financeiro” de Lulinha, filho do presidente, que movimentou R$19 milhões sem cargo ou função. “A conta não fecha na vida real”, disse o parlamentar.

Nas redes

Voltou a viralizar publicação de Elon Musk com montagem de Alexandre de Moraes atrás das grades. À época, o bilionário ainda publicou: “Um dia, Alexandre, esta foto sua na prisão será real. Lembre-se das minhas palavras”. Foi em 29 de agosto de 2024.

Prenúncio

Já tem data para que a Segunda Turma do Supremo julgue a prisão do enrolado banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Vai ser dia 13. Para os supersticiosos, cai numa sexta-feira.

Pergunta na jurisprudência

Mensagem apagada ainda é prova?

PODER SEM PUDOR

Entrevista forçada

Lula sabia lidar com pingunços. Em agosto de 1989, quando ainda usava vôos comerciais, aguardava o embarque no bar do aeroporto de Brasília quando um homem alcoolizado o reconheceu e puxou papo. Para se livrar dele, Lula fez a festa de um repórter cuja presença até então ele tentava ignorar. Ligou o gravador, que estava sobre o balcão, e se desculpou:

- Agora não dá, preciso dar uma entrevista exclusiva ao amigo aqui...

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Direito

O efeito dominó das recuperações judiciais: por que a conta chega a todos nós

Confira a coluna desta quinta-feira (8)

08/10/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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A Selic está em 13,75% ao ano. Foi o quinto corte seguido desde março, quando a taxa começou a cair a partir de 15%, e o Banco Central não se comprometeu com novas reduções. A direção é boa, o ritmo, não. Para quem tomou capital de giro, financiou maquinário ou antecipou recebível, um quarto de ponto a cada reunião muda pouco: o dinheiro segue caro, e a conta vence todo mês.

É desse descompasso entre a queda lenta do juro e a pressa do vencimento que nasce um número já rotineiro no noticiário. Segundo a Serasa Experian, o Brasil fechou 2025 com 977 processos de recuperação judicial envolvendo 2.466 empresas, o maior número de empresas em recuperação desde o início da série, em 2012. O primeiro trimestre de 2026 somou mais 194 pedidos. E há o que não vira estatística: a loja que fecha na rua principal, a empresa que devolve as chaves, a linha industrial desativada porque perdeu a disputa para o produto importado.

Em Mato Grosso do Sul, o retrato é mais duro

No agronegócio sul-mato-grossense, foram 38 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, contra 25 no mesmo período de 2025. É alta de 52% em um ano, bem acima dos 21,9% do agro nacional. E um detalhe costuma passar despercebido: 22 desses 38 pedidos vieram de empresas da cadeia, agroindústrias, processadoras, prestadoras de serviço ao campo, e não do produtor dentro da porteira. A crise do agro não fica no agro. Ela sobe pela cadeia, chega à cidade e bate na folha de pagamento de quem nunca plantou um grão.

O problema é mundial; o juro, não

A Allianz Trade projeta alta de 6% nas insolvências empresariais no mundo em 2026, o quinto ano seguido de aumento, com cerca de 2,2 milhões de empregos em risco, sobretudo na construção, no varejo e nos serviços. A diferença brasileira não está em ter o problema, e sim no custo do dinheiro com que se tenta atravessá-lo: a empresa daqui reestrutura dívida pagando juros que a concorrente estrangeira desconhece, o que cria uma disputa profundamente desigual no mercado global.

Quem paga a conta

O consumidor sente primeiro no bolso e depois no atendimento: menos concorrentes significam preço maior, e loja fechada significa garantia difícil de acionar, assistência que sumiu, produto pago e não entregue.

O fornecedor sente antes, e mais fundo. Quem vendeu a prazo para uma empresa que pede recuperação vira credor de um plano que não escreveu, com desconto e prazo que não escolheu. Começa então o efeito dominó: o fornecedor que não recebe atrasa o próprio pagamento, e o problema caminha pela cadeia até derrubar quem estava a três elos de distância do estouro original.

Ganhar o processo não é o mesmo que receber

Aqui entra o alerta que faço como advogado. Vencer a ação contra uma empresa que depois pede recuperação judicial não garante o pagamento. Se o fato que originou a dívida é anterior ao pedido - e o que conta é a data desse fato, não a da sentença, como definiu o STJ no Tema 1.051 -, o crédito entra na recuperação e passa a seguir o plano aprovado pelos credores: desconto, carência e parcelamento longo. Na falência é pior: o consumidor comum fica atrás dos trabalhadores, dos credores com garantia e do Fisco, e com frequência não recebe nada.

Um exemplo clássico é o da empresa de telefonia Oi, que teve a falência decretada em 25 de agosto deste ano, após seu segundo pedido de recuperação judicial. Quem havia vencido um processo judicial contra a empresa, cujo dinheiro já estava na subconta do Tribunal, viu esse dinheiro ser transferido para a massa falida (ou devolvido ao caixa da empresa durante a recuperação). Hoje, o 'crédito' virou prejuízo: com mais de R$ 44 bilhões em dívidas e um patrimônio líquido negativo superior a R$ 22,6 bilhões, a maioria dos credores simplesmente não receberá nada, a depender do seu lugar na fila.

A proteção, portanto, vem antes do processo. Antes de contratar valor alto, comprar parcelado, pagar entrada em obra ou fechar serviço de longo prazo, vale gastar dez minutos pesquisando protestos, negativações, execuções e pedidos de recuperação contra o CNPJ da empresa. Unidades fechando, salários atrasados, troca frequente de comando e fornecedores exigindo pagamento à vista são sinais visíveis de fora. Contratar quem já caminha para a recuperação é comprar um crédito futuro com desconto embutido.

O último a perder é o Estado - ou seja, todos nós

Empresa que encolhe recolhe menos. Cada unidade fechada retira empregos formais, faturamento tributável e contribuição previdenciária da conta pública, e boa parte do que deixou de ser pago migra para a dívida ativa, onde a recuperação é notoriamente baixa. O juro alto que ajudou a quebrar a empresa reaparece, meses depois, como arrecadação que não veio.

Nada disso torna a recuperação judicial vilã: é ela que evita que empresas viáveis morram por um problema de estrutura de dívida. O ponto é outro. Quando os pedidos batem recorde ano após ano, deixam de ser um problema do empresário endividado e passam a ser um dado sobre o preço do dinheiro no Brasil, pago, no fim, por quem compra, por quem fornece e por quem recolhe imposto.

A pergunta que fica é: como falar em salvar uma empresa quando o custo para mantê-la de pé acaba quebrando toda a cadeia ao seu redor?


 

CLAÚDIO HUMBERTO

"No SUS não tem nem fita pra teste de diabetes e falta até dipirona"

Ronaldo Caiado (PSD), sobre Lula promete caneta emagrecedora pelo SUS

21/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Dobra número de moradores de rua no governo Lula

Se as pessoas em situação de rua no Brasil formassem uma cidade, ela já seria maior do que as capitais Vitória (ES), Palmas (TO) ou Rio Branco (AC). Em junho de 2026, o Cadastro Único registrava 392,4 mil pessoas nessa condição. Em dezembro de 2022, eram 198,7 mil. Em pouco mais de três anos e meio do governo Lula (PT), quase dobrou a legião de miseráveis nas ruas. Desde 2015, quando o CadÚnico apontava 52,4 mil, salto de 597%, enquanto a população brasileira crescia 0,4% ao ano.

Subiu em flecha

Desde janeiro de 2023, o ritmo médio de moradores de rua subiu para 4,6 mil por mês. Entre 2019 e 2022, a média foi de 2 mil ao mês.

Lorota oficial

O governo atribui a alta à “melhoria do cadastramento”, mas se fosse só subnotificação, a curva se estabilizaria depois da correção. Mas cresceu.

Conta de diminuir

Censos municipais acham menos gente nas ruas do que o CadÚnico. No Rio, a prefeitura contou 8.195 em 2024; o cadastro federal, 23 mil.

Só vê quem quer

Em São Paulo, o censo de 2021 falava em 31,9 mil famílias em situação de rua, mas, no CadÚnico, passou dos 104 mil.

Planos: cidadão pesa menos que os bancos, no STF

O Supremo Tribunal Federal, que se apresenta como “paladino da democracia”, em suas decisões tem feito opção preferencial pelos bancos, em detrimento dos cidadãos. No julgamento definitivo da ADPF 165, sobre expurgos inflacionários dos planos econômicos, entre eles o Plano Collor, e garantiu aos bancos o direito de aplicar calote nos grandes depositantes, mas ficou estabelecido, em acordo, que cerca de 200 mil famílias restantes receberiam os valores devidos. Só que não.

Passa-moleque

Entidades que negociaram na AGU levaram “passa-moleque” de Isaac Ferreira, então presidente da Febraban, e até hoje é só enrolação.

Expectativa

O caso é relatado pelo ministro Cristiano Zanin, que deu razão aos bancos. Flávio Dino pediu vista e o caso deve voltar ao Plenário. 

Tudo como antes

O representante da Febraban foi afastado por suas relações com o Master, mas suas manobras protelatórias continuam prevalecendo.

Vem aí

Tem novidade no pix. Contas-salário receberam autorização do Banco Central para ter uma nova funcionalidade, é o “Pix Automático”. A novidade não é para agora, só a partir de julho de 2027.

Olho no relógio

A equipe da campanha de Flávio Bolsonaro adotou espirituoso hábito ao marcar os compromissos do candidato. Agendas com compromissos são marcadas no minuto “22” da hora, que é o número de Flávio nas urnas.

Rombo é cratera

A oposição na Câmara lembra previsão do Fiscal Monitor do Fundo Monetário Internacional: a gigantesca dívida pública (bruta) do governo vai chegar a 100% do PIB brasileiro, em 2027. Em 2030 será 105,5%.

Bandeira mudou

Auxiliares da campanha de Flávio (PL) já trabalham com a informação de que o tema central da campanha 2026, assunto fundamental para a definição do voto, será a corrupção e não a segurança pública.

Vergonha alheia

Foi vergonha nacional a sessão do STF de ontem, com jeitão de briga de rua, segundo o senador Hamilton Mourão (Rep-SC). “Assistimos nossa Suprema Corte lavando a sua roupa suja”, registrou o senador.

Orgia palaciana

Lula agora diz que Vorcaro “corrompeu todo mundo” e descreve suas relações na República como “orgia mais orgia”. Só não contou o detalhe da história: também recebeu o banqueiro no Palácio do Planalto.

Não se bicam

Coordenador da campanha de Lula no Rio, Quaquá não foi convidado para ato com artistas e reclama que a direção nacional não o ouve “para nada”. Diz ainda que Lula “não ganha um voto” com esse tipo de evento.

Água no chope

Geraldo Alckmin prometeu a empresários superávit de ao menos 0,5% em eventual novo governo Lula. Três dias depois, Lula chamou de “babaquice” fazer superávit e ter controle fiscal.

Pensando bem…

...cidadão comum não tem R$131 milhões para contratar banca influente no STF.

Cláudio Humberto

Mal não faz

Todo santo dia, o veterano deputado Mauro Benevides (PMDB-CE) utiliza um recurso próprio de sua vasta experiência: na primeira meia-hora da sessão legislativa da Câmara, ele dá “como lido” discursos sem relevância, celebrando efemérides, elogiando eleitores e veículos de comunicação que aniversariam, com espaço garantido na “Voz do Brasil”. Vendo-o em ação, o novato Zenaldo Coutinho (PSDB-PA) cutucou Sérgio Carneiro (PT-BA): “Ainda não descobri para que serve isso, mas se ele faz é porque é bom...”
**(com Rodrigo Vilela e Tiago Vasconcelos)

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