Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Ninguém mais aguenta o Lula, nem sua própria base!"

Deputado Messias Donato (Rep-ES) após estresse entre Lula e reitores grevistas

Continue lendo...

Lupion equipara arroz importado a lixo sobre a mesa

O deputado Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente do Agronegócio na Câmara dos Deputados, afirmou nesta segunda (10) que o governo Lula (PT) atua “para colocar lixo no prato dos brasileiros”, ao se referir à má qualidade do arroz em vias de importação. Ele confirmou que o arroz está contaminado pelo uso excessivo de defensivos agrícolas em padrões proibidos no Brasil há décadas. Lupion garantiu também que a oposição exigirá investigação das suspeitas de corrupção nos leilões.

Arroz garantido

As suspeitas iniciaram após produtores gaúchos mostrarem que quase toda safra de arroz foi colhida e estocada antes mesmo das enchentes.

Mentira de bilhões

O governo divulgou fake news para justificar os leilões para importar arroz: “recomposição dos estoques”. Não há o que “recompor”.

Se tem fumaça...

As alegações de corrupção começaram com a revelação de que uma loja de queijos de Macapá (AP) havia vencido o “leilão” milionário de arroz.

Difícil será investigar

Lupion diz que o governo controla órgãos de investigação e atuaria em “consórcio” com o STF, mas o agro promete lutar para apurar tudo isso.

Sucessão no PT contamina articulação de Lula

Na reunião com líderes e ministros, nesta segunda (10), Lula tinha claro o diagnóstico de que a sucessão de Gleisi Hoffmann (PR) na presidência do PT está contaminando a articulação do governo no Congresso. Ela fica no cargo até 2025. A candidatura de José Guimarães mexeu com facções do PT, que se uniram a Gleisi para resistir à liderança do deputado cearense na Câmara. Lula e Janja preferem o prefeito reeleito de Araraquara (SP), Edinho Silva, no lugar da deputada encrenqueira.

Sabe o que diz

Edinho é um crítico da área de comunicação do governo. Ele sabe o que diz: foi elogiado como chefe da Secom no governo Dilma Rousseff.

Puxa o mapa

Gleisi preside o PT dede 2017. Lula quer “subir” a visibilidade que o posto confere para alguém da região Sudeste ou Nordeste.

Alternativa nordestina

Poucos acreditam que Guimarães leve o posto. No Nordeste, o senador Humberto Costa (PE) é outro que pode pleitear a presidência petista.

Quem mente mesmo?

Fernando Haddad insiste ser mentira que a indústria é contra a “MP do fim do mundo”, que afana créditos de impostos pagos indevidamente, e a taxação das comprinhas sem reduzir impostos de quem produz no Brasil.

Isso é pecado

Bancada católica no Congresso está intrigada com as lorotas de Haddad contadas ao Papa Francisco. Se é pecado mentir, como a oposição acusa o ministro de fazer em entrevistas, mentir no Vaticano é sacrilégio.

Excursão jeca

Virou moda a cafonice de eventos no exterior para autoridades ansiosas por passeios “na faixa”. Com apoio do Ministério Público de Minas e da Escola de Magistratura de Pernambuco, um “Expojud” será realizado em agosto nos EUA. Em Orlando, perto da Disney, que ninguém é de ferro.

Aliados inservíveis

Não demorou para se comprovar que não passou de embromation que Lula receberia líderes aliados toda segunda-feira. Mais uma reunião, ontem (10) – outra vez – foi reservada apenas para petistas.

Gol de mão

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) celebrou a guinada à direita da Europa e prevê vitória de Donald Trump nos Estados Unidos. Diz que no Brasil foi diferente graças a um “gol de mão” de Lula em 2022.

Lista grande

Derrocada da esquerda na Europa é justificada por libertinagens, descarbonização e ideologia de gênero, lista Jair Bolsonaro que ainda prevê Estados Unidos e Brasil como próximos “nessa corrente do bem”.

Pantanal em chamas

“Uma ministra incompetente e irresponsável que literalmente tá deixando o Brasil pegar fogo!”, reagiu indignado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos incêndios na bacia do rio Paraguai que subiram mais de 1000%.

Autonomia do BC

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado pautou para quarta (12) a proposta que estabelece, sem dúvidas, a autonomia financeira do Banco Central. O relatório, de Plínio Valério (PSDB-AM), é para aprovar.

Pensando bem...

...arroz e queijo são ingredientes para o risoto de corrupção.

PODER SEM PUDOR

Artes do serpentário

O falecido embaixador Antônio Correia do Lago, competente e discreto, jamais usou o sogro Oswaldo Aranha para subir na carreira. Mas havia outro genro diplomata de Aranha, Sérgio Correia da Costa. Tendo recebido um pedido para promover o genro de Aranha, o então presidente Juscelino Kubitschek pediu o ato a Antônio Azeredo da Silveira, também diplomata, que o assessorava. Silveirinha perguntou, matreiro: “Qual deles?” JK respondeu, meio sem saber da coincidência de sobrenome: “Ora, o Correia”. JK também não sabia que seu assessor detestava Sérgio, o real destinatário do pedido. Assim, Antônio acabou promovido pelas artes e manhas de Silveirinha.

Assine o Correio do Estado

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

Continue Lendo...

Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

Continue Lendo...

Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).