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Giba Um

"Novos ventos na América Latina. Tomara que a Argentina tenha a mesma sorte"

da deputada federal ROSÂNGELA MORO // comemorando a vitória de Daniel Noboa, nas eleições presidenciais do Equador

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Beto Sicupira quer em salvar as Lojas Americanas, que está em crise desde começo do ano com uma dívida de mais de R$ 20 bilhões. Um acordo está sendo acertado com os bancos no valor de R$ 12 bilhões. Sicupira, se comprometeu a pagar R$ 6 bilhões do acordo.


Mais:  a outra metade seria dividido entre os outros dois sócios majoritários Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles. Vale lembrar que dos três sócios Sicupira é o que tem a menor fortuna estimada, por volta de US$ 7,8 bilhões (Telles teria US$ 9,6 bilhões e Lemann US$ 14,2 bilhões).

Fotos: Reprodução

Quero
ser feliz


 Completando 30 anos de carreira este ano, a apresentadora Cátia Fonseca, 54 anos, está em alta, principalmente quando o assunto é feminismo, maturidade e agora o etarismo. Cátia garante que não está preocupada com sua forma, e sim em se sentir bem e estar bem de saúde, o resto é consequência. “Estou melhor do que posso sem abrir mão do que eu quero. Falar de etarismo é importante porque é também uma forma de falar de libertação para muitas mulheres”. A apresentadora ainda falou que quando se separou e logo em seguida começou a namorar foi duramente criticada e muitos perguntavam por que ela estava fazendo aquilo e respondia:. “Porque eu quero ser feliz, oras. Simples”. Mais: revelou que criou os dois filhos (Thiago, 35 anos, e Felipe, 30)  para não serem machistas e que o assunto sexo ainda é tratado como tabu, porque o país é machista. “Nunca tive problema em falar sobre sexo. A questão não é falar e, sim, como falar. Falar sobre sexualidade é um tema mais delicado porque, infelizmente, vivemos em um país que ainda é muito machista”. E completou: “o amadurecimento me permite ter uma vida sexual mais leve”. 


Aprovação
em queda

Como acontece em todo o governo, a lua-de-mel dos brasileiros com a atual administração acabou. Segundo levantamento da Paraná Pesquisas a aprovação de Lula caiu 2,5% feito pelo mesmo instituto em maio onde o presidente tinha 54,1% de aprovação, agora em outubro sua aprovação é de 51,6%. Já a desaprovação, claro, aumentou de 39,4% para 43,7%, uma alta de 4,3 pontos percentuais. Os que não quiseram ou não souberam opinar no último levantamento foi de 4,7%. Já avaliação de como está sendo a administração os números permanecem praticamente iguais. Em maio levantamento apontava que 39,7% dos entrevistados acreditavam que o governo era ótimo/ bom, agora em outubro foram 38,2% que avaliaram da mesma maneira. Os que consideraram o governo regular subiu de 24,9% para 25,7% e os que avaliam ruim ou péssimo são 35,1% diante de 32,7% do levantamento feito em maio. 


Aumentando
a temperatura


Sem precisar fazer muito esforço a cantora e apresentadora Anitta já faz a temperatura da internet subir. Só que na última segunda-feira (16) a atmosfera midiática aumentou mais ainda, quando Anitta resolveu compartilhar em suas redes sociais um pequeno teaser do clipe que será lançado amanhã (19) da música Mil Veces com a participação do Damiano David, vocalista do grupo Måneskin, onde aparece beijando e agarrando o rapaz. Além de outras fotos exibindo figurinos transparentes. Mais: a cantora ainda é garota-propaganda dos novos sabores do drink Beats da Ambev, batizado de Beats Tropical, que aposta na combinação do sabor de Gin com manga, abacaxi e maracujá.


Gosto amargo


O levantamento da Paraná Pesquisas ainda quis saber se o governo Lula estava sendo melhor ou pior do que a gestão anterior de Jair Bolsonaro. Para 46,8% dos entrevistados a administração está sendo melhor, 37,9% disseram que está pior; 12,7% que permanece igual. Sobre a situação econômica 30,5% dos entrevistados disseram que melhorou, 27% que piorou, e 41% está como estava. O levantamento também mostrou que para 13,9% a melhor área do governo Lula está sendo a Assistência Social, só que para 28,5% não existe área com melhor desempenho e a área de Segurança está sendo apontada como a de pior desempenho na opinião de 22,9% dos entrevistados.  O levantamento mostrou  também dados que o presidente Lula deve estar ingerindo com um sabor para lá de amargo. Para 52,7% dos entrevistados o presidente não está cumprindo com suas promessas feitas durante a campanha presidencial de 2022, enquanto 47,3% acham que sim. Mais: 50,4% dos entrevistados desaprovam as viagens (não são poucas) internacionais feitas pelo presidente e 44,1% aprovam.

In – Soda italiana de maçã verde

Out – Soda italiana de cranberry

 

Lembrando Fidelix

O ministro dos Transportes Renan Filho, não se deu por vencido, após ver sua proposta da criação de um trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro, não ganhar espaço no novo PAC. Sua persistência faz lembrar muito o ex-presidente Nacional do PRTB Levy Fidelix (falecido em 2021) que sempre sonhou na construção de um aerotrem entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. O ministro juntamente com o CEO da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo, irão buscar apoio em agências de fomento multilaterais. A primeira parada pode ser no Banco dos Brics comandado pela ex-presidente Dilma Rousseff que sempre gostou da ideia. O projeto todo está orçado (inicialmente) em R$ 50 bilhões.

Indiciamento


 Como era de se esperar o ex-presidente Jair Bolsonaro foi um dos 61 nomes incluídos no relatório final da CPMI de 8 de janeiro feito pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA) com pedidos de indiciamento. O documento tem mais de 1.300 páginas. O pedido deverá ser julgado hoje. Além do ex-presidente também estão na lista de pedido de indiciamento Anderson Torres, ex-secretário de Segurança Pública do DF;  general Augusto Heleno ex-ministro do GSI; general Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa; almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha; general Freire Gomes, ex-comandante do Exército; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa de Bolsonaro, entre outros.

QUATRO CRIMES


 Ainda sobre o pedido de indiciamento: o ex-presidente Jair Bolsonaro se tiver o pedido acatado (que certamente acontecerá) irá responder por quatro crimes: associação criminosa, violência política, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Ao ler o documento final (com mais de 1.300 páginas) da CPMI de 8 de janeiro a relatora Eliziane Gama (PSD-MA), garantiu que os mais de 5 mil vândalos que invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso e o STF causando depredação e até saqueando os locais teve um comandante. “As investigações aqui realizadas, os depoimentos e os documentos recebidos permitiram que chegássemos a um nome em evidência e a várias conclusões. O nome é Jair Messias Bolsonaro. A democracia brasileira foi atacada e as massas manipuladas”. 

De fora


 O relatório final da CPMI: que pedem o indiciamento de 61 pessoas (todos bolsonaristas) entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja senadora e relatora Eliziane Gama (PSD-MA) define Bolsonaro como comandante, um nome (lulista) ficou de fora. O general G.Dias que comandava o GSI durante o vandalismo de 8 de janeiro.  Gama justificou: “Não se pode igualar a sua conduta àquelas dos seus subordinados indiciados, já que efetivamente no cargo havia apenas sete dias, ao passo que os seus inferiores hierárquicos eram evidentemente conhecedores de informações privilegiadas a respeito do risco concreto de danos ao Palácio do Planalto, e que optaram dolosamente por se omitir, quando tinham a obrigação normativa de agir para evitar o resultado”.

Eu, não


Em lançamento de sua pré-candidatura à prefeitura de São Paulo, o deputado Guilherme Boulos (PSOL) que reuniu aliados e simpatizantes em seu discurso disse que o oncologista Drauzio Varella faria participação em sua pré-campanha e supostamente de sua equipe no caso de vitória. O médico desmentiu que esteja envolvido com qualquer candidato ou partido em campanhas políticas. Diante disso uma nota foi emitida, afirmando que houve um entendimento errado da fala de Boulos. “O deputado apenas fez um convite para que Drauzio debatesse institucionalmente o tema da Cracolândia. Temos ciência de que, por questões contratuais, Drauzio não pode ter vínculo formal com qualquer campanha ou candidatura”.


Flautista de Hamelin


O Papa Francisco em entrevista aparentou estar com medo da escolha presidencial de seu país (o primeiro turno acontece no domingo 22). Apesar de não ter citado o nome de nenhum candidato o maior temor do pontífice é na possibilidade de vitória de Javier Milei (La Libertad Avanza) que por enquanto aparece na segunda posição nas pesquisas. O Papa Francisco fez comparação do candidato com o Flautista de Hamelin  (folclore alemão, um encantador que promete salvar uma cidade de uma infestação de ratos, mas acaba também sequestrando todas as crianças). O pontífice disse que não é comunista (rebatendo ofensas de Javier Milei) e reforçou o medo. “Tenho muito medo dos flautistas de Hamelin, porque eles são encantadores. Se fossem cobras eu as deixaria, mas elas encantam as pessoas e acabam afogando-as. Gente que acredita que pode sair da crise dançando ao som da flauta, com redentores feitos da noite para o dia”.

SEM PREOCUPAÇÃO


A mudança climática parece não preocupar a população mundial entre 16 e 29 anos, segundo o terceiro relatório anual Climate Reality Barometer da Seiko Epson, que entrevistou mais de 30 mil pessoas no mundo. Segundo os dados 49% desta faixa etária (batizada de geração COP) se mostram muito otimistas/ um tanto otimistas de que não serão impactados por  aumento excessivo de temperatura, inundações catastróficas, secas ou deslizamentos de terra. Yasunori Ogawa, diretor-executivo da Seiko Epson e um dos responsáveis pelo relatório acredita  que por esta geração já terem nascido na crescente do aquecimento global não sintam se ameaçados, mas que é preciso urgentemente que empenhem mais na educação do meio ambiente para acabar com a lacuna entre realidade atmosférica e uma percepção distorcida. A maior preocupação desta geração segundo pesquisa é com os custos crescentes.


MISTURA FINA


 SEGUNDO o INPE houve um aumento de 51,1% em setembro no desmatamento e queimada na região amazônica se comparado ao mês de agosto. A plataforma TerraBrasilis (que registra a destruição desde agosto de 2019) mostrou 2,6 mil focos de destruição contra 17,4 mil em agosto.  Para se ter ideia da destruição, de janeiro até agosto foram registrados 29,8 mil focos de desmatamento, quase o mesmo número de setembro.

OS dados do INPE mostram que o estado do Pará continua sendo o campeão de destruição com 35,5% da devastação da região amazônica. O segundo lugar ficou com o Amazonas com 18,4% e completando o ranking Mato Grosso 18,2%. Diante destes números, pelo menos na área de devastação o ex-presidente Jair Bolsonaro, tinha razão quando falava que ele estava sendo perseguido. Até agora nenhuma ONG ou autoridades estrangeiras se manifestaram ou deixaram de contribuir para a preservação da Amazônia, pelo contrário o valor aumentou. 

O SENADOR Davi Alcolumbre (União-AP) quer voltar a presidência do Senado em 2025. E já começa a se mexer para que isso aconteça, principalmente depois de saber que o Planalto pretende apoiar um nome que será indicado pelo MDB e podendo mais não contar com o apoio do atual presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Na semana passada Alcolumbre conversou com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para que a sigla apoie sua candidatura. E obteve a resposta de Valdemar, que ele acreditava que 8 dos 11 senadores do PL poderiam votar nele. 

A RELATORA da CPMI Eliziane Gama (PSD-MA) disse no documento que grande parte do que aconteceu se deve ao bolsonarismo. “O 8 de janeiro é obra do que chamamos de bolsonarismo. Diferentemente do que defendem os bolsonaristas, o 8 de janeiro não foi um movimento espontâneo ou desorganizado. Foi uma mobilização idealizada, planejada e preparada com antecedência”.

NA segunda-feira (16) a advogada Caroline Zanin Martins, irmã do ministro do STF, Cristiano Zanin, foi agredida no final da tarde na porta do prédio em Perdizes, em São Paulo. Caroline relatou que ao chegar no prédio foi abordada por um homem desconhecido que  disse que iria chutá-la e seus  cachorros. Após ser atingida por dois chutes e o homem saiu andando como se nada tivesse acontecido depois de ser repreendido por um segurança do prédio.
 

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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