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"O Brasil não tem problema com Israel, o Brasil tem problema é com Netanyahu. A hora que...

...Netanyahu não for mais governo, não haverá nenhum problema entre Brasil e Israel", de Lula, que já foi considerado "persona non grata" pelo governo atual de Israel

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O decreto de Lula ampliando os "poderes" da primeira-dama objetiva apenas blindar Janja das denúncias aos órgãos de controle sobre gastos que a oposição considera abusivos, na utilização de jatinhos da FAB. Ela não tem esse direito: o uso dos jatinhos é reservado a chefes de Poder,  ministros, comandantes militares e ministros do STF mais recentemente.

MAIS: ampliar os "poderes" para que ela continue a bater asas por conta do contribuinte, Lula também se blinda de processos. A Casa Civil é que requer jatinhos da FAB para Janja e isso coloca Lula vulnerável a denúncias de crimes de responsabilidade. O Planalto sempre refuta indagações sobre extravagâncias de Janja em viagens alegando que "primeira-dama não é cargo" - e agora é.

Um apelo popular

A atriz Giovanna Lancelotti, 32 anos, volta a fazer sucesso com o público depois de seis anos afastada da TV aberta. Apesar de nunca ter parado fazendo diversos trabalhos para TV fechada e cinema, garante que uma novela tem um apelo ao público e esse foi o motivo de ter voltado a fazer este estilo de trabalho. “A novela é um ótimo exercício para o ator. É um exercício diferente de tudo. Você tem que estar com o corpo disponível para qualquer mudança que aconteça e aberto à escuta do público, que pode te amar ou te odiar. Ela traz um feedback diferente, uma aproximação de público diferente. A novela também carrega um apelo muito popular que causa muita identificação, ou seja, o público acaba se sentindo muito mais próximo”. Capa da revista Boa Forma Giovanna disse que para manter um equilíbrio entre vida pessoal e profissional é necessário ter o autocuidado, que vai muito além de apenas cuidar do corpo. “O autocuidado vai muito além do que um skincare, do que hidratar o cabelo. Em uma rotina tão agitada quanto a nossa, o autocuidado é procurar refúgio para você conseguir baixar a sua frequência, conseguir ter aquela energia mais limpa e se conectar com a sua espiritualidade”. Giovanna também falou que a maturidade lhe ajudou no processo de autoaceitação, de confiar mais em si mesmo, onde assumiu que as vulnerabilidades e o pontos fracos não podiam lhe intimidar. Giovanna revelou também que tem um projeto para produzir um filme, mas que por enquanto não pode falar muito. Sobre a carreira foi direta: “Eu sou muito grata pela minha trajetória até aqui. Eu tenho 15 anos de carreira. Nesse tempo, eu sinto que eu consegui ser bem diversa nos projetos, nos segmentos, seja novela, série, filme… Teatro eu ainda não explorei tanto, mas consegui ter alguma experiência também”.

Os dois erros de Netanyahu

Analistas de plantão dizem que o grande perdedor nos embates das últimas semanas foi Benjamin Netanyahu que, na Assembleia Geral da ONU de 2024, havia exibido, arrogantemente, ao mundo o mapa do Grande Israel que ia do rio Jordão ao Mediterrâneo, com a anexação definitiva de Gaza e da Cisjordânia. Para o ex-embaixador Jorio Dauster, em artigo impecável, certo de contar com o apoio eterno dos EUA, o primeiro-ministro de Israel cometeu dois erros capitais. O primeiro consistiu em levar adiante os processos de genocídio e domicílio  (destruição da infraestrutura e de todos os imóveis) em curso desde outubro de 2023, após o bárbaro ataque terrorista do Hamas. Crianças famintas e cidades reduzidas a pó isso fez com que a opinião pública mundial se voltasse contra Israel. A maior prova foram as manifestações de apoio à criação de um Estado palestino (157 dos 193 membros da ONU assumirem essa postura). O segundo erro, segundo Dauster, foi o ataque aéreo de 9 de setembro de 2025 que visava eliminar toda a liderança do Hamas na cidade de Doha, capital do Catar, quando já se discutia a proposta de cessar-fogo pelos Estados Unidos.

Tiro pela culatra

Ainda o ataque aéreo: entre os alvos se incluía Khalil al-Hayya, principal negociador do Hamas. A operação, contudo, fracassou e só deixou vítimas de menor projeção política. Há quem diga que Benjamin avisou antes Trump, que teria apenas se dado como informado. O tiro, contudo, saiu pela culatra: desejando interromper as tratativas de cessação de hostilidades, a aventura de Israel teve o fulminante efeito contrário de selar a aprovação do plano de pacificação norte-americano à revelia de Netanyahu.

Mais que um ídolo

A ginasta e também agora uma ex-BBB (participou junto com seu irmão Diego Hypolito na atração deste ano), Daniele Hypolito contou em sua participação no programa “Conversa com Bial”, que o jogador Ronaldo Fenômeno é mais que um ídolo para ela, que por conta de sua sensibilidade, que não foi vista nos gramados (e que poucos conhecem) ela conquistou a primeira medalha mundial de ginástica artística do Brasil no  Mundial de Ginástica de 2001, na Bélgica. Foi ele que patrocinou sua ida. “Quase não fui porque não tinha dinheiro, porque metade da viagem era pela confederação e a outra metade era o clube ou o pai, e nem o clube e meus pais tinham. Com o valor que ele ajudou, além de eu ter ido, consegui levar a Georgette, que era minha treinadora e companheira de clube. E foi quando veio a inédita medalha da história da ginástica artística brasileira, que foi a primeira medalha mundial da história. Digo que o Ronaldo não foi importante só para o futebol, ele foi importante para a virada de chave de um outro esporte, e ele enxergou isso de forma muito carinhosa”.

Em campanha

Se já mandou avisar Lula que a indicação de Jorge Messias terá dificuldade em ser aprovado pelo Senado, Davi Alcolumbre reuniu-se, esta semana, com os presidentes do STF, Edson Fachin e do Superior Tribunal de Justiça, Herman Benjamin, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e levou junto Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado. Alcolumbre está em campanha aberta: Rodrigo Pacheco é seu candidato à vaga de Luís Roberto Barroso no STF.

Nada de novo

Está nas redes sociais: o Planalto avisou que iria punir deputados que controlam cargos, mas votam contra o governo. E já alcançou ocupantes de cargos de segundo e terceiro escalão. Eram indicados do Centrão em ministérios, autarquias e bancos federais. Gleisi Hoffmann, que lidera a ofensiva, comparou aliados infiéis que "vivem na sua casa, comem da sua comida, mas não são leais a você". O ministro Celso Sabino, que enfrentou seu partido que queria sua cabeça, ficou com Lula e faz outra comparação: "Não dá para ser casado e levar vida de solteiro". Traduzindo: o esquema do "toma lá, dá cá" perdeu o poder - e nada de novo.

Pérola

"O Brasil não tem problema com Israel, o Brasil tem problema é com Netanyahu. A hora que Netanyahu não for mais governo, não haverá nenhum problema entre Brasil e Israel",

de Lula, que já foi considerado "persona non grata" pelo governo atual de Israel.

Candidata negra 1

A aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso no STF pode ter impacto sobre as próximas escolhas de Lula para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). A magistrada negra Flavia Martins de Carvalho, juiz auxiliar do gabinete de Barroso no Supremo é apontada no meio jurídico como candidata a uma cadeira no STJ. Sua porta de entrada na Corte viria com aposentadoria do ministro Og Fernandes, em novembro de 2026. A vaga é destinada a desembargadores dos Tribunais Estaduais de Justiça. Flávia é juíza do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Candidata negra 2

Ainda a magistrada Flávia: sua nomeação depende de uma costura política. Antes, terá de ser designada desembargadora do TJ-SP, escolha que, em última instância, depende do governador Tarcísio de Freitas. Para Lula, a sinalização da possível ida de Flávia Martins para o STJ tem uma serventia simbólica. É uma tentativa do Planalto de abrandar a pressão pela escolha de uma mulher a vaga de Luís Roberto Barroso no STF. O movimento "Mulheres negras Decidem" acaba de publicar um manifesto dizendo que a sucessão de Barroso é a chance de Lula "corrigir uma injustiça histórica”.

Contra-ataque

Depois da derrota no Congresso, Lula está disposto, segundo analistas, a enviar ao mesmo Congresso uma nova proposta para alcançar os R$ 20 bilhões que a equipe econômica estima faltar para manter o arcabouço fiscal em pé. Ele tem dito aos mais chegados que essa é uma briga “que vale a pena comprar porque a Câmara está com a imagem para lá de afetada". Ele também acredita que terá o apoio do Senado e acha que tem em mãos "um punhado de cartas": discurso da justiça tributária, defesa da soberania nacional e acenos dos Estados Unidos (leia-se, Donald Trump) para um acordo.

Capa da Time

Com o título "His Triumph", a nova edição da revista Time tem uma grande foto de Donald Trump, feita de baixo pare cima, que deixou o presidente americano mais do que desapontado. Ele esbravejou na sua rede Truth Social que a foto pode ser "a pior de todos os tempos". Segundo ele, "desapareceram com o meu cabelo e botaram-algo flutuando sobre minha cabeça que parecia una coroa flutuante, mas uma minúscula". Trump também odiou o acúmulo de pregas de pele em seu pescoço. Depois, pergunta: "Porque fazem isso?" Há quem aposte que ele colou a publicação em sua "lista negra" e que achara um caminho para devolver considerada humilhação.

"Você decide" de volta

Um dos programas mais clássicos da TV Globo vai retornar à grade da emissora no ano que vem. O "Você decide", que já foi apresentado por famosos como Tony Ramos e Antônio Fagundes, ganhará uma releitura comandado por Luciano Huck. No programa, o telespectador pode decidir o futuro de histórias que contam sempre temas polêmicos. Dessa vez, contudo, o "Você decide" não será um programa próprio. Será um quadro dentro do "Domingão com Huck". A atração foi exibida originalmente entre 1992 e 2000.

Valor inédito

Flamengo e Fluminense, a dupla de concessionários do Maracanã, estão negociando naming rigths do estádio. A ideia é fechar com alguma empresa disposta a pagar R$ 70 milhões anuais, um valor inédito no futebol brasileiro. O montante equivale a soma dos três maiores contratos deste tipo no país: o Mercado Livre Pacaembu, R$ 33 milhões anuais: o Morumbis, do São Paulo, R$ 25 milhões por ano; e a Neo Química Arena, do Corinthians, 15 milhões anuais.

Mistura Fina

No telefonema que recebeu de Trump, Lula pediu ao presidente dos Estados Unidos que gostaria de uma conversa a sós. Quer liberdade para falar sem riscos de vazamento. O petista enviou antes a Trump a lista de assuntos que gostaria de tratar na conversa. Avisou que, da parte dele, aceitaria falar sobre qualquer tema.
 
O governo Lula bancou 19 viagens de Vania Marques, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), entidade controlada pelo PT e das  que mais se beneficiaram da roubalheira dos aposentados do INSS, com faturamento estimado em R$ 3,7 bilhões. Vania substituiu Aristides Veras, irmão do deputado Carlos Veras (PT-PE). Sua posse foi no dia 3 de abril e 20 dias depois, a PF colocou nas ruas a "Operação Sem desconto, que revelou a gatunagem.
 
A primeira viagem de Vania foi em junho de 2023, de Salvador para Brasília, onde participou de reunião no Planalto. Depois, decolou mais duas vezes em 2023 e outras 4 viagens em 2024 outras  4 este ano. A mais recente foi em setembro para participar em evento ligado  à COP30. Ela aparece pendurada em conselhos inventados pela gestão de Lula e até em comitês do programa "Minha Casa, Minha Vida".
  
Em alta nas pesquisas, o presidente Lula agora está pensando na possibilidade de um projeto que determine tarifa zero no transporte público todos os dias do ano em todo o país. O Brasil já é o país com maior número de cidades com tarifa zero do mundo. São 136 cidades que oferecem gratuidade no transporte público.  A medida é  considerada uma conquista, considerando  que a renda gaste com transporte público diário pode superar 20% do salário-mínimo 
 
A ideia é que estabelecimentos públicos e privados com dez funcionários ou mais, possam custear totalmente a tarifa zero em todo o Brasil, com uma contribuição de R$ 213,58 por empregado por mês. Hoje, empresas gastam valores maiores com o benefício do vale-transporte. A ideia já virou um projeto na Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte e precisa de 28 votos para ser aprovado. Hoje, tem assegurados 21 votos.

In –  Leite semidesnatado
Out – Leite desnatado 

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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