Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"O brasileiro tá gostando de política"

Senador Eduardo Girão (Novo-CE), no podcast Diário do Poder, esperançoso por 2026

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Pesquisa Marca: Lula é rejeitado por 51% em Goiânia

Levantamento Marca Pesquisas encomendado pelo site Diário do Poder, divulgado nesta sexta-feira (7), registra a rejeição do eleitor goiano à administração de Lula (PT) na Presidência. O petista é desaprovado por 51,3% dos eleitores, 32,6% aprovam e outros 13,4% classificam a gestão como regular. O resultado evidencia a tendência de queda na aprovação do governo Lula 3, após institutos como Paraná Pesquisas apontarem que até mesmo no Nordeste a aprovação do petista derrete.

Pirâmide

Instado a dar uma nota (0 a 10) ao trabalho de Lula, o eleitorado goiano aglomerou na nota zero: 38,8%. Os que deram “10” somaram só 11%.

Governadores em alta

A pesquisa Marca/Diário do Poder mostra que, como em outros estados, o governador tem aprovação (Ronaldo Caiado, 80,2%) maior que Lula.

Pirâmide invertida

Com Caiado (União Brasil) a pirâmide da avaliação se inverte, 33,38% dos eleitores dão nota 10 e só 2,65% dão nota zero ao governador.

Dados

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob número GO- 07896/2024. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais.

Senado não se dá ao respeito’, diz Eduardo Girão

Em entrevista ao podcast Diário do Poder desta semana, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) fez críticas à atuação do Senado e do presidente Rodrigo Pacheco frente à crise entre Legislativo, Executivo e Judiciário. “O Senado não se dá ao respeito. O Senado tem uma missão importante nesse País. É o único que tem o poder constitucional para investigar eventuais abusos de ministros do Supremo... e se recusa a fazer. Se omite deliberadamente”, disparou o parlamentar.

Não só Senado

O senador também criticou a demora da Câmara, onde está parado o projeto que limita poderes individuais no STF, já aprovado no Senado.

Pedido certo

“Vejo um alinhamento cada vez maior do STF com o governo”, diz Girão, que aponta: após derrotas dias atrás, “Lula correu atrás” do STF.

Mudança no horizonte

Girão afirmou acreditar que 2026 será um “ponto de corte” para o Brasil, quando dois terços do Senado serão renovados na eleição majoritária.

Fake news custa caro

O governo usa fake news para gastar R$7,2 bilhões na importação até 1 milhão de toneladas de arroz: “recomposição dos estoques” em razão da tragédia gaúcha. Os produtores já desmascararam a mentira: a safra já estava colhida antes das enchentes, não há risco de desabastecimento.

Ministro da Crise

“O ministro Haddad é um ministro com crise de identidade, não sabe para que lado vai. Quer conversar com o mercado financeiro, mas o partido [PT] o desautoriza”, afirmou Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

Atrasado pra ‘festa’

O que mais chamou atenção do jornal Financial Times para denunciar o desmanche da Lava Jato foi a presença dos bilionários Joesley e Wesley Batista, enrolados e presos na operação, em encontro ao lado de... Lula.

Grupão regulamentação

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), montou grupo de trabalho sobre regulamentação das redes sociais. Com três indicações: PP e PL; com duas, Podemos; com uma: PT, PCdoB, MDB, Rep, PDT, PSD, SDD, PSB, União, Novo, PRD e Psol. O relatório deve sair em 90 dias.

Meia volta

Frentes produtivas do Congresso Nacional pressionam para que Rodrigo Pacheco (PSD-MG) nem mesmo receba a Medida Provisória do governo Lula que prejudica o agronegócio ao limitar uso de créditos de Pis/Cofins.

Fogo amigo

Irritou deputados do PL o voto de Junior Lourenço (PL-MA) para livrar André Janones (Avante-MG) de processo por denúncia de rachadinha. Nikolas Ferreira (PL-MG) disse que Lourenço deve ser expulso do PL.

Amigo da onça

Enquanto Lula posava para fotos com flagelados, seu governo usava a Conab para fechar contrato de importação de 263.000 toneladas de arroz, usando dinheiro público para concorrer com o produto gaúcho.

Tiro de longe

O senador Cid Gomes (PSB-CE) está em Zurique (Suíça) para dar palestra sobre educação e, segundo a imprensa cearense, faz exigências do PT antes de lançar candidatos este ano com o apoio do seu PSB.

Pensando bem...

...agora defender rachador é defender a democracia.

PODER SEM PUDOR

Anéis de Ourives

Ao final de um inflamado discurso, o vereador de Pedro Ourives requereu ao presidente da Câmara Municipal de Cáceres (MT), nos idos de 1995:Faço questão de registrar meu posicionamento nos anéis desta Casa”. O vereador José Brandão, colega de bancada, corrigiu:Nobre colega, o certo é Anais, não ‘anéis’”. Recebeu o troco:Que seja Anais para você. Para mim, que sou Ourives, a sua observação de nada vale”.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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