Colunistas

Cláudio Humberto

"O crime é organizado e a nossa política de Segurança Pública..."

Senador Carlos Portinho (PL-RJ) critica mudanças na política pública a cada governo

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‘Beiço’ de grandes empresas soma R$1,17 trilhão

Os Estados e o DF acumulam uma bomba-relógio de R$1,17 trilhão em dívidas ativas, equivalente a 16 meses de arrecadação total. O dado, revelado pelo Atlas da Dívida Ativa dos Estados Brasileiros, da Fenafisco, expõe o grosso do débito de ICMS, que financia saúde, educação e segurança pública. A pesquisa reflete números de 2023 e foi atualizada em março deste ano. Somente cinco Estados – Mato Grosso, Amapá, Acre, Piauí e Amazonas – mantêm dívidas abaixo de 60% de sua receita.

 

Refit em 1º lugar

No topo da lista, o Grupo Refit lidera com impressionantes R$20,8 bilhões devidos, principalmente ao Rio de Janeiro e São Paulo.

 

Petrobras em 2º

A Petrobras, em 2º, tem R$15,1 bilhões pendentes, em meio a disputas judiciais. A massa falida da extinta Vasp, em 3º lugar, deve R$9,5 bilhões.

 

Pobre Alagoas

Empresa do ramo de cultivo de cana-de-açúcar, a Mendo Sampaio, em recuperação judicial, deve R$8,2 bilhões só a Alagoas.

 

Andou bebendo?

A Ambev, de marcas como Brahma e Skol, fecha o pódio dos cinco maiores, com R$5,3 bilhões devidos em ICMS Brasil afora.

 

Concorrência no Sebrae-AP enrola até Alcolumbre

Concorrência entre agências de comunicação pelo contrato do Sebrae do Amapá tem causado tanta confusão que enrolou até o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Mês passado, a proposta da empresa Nagib Comunicação e Marketing venceu, mas foi contestada pelas outras concorrentes por, entre outros motivos, atender a Davi Alcolumbre enquanto vence o contrato do órgão presidido por Josiel Alcolumbre... irmão do presidente do Senado. Procurado, o Sebrae-AP não respondeu aos questionamentos. O espaço segue aberto.

 

Experiência

A própria Nagib lista na seção de “experiência do licitante” os serviços de comunicação prestados ao atual mandato eletivo de Davi Alcolumbre.

 

Recurso feito

A Grito Propaganda, uma das derrotadas na disputa, protocolou recurso administrativo no Sebrae-AP para anular o resultado da concorrência.

 

Tem mais

Além do conflito de interesses, a agência derrotada também alega que os envelopes da concorrência foram violados entre sessões de abertura.

 

Vai ou racha

A CPMI que investiga o cambalacho contra idosos do INSS tem mais uma chance de aprovar a convocação de Jorge Messias (AGU), suspeito de omissão. A próxima reunião do colegiado é a última do ano.

 

O que tanto escondem?

A bancada do partido Novo na Câmara protocolou Projeto de Decreto Legislativo para suspender a portaria (nº 631/2025) do Ministério das Relações Exteriores que ampliou o sigilo sobre informações da pasta.

 

Bolsonaro em casa

A defesa de Jair Bolsonaro vai insistir no cumprimento de pena em regime domiciliar do ex-presidente. O pedido dos advogados deve ser protocolado esta semana do Supremo.

 

Tem mais

Por pouco não foi ainda maior a surra que tomou o governo Lula na sessão do Congresso na quinta (27), com queda de 56 dos 63 vetos do petista. Acordo tirou sete itens da pauta, mas voltam nesta semana.

 

Rádio e TV

Para faturar algum dividendo eleitoral, Lula gravou nesta sexta (28) pronunciamento para trombetear a sanção da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil/mês. Vai ao ar neste domingo (30).

 

Só problema

A tensa relação de Lula com o Legislativo tem tudo para dar ruim para o petista, “Isso gera insatisfação, revolta e, certamente, vai gerar ainda muitos problemas”, avalia o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS).

 

Básico violado

Presidente da CPMI do INSS, o senador Carlos Viana (Pode-MG) vê “crueldade institucionalizada” em impedir o acesso imediato de Jair Bolsonaro a tratamento médico, enquanto sofre crise de soluço e refluxo.

 

Recesso à vista

O Supremo Tribunal Federal (STF) tem sessões marcadas até o dia 19 de dezembro, com julgamentos dos réus do 8 de janeiro do chamado “núcleo 2” marcados até o dia 16.

 

Pensando bem…

…a química é efêmera.

 

PODER SEM PUDOR

Encharcou, não tem jeito

Ministro da Justiça do primeiro governo petista, Márcio Thomaz Bastos ouviu calado, certa vez, duras críticas a Lula (PT) pelo presidente nacional da OAB, Roberto Busato e o presidente da OAB-SC, Adriano Zanotto, em evento de Advogados. A cada crítica, sempre aplaudida ppr centenas de advogados presentes ao encontro, Thomaz Bastos procurava disfarçar o constrangimento tomando, sistematicamente, um gole d'água. Ao final dos discursos, encharcado, ele não teve outra saída senão seguir – célere – para o banheiro mais próximo.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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