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DIREITO DO CONSUMIDOR

O efetivo conceito do cadastro positivo na prática

Cadastro positivo é o tema do artigo desta semana de Marcelo Salomão

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Nesta semana vamos falar sobre “cadastro positivo”. Trata-se de um sistema de pontuação do consumidor, que reúne informações sobre ele, acerca de operações financeiras e obrigações de pagamento, gerando um histórico, que pode ser visualizado pelos fornecedores, com o objetivo de avaliar o risco na oferta de créditos ao consumidor, dentre eles empréstimo, financiamento ou emissão de cartão de crédito. 

O sistema existe desde a edição da Lei Federal n. 12.414/2011, que Disciplina a formação e consulta a bancos de dados com informações de adimplemento, de pessoas naturais ou de pessoas jurídicas, para formação de histórico de crédito, porém, o consumidor deveria autorizar previamente que a as informações nele contidas pudessem ser avaliadas. 

No entanto, a Lei Complementar n. 166/2019, ao dispor sobre os cadastros positivos de crédito, prevê a inclusão automática de consumidores no denominado “cadastro positivo”, alterando a legislação federal citada. 

O score do consumidor pode variar de 1 a 1000, sendo que quanto mais próximo de 1000, maior a chance de o consumidor ser considerado “bom pagador”. 

O score de cada consumidor será avaliado por varejistas, instituições financeiras e bancos, na concessão de crédito e sob quais taxas de juros, de acordo com a capacidade de pagamento que avaliam que os consumidores possuem.

Os cadastros, que foram abertos automaticamente, podem ser consultados pelos consumidores nas páginas dos quatro gestores, autorizados atualmente pelo Banco Central (BC) para atuar na alimentação do sistema: Serasa, Boa Vista SCPC, SPC Brasil e Quod. 

O cadastro positivo funciona, na prática, como uma espécie de “aval de bom pagador”, por meio do qual, o comerciante poderá ofertar créditos com menores taxas, em razão da baixa probalilidade de risco.

Convém citar que a Súmula 550 do STJ já havia considerado, como válida, a dispensa do consentimento do consumidor na utilização de score de crédito. 

Por sua vez, o Código de Defesa do Consumidor – CDC, no artigo 43, estabelece que o consumidor terá acesso às informações existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e de consumo arquivados sobre ele, bem como suas respectivas fontes, estabelecendo, no § 2º, expressamente, que a abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de consumo deverá ser comunicada por escrito ao consumidor, quando não solicitada por ele. 

Fato é que essa “lista de bons pagadores” traz uma expectativa de condições melhores aos consumidores, na oferta de crédito, que terão acesso a opções de juros e créditos mais atrativas e com prazos de pagamento mais longos, incentivando, inclusive, os endividados a regularizarem suas dívidas. 

No entanto, caberá ao consumidor exercer o direito previsto no artigo 43 do CDC c/c o artigo 6º, III do CDC, de obter explicações sobre quais dados foram utilizados e como foram manejados e, caso julgue que as informações estão incorretas ou que foram utilizadas de forma a prejudicá-lo, poderá impugná-las, solicitando sua correção ou cancelamento em todos os bancos de dados que as compartilharam, no prazo de dez dias. 

Por outro lado, temos que ter em mente o momento difícil que o Brasil enfrenta, com a mudança assustadora no cenário econômico, em razão dos efeitos da pandemia da COVID – 19.

Neste cenário, atrasos em contas de luz, água, internet e telefonia levarão a pontuação para baixo. 

Assim, se o consumidor acredita que pode ser bem avaliado pelas empresas de avaliação de crédito por não atrasar contas, permanecer no cadastro pode ser vantajoso, no entanto, se não pretende contratar crédito ou acredita que ficará com uma pontuação baixa por eventualmente atrasar contas de consumo, ou ainda não querer ter sua privacidade violada, o mais provável é que permanecer no cadastro seja prejudicial.

Neste aspecto, aliado ao direito consagrado no § 2º do artigo 43 do CDC, cumpre ressaltar que o consumidor, que desejar sair do sistema, pode fazer a solicitação a um dos gestores (Serasa, Boa Vista SCPC, SPC Brasil e Quod), devendo a exclusão dos dados dos sistemas ocorrer em até dois dias. 

No entanto, deverá permanecer atento para não acabar sofrendo “represálias”, por não querer compartilhar os seus dados no cadastro positivo. 

O cadastro positivo deve somente ser utilizado para balizar relações de crédito e, sob nenhuma hipótese, como referência nas relações de consumo. Exemplificativamente, utilizar o cadastro positivo para negar a matrícula de uma criança em uma escola particular ou para vedar que o consumidor adquira um plano de telefonia móvel pós-pago, à luz do CDC, incorre em uso abusivo do Cadastro Positivo.

Caso o consumidor se sinta lesado, seja por inexatidão de seus dados no cadastro, por ausência de informações claras e adequadas, que geraram o score, pelo uso indevido do cadastro para negativa de contratação de serviços ou, ainda, por ter sofrido “represarias” por não querer compartilhar os seus dados no cadastro positivo, poderá recorrer aos órgãos de proteção e defesa do consumidor, para garantia de seus direitos. 

CLAÚDIO HUMBERTO

"O crime compensa desde que cometido por menor de idade"

Deputada Rosana Valle (PL-SP) certeira na defesa da redução da maioridade penal

02/04/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Lula não cumpriu promessa de indicar Pacheco

Fontes próximas a Lula (PT) confirmam que reservadamente ele havia sinalizado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que o atenderia na indicação do aliado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), como forma de recompensar o senador amapaense pelo “rabo preso”, como se define o alinhamento em política. Por isso, o gesto de Lula indicando o aliado petista Jorge Messias representou o descumprimento de um compromisso político.

Sim, político mente

O “ingênuo” Alcolumbre parece surpreso com a constatação de que Lula é apenas mais um político que mente para obter o que deseja.

Aval desnecessário

Mas há o óbvio constitucional: indicação ao STF é prerrogativa do presidente da República, sem a necessidade de aval prévio do Senado.

Puro fisiologismo

Lula e Alcolumbre, com seu primarismo fisiológico, criaram um vácuo de governabilidade que fragiliza o próprio sistema de freios e contrapesos.

Ambos erraram

Nessa relação fisiológica, o Senado não pode vetar Messias previamente e nem o Planalto pode gerar o custo político de ignorar o Senado.

Alckmin como vice foi troféu consolação de Lula

Lula tentou até os 45 do segundo tempo fechar com o MDB a composição da chapa eleitoral deste ano, ignorando escaldados petistas que não esquecem o desfecho da dobradinha Dilma/Temer. A negociação não deu certo por causa do MDB, que nem de longe teve consenso para apoiar o petista nas nacionais. Diretórios do Sul, Sudeste e Centro-Oeste se recusaram a fechar com Lula. A situação foi ainda pior em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, que deve até pedir votos contra o petista.

Não compensa

A conta eleitoral foi simples: Lula iria se indispor com o PSB, que fechou com o PT no âmbito nacional, para ficar com o MDB fragmentado.

Azedou

Atuação de Lula para esvaziar quadros do MDB, tipo Simone Tebet (que foi para o PSB), apesar dos pesares, também ajudou a melar a aliança.

Minas indefinida

Outro colégio eleitoral importante e que não está disposto a fechar porteira com Lula é Minas Gerais, crucial para a campanha petista.

Quem lacra não lucra

Exaurido por lacrações imbecilizadas que afugentam investidores e clientes, o Banco do Brasil trocou 9 das 12 diretorias. Chamou quem sabe o que faz para tentar reverter o declínio do BB no governo petista.

Dia do Lula

Este ano os usuários do X trocaram o “ParabénsLula” pela hashtag “Dia do Lula”, em “homenagem” ao petista pelo 1º de abril, Dia da Mentira. A turma conseguiu colocar a expressão nos assuntos do dia.

Agenda

Com agenda de Lula em Salvador (BA), o decreto com a regulamentação da subvenção à venda do diesel deve esperar o retorno do petista à capital federal. Metade da conta, cerca de R$1,5 bilhão, é dos estados.

Senador censurado

Crítico feroz do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), Eduardo Girão (Novo-CE) diz que nem entrevista ao vivo a TV Senado faz com ele. Conversa com o senador cearense, só gravada e editada.

Acerto baiano

Na passagem por Salvador (BA), nesta quinta-feira (2), Lula deve acertar com Jerônimo Rodrigues (PT) o nome do vice que vai compor a chapa petista para tentar a reeleição ao governo da Bahia.

Às moscas

Ainda que o PL leve adiante o pedido de cassação de Soraya Thronicke (Pode-MS), o andar do processo é outra história. O Conselho de Ética do Senado nem mesmo foi instalado. A última sessão foi em julho de 2024.

Flávio em vantagem

Curioso resultado da Atlas (BR-05686/2026) em Minas Gerais sobre eventual segundo turno contra Lula (PT): em confronto direto com o petista, Flávio Bolsonaro (46,9%) performa melhor do que o pai (46%).

Começou de novo

A bancada republicana na Comissão Judiciária da Câmara dos EUA divulgou novo relatório sobre “ordens secretas de censura” do ministro Alexandre de Moraes. “Nossa conclusão: Moraes e outros funcionários brasileiros tentam censurar a liberdade de expressão americana”.

Pensando bem...

...não tem segundo turno para Jorge Messias.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

De política e virgindade

O então ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), exímio frasista, reuniu a bancada federal da Bahia, na Câmara, logo após a sua posse e de o presidente Lula propor a George W. Bush a busca do “ponto G”. Ao explicar por que evoluiu para uma aliança com Lula, Geddel tascou:

- Em tempo de citações eróticas, devo dizer que aos 18 anos eu definia o caráter da mulher pela virgindade; aos 48, considero isso uma besteira.

CLAÚDIO HUMBERTO

"Fiz mais que o Ministério das Mulheres todinho"

Ministro José Múcio Monteiro (Defesa) traído pelo microfone na reunião ministerial

01/04/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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MPF: penduricalhos somam R$ 458 milhões desde 2025

Generosos penduricalhos, fartamente distribuídos no Ministério Público Federal (MPF), custaram ao pagador de impostos mais de R$ 458,3 milhões entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, conforme levantamento da coluna com dados do próprio MPF. A fatura considera coisas do tipo “Abono de permanência”, quando o servidor já pode aposentar, mas escolhe permanecer na labuta; as famigeradas “verbas indenizatórias”, até obscuras “outras remunerações temporárias”.

Naco do PGR

Desses penduricalhos citados, R$ 751,7 mil foram pagos a Paulo Gonet, mas boa parte ficou retida nos descontos, que o governo não perdoou.

Teto pra quem?

Gonet furou o teto duas vezes, sempre nos meses de janeiro. Recebeu, líquido, R$ 82,2 mil (jan/2025) e R$ 82,7 mil (jan/2026).

Bolo esmiuçado

Verbas indenizatórias foi o que mais custou: R$ 374,9 milhões, seguido por “outras remunerações temporárias” (R$ 66 mi) e o abono (R$ 17,3 mi).

Todo ouvidos

À coluna, o MPF diz que os pagamentos seguem leis federais, decisões do STF e STJ, resoluções do CNMP e que respeita o teto constitucional.

Rejeição de Lula se equipara a Bolsonaro em 2022

A rejeição crescente do eleitorado ao governo e ao próprio presidente Lula (PT) é motivo de pânico na pré-campanha presidencial. O governo petista já registra 52% de reprovação, segundo o Paraná Pesquisas (BR-00873/2026), e 53,3% dos eleitores dizem que Lula “não merece um novo mandato” à frente da Presidência. Em março de 2022, o Datafolha apontava rejeição de 55% ao então presidente Jair Bolsonaro (PL).

De jeito nenhum

O Paraná Pesquisas identificou no mesmo levantamento que 47% dos brasileiros não votam em Lula “de jeito nenhum”.

Pior que Dilma

Em maio de 2014, o Datafolha apontou que 35% dos eleitores não votariam na então candidata à reeleição Dilma “de jeito nenhum”.

Comparação

A alguns meses da eleição de 2022, a rejeição a Lula, segundo o Datafolha, ficou entre 33% e 35% entre março e maio.

Terra arrasada, Brasil

Dados oficiais mostram que nos dois primeiros meses de 2026 as estatais federais registraram o pior prejuízo da História: R$ 4,1 bilhões. O deputado Ricardo Salles (Novo-SP) parecia adivinhar quando disse no podcast Diário do Poder que a reeleição de Lula (PT) aniquilaria o Brasil.

Conversas adiantadas

Dr. Furlan, pré-candidato ao governo do Amapá, tem o apoio do PL, PSD, Podemos e do Republicanos, partido que recebeu boa parte dos parlamentares do Estado que abandonaram o União de Davi Alcolumbre.

Números devastadores

Vídeo de Janja atacando Nikolas Ferreira rendeu 900 mil visualizações. Impressionante para alguém como ela, de imagem tão ruim. O problema foi a resposta demolidora do deputado do PL-MG: passou de 23 milhões.

Barreiras outras

Foram 131 dias entre a “indicação” ao STF do advogado-geral Jorge Messias pelo presidente Lula (PT) e o anúncio do envio da mensagem oficial ao Senado, que fica a três minutos de distância... a pé.

Parabéns, Lula

Sempre atentos e prontos para a zoeira, há um ano usuários do X conseguiram subir a hashtag “ParabénsLula” aos assuntos do dia. Não perderam a chance de associar o petista ao Dia da Mentira, 1º de abril.

Pedra cantada

Saiu só agora a oficialização, mas leitores da coluna souberam com bastante antecedência, desde 21 de janeiro, que seria Miriam Belchior a substituta de Rui Costa na Casa Civil.

Moreira de volta

Dono de uma das carreiras políticas mais completas do País, o ex-ministro Moreira Franco retorna a Brasília na próxima quarta (8), para lançar seu livro “A Política como Destino” (ed. Topbooks, Rio).

Tereza no Senado

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que a senadora Tereza Cristina afirmou a ele que não pretender ser candidata a vice-presidente: “ela não será candidata à vice, eu tenho certeza, ela não quer”.

Pensando bem...

...18 ministros vão deixar o cargo e não representam nem metade da Esplanada.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Souza Dantas, o breve

O jornalista Raimundo de Souza Dantas era um discreto funcionário do Ministério da Fazenda, no Rio, e tinha algo que o diferenciava dos colegas: era amigo do presidente Jânio Quadros. Sonhava com a diplomacia. Jânio o nomeou embaixador em Gana (África), mas, três meses depois, renunciaria ao mandato, devolvendo Souza Dantas a sua salinha na antiga repartição. Do contínuo ao chefe, os cruéis colegas não paravam de ironizar:

- Bom dia, embaixador!

- Já bateu o ponto, embaixador?

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