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"O governo tem contado com a boa vontade desses partidos que estão votando republicanamente"

de ARTHUR LIRA, presidente da Câmara, profetizando piores tempos para a gestão Lula

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A Cemig teme que o leilão de 15 PCHs da companhia marcada para 10 de agosto seja um fracasso de bilheteria. Potenciais candidatos à licitação têm desistido do negócio após analisarem os números das usinas.

Mais: o mais recente foi a Brasal Energia, conglomerado sediado em Brasília com negócios no setor elétrico, seguros, construção, bebidas e revenda de carros. Detalhe: o pacotão não custa uma fortuna. O lance inicial é de apenas R$ 48 milhões.

O governo tem contado com a boa vontade desses partidos (Centrão) que estão votando republicanamente. Esse combustível está acabando”,
de ARTHUR LIRA // presidente da Câmara, profetizando piores tempos para a gestão Lula.

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Sinônimo de sucesso

A modelo e empresária Kylie Jenner é sinônimo de sucesso, com uma fortuna estimada em US$ 700 milhões devido a seus cosméticos: Kylie Cosmetics que criou aos 17 anos. Agora, a marca cresceu e também abrange cuidados com a pele (Kylie Skin) e uma linha de cuidados para bebês e crianças (Kylie Baby) chegando até ao o ramo da moda praia (Kylie Swim).

Kylie revelou que quando era mais nova tinha uma insegurança: achava seus lábios pequenos, então ela fez preenchimento labial, no qual não se arrepende. E garante que está se dedicando mais ao lado empresarial.

“Cresci e tenho uma visão bem  diferente do que quero. Eu costumo fazer muitas coleções de edição limitada que são tão divertidas, mas meu objetivo é continuar a elevar e estender a linha principal”.

Mesmo se dedicando a sua marca, ela não deixa de modelar:  é rosto da campanha primavera-verão 2023 de Jean Paul Gaultier , batizada “Flowers”.

Meses atrás ela esteve em mais três campanhas: na de óculos Dolce & Gabbana, da bolsa DG Logo (também da grife Dolce & Gabbana) e na coleção Outono 2023 da Coperni. Claro, sem deixar de abrilhantar as campanha de suas próprias marcas.

Na cartilha de Eduardo Cunha

O caso suspeito de compra de kits de robótica, que Arthur Lira, presidente da Câmara, repete que “não tem nada a ver com o que está acontecendo”, foi comprado acima do valor de mercado, destinado a escolas onde não tem nem água encanada e a empresa que fechou o contrato não produz kits de robótica.

É do pai de um vereador de Maceió ligado a Lira e a picape que transportava dinheiro do esquema foi usada na campanha do mesmo Lira à reeleição. E ele teria se sentido retaliado pela Polícia Federal depois de ter encostado Lula na parede por votação da MP.

Aí, foi reclamar com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, com Flávio Dino, ministro da Justiça e até com Lula. Esta semana, o STF rejeitou denúncia contra Arthur Lira, ele teria avisado que estava disposto a atirar. Seguia, pelo que se deduz, a cartilha de Eduardo Cunha.

Chegou aos 35

A modelo, atriz e empresária Yasmin Brunet completou 35 anos na última terça-feira (6) e causou espanto na mídia digital por ter uma aparência mais jovem e claro uma enxurrada de elogios.

Em suas redes sociais comemorou: “Seja bem-vindo, 3.5. Já estou vendo que você vai ser o melhor ano da minha vida”. Entre muitas felicitações pela data estava de sua mãe que disse: “Feliz aniversário, sereia! Muitas bênçãos e saúde, continue com seu propósito”.

Solteira a mais de um ano ela fez um pedido especial: “Deus se for da sua vontade coloca um cara fiel, cheiroso e tatuado na minha vida… sua filha está preparada”. Dias antes ela havia questionado se não existia mais homens românticos.

Vende-se

O Grêmio procura parceiro (fundo de investimentos) para comprar seu estádio – e seu, em termos. A propriedade da Arena de Porto Alegre, é grande complicação. Hoje, o estádio pertence ao FI-FGTS, administrado pela Caixa e à Coesa que, em abril, comprou a KPE Engenharia, que reunia ativos imobiliários da antiga OAS, construtora do empreendimento.

Só que a empreiteira baiana ainda pisa nesse gramado. A gestão é feita pela Arena Porto-Alegrense, pertencente à Metha, novo nome da OAS. Em abril, Banrisul, BB e Santander entraram na Justiça pedindo penhora da Arena que ainda deve R$ 226 milhões do crédito concedido para a construção do empreendimento.

Cartão especial

O Banco do Brasil, presidido por Tarciana Medeiros, lança um cartão de crédito personalizado para pessoas trans, em comemoração ao mês do orgulho LGBT+. O documento permitirá que seja usado o nome social da pessoa.

A ação faz parte da 22ª Feira Cultural da Diversidade, patrocinada pelo Banco. Tarciana, à propósito, é a primeira mulher – e lésbica – a presidir o Banco do Brasil.

Condicionado

Na conversa que teve com Artur Lira, presidente da Câmara, num café da manhã, no Alvorada, Lula acertou que, antes do envio de quaisquer medidas provisória ao Congresso, que seus ministros conversem com Lira e Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, porque ainda existe uma guerra entre eles.

De certa maneira, para Lula, é ação condicionada às exigências de Lira. Na quarta-feira (7), Lula recebeu lideranças do Senado, demonstrando que pretende entrar na articulação (tem sido cobrado a fazer).

Teria também uma agenda com deputados, mas havia raros em Brasília por conta do feriado.

VERBAS E CARGOS

Além da liberação recorde de R$ 1,7 bilhão em emendas para parlamentares em um único dia, a aprovação da MP da Reestruturação dos Ministérios custou uma leva de cargos.

O senador Veneziano Vital do Rego (MDB-PB), vice-presidente do Congresso, foi agraciado com a indicação de João França para a diretoria de Controle e Risco do Banco do Nordeste. Arthur Lira, de quebra e de troco, levou três superintendências regionais da Sudene.

Primeira negra

Depois da indicação de Cristiano Zanin ao STF, as atenções se voltam para a sucessão da ministra Rosa Weber, que se aposenta em outubro.

Um nome que vem sendo bem cotado e circulado com Força no Planalto é o da jurista Silvia Souza, presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, que tem grande apoiador no governo: o ministro de Direitos Humanos, Silvio Almeida.

Seria a primeira mulher negra na Suprema Corte. Antes de Zanin, outro nome havia sido levado a Lula: o da jurista Vera Lúcia Santana, ligada à Frente de Mulheres Negras do Distrito Federal.

APOIO DE FÉ

Cristiano Zanin, embora acredite-se que seu nome passe pelo Senado, está procurando deputados evangélicos que atuaram na candidatura (trabalhando nos bastidores) de André Mendonça, o “terrivelmente evangélico” que já é ministro do STF.

O nome de Mendonça amargou 141 dias para ser aprovado (Davi Alcolumbre é quem estimava o prazo da sabatina) e na época, deputados da Frente Evangélica organizaram reuniões com 81 senadores, para virar votos.

Chances

O julgamento de uma ação que pode tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível está marcada no TSE (a data é escolha do Ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal) para o próximo dia 22. Refere-se à reunião que ele convocou, no Alvorada, com grande grupo de representantes diplomáticos no Brasil, pregando que o sistema eleitoral seria fraudulento.

A chance de ganhar 60 dias é se o ministro (também do TSE) Kassio Nunes (foi Bolsonaro que o indicou para o Supremo) pedir vista. Pedido de vista, agora, só podem durar dois meses.

Retorno ameaçado

Segundo análise do setor, empresas de saúde que se instalaram em Brasília, nos últimos tempos, consideram a capital um dos piores mercados. Sírio-Libanês e Rede D’Or estariam trabalhando com margens muito menores do que em outras praças e a conversão do lucro antese de impostos e demais descontos em caixa na cidade é a menor do Brasil.

A maior rede hospitalar do Centro-Oeste procura investidores há mais de um ano e o Bradesco negocia, há meses, a compra de hospitais do grupo, sem resultado.

ATORDOADA

Luiza Trajano, presidente do Conselho da rede de lojas Magazine Luiza, segundo amigos chegados, está atordoada. Depois de vender muito nos tempos da pandemia e diante da reabertura da economia, a companhia enfrenta juros altos, consumidor recuado e endividado e concorrentes (alguns) mais bem preparados.

E o resultado é quase trágico: em 2020, a empresa tinha valor de mercado de R$ 178 bilhões e era a sexta maior da Bolsa. Hoje, o grupo vale R$ 25,3 bilhões. Ou seja caiu para 35ª posição e perdeu, em valor de mercado o equivalente “a um Bradesco”.

MISTURA FINA

  • ALEXANDRE Padilha (Relações Institucionais), cuja cabeça vem sendo pedida por Arthur Lira, presidente da Câmara, dificilmente cairá: tem o respaldo da primeira-dama Janja e não leva preocupações – o que ela sempre recomenda – ao presidente. Enquanto isso, Padilha guerreia com o Congresso. Até para aliados, Janja pensa como militante e pouco pragmatismo político do governo seria endossado por ela.
  • A  MEDIDA Provisória de Lula para baratear os carros populares pode virar uma armadilha para o consumidor. O desconto, entre R$ 2 mil e R$ 8 mil, só será vantajoso para quem puder comprar o veículo à vista. Até o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, já admitiu que será isso mesmo. Quem tiver de financiar a compra, com a Selic em 13,75%, as simulações mostram que, ao final do financiamento, um carro de R$ 60 mil terá custado o dobro do valor.
  • FERNANDO Haddad (Fazenda) acha que também os bancos abraçarão a ideia dos carros populares. Ledo engano: quem tentar financiamento, dará de cara com os juros do mercado – e sem quaisquer descontos. Montadoras, com os pátios lotados é que seriam as encarregadas de dar descontos, só que até agora elas se recusam a reduzir os preços (com raras exceções). Só 37 carros (de dez montadoras) estão aptos ao desconto. A principal é a Fiat, com 11 automóveis abaixo dos R$ 120 mil.
  • quem aposte que, nessa nova novela governamental, a dos carros populares, quem deverá aumentar suas vendas serão as lojas de seminovos e usados (esses últimos só com três anos de uso). Depois de um mês ou dois, abaixarão seus preços para quem correu atrás dos populares e não teve fôlego para pagar. Nada de mágica: a previsão é de especialistas de consumo na área.
  • AS redes estão recheadas de críticas – e até gozações – por conta do novo aumento do diesel. Os internautas de mais apurado humor espalham que “o desconto para caminhão pago com aumento do diesel deveria rebatizar o programa de Lula para “Me engana que eu gosto”. A propósito: Fernando Haddad (Fazenda), que não é muito bom em matemática, é quem teve a ideia do aumento do diesel.
  • MESMO com muitos parlamentares já estando fora de Brasília (era uma sexta-feira) e apesar do gesto, deixou uma legião deles magoados porque o presidente Lula não convidou nenhum deles para o primeiro churrasco – e no Alvorada. Nem sequer os presidentes da Câmara e do Senado foram chamados, embora muita gente diga que eles levantaram as mãos aos céus. Desde o governo Lula 1, esses eventos são usados para melhorar o clima entre as partes.
  • NA semana passada, pela segunda vez, Jair Bolsonaro e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, almoçaram com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, candidato à reeleição em 2026 e pretende ser apoiado publicamente pelo ex-presidente. O PL, praticamente, já está acertado com Nunes e participa de seu governo. O almoço provocou a retirada da pré-candidatura do ex-ministro e deputado federal Ricardo Salles (PL-SP) à prefeitura paulistana, que escreveu no Twitter: “Quem com os porcos anda, farelo come”.

Claudio Humberto

"Se você está endividado, a culpa é do governo Lula"

Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, ao prometer organizar as contas públicas

23/08/2026 08h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Oposição critica PGR engajada à defesa de Lula

Opositores estão indignados com o procurador geral da República (PGR), acusado de “engajamento” na defesa de Lulinha, filho de Lula (PT), investigado por tráfico de influência e corrupção. Paulo Gonet tentou retirar a relatoria de André Mendonça, ministro do STF que não se submete a Lula, e depois tentou levar o processo à 1ª instância. “Absurdo”, diz Marcel van Hattem (Novo-RS), lembrando que, nomeado por Lula, Gonet se opôs a 1ª instância julgando casos do 8 de janeiro.

Batom na cueca
Gonet se esforça para tirar do STF dois dos três inquéritos contra Lulinha relatados por Mendonça. O outro permaneceria nas mãos de Flavio Dino.

Guinada ridícula
Para van Hattem, é até ridículo a PGR mudar de posição sobre 1ª instância quando o investigado é o filho do presidente da República.

Críticas na academia
Professor de pós-graduação da USP e mestre e doutor em Direito Constitucional, Rubens Beçak também se associa aos críticos da PGR.

Escândalo paralelo
Já Evair de Melo (PP-ES) acha que não tem como retirar o caso Lulinha do STF pelas conexões do filho de Lula com o escândalo do INSS.

PL espera ter duas vezes mais senadores que o PT
Nas primeiras pesquisas que já circulam dentro do PL, o partido projeta pelo menos o dobro de senadores em relação ao PT. A Casa Alta é a prioridade da sigla, que pretende lançar candidatura para a presidência do Senado, além de ter força política para andar com as pautas que viraram bandeiras do partido nesta eleição. Entre as principais prioridades, andar com pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda que não haja votos para vitória.

Melhor cenário
Nas contas dos liberais, o partido pode chegar aos 28 senadores. Se Jair Bolsonaro estivesse na ativa, o número poderia bater os 32.

Com calma
Já as previsões mais conservadoras apontam para 20 senadores, mas com mais destaque, já que esperam nomes como Michelle Bolsonaro. 

Olho no vizinho
As planilhas trazem projeções para outras bancadas também. Petistas, nas contas do PL, devem beirar os 10 parlamentares.

Modus Operandi
“Do mar de lama do Sítio de Atibaia à Mansão do Lulinha em Brasília”, Sérgio Moro (PL-PR), juíz que condenou Lula na Lava Jato, sobre o elo de Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e testemunha do caso de Atibaia que voltou ao folhetim por assinar contrato da mansão do QG do Lobby.

Pesos e medidas
Carlos Bolsonaro (PL-SC) comparou o caso de Lulinha, cada vez mais imerso no triângulo com a lobista Roberta Luchsinger e o Careca do INSS, com o do pai, que teve até inquérito por se aproximar de baleia.

Preço artificial
O medo do impacto na campanha eleitoral bateu na equipe de Lula e o governo já estuda prorrogar o subsídio à gasolina. O benefício, que deveria ser provisório, pode ganhar mais 30 dias de sobrevida.

Na gaiola
Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, lamenta a situação da segurança púbica no país, “O cidadão é obrigado a transformar o próprio carro em uma gaiola para tentar não ter o celular arrancado.”

Sem pudor
Após apontar tentativa de “balão” da PGR no ministro André Mendonça (STF), com pedido de enviar o caso Lulinha à 1ª instância, o candidato a vice-presidente Novo, Eduardo Girão, diz que “eles perderam o pudor”.

Ciência e coragem
Segundo Marcelo van Hattem (Novo-RS), candidato ao Senado, “não basta falar em impeachment [no STF] agora. É preciso conhecer fatos, reconhecer os abusos e ter coragem para agir quando eles acontecem”.

Jogo sujo
Ao anunciar sanções contra autoridades de Cuba, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusa a ditadura comunista de “décadas usando grupos de fachada para infiltrar, corromper e radicalizar americanos”.

Não era genocídio?
O deputado Osmar Terra (PL-RS) lembra da “lacração estúpida” de Lula e da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, que chamaram o governo Bolsonaro de “genocida” por mortes dos Yanomami... mesmo povo que registrou recorde de mortes entre 2023 e 2025, em pleno governo do PT.

Pensando bem...
...quando a propaganda é demais, o santo desconfia.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Eu nomeio, você paga

O falecido Humberto Lucena (PB) adorava nomear parentes, quando presidiu o Senado. Ao ser tachado de “a caneta mais rápida de Brasília”, chamou o repórter que o ironizara ameaçando processo. E lorotou: “Nomear parentes só é pejorativo no Sul. No Nordeste, o povo até gosta”. O jornalista, nordestino de Pernambuco, perdeu a paciência. Puxou Lucena pelo braço e disse ao seu ouvido, firme, quase gritando: “Nós dois sabemos que o sr. está mentindo, mas vou fingir que não ouvi”. Lucena não tocaria mais no assunto. Nem processaria o jornalista.

Direito

O que a Justiça pode determinar quando o trânsito destrói uma família

Confira a coluna desta quinta-feira (13)

13/08/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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Recentemente, um caso que tramitou no Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve, no fim de julho, a condenação de uma concessionária de energia elétrica pela morte de um ciclista atropelado por um funcionário que prestava serviço à empresa.

Os dois filhos da vítima, adolescentes na época, receberão R$ 25 mil cada um por danos morais, além de pensão mensal equivalente a dois terços dos rendimentos do pai até completarem 25 anos. O atropelamento aconteceu em 2009, mas somente agora, 17 anos depois é que o caso foi julgado pelo Tribunal.

O caso é didático porque reúne, em um único julgamento, quase tudo o que uma família precisa saber depois de um acidente de trânsito, e quase tudo o que ela costuma ignorar.

O primeiro ponto é quem paga. Existe a crença de que a responsabilidade começa e termina no motorista. Não é assim.

A lei estabelece que o empregador responde pelos danos causados por seus empregados no exercício do trabalho, e responde independentemente de ter culpa própria. Ou seja: não interessa se a empresa treinou bem o motorista, se exigiu curso de direção defensiva ou se o veículo estava em ordem. Se o funcionário atropelou alguém trabalhando, a empresa responde.

Isso muda tudo na prática. Uma coisa é buscar reparação contra um motorista que não tem patrimônio algum. Outra, bem diferente, é acionar a empresa para a qual ele trabalha, que tem CNPJ, faturamento e, quase sempre, seguro de responsabilidade civil.

O segundo ponto é a prova. A defesa da concessionária sustentou que o ciclista teria entrado repentinamente na via, apoiando-se no boletim de ocorrência. A relatora rejeitou o argumento com uma observação que vale guardar: boletim baseado exclusivamente na versão do condutor envolvido é relato unilateral de quem tem interesse direto no resultado. Boletim de ocorrência não é sentença. 

Muitas famílias desistem de buscar seus direitos porque leram no documento uma versão que as culpa. Essa versão pode, e deve ser contestada com testemunhas, perícia, imagens e prova técnica. Vale lembrar, ainda, que o Código de Trânsito impõe ao motorista o dever de guardar distância lateral mínima de um metro e meio ao ultrapassar ciclistas, exatamente por serem eles os usuários mais frágeis da via.

O terceiro ponto é o que a Justiça pode determinar. Em caso de morte, a lei prevê o pagamento das despesas com tratamento, funeral e luto, além de pensão aos que dependiam economicamente da vítima. Para os filhos, os tribunais costumam fixar essa pensão em dois terços da renda até os 25 anos; para o cônjuge ou companheiro, até a idade provável de vida da vítima.

Soma-se a isso o dano moral, que é direito próprio de cada familiar, não se divide um valor único entre todos. 

Quando a vítima sobrevive, o raciocínio é o mesmo. A lei garante o custeio integral do tratamento, os lucros cessantes (o que a vítima deixou de ganhar) referentes ao período de afastamento e, havendo redução permanente da capacidade de trabalho, pensão correspondente a essa perda.

Cicatrizes, amputações e deformidades geram dano estético, que o Superior Tribunal de Justiça reconhece ser cumulável com o dano moral. São verbas distintas, e pedi-las separadamente pode alterar significativamente o resultado.

Resta o tempo

O caso mineiro levou dezessete anos entre o acidente e a decisão de segundo grau, mas o prazo para ingressar com a ação é curto. Provas se perdem, testemunhas somem, câmeras são sobrescritas.

Se você perdeu alguém no trânsito, ou ficou com sequelas depois de um acidente, e o responsável estava trabalhando quando aquilo aconteceu, existe muito mais em jogo do que um acordo rápido oferecido pelo seguro nas primeiras semanas. Vale conhecer o tamanho real do que a lei assegura antes de assinar qualquer coisa.

Leandro Amaral Provenzano - OAB/MS 13.035. Sócio do escritório Provenzano Advogados.

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