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GIBA UM

"O Mercosul é um péssimo acordo como ele está sendo negociado agora"

de EMMANUEL MACRON // presidente francês defendendo que se crie um novo acordo

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O caldeirão diplomático da América do Sul deve fervilhar mais nos próximos dias. O governo do Uruguai tem buscado o apoio dos demais países da região para divulgação de um manifesto contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

MAIS: Argentina e do Paraguai já sinalizaram a intenção de assinar o documento. No caso do Brasil, até diplomatas acham que é muito pouco provável que o governo Lula crie um segundo episódio de  dessintonia com a Venezuela. 

Ser reconhecida como profissional

A apresentadora Ana Clara Lima, que em breve fará 27 anos, ganhou fama ao participar do Big Brother Brasil 18, ao lado de seu pai (onde foi a recordista de uma prova de resistência ao lado de Kaysar que durou pouco mais de 42 horas, interrompida por motivos de segurança e saúde).

A ex-BBB conta que sempre almejou trabalhar com arte e audiovisual. Ao sair da casa apesar de receber muita demonstração de carinho também recebeu muitas críticas. E os julgamentos aumentaram depois que ela começou a fazer parte do elenco da Globo.

Na época desabafou: “Sempre quis ser uma comunicadora. Meu sonho na carreira é ser vista como uma profissional completa, que consegue atuar, apresentar”. E parece que ela conseguiu isso, depois de ser repórter do Vídeo Show, do Lollapalooza e outros festivais começou cobrir o Plantão BBB, assumindo em 2021 o Bate-Papo No Limite e os bastidores do The voice kids.

Foi super elogiada e aplaudida e daí para frente foi só ladeira acima onde passou a apresentar o É Tudo Novela!, no Canal Viva, depois disso integrou o time do Fora da Casa e BBB A Eliminação (que hoje comanda sozinha).

E para fechar com chave de ouro ganhou outros programas só seu, Túnel do Amor (no Globoplay, a primeira temporada foi apresentada por Marcos Mion) e o Panelaço Ao Vivo e ainda este ano estará à frente da estreia do reality-show Estrela da Casa. 

Lula não consegue segurar a língua

Lula não pedirá desculpas a Jair Bolsonaro por ter acusado o ex-presidente de ter “dado sumiço” em 261 móveis do Alvorada e menos ainda se retratará na GloboNews, mesmo veículo onde tratou os residentes anteriores como ladrões.

E ainda tentará dizer que os móveis já haviam sido encontrados em setembro do ano passado, ele tinha conhecimento e preferiu não abrir a boca. Até o pessoal da situação aposta que Lula será derrotado no processo que lhe move Bolsonaro e sua mulher Michelle.

Só que muitos acreditam que o presidente tentará alguma manobra para escapar da derrota. Indenização seria o de menos: R$ 20 mil para uma instituição de caridade. Resumo da ópera: é mais um capítulo da genética de Lula: ele não consegue segurar a língua diante de um microfone à sua frente. É de sua natureza e esse terceiro mandato está cheio de exemplos. 

Até “piso macio”

Os móveis reencontrados não serão utilizados: o Alvorada e até a Granja do Torto já ganharam novos móveis. A primeira-dama Janja foi quem fez as compras, incluindo tapete de R$ 114 mil e um sofá de R$ 65 mil, fora os R$ 156 mil de “piso novo e macio” para a Granja do Torto. Do lado de Jair Bolsonaro, a justiça não encontrará nenhuma contravenção, nem dele e nem de Michelle.

Seus aliados dizem que o casal ficará na torcida para que o desafeto continue errando contra eles. Dessa vez, Lula tentará deixar “tudo por isso mesmo”, só que não vai dar. Já está sendo metralhado nas redes dos bolsonaristas. 

Aumentando a família

O casal Rodrigo Santoro e Mel Fronckowiak, juntos há 12 anos (8 deles casados) pais de Nina, de 6 anos anunciaram que estão esperando o segundo filho (não divulgaram o sexo).

Em suas redes sociais, junto com um desenho feito pela filha, Mel anunciou a novidade: “12 anos juntos. Éramos 2 e começo de estrada. Agora somos 4 e recomeço de caminho. Gerar uma criança é, em partes, uma demanda do amor. Sim, o amor às vezes transborda e com ele pode vir o desejo de ver esse transbordo florescendo. Foi uma decisão pensada e muito desejada. E seguiremos com a nossa forma de lidar com o íntimo, com a nossa privacidade. A maternidade é um desafio, eu não tenho a menor dúvida. Nós mulheres sabemos bem. Mas é profundo e especial também Não vejo a hora de testemunhar mais uma infância preenchendo os cômodos da nossa casa e crescendo. Nosso amor ramificou ainda mais e, em breve, seremos um quarteto. O meu maior desejo é continuar construindo com vocês os nossos próximos caminhos juntos”. 

In –  Tatuagem pequenas e discretas
Out – Tatuagem grandes e chamativas

Quem manda

Na semana passada, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, conversou com o senador Flávio Bolsonaro e sinalizou ao filho do ex-presidente o interesse em receber apoio do PL para sua eventual candidatura à presidência da Câmara em 2025 – em meio à resistência do antigo chefe do Planalto ao seu nome.

A reunião com Flávio se deu um dia depois do Republicanos manifestar a possibilidade de romper com o prefeito Eduardo Paes. O gesto ao filho de Bolsonaro foi mais uma tentativa de afagar o PL de olho na eleição da Câmara, mesmo Flávio tendo sido direto: “Quem manda lá é meu pai”. 

Réu em agosto

Agentes da Polícia Federal envolvidos nas investigações de crimes contra Jair Bolsonaro estão prevendo que, até julho, o relatório da PF deve indiciar o ex-presidente em crime como golpe de Estado, abolição violenta do Estado democrático e associação criminosa.

Concluído o indiciamento, o Supremo transformaria o ex-presidente em réu em agosto, logo após o fim do recesso judicial do meio do ano. No STF, ele poderia ser condenado antes do final do ano. A pena total poderia chegar a 28 anos de prisão, caso ele receba a maior punição prevista para crimes de abolição do Estado democrático de Direito (4 a 8 anos), golpe de Estado (4 a 12 anos) e organização criminosa (3 a 8 anos). 

“O Mercosul é um péssimo acordo como ele está sendo negociado agora. Esse acordo foi negociado há 20 anos. Deixemos de lado um acordo de anos atrás e construamos um novo acordo, mais responsável, prevendo questões como o clima e a reciprocidade”, 
de EMMANUEL MACRON  //  presidente francês defendendo que se crie um novo acordo.

GLO CARA

Em vigor desde novembro do ano passado, o decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) já custou uma fortuna para a Marinha, que assumiu a segurança de dois portos no Rio de Janeiro e um em São Paulo: R$ 24,8 milhões.

Dados da Lei de Acesso à Informação revela que foram 13 detenções entre novembro de 2023 e janeiro de 2024 e apenas uma prisão em fevereiro. A operação mobiliza cerca de mil homens. Apreensões de drogas só ocorreram em novembro e dezembro, 2.655 kg de maconha e 17,5 mil pessoas inspecionadas até fevereiro. 

Também Heleno

Quem diria: considerado leal e um dos maiores apoiadores da conspiração de Jair Bolsonaro para a realização de um suposto golpe do Estado, o ex-chefe do GSI – Gabinete de Segurança Institucional – Augusto Heleno, general da reserva, também foi monitorado pela Abin – Agência Brasileira de Inteligência.

A vigilância teria sido feita por meio do programa israelense First Mile, que mapeava a localização de celulares em todo o país. Na época, Bolsonaro teria desconfiado do aliado e reclamava que estava insatisfeito com a atuação do órgão. Heleno ainda está sob investigação. A Polícia Federal apura esquema de espionagem ilegal da chamada “Abin paralela” que envolveria o general.  

DESNECESSÁRIOS

Outro problema para Lula: o Ministério Público junto ao TCU vai solicitar ao órgão uma apuração dos gastos da Presidência na aquisição de mobiliário e utensílios a partir de janeiro de 2023.

A investigação envolverá não apenas as despesas de aquisição de moveis para substituir os que ‘desapareceram’ – e posteriormente encontrados – mas também como a hospedagem de Lula e Janja por 40 dias no Hotel Meliá, em Brasília.

Na época, a estada do casal foi justificada pela necessidade de reforma e de compra de móveis para o Alvorada. A redecoração foi totalmente conduzida por Janja.

Comparação

Depois da despedida do francês Emmanuel Macron, Lula volta a seus problemas: não falará sobre ofensiva de Nicolás Maduro, da novela dos móveis sumidos e encontrados e da queda de popularidade.

Aos mais chegados, contudo, acha que poderá se defender argumentando que o ex-casal presidencial deve ter escondido os móveis justamente para provocá-lo e depois até ajudar a localizá-los (estavam no Alvorada mesmo) para denunciar “falsa acusação”.

E até faz comparações, se é que se pode rotular desta forma: não é mentiroso “como Bolsonaro” que “vem repetindo que nunca teve intenção de dar nenhum golpe”.

DIREITO ELEITORAL

O ministro da Educação, Camilo Santana, quer alterar as diretrizes curriculares dos cursos de graduação em Direito, com o objetivo de criar a cadeira de Direito Eleitoral. O Brasil está entre os 84 países do mundo em que existe uma Justiça Eleitoral e entre as 11 nações que mantém um “TSE” ou congênere, ou seja, um supremo tribunal sobre a matéria.

A grade curricular não prevê a cadeira de Direito Eleitoral, que é estudada como um ramo do Direito Público. Conselheiros alegam que hoje as normas eleitorais são satisfatórias cobertas pelo Direito Público.

MISTURA FINA

  • A PARANÁ Pesquisas, com perguntas feitas pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), apresenta novo levantamento sobre as eleições presidenciais de 2026, onde Jair Bolsonaro (ainda estará inelegível) aparece com 41,7% de intenções de voto contra 41,6% de Lula, que pretende disputar sua reeleição. Também Michelle Bolsonaro é bem cotada para a Presidência com apoio do marido e tem 43,4% das intenções de voto contra 44,5% de Lula, ou seja, tecnicamente empatados. 
  • UMA das maiores licitações no setor portuários está provocando uma batalha nos gabinetes de Brasília e um racha na siderurgia nacional. De um lado, Vale e CSN grandes operadoras de terminais de minério de ferro; de outro, Usiminas e ArcelorMittal Mineração, coadjuvantes por empresas de pequeno porte como J.Mendes, Minerita, Itaminas e Comisa, chamadas de “mineradoras sem porto”. A disputa envolve as regras para o arrendamento do ITG 02, novo terminal de granéis do Porto de Itaguaí (RJ). Há um movimento contra a participação da Vale e da CSN, que começa a mudar por esforço do governo. 
  • SOFRENDO derrotas protagonizadas pelo Congresso, o polêmico presidente Javier Milei, da Argentina, resolveu demitir, de uma penada só, nada menos do que 70 mil servidores públicos federais. O super corte não depende de autorização de outros poderes, mas entidades de representação dos servidores já entraram em ações judiciais para a suspensão da grande demissão que passa por cima de toda a legislação trabalhista existente no país vizinho. 
  •  
    Madonna: uma vida rebelde, de Mary Gabriel, que a Best Seller lança nas próximas semanas, a cantora que fará um show na Praia de Copacabana em maio, fez uma confissão: no início da carreira “roubava comida”. Ela conta que olhava para a lata de lixo no saguão do Music Building, prédio onde morava e ensaiava, para ver se encontrava alguma coisa para comer que alguém jogara fora. “De vez em quando, eu tinha sorte de encontrar sobras de batatas fritas da Burger King”. 
  • O LIVRO
  • A 4ª CÂMARA de Direito Privado do TJSP revoga decisão de primeira instância que julgou improcedente um pedido da Jovem Pan de indenização por danos morais contra a ex-deputada Joice Hasselmann. Numa entrevista a um podcast, a ex-parlamentar afirmou que a Jovem Pan “se tornou um lixo” e que o alinhamento da emissora com o governo de Bolsonaro foi a maneira encontrada pela empresa para conseguir um licença de TV. “Agora virou esse  lixo lambendo os pés de Bolsonaro para cima e para baixo. Porque os donos queriam a TV que ganharam. E a TV não tem audiência para nada, não tem meia dúzia assistindo”.

Claudio Humberto

"Se você está endividado, a culpa é do governo Lula"

Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, ao prometer organizar as contas públicas

23/08/2026 08h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Oposição critica PGR engajada à defesa de Lula

Opositores estão indignados com o procurador geral da República (PGR), acusado de “engajamento” na defesa de Lulinha, filho de Lula (PT), investigado por tráfico de influência e corrupção. Paulo Gonet tentou retirar a relatoria de André Mendonça, ministro do STF que não se submete a Lula, e depois tentou levar o processo à 1ª instância. “Absurdo”, diz Marcel van Hattem (Novo-RS), lembrando que, nomeado por Lula, Gonet se opôs a 1ª instância julgando casos do 8 de janeiro.

Batom na cueca
Gonet se esforça para tirar do STF dois dos três inquéritos contra Lulinha relatados por Mendonça. O outro permaneceria nas mãos de Flavio Dino.

Guinada ridícula
Para van Hattem, é até ridículo a PGR mudar de posição sobre 1ª instância quando o investigado é o filho do presidente da República.

Críticas na academia
Professor de pós-graduação da USP e mestre e doutor em Direito Constitucional, Rubens Beçak também se associa aos críticos da PGR.

Escândalo paralelo
Já Evair de Melo (PP-ES) acha que não tem como retirar o caso Lulinha do STF pelas conexões do filho de Lula com o escândalo do INSS.

PL espera ter duas vezes mais senadores que o PT
Nas primeiras pesquisas que já circulam dentro do PL, o partido projeta pelo menos o dobro de senadores em relação ao PT. A Casa Alta é a prioridade da sigla, que pretende lançar candidatura para a presidência do Senado, além de ter força política para andar com as pautas que viraram bandeiras do partido nesta eleição. Entre as principais prioridades, andar com pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda que não haja votos para vitória.

Melhor cenário
Nas contas dos liberais, o partido pode chegar aos 28 senadores. Se Jair Bolsonaro estivesse na ativa, o número poderia bater os 32.

Com calma
Já as previsões mais conservadoras apontam para 20 senadores, mas com mais destaque, já que esperam nomes como Michelle Bolsonaro. 

Olho no vizinho
As planilhas trazem projeções para outras bancadas também. Petistas, nas contas do PL, devem beirar os 10 parlamentares.

Modus Operandi
“Do mar de lama do Sítio de Atibaia à Mansão do Lulinha em Brasília”, Sérgio Moro (PL-PR), juíz que condenou Lula na Lava Jato, sobre o elo de Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e testemunha do caso de Atibaia que voltou ao folhetim por assinar contrato da mansão do QG do Lobby.

Pesos e medidas
Carlos Bolsonaro (PL-SC) comparou o caso de Lulinha, cada vez mais imerso no triângulo com a lobista Roberta Luchsinger e o Careca do INSS, com o do pai, que teve até inquérito por se aproximar de baleia.

Preço artificial
O medo do impacto na campanha eleitoral bateu na equipe de Lula e o governo já estuda prorrogar o subsídio à gasolina. O benefício, que deveria ser provisório, pode ganhar mais 30 dias de sobrevida.

Na gaiola
Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, lamenta a situação da segurança púbica no país, “O cidadão é obrigado a transformar o próprio carro em uma gaiola para tentar não ter o celular arrancado.”

Sem pudor
Após apontar tentativa de “balão” da PGR no ministro André Mendonça (STF), com pedido de enviar o caso Lulinha à 1ª instância, o candidato a vice-presidente Novo, Eduardo Girão, diz que “eles perderam o pudor”.

Ciência e coragem
Segundo Marcelo van Hattem (Novo-RS), candidato ao Senado, “não basta falar em impeachment [no STF] agora. É preciso conhecer fatos, reconhecer os abusos e ter coragem para agir quando eles acontecem”.

Jogo sujo
Ao anunciar sanções contra autoridades de Cuba, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusa a ditadura comunista de “décadas usando grupos de fachada para infiltrar, corromper e radicalizar americanos”.

Não era genocídio?
O deputado Osmar Terra (PL-RS) lembra da “lacração estúpida” de Lula e da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, que chamaram o governo Bolsonaro de “genocida” por mortes dos Yanomami... mesmo povo que registrou recorde de mortes entre 2023 e 2025, em pleno governo do PT.

Pensando bem...
...quando a propaganda é demais, o santo desconfia.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Eu nomeio, você paga

O falecido Humberto Lucena (PB) adorava nomear parentes, quando presidiu o Senado. Ao ser tachado de “a caneta mais rápida de Brasília”, chamou o repórter que o ironizara ameaçando processo. E lorotou: “Nomear parentes só é pejorativo no Sul. No Nordeste, o povo até gosta”. O jornalista, nordestino de Pernambuco, perdeu a paciência. Puxou Lucena pelo braço e disse ao seu ouvido, firme, quase gritando: “Nós dois sabemos que o sr. está mentindo, mas vou fingir que não ouvi”. Lucena não tocaria mais no assunto. Nem processaria o jornalista.

Direito

O que a Justiça pode determinar quando o trânsito destrói uma família

Confira a coluna desta quinta-feira (13)

13/08/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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Recentemente, um caso que tramitou no Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve, no fim de julho, a condenação de uma concessionária de energia elétrica pela morte de um ciclista atropelado por um funcionário que prestava serviço à empresa.

Os dois filhos da vítima, adolescentes na época, receberão R$ 25 mil cada um por danos morais, além de pensão mensal equivalente a dois terços dos rendimentos do pai até completarem 25 anos. O atropelamento aconteceu em 2009, mas somente agora, 17 anos depois é que o caso foi julgado pelo Tribunal.

O caso é didático porque reúne, em um único julgamento, quase tudo o que uma família precisa saber depois de um acidente de trânsito, e quase tudo o que ela costuma ignorar.

O primeiro ponto é quem paga. Existe a crença de que a responsabilidade começa e termina no motorista. Não é assim.

A lei estabelece que o empregador responde pelos danos causados por seus empregados no exercício do trabalho, e responde independentemente de ter culpa própria. Ou seja: não interessa se a empresa treinou bem o motorista, se exigiu curso de direção defensiva ou se o veículo estava em ordem. Se o funcionário atropelou alguém trabalhando, a empresa responde.

Isso muda tudo na prática. Uma coisa é buscar reparação contra um motorista que não tem patrimônio algum. Outra, bem diferente, é acionar a empresa para a qual ele trabalha, que tem CNPJ, faturamento e, quase sempre, seguro de responsabilidade civil.

O segundo ponto é a prova. A defesa da concessionária sustentou que o ciclista teria entrado repentinamente na via, apoiando-se no boletim de ocorrência. A relatora rejeitou o argumento com uma observação que vale guardar: boletim baseado exclusivamente na versão do condutor envolvido é relato unilateral de quem tem interesse direto no resultado. Boletim de ocorrência não é sentença. 

Muitas famílias desistem de buscar seus direitos porque leram no documento uma versão que as culpa. Essa versão pode, e deve ser contestada com testemunhas, perícia, imagens e prova técnica. Vale lembrar, ainda, que o Código de Trânsito impõe ao motorista o dever de guardar distância lateral mínima de um metro e meio ao ultrapassar ciclistas, exatamente por serem eles os usuários mais frágeis da via.

O terceiro ponto é o que a Justiça pode determinar. Em caso de morte, a lei prevê o pagamento das despesas com tratamento, funeral e luto, além de pensão aos que dependiam economicamente da vítima. Para os filhos, os tribunais costumam fixar essa pensão em dois terços da renda até os 25 anos; para o cônjuge ou companheiro, até a idade provável de vida da vítima.

Soma-se a isso o dano moral, que é direito próprio de cada familiar, não se divide um valor único entre todos. 

Quando a vítima sobrevive, o raciocínio é o mesmo. A lei garante o custeio integral do tratamento, os lucros cessantes (o que a vítima deixou de ganhar) referentes ao período de afastamento e, havendo redução permanente da capacidade de trabalho, pensão correspondente a essa perda.

Cicatrizes, amputações e deformidades geram dano estético, que o Superior Tribunal de Justiça reconhece ser cumulável com o dano moral. São verbas distintas, e pedi-las separadamente pode alterar significativamente o resultado.

Resta o tempo

O caso mineiro levou dezessete anos entre o acidente e a decisão de segundo grau, mas o prazo para ingressar com a ação é curto. Provas se perdem, testemunhas somem, câmeras são sobrescritas.

Se você perdeu alguém no trânsito, ou ficou com sequelas depois de um acidente, e o responsável estava trabalhando quando aquilo aconteceu, existe muito mais em jogo do que um acordo rápido oferecido pelo seguro nas primeiras semanas. Vale conhecer o tamanho real do que a lei assegura antes de assinar qualquer coisa.

Leandro Amaral Provenzano - OAB/MS 13.035. Sócio do escritório Provenzano Advogados.

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