Colunistas

Cláudio Humberto

"O povo acha o atual governo um filme de terror"

Ciro Nogueira (PP-PI) sobre derretimento da popularidade de Lula captado em pesquisa

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França recicla promessa, mas Amazônia não vê 1 real

É antiga a promessa de Emmanuel Macron de despejar dinheiro na Amazônia. Lorota. A floresta só interessa ao lacrador presidente francês para difundir mentiras contra o Brasil. Em 2023, Chaterine Colonna, então chanceler francesa, veio ao Brasil e acenou “contribuição” ao Fundo Amazônia, para alegria de ONGs picaretas da região. Após 13 meses, a França não fez pix nem de 1 real. Em nova jogada, Macron e Lula, roletando no Pará, anunciaram “doações” de R$5,3 bilhões. Arram. 

Lorotas em série

Também no ano passado, o marqueteiro Fundo Amazônia trombeteou doações de R$3,1 bilhões. Mas era uma nova lorota.

Biden caloteiro

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que faz pose de “amigo do verde”, prometeu R$2,5 bilhões ao Fundo. Mais um caloteiro.

No Serasa

Fecham a lista do calote a Noruega, R$245 milhões; Reino Unido, R$218 milhões; União Europeia, R$107 milhões; e Dinamarca, R$107 milhões.

Grana na conta

Só a Alemanha largou a demagogia de lado e retomou as doações. Mas transferiu uma merreca, para os seus padrões: só R$20 milhões.

Recordista em gastos é irmão de ex-chanceler

Não é o chanceler decorativo Mauro Vieira, e nem mesmo o chanceler de fato Celso Amorim, mas sim o embaixador Guilherme Patriota o servidor do Ministério das Relações Exteriores e de todo o serviço público que mais consumiu dinheiro do pagador de impostos em viagens internacionais. Foram quase R$175 mil, R$43,5 mil só em diárias, aponta o Portal da Transparência. Ele é irmão de Antonio Patriota, ex-chanceler conhecido pelas broncas humilhantes da chefe Dilma Rousseff (PT).

Rejeição histórica

Guilherme ganhou notoriedade após se tornar a primeira indicação de diplomata rejeitada pelo Senado, em 2015. Havia sido indicado à OEA.

Vida na Suíça

Patriota representa o Basil na Organização Mundial do Comércio. Tem atuação apagada, mas, e daí? Vive na glamourosa Genebra, na Suíça.

Ministro nº 2

O chanceler decorativo Mauro Vieira (Itamaraty) é o segundo servidor que mais gasta com viagens internacionais em 1,1 milhão de servidores.

Crime contra soberania

Fala de Lula sobre compartilhar a Amazônia é “notadamente criminosa”, alerta o senador Hamilton Mourão (Rep-RS) por impactar a soberania, “Qual o país que divide o conhecimento de suas riquezas com outros?’

Imunidade já era

“Não existe mais imunidade parlamentar”. A conclusão é do deputado Gilvan da Federal (PL-ES) que teve que ir à Polícia Federal explicar por que não considera o presidente Lula honesto, chamando-o de “ladrão”.

Como dantes

Atual ministra de Lula, Simone Tebet (MDB), que obteve 4% dos votos para presidente em 2022, teria 6,1% dos votos em nova disputa contra PT e Bolsonaro, diz o Paraná Pesquisas... com margem de erro de 2,2%.

Zero surpresa

Roberto Requião, cujos adversários chamam de “Maria Louca”, deixou para trás 40 anos de MDB para se filiar ao PT, mas dois anos, já caiu fora: “prometem uma coisa e fazem outra”. Zero surpresa no Paraná: ele é conhecido por não conservar amigos e por brigar com todo mundo.

Lobby das seguradoras

Mauricio Marcon (Pode-RS) alerta que em abril o Planalto tentará a volta do DPVAT, produto de lobby de grandes seguradores. “O governo não cansa de criar novas obrigações para o contribuinte”, diz ele.

Régua

Todos os candidatos à eventual vaga de Domingos Brazão na Câmara, os mais votados que acabaram sem mandato de deputado, são de partidos da chapa vencedora do governador do Rio, Cláudio Castro (PL).

Bolsonaro em Manaus

Com agenda cheia e sempre arrastando multidões de admiradores, o ex-presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de Michelle, confirmou mais um compromisso: nos dias 10 e 11 de maio o casal estará em Manaus.

Pura coincidência

Em poucos dias no ano eleitoral de 2024, o governo Joe Biden, que é candidato à reeleição, atacou os dois principais concorrentes da Meta (Facebook, Instagram, Whatsapp etc): o chinês TikTok e a gigante Apple.

Pensando bem...

...não é saidinha, são férias mesmo.


PODER SEM PUDOR

De cavalo e de sono

Era uma sessão modorrenta, no Senado, e Mão Santa (PMDB-PI), mesmo na presidência da sessão, assumiu a palavra e fez um discurso de quinze minutos, falando de alhos e bugalhos, como sempre. Até citou Calígula, que indicou o cavalo Incitatus para o antigo Senado romano. Mão Santa, língua nem tanto, adorava gritar o nome dos senadores incitando-os a prestar atenção ao seu discurso. Numa dessas, ao gritar algo a um senador meio sonolento e perceber o susto, Mãe Santa fez uma brincadeira: “Acordou e concordou...”
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Com Rodrigo Vilela e Tiago Vasconcelos
www.diariodopoder.com.br

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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