A partir desta quarta-feira (1º), os 513 deputados e 27 senadores eleitos em 2 de outubro de 2022 tomam posse e tem início a 57ª legislatura do Poder Legislativo federal.
Os novos parlamentares, reeleitos ou não, chegam a uma Brasília com um novo presidente da República e sem a mesma configuração de poder e benesses de seus pares que encerraram agora os mandatos. Não há mais tanto poder do Centrão (por ora) e nem o chamado orçamento secreto, derrubado pelo STF em dezembro do ano passado.
Mas o que o governo Lula 3 e a sociedade podem esperar deste novo Congresso? Com certeza, para o petista será um cenário bem diferente do encontrado em seus dois primeiros mandatos, quando, entre altos e baixos, obteve maioria tranquila.
Desta vez, os sinais são diferentes. A extrema-direita bolsonarista emergiu e conta com tropa de choque fiel e barulhenta, além disso, o apetite do Centrão, que dá as cartas há anos, aumentou e muito de lá para cá.
A maior dificuldade de Lula será, como nos outros governos, no Senado. Se antes havia predominância do PSDB, do então PFL e de setores do então PMDB refratários à sua gestão, agora a Casa Alta conta com baluartes do bolsonarismo e do lavajatismo na oposição direta ao presidente.
São os casos, por exemplo, dos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Damares Alves ( Republicanos-DF) e Sergio Moro (União Brasil-PR).
Com Arthur Lira (PP-AL) quase ungido para a presidência da Câmara e o favoritismo de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) sobre o ex-ministro de Bolsonaro Rogério Marinho (PL-RN) para o comando do Senado, a governabilidade do petista está assegurada.
Claro que ao preço cobrado pelo presidencialismo de coalizão que a Constituição Federal de 1988 impôs, ou seja, cargos, emendas e espaços.
Por outro lado, com um Congresso mais conservador e ideológico à direita, os próximos quatro anos não terão avanço em pautas caras à esquerda, voltadas a costumes, liberdades individuais e demais temas polêmicos.
Os projetos econômicos tendem a transitar com mais facilidade, enquanto os projetos sociais, que podem dar capilaridade eleitoral, serão alvo de duras negociações. Mais do que nunca, Lula terá de exercer seu poder de negociação e acomodação de interesses.
Para a sociedade, tão distante e ao mesmo tempo cada vez mais acompanhando o noticiário do Planalto Central, cabe a fiscalização, o acompanhamento e a cobrança do trabalho dos parlamentares.
Sem esperar mudanças bruscas, ações milagrosas e o paraíso na Terra. Caso alimente ilusões e idolatrias, a decepção é certa.




