Colunistas

artigos

O tormentoso Balcãs

A cidade de Sarajevo foi o embrião da Primeira Guerra Mundial. Um estudante sérvio matou os herdeiros do poderoso Império Austro-húngaro, Francisco Ferdinando e sua esposa, no dia 28 de junho de 1914

Continue lendo...

Esse precioso e histórico sítio geográfico encravado na região sudeste do continente europeu foi o grande palco das duas grandes guerras mundiais que a humanidade assistiu estarrecida. Foram conflagrações em que as grandes potências coligaram forças para evitar um desastre maior para toda a humanidade.

Algo até então nunca visto. A cidade de Sarajevo foi o embrião da Primeira Guerra Mundial. Um estudante sérvio matou os herdeiros do poderoso Império Austro-húngaro, Francisco Ferdinando e sua esposa, no dia 28 de junho de 1914. 

A guerra foi sangrenta. Esparramou-se rapidamente para todo o continente europeu. O Império Turco ficou do lado dos austríacos e húngaros. A guerra custou uma imensidade de vidas humanas preciosas. Franceses e ingleses foram os grandes vencedores daquele conflito. A assinatura do Tratado de Paz que colocou fim ao conflito mundial foi a causa determinante da Segunda Guerra Mundial, que se desenhava um pouco mais à frente.

A pesada pena pecuniária imposta aos alemães levou Adolf Hitler a liderar a grande tragédia de horror e mortes estúpidas. O Tratado de Não Agressão firmado com Josef Stalin foi o que precisava o líder alemão para invadir e tomar o corredor polonês de Dantzig. A data foi 1º de setembro de 1939. França e Inglaterra declararam guerra à Alemanha. Uma parte da Polônia caiu sob o domínio alemão, a outra sofreu a invasão russa. 

A aliança construída por Hitler alcançou a Itália e o Império Japonês. Estava formado o Eixo. O seu fim todos conhecem. Agora o mesmo Balcãs está sendo palco de uma possível e última grande guerra mundial. Vladimir Putin é a estrela polar de grandeza solar.

Inventando narrativas que vão contra os fatos esculpidos nos anais da história invadiu e tomou parte do território ucraniano, a península da Crimeia. A sua gula pela anexação de territórios não parou nessa investida. Outras importantes cidades ucranianas caíram sob o domínio de Moscou. A humanidade assiste estarrecida novamente aos atos horrorosos de pavor, destruição e morte provocados por um governante insensato e atrevido. As instituições voltadas para a preservação da paz não alcançaram o desiderato aguardado pelas suas autoridades. Faliram nos seus propósitos! 

A destruição de um país inteiro e o sacrifício imposto sem limites à sua população civil resultam no ato mais repugnante que a democracia e os amantes da paz são obrigados a assistir todos os dias. Esse é o retrato fiel da Península Balcânica.

Os últimos relatos produzidos pela grande imprensa internacional apontam que o conflito já está sendo travado em território russo. Quando essa sequência mórbida de destruição e mortes alcançar o milenar povo russo teremos reunidos os elementos indispensáveis para o que ninguém quer constatar.

Paralelamente ao conflito, uma nova guerra fria desponta nos horizontes do planeta. O patrocínio e de Pequim que deseja a anexação da China Nacionalista sob a alegação de que se trata de seu território. A pequena China Nacionalista não resistirá à invasão das tropas de Pequim. O Japão tem receio de enfrentar o gigante asiático. A Turquia, embora membro da Otan, nutre simpatia pelo Kremlin e não quer confusão com o líder chinês.

O líder norte-coreano já começou sua viagem para conversas reservadas com Vladimir Putin no Kremlin. Ninguém sabe o que conversarão. Sigilo absoluto será a regra do encontro. Já está pautado e nas agendas dos chefes de Estados. A viagem do norte-coreano já teve o seu início. A falência da diplomacia esboçou o seu sorriso amargo. Os interesses sórdidos e nefastos estarão sempre à frente dos propósitos altaneiros e registradores da paz. A força militar ditará os rumos da humanidade. 

O mundo não pode viver sob essas constantes e veladas ameaças. Por aqui, Lula disse que Putin não será preso no Brasil. Desconheceu os princípios basilares das convenções internacionais. Precisou voltar atrás na sua fala precipitada. O vertiginoso e crescente comércio internacional não pode ser refém de ações criminosas.

Os alimentos que são produzidos e exportados por diversos países têm uma finalidade santificada. Matar a fome e mitigar a miséria de uma parte da humanidade. Esse é apenas um dos tópicos tímidos que precisam ser enfrentados com coragem pelas autoridades mundiais. O resto é entregar os destinos da humanidade nas mãos santas de Deus. E de mais ninguém!

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

Continue Lendo...

Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

Continue Lendo...

Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).