Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Para a Índia, 'namastê'. Para o Rio Grande do Sul e o brasileiro, 'danessê"

Ex-deputado Deltan Dallagnol critica mais uma luxuosa viagem de Lula e Janja

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Bivar antecipa saída e Rueda deve assumir União

O advogado e empresário Antônio Rueda deve assumir a presidência nacional do partido União Brasil, em substituição ao deputado Luciano Bivar (PE), que atualmente ocupa a posição. A mudança não tem data definida, mas é “iminente”, segundo fonte da cúpula do União Brasil. Essa solução suspende a operação dos deputados federais da sigla para apear Bivar, cujo mandato se concluiria apenas no próximo ano. Rueda é atual vice-presidente e sua posse não passa por eleição em convenção.

Homem de bastidores

Rueda terá de conciliar sua aversão a holofotes à exposição de quem preside um partido que em 2022 elegeu 59 deputados e 5 senadores.

Poder já era de Rueda

O futuro presidente já exerce o poder de fato no União, administrando a distribuição dos recursos dos fundões Eleitoral e Partidário.

Acordo cumprido

A posse de Rueda foi facilitada porque Bivar devia a ele o cumprimento de acordo para se revezarem na presidência do partido.

Diálogo com o poder

Rueda circula com desenvoltura nos corredores do poder. É ligado ao presidente da Câmara, Arthur Lira, e mantém diálogo com o Planalto.

Lula choca até ‘fiéis’ desprezando tragédia no Sul

Até mesmo assessores mais “religiosos”, que acreditam em tudo o que diz e faz o presidente Lula (PT), ficaram chocados com sua decisão de não visitar, nem mesmo sobrevoar, as áreas afetadas pelo devastador ciclone que matou 41 pessoas, quase todas no Rio Grande do Sul. A insistência levou o presidente mandar seus assessores “religiosos” espalharem a lorota de que estaria “gripado”. A suposta gripe não o impediria de participar do esvaziado desfile de Sete de Setembro.

Quem conhece, sabe

Quem conhece Lula ou tem boa memória sabe que ele costuma ignorar tragédias. Desdenhou de quase todas ocorridas em seus dois governos.

Isso não se faz

Lula nunca visitou o local da queda do avião da TAM em São Paulo, em 2007, e se recusou por dois anos a receber os familiares das vítimas.

Isopor na cabeça

Sempre quis distância de tragédias. Em 2010, posou com isopor na cabeça, na praia, enquanto o Rio vivia tragédia com dezenas de mortos.

Verdadeiro talento

O casal presidencial agiu como atores, no 7 de Setembro em Brasília, acenando sorridente e até fazendo o L para... ninguém. O povo sumiu. O teatro incluiu espaços vazios ignorados pela emissora oficial.

Lanterna na popa

A pergunta do deputado André Fernandes (PL-RJ), nas fedes sociais, foi a mesma do cientista político Paulo Kramer: se o país “está dividido”, como se repete por aí, onde está a metade que apoia o governo?

BNDES na pauta

A PEC do BNDES logo deve retornar à CCJ. Seu autor, deputado Mendonça Filho (União-PE), diz que o governo se relaciona com a Câmara “entre tapas e beijos’’ para tentar impedir o avanço da pauta.

Lei no lixo

Um dos objetivos da minirreforma eleitoral, analisada a toque de caixa na Câmara, é “vedar a cassação de toda a chapa quando da nova distribuição de assentos houver redução da participação feminina”.

Rara unanimidade

À coluna, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) fez uma avaliação descontraída do colega André Janones (Cid-MG), ativista de fake news “do bem”: “Ele é democrático, rejeitado pela direita e pela esquerda”.

Contrato sem conta

Deputados lulistas querem excluir das informações exigidas para a prestação de contas eleitorais o local e o horário de trabalho da turma que eles supostamente contratam para suas campanhas.

Brasil campeão

Neste domingo (10), completam-se 51 anos que o Brasil conquistou o primeiro título mundial de Fórmula 1. Veio pelo piloto Emerson Fittipaldi ao vencer o Grande Prêmio da Itália, em Monza.

Centenário

Há 100 anos, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, morria o primeiro gaúcho eleito presidente do Brasil. O marechal Hermes da Fonseca faleceu em 9 de setembro, vítima de um ataque cardíaco.

Pergunta na lógica

Fazer ‘L’ no Sete de Setembro é “despolitizar”?

PODER SEM PUDOR

Política e verborragia

Lula não é o único político a utilizar palavras cujo significado ignora. Em 1996, na campanha para a prefeitura de Curitiba, o radialista Carlos Simões cometia frases do gênero “Os problemas de Curitiba precisam ser tratados de forma equidistante” ou “a cidade cresce para o sul, o norte, para o leste e para o oeste, de forma colateral”. As pesquisas indicavam o favoritismo de Cassio Taniguchi, mas ele tinha uma explicação para o fracasso anunciado: “A eleição ainda não foi bem encalacrada pelo povo...”.

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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