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GIBA UM

"Pobre não gosta de dever, gosta de pagar aquilo que deve. Todo mundo quer andar de cara limpa"

de LULA // dizendo que o 'Desenrola' vai salvar 72% dos endividados.

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“Pobre não gosta de dever, gosta de pagar aquilo que deve. Todo mundo quer andar de cara limpa. Só quem gosta de dever muito é rico”,

de LULA // dizendo que o ‘Desenrola’ vai salvar 72% dos endividados.

O Conselho Nacional de Justiça e o STF vão se unir na produção de uma radiografia do sistema prisional brasileiro. O documento será levado ao Ministério da Justiça para discussão de propostas com objetivo de equacionar o déficit carcerário do país.

Mais: são mais de 680 mil detentos para 470 mil vagas disponíveis. A largada do trabalho começa com a visita de Rosa Weber, presidente do Supremo e do CNJ ao presídio de Alcaçuz (RN), ao lado de juristas e especialistas da área de direitos humanos.

In - Exercícios: piloxing

Out - Exercícios: body combat

Damares 22026

Grupo de parlamentares evangélicos acham que a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) pode disputar a Presidência em 2026. “É um nome muito bom por conta do currículo”, diz o deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP). Analistas lúcidos avisam que a ideia dos parlamentares evangélicos e a opinião de Cezinha não devem provocar gargalhadas. Damares já se elegeu senadora; Jair Bolsonaro já se elegeu presidente do país (e quase se reelege); e segundo o IBGE, o Brasil tem 70 milhões de evangélicos (nos últimos 20 anos, o número desses religiosos aumentou 543%).

TAMBÉM NO TST

O presidente da Câmara, Arthur Lira, agora está empenhado em fazer o futuro ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Lira articula com a cúpula da OAB – a começar pelo próprio presidente do Conselho Federal, Beto Simonetti – a inclusão do alagoano Adriano Avelino na lista sêxtupla que será enviada pela Ordem ao presidente Lula. Detalhe: Avelino é advogado de Lira. Atrás de tudo, nova disputa entre os principais adversários da política alagoana. Renan Calheiros também tem um nome para o TST: é Fernando Paiva, advogado alagoano, ex-integrante do Conselho Federal da OAB.

Seguranças lá fora

O episódio de agressão ao ministro Alexandre de Moraes (STF) no aeroporto de Roma reacendeu o debate entre Poderes sobre a forma de reforçar a segurança de autoridades brasileiras no exterior. Fora do país, a PF faz escolta de presidentes e ex-presidentes, mais autoridades sob algum tipo de ameaça. Uma das ideias discutidas seria haver para magistrados procedimentos especiais de embarque e desembarque nos aeroportos. Dentro do país, Alexandre já conta com segurança permanente de quatro (ou mais, dependendo do local) seguranças.

AMEAÇADO

O ministro Alexandre de Moraes está em alerta com o risco de atentados e agressões desde seus tempos no comando da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, durante o governo de Geraldo Alckmin, quando enfrentou ameaças do crime organizado. Um mapeamento de ofensas, xingamentos e ameaças feito por uma equipe do TSE no ano passado apontou que Moraes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso lideram o “ranking do ódio” contra integrantes da Alta Corte. Depois de assumir a presidência do TSE, Moraes reforçou sua segurança pessoal.

Entre PL e PSD

Um dos possíveis agressores do ministro Alexandre de Moraes (STF) no aeroporto de Roma, Roberto Mantovani Filho foi candidato à prefeitura de Santa Barbara D’Oeste em 2004 (ficou em quarto lugar) pelo PL de Valdemar Costa Neto e hoje também de Jair Bolsonaro. Na época aliou-se ao PT e imprimiu santinhos ao lado de Lula (em sua primeira gestão, o vice-presidente José Alencar era do PL e o mesmo Valdemar negociou seu ingresso na chapa). Em 2016, Mantovani mudou de barco e se filiou ao PSD de Gilberto Kassab, que pretende expulsá-lo do partido.


Mundo cor de rosa

Nos últimos anos muito tem se falado sobre empoderamento feminino. E sobre este tema estreou nos cinemas esta semana o filme Barbie, que também fala de representatividade e a importância de ser fiel a si mesmo onde Barbie precisa lutar com as dificuldades de não ser mais apenas uma boneca e tem dificuldades para se ajustar, e precisa enfrentar vários momentos nada coloridos até descobrir que a verdadeira beleza está no interior de cada um. O longa está sendo mais que aplaudido pelos críticos de cinema. A estimativa é que “Barbie” largue com uma bilheteria entre US$ 70 milhões e US$ 80 milhões, o que aliviará o prejuízo do ano passado da Warner Bros. Discovery de US$ 50 bilhões. Mais: o filme fez parceria com diversas marcas, inclusive com uma rede fast food B e ainda deve ajudar a Mattel (detentora dos direitos da marca da boneca) a faturar US$ 950 milhões em 2023. Na pré-estreia do filme uma legião de celebridades se vestiu de rosa e foram apreciar o longa. Entre tantas, ocupando as cadeiras de cinemas entre Rio e São Paulo estavam, da esquerda para à direita, a atriz Monique Alfradique, a produtora de cinema Nataly Mega (ex-esposa de Fábio Porchat), a designer de moda Jade Magalhães (ex-namorada de Luan Santana), a atriz Giulia Benite (interprete de Mônica no filmes Turma da Mônica Laços e Turma da Mônica Lições), a atriz, cantora e empresária Larissa Manoela; e a modelo, youtuber e influencer, Paola Antonini.

Desconfiança no ‘Desenrola’

Lula acha que vai salvar 72% dos endividados com o programa ‘Desenrola’. Analistas especialistas acham que não é bem assim. De cara, quem deve R$ 100 terá a dívida perdoada. Não significa que voltará a comprar de imediato e se comprar, voltará a dever. A hipótese é que 1,5 milhão de pessoas ficarão com o nome limpo. Em seguida, renegociação de dívidas bancárias por pessoas físicas com renda até R$ 20 mil. Quem quitar à vista o que for renegociado, poderia ganhar desconto de mais de 90%. Alguns bancos já avisam que não estão enquadrados nesse bloco: desconto, sim; desse tamanho, não. Se pagarem o renegociado em parcelas, ganharão juros de mercado. Em setembro, será a vez dos que ganham dois salários-mínimos e tem dívidas financeiras e não financeiras até R$ 5 mil. Poderá renegociar o que deve e pagar entre 12 e 60 parcelas, igualmente com juros. Corre o risco de ficar devendo mais.


Mundo verde

O jogador argentino Lionel Messi, 36 anos, que acaba de assinar um contrato com o Inter Miami (time do ex-atleta David Beckham), que deve ser o último time antes de se aposentar. Messi já disse que não tem a pretensão de jogar por muito tempo. E pensando em aposentadoria o jogador já garantiu seu pé de meia, criando sua marca, a The Messi Store. E agora acaba de lançar uma nova coleção batizada de “Messi Verde”, que é feita de forma responsável em Portugal com 100% de resíduos de algodão. A nova linha inclui moletons, camisetas, shorts e calças em uma paleta de cores neutras como branco, cinza, azul e preto. Os preços das peças variam de US$ 35 a US$ 110. Mais: ele entrou no mundo gastronômico, acaba de criar o “Sanduíche de Frango Messi” em parceria com a Hard Rock Café.

Contra Aras

Rui Costa (Casa Civil) e Jaques Wagner, líder o governo no Senado, gostariam que Augusto Aras permanecesse na Procuradoria-Geral da República. O presidente Lula não gosta muito da ideia. Lembra que, em 184 acusações contra Jair Bolsonaro e seus filhos apresentados ao STF, as manifestações da PGR se alinharam aos interesses do bolsonarismo em 95% dos casos. Aras foi criticado pela postura da PGR na pandemia, em meio a outras acusações a Bolsonaro. E ele escolheu como vice-procuradora-geral Lindôra Maria Araújo, considerada um dos nomes mais simpáticos à Bolsonaro no órgão.

 


Incerto

O ministro-chefe da Secretaria da Comunicação (Secom) Paulo Pimenta, ainda não sabe o que o ex-deputado Jean Wyllys vai fazer na secretaria. E não tem ideia de quando ele começa a trabalhar e menos ainda se será integrado à sua equipe. Wyllys deixou o Brasil em 2019, já no governo Bolsonaro para um autoexílio na Europa. O ex-parlamentar trocou o PSOL pelo PT em 2021 e depois de quatro anos, está de volta ao país.

Damares 22026

Grupo de parlamentares evangélicos acham que a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) pode disputar a Presidência em 2026. “É um nome muito bom por conta do currículo”, diz o deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP). Analistas lúcidos avisam que a ideia dos parlamentares evangélicos e a opinião de Cezinha não devem provocar gargalhadas. Damares já se elegeu senadora; Jair Bolsonaro já se elegeu presidente do país (e quase se reelege); e segundo o IBGE, o Brasil tem 70 milhões de evangélicos (nos últimos 20 anos, o número desses religiosos aumentou 543%).

TAMBÉM NO TST

O presidente da Câmara, Arthur Lira, agora está empenhado em fazer o futuro ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Lira articula com a cúpula da OAB – a começar pelo próprio presidente do Conselho Federal, Beto Simonetti – a inclusão do alagoano Adriano Avelino na lista sêxtupla que será enviada pela Ordem ao presidente Lula. Detalhe: Avelino é advogado de Lira. Atrás de tudo, nova disputa entre os principais adversários da política alagoana. Renan Calheiros também tem um nome para o TST: é Fernando Paiva, advogado alagoano, ex-integrante do Conselho Federal da OAB.

Seguranças lá fora

O episódio de agressão ao ministro Alexandre de Moraes (STF) no aeroporto de Roma reacendeu o debate entre Poderes sobre a forma de reforçar a segurança de autoridades brasileiras no exterior. Fora do país, a PF faz escolta de presidentes e ex-presidentes, mais autoridades sob algum tipo de ameaça. Uma das ideias discutidas seria haver para magistrados procedimentos especiais de embarque e desembarque nos aeroportos. Dentro do país, Alexandre já conta com segurança permanente de quatro (ou mais, dependendo do local) seguranças.

AMEAÇADO

O ministro Alexandre de Moraes está em alerta com o risco de atentados e agressões desde seus tempos no comando da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, durante o governo de Geraldo Alckmin, quando enfrentou ameaças do crime organizado. Um mapeamento de ofensas, xingamentos e ameaças feito por uma equipe do TSE no ano passado apontou que Moraes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso lideram o “ranking do ódio” contra integrantes da Alta Corte. Depois de assumir a presidência do TSE, Moraes reforçou sua segurança pessoal.

Entre PL e PSD

Um dos possíveis agressores do ministro Alexandre de Moraes (STF) no aeroporto de Roma, Roberto Mantovani Filho foi candidato à prefeitura de Santa Barbara D’Oeste em 2004 (ficou em quarto lugar) pelo PL de Valdemar Costa Neto e hoje também de Jair Bolsonaro. Na época aliou-se ao PT e imprimiu santinhos ao lado de Lula (em sua primeira gestão, o vice-presidente José Alencar era do PL e o mesmo Valdemar negociou seu ingresso na chapa). Em 2016, Mantovani mudou de barco e se filiou ao PSD de Gilberto Kassab, que pretende expulsá-lo do partido.

Mais uma

A chilena Falabella, uma das maiores redes de varejo da América Latina, retomou o projeto de se instalar no Brasil. O grupo deverá focar no setor de vestuário, inicialmente com uma operação restrita ao e-commerce. A ideia é montar uma plataforma de marketplace, com a venda de produtos próprios e de terceiros. Dando certo, o passo seguinte seria a abertura de lojas físicas. Esta semana, à propósito, a sueca H&M também do segmento de moda, anunciou plano de operar no Brasil em 2025.

ALMANAQUE

Nada menos do que 200 mil pessoas estão na fila para o processo de reconhecimento de cidadania italiana. Agendar consultas para a finalização do documento, hoje em dia, é uma tarefa quase impossível. São 326 mil pessoas registradas no consulado italiano de São Paulo e 40 mil cidadanias foram reconhecidas nos últimos cinco anos. Para quem não tem ideia: mais de 20 milhões de pessoas são descendentes de italianos no estado de São Paulo.

MISTURA FINA

LULA é o detentor do recorde de viagens ao exterior nos primeiros sete meses de governo – e sempre em hotéis de luxo. Até agora, foram 15 vezes voando desde a posse em janeiro. O número igual o seu próprio recorde de 2007. Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro tem a média de 6 viagens entre janeiro e julho. A média de Lula chega a 14. Só um governo se iguala ao Lula 3: é o dele mesmo, o Lula 2. Na sequência, o primeiro mandato de Lula, com 13 viagens.

LULA está repensando no ingresso do PP e do Republicanos na base do governo, até mesmo ganhando ministérios (não gosta de Ciro Nogueira). Acha, contudo, que na prática pode ser um bom negócio, não precisaria conversar a cada votação, o que sempre sai caro. Mas, não esquece que esses partidos formavam ao lado de Bolsonaro (e formam até hoje) e seus indicados no comando de ministérios pode virar um mau negócio. Fora que seus seguidores não entenderão essa manobra, agora e lá na frente.

ENTRE as primeiras providências que o ministro Luís Roberto Barroso vem tomando, já de olho em outubro, quando assumir a presidência do STF (Rosa Weber de aposenta), está a escolha da juíza Adriana Cruz, que é frequentemente mencionada como um nome adequado para uma futura vaga no Supremo. Barroso também pretende dar continuidade aos projetos de melhoria do Plenário Virtual e seguir iniciativas de gestões anteriores, especialmente de Rosa Weber com quem mantém relação próxima.

O NOVO ministro do Turismo, Celso Sabino (União-PA), que nunca atuou na área de seu ministério, está garantindo, em suas próprias entrevistas, que seu partido tem votado, em maioria, projetos que entende ser favoráveis ao Brasil. E cita arcabouço fiscal, reformulação dos ministérios, Carf e reforma tributária. Contudo, ele pediu adiamento da votação da reforma, não conseguiu, ficou irado - e votou contra.

A PRESIDENTE nacional do PT, Gleisi Hoffmann, está disposta a disputar uma vaga para o Senado, caso Sérgio Moro (União-PR) seja mesmo cassado e nova eleição suplementar seja realizada. Só que acha o debate precipitado porque Moro ainda nem foi julgado. Gleisi tem disposição de concorrer, mas “a gente vai conversar no partido a melhor estratégia”. Ou seja: a candidata pode não ser ela.

O DEPUTADO Aguinaldo Ribeiro, relator da reforma tributária, consultou o ex-ministro Paulo Guedes sobre alguns pontos polêmicos do projeto. Guedes defendeu uma ampliação de tributos junto a alguns segmentos de forma a reduzir a alíquota básica. E voltou a falar sobrem o “imposto do pecado” para tributar alimentos ultra processados e com muito teor de açúcar. De quebra, sacou a mesma receita de sempre: que se resgate a CPMF, modulando conforme o “gosto do freguês”.

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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