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GIBA UM

"Precisa baixar o juro. Se não vier o corte, vai ser muito triste"

de LUIZA TRAJANO // comandante do Magazine Luiza no seminário na sede do BNDES, no Rio

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Uma delegação da Corte Interamericana de Direitos Humanos, ligada à OEA, está realizando uma inspeção em penitenciárias brasileiras A entidade é responsável pela aplicação da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, ratificada pelo Brasil em 1992.

Mais: tudo dará duríssimo relatório sobre o sistema prisional do país. São 1.381 unidades um total de mais de 900 mil preso. Das prisões, 997 tem mais de 100% da capacidade ocupada e outras 276 estão com ocupação superior a 200%. Haverá riscos de sanções da própria OEA.

In - Vitamina de banana com chocolate

Out - Vitamina de kiwi com mel

Ator central

O ministro Flavio Dino (Justiça) ganhou protagonismo no Planalto porque se colocou como ator central na resposta aos ataques de 8 de janeiro e também por centralizar audiências no Congresso, fora os episódios de atentados nas escolas. O resultado não poderia ser diferente: despertou incômodo entre auxiliares de Lula por seu estilo pouco colaborativo e centralizador. Aí, surgiram reclamações sobre Dino em torno de rusgas com outros ministros, que o acusam de buscar exposição demasiado. Se uma parte de palacianos defendem Dino por atuar e trabalhar bastante, outra parte não consegue aceitar a autoridade de Rui Costa (Casa Civil).

QUARTA ANISTIA

O PT de Lula e o PL de Jair Bolsonaro deverão aprovar uma emenda à Constituição que anistiará partidos políticos de todas as irregularidades cometidas até a promulgação da norma. Só PSOL e Novo são contra. Se efetivada, será quarta anistia que os partidos se concedem nos últimos 30 anos. Ficariam livres de controle judicial e punição como os gastos do extinto PROS em festivais de churrascos (comprou 3,7 toneladas de carne em 2017) e na construção de piscina na casa de seu ex-presidente.

Pressão

Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, não quer nada com a Presidência em 2026: quer ser reeleito pelo estado. O centrão bolsonarista insiste e está mais interessado no governador do que em Jair Bolsonaro. Valdemar Costa Neto (PL) e Ciro Nogueira (PP) reconhecem que o extremismo do ex-chefe do governo tira votos e que Tarcísio atrairia mais partidos do que a chapa do ex-presidente. Mais: a ideia é somar o núcleo de Bolsonaro (PL, PP e Republicanos) ao PSD (aliado de Tarcísio) e ao MDB (que quer o apoio do grupo na capital paulista).

DESCASO

O governo federal destina este ano R$ 752 milhões no Orçamento para a Defensoria Pública da União, quatro vezes menos do que o montante reservado para a Advocacia-Geral da União (AGU).

Cabe à Defensoria advogar para pessoas com renda familiar até dois salários-mínimos na Justiça Federal. Atende a cabos, soldados, sargentos das três forças armadas e muitos processos se referem a aposentadorias e benefícios sociais. Ou seja: reserva menos dinheiro para quem vai representar contra ele. Detalhe: a Defensoria está sem titular desde janeiro.

Safra gorda

O próximo levantamento do Ministério da Agricultura da safra brasileira de café, prevista para setembro, deverá apontar uma estimativa de 57 milhões de sacas, um avanço de 4% sobre a projeção da Conab há dias (54,7 milhões de sacas) e um aumento de 12% em relação à última safra.

A circunstância é ainda mais positiva devido aos recentes problemas na Colômbia, de forte impacto na produção local. Em 2022, a safra colombiana caiu 12% atingindo o menor volume em nove anos.

Invasão brasileira

A 76ª edição do Festival de Cannes (16 a 27 de maio) não tem nenhum filme brasileiro concorrendo aos prêmios, mas nem por causa disso ficou de fora. Dois filmes foram escolhidos para serem exibidos para o público e celebridades presentes: A flor de buriti, dirigido por Renée Nader Messora e pelo português, João Salaviza e Retratos Fantasmas, de Kleber Mendonça Filho.

E o filme Firebrand, que concorre ao prêmio Palma de Ouro é dirigido pelo diretor brasileiro, Karim Aïnouz. Além disso várias homenagens são distribuídas entre elas o Palma de Ouro honorífica, que este ano teve dois ganhadores os atores Michael Douglas, que recebeu a honraria com a esposa Catherine Zeta Jones e a filha caçula Carys Zeta Douglas na plateia; e o ator Harrison Ford, que foi pego de surpresa antes da exibição especial do filme Indiana Jones e a relíquia do destino, no qual se despede do seu lendário personagem. Ford brincou ao receber o prêmio das mãos de Iris Knobloch, presidente do Festival de Cannes:

“Eu me sinto muito emocionado. Dizem que quando a gente vai morrer, vê passar a vida em flashes diante dos olhos, e acabo de ver isso. Grande parte da minha vida, mas não toda a minha vida”. Para representar o Brasil um festival de brasileiras cruzou o tapete do evento, entre tantas, estavam da esquerda para à direita, a atriz, influenciadora, missionária e ex-BBB Rafa Kalimann; a atriz e empresária Marina Ruy Barbosa; as super modelos Alessandra Ambrósio, Adriana Lima e Izabel Goulart.

Alternativa é Rodrigo 2026

O PL de Valdemar Costa Neto, dono da maior bancada na Câmara e sigla com mais verba eleitoral e tempo de TV quer apoiar a reeleição de Ricardo Nunes em 2024 para a prefeitura de São Paulo.

Contudo, a ala bolsonarista do partido não abre mão de marchar com o ex-ministro Ricardo Salles, que já tem apoio de Bolsonaro.

Os dois veem Guilherme Boulos como favorito. No União Brasil, o partido está fechado com Ricardo Nunes e pleiteia indicar um nome para vice.

Só que o MBL (Movimento Brasil Livre) ensaia lançar a candidatura do deputado Kim Kataguiri (União-SP). Se o partido não embarcar na ideia, Kim pode mudar de sigla, se conseguir se desfiliar sem perder o mandato. Detalhe: há um estranhamento entre Nunes e Eduardo Leite, que impulsiona uma candidatura própria do União: é o ex-governador paulista Rodrigo Garcia, que deixaria o PSDB e regressaria à antiga sigla.

Moda sustentável

A atriz, cineasta e ativista humanitária, Angelina Jolie, 47 anos, acrescentou mais uma profissão ao seu currículo: o de empresária.

Ela está na fase final da sua marca Atelier Angelina. É uma grife de moda sustentável onde usará milhões de toneladas de resíduos do estoque morto de marcas, que também terá colaboração de vários refugiados. Na página do Instagram ela descreve seu novo trabalho assim:

“Estou começando algo novo hoje - um coletivo onde todos podem criar. É um lugar onde os criativos podem colaborar com alfaiates, modelistas, artesãos e especialistas de todo o mundo, portanto, os consumidores também poderão mergulhar no papel de “designer”.

Estou construindo um lugar para pessoas criativas. Você poderá consertar ou reciclar peças do seu armário que deseja reviver, aperfeiçoando o ajuste, dando nova vida ao que poderia ter sido jogado fora e criando roupas de herança de qualidade com significado pessoal”.

Dia da Indústria

O governo Lula deverá participar da celebração do Dia da Indústria, amanhã, na Fiesp. Além do próprio Lula, já estavam confirmados o vice Geraldo Alckmin, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) e Aloysio Mercadante (BNDES).

Será um desagravo a Josué Gomes da Silva, que ainda está muito pressionado pelos problemas internos da entidade. Apoiador do presidente Lula, o filho do ex-vice-presidente José Alencar sofreu, recentemente, uma tentativa de golpe na Fiesp.

Sem mandato

O ex-ministro da Integração Nacional do governo Dilma, Fernando Bezerra (MDB-PE) tornou-se uma espécie de 82º senador – a Casa tem 81 integrantes. Mesmo sem mandato desde fevereiro, Bezerra vem atuando informalmente nos bastidores do Congresso em busca de pautas de interesse do governo Lula. O trabalho tem sido recompensado: ele já conseguiu emplacar o aliado Henrique Bernardes na diretoria da cobiçada Codevasf e negocia com o Planalto duas indicações para a Sudene.

Buscando apoio

Duas vagas foram abertas no Tribunal Superior Eleitoral com término dos mandatos de Carlos Horbach e Sérgio Banhos (ambos escolhidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro).

Por isso uma legião de candidatos está agendando audiências com Rosa Weber, presidente do STF, para expor candidatura e proposta e tentam aumentar suas chances.

Entre tantos recebidos por Weber estão as advogadas Daniela Borges, que já conta com o apoio da ministra Cármen Lúcia; e Edilene Lôbo é advogada do PT e tem o apoio da sigla.

Ela recebeu também André Ramos Tavares, que atualmente é ministro substituto do TSE, que é amigo do presidente do TSE, Alexandre de Moraes, assim como Floriano Marques Neto, que será recebido hoje por Rosa Weber.

SEM INSULINA

O Brasil tem 16,8 milhões de adultos com diabetes. É o quarto país com maior incidência da doença do mundo, ficando atrás somente da China, Índia, Estados Unidos e Paquistão.

O mal cresce de forma significativa no Brasil e deve comprometer a saúde de 21,5 milhões de brasileiros até 2030, segundo a Federação Internacional de Diabetes.

E os diabéticos estão sem insulina. Recentemente, o governo federal descartou 999,7 mil canetas de insulina de ação rápida, um desperdício de R$ 15 milhões porque o prazo de validade chegou. Agora, a compra emergencial de 1,3 milhão de tubetes em março não conseguirá atender todo o SUS em 180 dias.

MISTURA FINA

A PRESENÇA do Brasil entre os países convidados à reunião do G7 acabou com a fantasia do presidente Lula de exercer algum papel para acabar com a guerra na Ucrânia. Coube a Volodymyr Zelensky ceder à insistência para finalmente não aparecer na hora marcada da anunciada “reunião” com Lula. Perguntado se Lula o decepcionou, o ucraniano deu uma risadinha e ironizou: “Ele é quem ficou decepcionado”.

AINDA o comportamento de Lula em Hiroshima: o mico do presidente brasileiro fez diplomatas lembrar Yigal Palmor, porta-voz do governo de Israel que, em 2014, chamou o Brasil do governo de Dilma Rousseff de “anão diplomático”. Nesta semana depois das afirmações confusas sobre a guerra, o The New York Times resolveu redefinir Lula: agora, o classifica como “um presidente obediente a Vladimir Putin”.

O VAREJO on-line brasileiro faturou R$ 36,6 bilhões no primeiro trimestre do ano, queda de 13,7% sobre o resultado de R$ 42,4 bilhões registrado um ano antes, segundo a Neotrust. O desempenho fez a consultoria revisar para baixo a projeção de faturamento do e-commerce para o ano todo. Antes, estimava uma alta de 1,8%. Agora, projeta um recuo de 7%.

PARLAMENTARES bolsonarista da Assembleia Legislativa de São Paulo estão convidando a secretária estadual da Cultura, Marília Marton e o presidente da Fundação Padre Anchieta, José Roberto Maluf, para que expliquem os critérios de produção dos programas da TV Cultura, Acham que a emissora faz ataques a Jair Bolsonaro. Os dois consideram um engano: dizem que “apenas cobrem e informam o que o ex-presidente faz ou já fez”.

A SARAIVA teria voltado a atrasar o pagamento de fornecedores conforme estabelecido no Plano de Recuperação Judicial. Grandes editoras teriam recolhido livros de estoques e das lojas físicas da companhia, que a empresa alega ter sido “uma questão pontual” e que vem mantendo seus compromissos. Entre março e abril, a Saraiva fechou seis pontos no Nordeste, São Paulo e Rio Grande do Sul. Em recuperação judicial, a Saraiva ainda carrega uma dívida de mais de R$ 300 milhões.

A AZUL ultrapassou a Latam em passageiros que decolam do Brasil para Miami, principal porta de entrada de brasileiros nos Estados Unidos.

A Latam dominava esse mercado. No primeiro trimestre do ano, a Azul transportou 48.8 mil passageiros até o aeroporto de Fort Lauderdale, vizinho a Miami (é lá que a Azul opera seus voos há anos). A Latam, no mesmo período, registrou 45.6 mil passageiros desembarcados no aeroporto internacional de Miami. A Gol vem em terceiro lugar, com 13.6 mil passageiros.

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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