Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Prometeu cerveja, só não disse que ia ser choca, quente e cara"

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após anúncio de que o imposto sobre a bebida será de 46% após a reforma tributária do governo Lula

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Lula reluta apoiar Pereira para não afrontar Lira

O deputado Marcos Pereira (SP), atual vice de Arthur Lira (PP-AL) e presidente do Republicanos, tem dito a interlocutores haver recebido de Lula (PT) a garantia de apoio na disputa pelo comando da Câmara a partir de 2025, mas líderes governistas negam. É que Lula, esperto, não quer afrontar Lira. Sabe que, como confirmou pesquisa Quaest semana passada, não será Lula e nem Jair Bolsonaro quem mais influenciará na eleição do próximo presidente da Câmara; será o deputado Arthur Lira.

Cabo eleitoral

Para 73%, Arthur Lira terá “alta influência” na definição do sucessor, além de ter avaliação positiva de 50% dos colegas deputados federais.

Lula mal na foto

O Quaest apontou que 43% dos deputados acham negativa a relação de Lula com a Câmara, reforçando a limitada influência do petista.

Terceira opção

Segundo o levantamento junto aos 513 deputados federais, apenas 13% dizem preferir Marcos Pereira como presidente da Casa. Ele está em 3º.

Corrida antecipada

Entre os citados nas intenções de voto para presidente da Câmara, Antonio Brito (PSD-BA) soma 23% e Elmar Nascimento (União-BA) 15%.

Truque do Nubank barra saída de cliente insatisfeito

O Nubank deixou roxa de raiva a clientela ao fechar a corretora Nuinvest, primor de simplicidade e eficiência, e obrigando investidores a operar em seu app, aliás, muito ruim. Complicou o que era simples. Pior: quem tenta migrar para outra corretora descobre que o Nubank dificulta a saída dos insatisfeitos usando o truque de adotar práticas burocráticas, como preencher formulários. Aposta em inibir a saída do cliente fazendo exigências arcaicas, que negam a condição de banco digital “inovador”.

Temor da concorrência

A atitude do Nubank faz parecer temor da concorrência. Bancos como XP e BTG, ao contrário, facilitam o exercício do direito a portabilidade.

Um banco indisponível

A B3 oferece em seu site o serviço em que o investidor troca de corretora em poucos cliques. Mas não no caso do Nubank, ainda “indisponível”.

Práticas analógicas

O cliente do Nubank sofre para achar, no menu, a área de portabilidade. Parece proposital dificultar a vida de quem deseja simplesmente vazar. 

Noves fora, nada

Com um ano e meio desde o início, mais de 70% dos brasileiros não conseguem citar uma única ação positiva do governo Lula, de acordo com levantamento nacional do instituto Paraná Pesquisas.

‘Calaboca’ não morreu

“Aqueles que estão no governo preferem perseguir quem diz a verdade para poderem mentir à vontade”, protestou o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS) ao lembrar que o clima de censura não acabou.

Estranha verba

O IBGE levantou suspeitas ao solicitar R$38 milhões para “ações e pesquisa” no Rio Grande do Sul. O deputado Gustavo Gayer (PL-GO) exigiu explicações da ministra Simone Tebet (Planejamento).

Castração ‘pedagógica’

“Uma menina que foi estuprada, qual é a recuperação social que ela vai ter?”, perguntou o senador Esperidião Amin (PP-SC), que descreveu projeto sobre a castração química para estupradores como “pedagógico”.

Mão na massa

O ex-presidente Jair Bolsonaro participa de evento de arrecadação de donativos para o Rio Grande do Sul nesta segunda (27), em Ribeirão Preto (SP). Será na Paróquia Santa Teresinha.

Bombou

Após levantamentos que mostraram queda na popularidade de Lula, vitória de Bolsonaro se estivesse elegível e Michelle mais querida do que Janja, o Paraná Pesquisas parou nos assuntos mais populares do X.

Septuagenário

Criticado pelo sumiço nas ações de resgate e recuperação do Rio Grande do Sul, o senador Hamilton Mourão (Rep-RS) explicou o motivo de não estar no meio da enchente: “Sou um homem de 70 anos”. Çei.

Respeito é que importa

“Acho que o que os prefeitos querem não é carinho, é respeito”, disse o deputado Mauricio Marcon (Podemos-RS) ao defender a vaia a Lula, que alega que seu governo é “o mais carinhoso” para os prefeitos do Brasil.

Pensando bem...

…na melhor das hipóteses, essa presepada da “InternetBras” de Lula terá o mesmo futuro da Telebrás.

PODER SEM PUDOR

Quinze motivos

Eleito governador de Minas Gerais em 1982, Tancredo Neves foi logo pressionado pelo vice, Hélio Garcia, a nomear um José Geraldo para o importante cargo de secretário de Obras. Tancredo recusou a indicação, mas Garcia insistiu, certo de que era uma boa ideia. Tancredo descartou: “Não posso nomear para a Secretaria de Obras alguém que se chama José Geraldo e é chamado de ‘Quinzinho’...” Não se falou mais no assunto.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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