Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Revela não só desconhecimento, como também insensibilidade"

Ibaneis Rocha, governador do DF, sobre Lula ter desconfiado dos bombeiros de Brasília

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Marca: Tramonte tem 31,3% e Engler 15,4% em BH

Levantamento realizado pelo Marca Pesquisas em Belo Horizonte (MG) aponta que o candidato do Republicanos à prefeitura, Mauro Tramonte, continua a liderar as intenções de votos com 31,3% no cenário estimulado, mais que o dobro de Bruno Engler, candidato do PL, com 15,4%. O atual prefeito da capital mineira, Fuad Noman (PSD), registrou 14,7%, aponta o Marca, e Duda Salabert (PDT), 9,8%. Outros 10,6% disseram não saber em quem votar e 6,9% votariam branco/nulo.

Segundo pelotão

O candidato do PT, Rogério Corrêa, teria 5,9% se a eleição fosse hoje; Gabriel Azevedo (MDB), 3,1% e Carlos Viana (Podemos), 2,3%.

Ponta cresce

Tramonte e Engler cresceram mais de quatro pontos em relação à pesquisa Marca de agosto. Fuad Noman foi de 6,2% para 14,7%.

Efeito campanha

Os indecisos despencaram de 31,6% para 10,6% desde a última pesquisa Marca, realizada antes do início da propaganda eleitoral.

Dados técnicos

A pesquisa ouviu 982 eleitores por telefone de 9 a 13 de setembro e foi registrada no TSE sob o nº MG-00538/24, com margem de erro de 3,5%.

Falta de quórum cancela reunião-factóide de Lula

Foi principalmente a falta de quórum que fez Lula pender a amarelar e desistir da reunião com governadores que pretendia realizar nesta quinta-feira (19) sobre os incêndios, boa parte deles em áreas da União. Na quarta (17), o ministro da Casa Civil, Rui Costa, foi designado para ligar e convidar os governadores para a reunião. Os poucos que sinalizavam aceitar o convite cobraram ali mesmo, por telefone, a antecipação de medidas concretas ou se o evento era só pose para foto.

Jogada esperta

Com a reunião, Lula tentaria dividir com os governadores o desgaste político de sua própria omissão, do seu desleixo e sua demora em agir.

Terceirizando culpa

Governadores também estão revoltados com a tentativa malandra do PT e do governo Lula de culpar as vítimas: os produtores rurais.

Ouvidos moucos

Ao perceber também o risco de ouvir poucas e boas contra a omissão do seu governo, Lula jogou a toalha e alegou “agenda incompatível”.

Apelo ignorado

Data de 3 de abril a carta do governador do Amazonas, Wilson Lima (União), à ministra Marina Silva (Meio Ambiente) alertando sobre “desastre generalizado de seca”. O governo Lula não se mexeu.

Paraná, USA

Instituto de pesquisa que mais acertou nas Eleições 2022 no Brasil, o Paraná Pesquisas estréia em terras norte-americanas: divulga nesta quinta (19) levantamento sobre a disputa Kamala Harris x Donald Trump.

Taxadd sobre rodas

Está enfiada nas mais de 500 páginas da regulamentação da reforma tributária (nº 68/24) a aplicação de alíquota de 25% de Imposto Seletivo, ex-“imposto do pecado”, em todos os carros vendidos no Brasil.

Carro virou pecado

A inclusão de veículos entre os bens e serviços taxados com o “imposto do pecado” equipara a compra de carros, veículos de carga etc., à compra de cigarros, bebidas alcoólicas, refrigerantes etc.

Craque do jogo

Viralizou montagem apontando Elon Musk, sócio do X (ex-Twitter) como “craque do jogo”. Mudança técnica na rede social anulou a censura e devolveu aos brasileiros o acesso proibido à rede social X.

Tema relevante

Dos 16 senadores contrários ao impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, dez estão no final do mandato, incluindo o líder do PT Jaques Wagner (BA), Cid Gomes (PSB-CE) e Leila Barros (PDT-DF).

Avaliação popular

Segundo apuração da oposição, 29 senadores ainda estão “indefinidos” sobre o impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes. Desses, 23 vão enfrentar as urnas para voltar ao Senado em 2027.

Voz do povo

Corre em Minas Gerais a suspeita de que o governo Lula tem interesse na degradação das terras afetadas pelos incêndios. Desconfiam os mineiros que a jogada seria destinar a área devastada à reforma agrária.

Pensando bem...

...comprar carro no Brasil virou pecado.

PODER SEM PUDOR

Morfeu, deus do sono

Contam os velhos políticos mineiros que certa vez Benedito Valadares, interventor do Estado, conversava com o amigo Ciro dos Anjos quando, de repente, levou a mão à boca, num longo bocejo: “Vou dormir, Ciro, entregar-me aos braços de Orfeu!” O amigo corrigiu: “Faltou um M, doutor Benedito.” O interventor exlicou: “Orfeom é instrumento musical, Ciro. Eu estou é com sono mesmo...”

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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