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"Se ele é comunista, ele é contra os valores e princípios cristãos" de Michelle Bolsonaro

"Não existe comunista cristão. É de contramão com a palavra de Deus",  de MICHELLE BOLSONARO // contra o ainda ministro Flávio Dino, misturando religião e Direito. 

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Na próxima terça-feira, dia 12, Silvio Santos completa 93 anos. Segundo a Forbes, é dono de uma fortuna de R$ 1,6 bilhão e fez fama e fortuna em mais de 30 empresas. Hoje, está aposentado, tem problemas de artrose no joelho e dificilmente voltará à cena

Mais: mora entre sua mansão no Morumbi e uma casa na Flórida. Seu império será herdado pelas seis filhas (duas do primeiro casamento e quatro do segundo). Renata é a que carrega o maior cargo entre as irmãs: ela é presidente do conselho de administração do Grupo Silvio Santos (e é a caçula).


“Se ele é comunista, ele é contra os valores e princípios cristãos. Não existe comunista cristão. É de contramão com a palavra de Deus”,  de MICHELLE BOLSONARO // contra o ainda ministro Flávio Dino, misturando religião e Direito. 

In –  Box sanfonado / Out – Box de correr

Mulher do ano

Na última terça-feira (5) foi entregue o Prêmio Men of the Year promovido pela revista GQ Brasil, onde a tenista Bia Haddad,  de 27 anos, foi escolhida como Mulher do Ano (a outra categoria que pode premiar uma mulher é o ícone do Ano).  Haddad  fecha o ano de 2023 como a 11ª do ranking mundial da Women’s Tennis Association (WTA), e é segunda brasileira com mais títulos de simples na história da modalidade. Em entrevista à revista disse que construiu sua carreira passando por todas as etapas necessárias. “A cada etapa, fui me consolidando, e passei a sentir confiança para subir ao próximo estágio. Nunca quis pular barreiras”. E completa: “Ainda vivemos em um mundo machista. Maria Esther fez parte de uma geração que lutou por isso e pelo prêmio em dinheiro. Respeito e valorizo. Com certeza, não me coloco na mesma página”. Mais: ela revelou que sonha em ser mãe: “Quero ser mãe. Por isso, planejo competir mais uma década. A maternidade é um sonho e afeta diretamente a decisão da aposentadoria”. A tenista quer ainda conquistar Grand Slam, como Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open antes de realizar o sonho da maternidade.

O logotipo não é mais aquele

O logotipo do Banco Itaú, criado em 1992, pelo publicitário catalão Francesco Petit, um dos sócios da DPZ em seus tempos de glória e que misturavam as cores laranja, azul escuro e amarelo, o que era uma grande novidade, não é mais aquele. Por conta das comemorações de seus 100 anos, o Itaú acaba de lançar uma nova marca que, obedecendo o que se pode chamar de tendência entre designers mais modernos, troca, usa e abusa de variantes de cor. Antes o mesmo logo era azul num fundo (um quadrado ligeiramente arredondado) laranja e letras amarelas. O laranja vira quase um terracota no logo, as letras (verde, azul, preta e branca) mudam a partir da identificação do setor em que o novo será usado. O quadrado com as letras fica mais arredondado e um segundo fundo pode variar à vontade. O novo logotipo não é efusivo, é bem mais comportado, embora a forma não seja muito diferente. Dos meios publicitários aos cliente está estabelecida uma discussão.

Mais uma vez Gisele

A supermodelo Gisele Bündchen, que passou pelo Brasil na semana passada é novamente a garota-propaganda da joalheria Vivara, onde apresenta a coleção de Natal, com um look para lá de provocante. Numa campanha cheia de narrativa e diversão, batizada de “Vivara Celebration”, o vídeo da campanha é dividido em cinco atos que abrangem a preparação da festa, bebidas e ceia, troca de presentes e acabam em uma dança coreografada. Mais: ela acaba de firmar uma parceria com a empresa vegetal Gaia Herbs, que é focada na linha de suplementos. “‘Hoje tenho o orgulho de anunciar minha parceria com Gaia Herbs, marca que utilizo há mais de vinte anos, cujos produtos são conhecidos por sua pureza, potência e alta qualidade e isso realmente me ajuda a concentrar e aumentar minha energia”. 

Médio prazo

A ideia é que as versões no novo logotipo identifiquem as áreas às quais pertencerão. Em duas versões das letras aparecem abatidas, com pouco contraste. Em outras duas, a combinação de letras e fundo são triviais, não estimulantes. O Itaú diz que a nova marca é “sólida como uma pedra” (expressão criada pelos marqueteiros” e “cheia de novas cores e curvas como o Brasil”. O slogan também muda para é “Feito no futuro”. São ideias das novas gerações de criadores. As fachadas das agências também deverão ganhar roupa nova e até mesmo seu interior. Um designer internacional, Michel Bierut, coordenou tudo. Agora, é questão de tempo para se acostumar.

Super salário

O treinador português Abel Ferreira virou o grande personagem da virada que levou o Palmeiras de equipe desacreditada a mais uma conquista. Há torcedores que não gostam de suas atitudes, mas todos o consideram “um gigante”. Agora, as redes esportivas voltam a falar na possibilidade dele aceitar convite do Al-Sadd, do Catar, para ganhar R$ 15 milhões por mês (no Palmeiras, ganha R$ 3 milhões por mês). O L’Equipe garante que hoje ele ganha 34,3 milhões de euros por ano (R$ 183 milhões). Abel tem contrato até o final de 2024 e se sua família vier morar no Brasil, renova com Leila Pereira.

Pró-Dino

Apesar de elucubrações que circula entre opositores do governo federal, a grande maioria dos senadores, incluindo radicais de direita, acham que Flávio Dino poderá ter ao menos 50 votos, o que garante sua aprovação. Até Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, acha que o (ainda) ministro ganhará mesmo uma  cadeira no Supremo. Os veteranos acham que é uma questão de tradição: rejeição foge ao padrão do Senado. Só cinco nomes foram vetados nos 133 anos do STF, todos indicados por Floriano Peixoto. Cristiano Zanin, então advogado de Lula, foi aprovado com 58 votos. 

GREVE DA RECEITA

Os auditores da Receita Federal devem rejeitar o acordo proposto pelo governo e permanecer em greve. Fernando Haddad, da Fazenda, garante que não há nenhuma possibilidade de aumento salarial para a classe de auditores, agora e nos próximos meses. uma  suposta proposta que poderia ser estudada seria a divisão de percentuais em 2024 e 2025. Haddad sabe que o movimento ameaça o cumprimento da meta fiscal. Sem trabalho dos auditores, remessas internacionais sobre as quais incidem impostos estão parados em portos e aeroportos. 

Guerra interna

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, trabalha dentro do Planalto para impedir uma eventual indicação de Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, para o Ministério da Justiça (ela é contra a divisão da Pasta da Justiça). Costa defende a cisão e já tem um nome para comandar o Ministério da Segurança Pública: o ex-chefe do Ministério Público da Bahia, Wellington Lima e Silva. Essa história pode se encerrar com Gleisi ministra da Justiça, comandando a Polícia Federal e fazendo oposição ao próprio governo de Lula de dentro da Pasta. Detalhe: Gleisi e Rui Costa não se suportam. 

PANCADARIA

Na Assembleia Legislativa de São Paulo, esta semana, quando foi aprovada a privatização da Sabesp, companhia de saneamento básico do Estado e “joia da coroa” sonhada pelo governador Tarcísio de Freitas, corredores e galerias foram invadidos por manifestantes contrários à mudança. O que se viu, por ordem direta do governador, depois de pedido de Milton Leite, presidente da Alesp, foi uma pancadaria total promovida por PMs que se utilizavam de cassetetes de borracha dura. Muitos foram carregados por policiais, outros por companheiros de protestos e outros ensanguentados tentavam resistir. As cenas foram gravadas por celulares. 

Só por PEC

Para surpresa de muita gente, a oposição ao governo de Tarcísio de Freitas, não se mexeu na votação da Sabesp. Avisa que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal contra a privatização, argumentando que a desestatização só pode ser feita por PEC (Proposta de Emenda Constitucional). Nesse caso, requer 57 votos em dois turnos e não por projeto de lei, que exige apenas 48 votos de deputados estaduais. O governo sabe que poderá ter de brigar no STF e sabe também que muitos ministros defendem essa exigência.

Preto no branco

Um ano depois da DPZ ganhar a conta do Itaú, o mesmo Francesco Petit, em 1973, criou um logotipo sem novidade: um quadrado preto ligeiramente arredondado com letras brancas (a inicial sempre foi com letra minúscula). Durou 19 anos, até chegar na versão colorida de 1992, agora reformulada. O setor Personalité (banco e cartão) poderão ganhar versão que lembre a de 1973, agora no fundo branco com letras pretas. As novas letras, estudadas por muito tempo, são quase iguais às anteriores. Para veteranos da criação esse tipo de mudança é típico de novos talentos do design, como aconteceu na Globo. 

MUDANÇA DE COR

Há poucos meses, o tradicional logo tipo da Rede Globo também ganhou modificações, à título de significar designs mais próximos de novos tempos – e eliminar o cansaço. A bola tem um retângulo (meio adaptado) no centro que mostra outra bola. Nas variantes surgidas na telinha (e na sinalização das áreas da empresa, incluindo sua papelaria considerada  “coisa do passado”) todos os espaços mudam de cor, fazendo novas combinações. Nada, contudo, que fixe alguns dos resultados. Na Globo, há quem considere a experiência sem resultado – e pode haver um recuo.

MISTURA FINA

COM a possível ida de Flávio Dino para o STF e Paulo Gonet para a PGR, mulheres ficam de fora dessas chances e no Supremo tem apenas Cármen Lúcia em suas fileiras. Daniela Carneiro, ex-Turismo e Ana Moser, ex-Esportes foram substituídas por homens. Ana continua aguardando um posto como conselheira de empresa estatal para defender cerca de R$ 21 mil mensais e aparecendo uma vez por mês. Dos 25 secretários do governo de Tarcísio, cinco são mulheres. Na Esplanada de Lula, entre os 38 ministros, seis são mulheres. 

A COALISÃO do Planalto / Arthur Lira se articula para dinamitar duas PEC do STF na  Câmara. além da emenda constitucional das emendas monocráticas, já aprovada no Senado, Lira se compromete a barrar a aprovação da PEC que propõe tempo de mandato para ministros da Suprema Corte. Deverá custar caro ao governo, como de hábito, mas é o preço da paz institucional com o STF. 

LULA já não esconde dos mais chegados: a partir de janeiro começará a pensar numa reforma ministerial, que deverá estar formada até o Carnaval. O primeiro nome da lista de demissões do Chefe do Governo, independente de quaisquer composições políticas, deverá ser mesmo o ministro das Comunicações, Juscelino Filho. Ele pode mesmo cair ainda este ano porque, a partir do ano que vem, o maior padrinho de Juscelino, Davi Alcolumbre, poderá estar na presidência do Senado – e aí tudo fica mais complicado. 

DANIEL Scioli, embaixador da Argentina no Brasil, tem sido procurado, nos últimos dias, por dirigentes da indústria automobilística, querendo saber se Javier Milei vai manter ou não o acordo automotivo com o Brasil. Scioli vem sinalizando que sim, porque não seria possível abrir mão de um tratado comercial com o país que, neste ano, comprou mais de um terço de toda a produção automobilística argentina, que é o caso do  Brasil. Se bem que as vendas dos veículos para o país vizinho engataram uma preocupante marcha ré. Entre janeiro e novembro, caíram 15% em comparação a igual período do ano passado. 

LUCIANO Hang, dono da rede Havan, foi alvo de vídeo modificado por IA que utilizou voz semelhante à dele para divulgar promoção falsa em suas lojas. No vídeo aparecia dizendo ter sido obrigado pelo Procon a vender 200 unidades do S22, celular da Samsung, por R$ 179. As imagens eram reais, o áudio é que foi montado. A empresa só soube depois da invasão de clientes. 



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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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