Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Segundo defensores do governo federal, a economia está bombando"

Continue lendo...

“Segundo defensores do governo federal, a economia está bombando”

Deputado estadual Guto Zacarias (União-SP) e o tombo de 4,1% nas vendas do varejo

Incêndios têm pior outubro de sempre na Amazônia

Dados atualizados da plataforma TerraBrasilis mostram que 2023 registrou o mês de outubro com maior número de focos de incêndios na Amazônia para o período de toda a série histórica: são 22,1 mil registros de destruição da floresta. Isso supera em mais de 8 mil pontos de áreas queimadas o que foi registrado no mesmo mês de 2022, ou sejam, 13,9 mil. O monitoramento do TerraBrasilis se baseia em informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 

Arde em chamas

O número de outubro é o segundo pior do ano. Perde apenas para setembro, quando o Inpe registrou 26,3 mil focos de queimada.

 

Bioma perdido

De tudo que foi queimado em outubro, 38,4% foram de vegetação primária, rica em diversidade biológica e características originais.

 

Pará no topo

Sede da COP30, em 2025, o Pará segue como líder de destruição no triste ranking, registrou 11.376 focos em outubro, 51,6% do total.

 

Amazonas em segundo

O Amazonas, segundo no ranking de focos de queimada em outubro, registrou 3.858 pontos de destruição, 17,5% do total.

 

PI: indenizações a deputados custam R$6,4 milhões

O generoso pagador de impostos desembolsou R$6.484.820,48 para indenizar despesas dos deputados da Assembléia Legislativa do Piauí. Eles têm uma “verba indenizatória” de elástica tolerância para ressarci-los de quaisquer despesas, incluindo passagens aéreas, combustíveis, aluguel de carros e aeronaves, consultorias, propaganda do mandato e por aí vai. Os dados foram tabulados considerando apenas seis meses de mandato e tiveram como base números da transparência da Alepi.

 

Rio de dinheiro

Em maio, os deputados gastaram sem piedade. Foi o mês em que mais torraram: R$1.121.171,06 retirados do bolso do pagador de impostos.

 

Gabinete de ouro

O deputado Nerinho (PT), que largou a Alepi para assumir a Secretaria de Defesa Civil, tem o gabinete mais caro: R$252,6 mil.

 

Carros beberrões

Os parlamentares fizeram a alegria dos donos de postos, torraram R$756.073,14 com combustíveis e lubrificantes.

 

Folgas prolongadas

Na reunião ministerial de sexta, Lula contou lorotas para se esquivar da falta de entregas. Ao justificar o desempenho mixuruca em 2023, disse que “esse ano teve muito feriado prolongado”. Folgado, ele fez 22 viagens internacionais, foram mais 60 dias longe do local de trabalho.

 

Vai andar

No que depender do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, a reforma tributária não vai parar na gaveta. Fatiado ou não, Lira quer ver o texto promulgado ainda neste ano.

 

Por que não foi?

Ao criticar Bolsonaro por se reunir com o embaixador de Israel, a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) foi cobrada por um seguidor por não ter respondido ao convite para o encontro. Ficou muda.

 

Aposta do PL

O deputado André Fernandes (CE) deve ser o candidato do PL para disputar a prefeitura de Fortaleza, no próximo ano. O diretório estadual do partido já deu seu “ok”.

 

Surpresa no Nobel

No X, antigo Twitter, usuários da rede social subiram a hashtag #BolsonaroNobelDaPaz. Atribuem ao ex-presidente o avanço nas negociações para liberação dos brasileiros de molho da Faixa de Gaza.

 

Soja é destaque

As exportações do Paraná cresceram 11,3% nos dez primeiros meses de 2023 e atingiram os US$21 bilhões em receitas. “Orgulho do nosso povo trabalhador”, celebrou o governador Ratinho Jr (PSD).

 

Diesel mais caro

São Paulo registrou aumento de 0,64% no preço médio do diesel S10, apontam dados mais recentes do Painel do Diesel, chegando a R$6,26. A capital com o produto mais caro é Rio Branco, no Acre, R$7,04.

 

Crise mais crise

Em 12 de novembro de 1979, o presidente dos EUA Jimmy Carter anunciava a suspensão da importação do petróleo do Irã em resposta à crise dos reféns, que duraria um ano e meio para ser resolvida.

 

Pergunta aos ecochatos

Meio ambiente é questão de perspectiva?

 

PODER SEM PUDOR

Uísque do santo

Políticos paulistas contam que um prefeito de São Simão (SP), Padre Plínio Toldo (PFL) agradava autoridades às quais pedia recursos para o município. Certa vez, ao receber dele uma garrafa de uísque, um secretário paulista brincou: “O sr. está querendo me comprar, padre?” Toldo respondeu: “Nada disso, meu filho, esse uísque é feito lá mesmo em São Simão...” E completou: “E eu vou lhe contar um segredo: se Jesus soubesse que a gente produz esse uísque, tinha feito a Santa Ceia lá na minha cidade.”

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

Continue Lendo...

Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

Continue Lendo...

Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).