Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Será que vão retirar esse ministro após a denúncia?"

Deputado eleito Deltan Dallagnol (PR) sobre a promessa de Lula de afastar denunciados

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Lula apoia Pacheco por falta de opção no Senado

O presidente Lula tem dito aos mais próximos confiar mais no deputado Arthur Lira (PP-AL) honrando compromissos do que no senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), acusado de haver traído Michel Temer, que o fez presidente da CCJ da Câmara, e Jair Bolsonaro, decisivo na sua eleição para o cargo.

Tanto quanto aliados dos ex-presidentes, Lula não confia em Pacheco, mas confia menos nos rivais ligados ao ex-presidente. Nesta segunda (30), opositores de Pacheco contabilizavam 35 votos.

Falsa amizade

Apoiadores de Rogério Marinho (PL) contra Pacheco mandaram recado a Lula: “Mais vale um adversário declarado que um falso amigo”.

Questão de tempo

Para senadores contra Pacheco, incluindo três correligionários, tão logo suas conveniências o recomendem, o mineiro não hesitará em ‘rifar’ Lula.

Dormindo com o inimigo

No caso de Temer, Pacheco designou o único inimigo do ex-presidente na CCJ para relator o impeachment pretendido pelo PGR Rodrigo Janot.

Oferecendo as costas

Eleito presidente apoiado por Bolsonaro, Pacheco acelerou a derrubada de vetos e não resistiu à curiosa ordem do STF para a CPI da Covid.

Lula ‘dilmou’ com obra no exterior sem planos

O anúncio de Lula de que o banco de fomento BNDES financiaria um gasoduto entre Brasil e Argentina pegou de supressa os órgãos a serem envolvidos, como o próprio banco ou até o Ministério do Meio Ambiente, que faz restrições ao gás de xisto, muito poluente.

Nenhum órgão federal sabe do gasoduto, como quando Dilma anunciou em 2014 que o BNDES bancaria o aeroporto de Havana, sem projeto e sem avisar ao banco.

Procurado à época

Assim como o tal gasoduto de Lula agora, à época de Dilma o BNDES negou à coluna ter conhecimento desse projeto.

Dinheiro enterrado

Demoraram 14 meses entre a visita de Dilma a Havana e a confirmação oficial que o BNDES enterraria mais US$150 milhões em Cuba.

Nem cheiro

O BNDES, o MMA e até o Tribunal de Contas da União confirmaram à coluna que não existem nem mesmo planos para o gasoduto de Lula.

Sincericídio

Eduardo Girão (Pode-CE) prometeu o fim do voto secreto, caso eleito presidente do Senado. É provável tenha perdido mais votos do que imagina com essa declaração, no pequeno eleitorado de 81 senadores.

Sem apoio das ruas

Deve passar das 700 mil assinaturas nesta terça-feira (31) o abaixo-assinado contra a reeleição de Rodrigo Pacheco na presidência do Senado. Foram mais de 100 mil assinaturas por dia, desde seu início.

Tudo como dantes

O governo federal está confiante na reeleição de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), com o mesmo resultado que obteve na sua primeira eleição: 57 votos. Para o governo petista, a Casa não mudou nos últimos dois anos.

Palavras pesam

Deputado eleito e ex-coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol citou o próprio presidente Lula, após o ministro das Comunicações do governo do PT ter usado o orçamento secreto para asfaltar estradas que atendem a oito fazendas da família: “Quem fizer errado sabe que tem só um jeito”.

Castigo cruel

Lula mandou o Itamaraty retomar com força a embaixada em Caracas, mas a escolha dos coitados dos diplomatas que irão viver na ditadura de Nicolás Maduro será tarefa do serpentário. Serão escolhidos a dedo.

Não é ladrão

Opositores mal escondem as saudades que deveras sentem de Jair Bolsonaro, patrulhando sua permanência nos Estados Unidos. Pior: sem poder acusar o ex-presidente de corrupção e lavagem de dinheiro.

Corredores cheios

A semana começou com desocupação dos gabinetes de parlamentares não reeleitos, em Brasília, e assessores de deputados e senadores não reeleitos correndo atrás da permanência em seus cargos.

Briga familiar

O deputado estadual Requião Filho (PT-PR) tomou as dores do pai, rejeitado no PT após trocar o MDB pela sigla, e disparou contra o partido, chamou de “cheio de interesses pequenos e imediatos”.

Pensando bem...

...denúncia de corrupção contra ministro em menos de um mês de governo deveria ser recorde. Mas, no Brasil, não é.

PODER SEM PUDOR

Lição de especialista

O advogado e ex-deputado Genival Tourinho acompanhou o conterrâneo Darcy Ribeiro num jantar com Santiago Dantas, em Paris, em 1977.

O sommelier, com uma enorme placa de ouro no pescoço, sugeriu o vinho que considerava ideal para acompanhar o pedido, mas Santiago discordou da safra e travou com o especialista do restaurante uma discussão sobre a superioridade das uvas plantadas às margens esquerda ou direita do rio.

“Caipiras de Montes Claros”, recordava Tourinho, “testemunhamos, eu e Darcy, o sommelier francês se render aos argumentos de Santiago Dantas.”

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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