Colunistas

EMPREENDEDORISMO

Transformação Digital & Inteligência Artificial

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Olá a todos!

Como empreendedor apaixonado pelo varejo, tive a incrível oportunidade de participar da NRF 2024 Retail’s Big Show em Nova Iorque no início deste ano.

Agora, após o final do primeiro trimestre de 2024, é oportuno analisar quais dessas promessas se concretizaram até o momento. Vamos dar uma olhada em como as tendências discutidas no evento se manifestaram em nosso cenário local.

Inteligência Artificial: Desafios na Adoção

Uma das principais tendências discutidas na NRF 2024 foi o papel da Inteligência Artificial (IA) no varejo. No entanto, o mercado brasileiro ainda enfrenta desafios significativos em sua adoção.

Embora tenhamos visto alguns avanços em empresas líderes, como grandes redes de varejo, a implementação generalizada de soluções baseadas em IA ainda está em estágios iniciais.

Isso destaca a necessidade urgente de incentivos e apoio governamental para promover a adoção dessa tecnologia em empresas de todos os tamanhos.

Resiliência do Varejo: Adaptação Diante das Adversidades

Assim como em outros lugares do mundo, a resiliência tem sido uma característica fundamental do varejo brasileiro nos últimos anos. Desde a NRF 2024 (o maior evento de varejo mundial), observamos uma contínua adaptação às adversidades do mercado, especialmente no contexto da pandemia de COVID-19.

Empresas têm buscado transformar suas lojas físicas em espaços de experiência e entretenimento, enquanto fortalecem sua presença online. No entanto, ainda há desafios a serem superados, especialmente em termos de infraestrutura digital e logística.

Retail Media: Oportunidades Emergentes

A discussão sobre "Retail Media" na NRF 2024 despertou interesse no mercado brasileiro, mas sua implementação ainda está em estágios iniciais.

Embora tenhamos visto algumas iniciativas promissoras, como parcerias entre varejistas e marcas para oferecer publicidade direcionada, ainda há muito espaço para crescimento. É necessário um maior desenvolvimento de infraestrutura e estratégias de marketing para maximizar o potencial do Retail Media no mercado brasileiro.

Geração Z e Personalização: Desafios e Oportunidades

A personalização, especialmente para atender à Geração Z (corresponde aos nascidos a partir de 1995 até aproximadamente 2010, que são a transição do século XX para o século XXI), continua sendo uma prioridade para o varejo brasileiro.

Empresas têm buscado criar experiências mais personalizadas e relevantes para esse público, mas enfrentam desafios únicos, como diferenças culturais e econômicas.

No entanto, há oportunidades significativas para empresas que conseguem entender e se conectar com essa geração de consumidores de forma eficaz.

Empreendedorismo: Resiliência e Inovação

A NRF 2024 reforçou a importância do empreendedorismo e da inovação no mercado brasileiro.

Desde então, vemos empreendedores buscando novas oportunidades de negócio e adaptando-se às mudanças no cenário varejista. Apesar dos desafios, há uma forte cultura empreendedora no Brasil, e estamos otimistas em relação ao futuro do mercado e das empresas locais.

Para finalizar, o primeiro trimestre de 2024 tem sido um período de desafios e oportunidades para o mercado varejista brasileiro. Ainda há muito trabalho a ser feito para concretizar completamente essas promessas.

Precisamos estar comprometidos em explorar todas as oportunidades para impulsionar a inovação, a resiliência e a transformação em nossos negócios. A NRF 2024 foi apenas o começo de uma jornada emocionante rumo ao futuro do varejo.

DIJAN DE BARROS

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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