Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Você quebrou minha costela, cara"

Mensagem de Pablo Marçal tentando se vitimizar diante de Datena (PSDB), o agressor

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Barraco pode dar a Nunes votos de Marçal e Datena

Passada a estupefação pelo barraco dos postulantes a prefeito de São Paulo Pablo Marçal (PRTB) e José Luiz Datena (PSDB), a equipe de Ricardo Nunes (MDB) avalia que o atual prefeito deve herdar parte dos votos que pendia para Marçal e Datena.

É lembrado na campanha o tom moderado de Nunes, comparável ao de outros prefeitos paulistanos, como Geraldo Alckmin, até apelidado de “picolé de chuchu”. Nunes deve reforçar a comunicação com o público feminino, mais avesso à confusão.

Mediador imprevisto

Na equipe de Nunes, a conclusão é de que o prefeito acertou ao tentar, mesmo em vão, conter os brigões e impedir a agressão.

Dose homeopática

Os “louros” devem ser colhidos sem explorar exaustivamente o fato. Há o cuidado para não ajudar na vitimização de Marçal.

Tem carisma

Além de capturar votos indecisos, a campanha de Nunes vê desgaste para Marçal. Datena, apesar de agressor, é um popular apresentador.

Herança no 2º turno

Outra avaliação é de que Nunes deve herdar os votos e apoio do oponente que estiver fora de um eventual segundo turno.

Câmara ignora censura e volta a publicar posts no X

O perfil oficial da Câmara dos Deputados voltou a publicar na rede social X (ex-Twitter), ignorando o bloqueio ordenado em 30 de agosto pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Câmara já havia publicado post no dia 8 deste mês, um dia após o Sete de Setembro, assim como boa parte das instituições públicas, partidos, políticos etc., que seguiram com suas postagens. Moraes fixou multa de R$50 mil para cada vez que algum brasileiro acessar a rede social.

Sem medo de postar

Assim como parlamentares e influencers do campo conservador, a Câmara seguiu publicando notícias sobre as atividades do Legislativo.

PT também ignorou

Em 7 de setembro, o perfil oficial do PT na Câmara, por exemplo, usou o X para divulgar sua transmissão do desfile de Brasília, que flopou.

Temas corriqueiros

A Câmara aproveitou seus 1,1 milhão de seguidores no perfil no X para assuntos corriqueiros, como anunciar o concurso “Eu e a Lei”.

A gente banca o circo

Não dá mais para bater o bolso dos brasileiros e tirar R$5 bilhões para bancar campanhas eleitorais porcas, sem propostas. O problema não é a troca de insultos, é a forte possibilidade de tudo ser verdade.

Marçal exagerou

Orgulhoso de ser novato, Pablo Marçal cometeu um erro que políticos profissionais não se permitem, fazendo drama ainda maior do que a baixaria sugeria. Ao exagerar, diminuiu sua condição de vítima.

Sem limites para o errado

O senador Sérgio Moro (União-PR) avalia a cadeirada em Pablo Marçal (PRTB-SP) menos escandalosa do que a volta de Lula à presidência. “Desde então, não há limites para o errado no Brasil”, conclui o senador.

De volta

Bombeiros do Distrito Federal que estão em férias ou atuando na Força Nacional deverão retornar ao trabalho em Brasília para conter o fogo que devasta o Parque Nacional. A ordem é do governador Ibaneis Rocha.

E os checadores?

A imprensa brasileira fez vergonha novamente ao noticiar o atentado a Donald Trump. Relativizou outra vez o crime, temendo que o republicano fosse beneficiado eleitoralmente, reduzindo-o a “aparente” ou “possível tentativa”, mesmo com o criminoso preso e o FBI confirmando o ato.

Pense num absurdo

CEO da Amero Consulting, o economista Igor Lucena não vê com bons olhos decisão de Flávio Dino que destina a grana do Funapol, da Polícia Federal, para combater incêndio: “não sei dizer o quão absurdo isso é”.

Rui sumiu

Virou falatório vídeo de Simonet Tebet (Planejamento) apoiando Geraldo Júnior (MDB) a prefeito de Salvador (BA). É que Rui Costa (Casa Civil), ex-governador baiano, anda sumido da campanha do emedebista.

Parem os imbecis

Membros da “Just Stop Oil” invadiram loja de carros em Hamburgo (Alemanha) para depredar veículos em protesto “anti-petróleo”. O problema é que a concessionária era Tesla, de veículos 100% elétricos.

Pensando bem…

…legislar fica para depois.


PODER SEM PUDOR
 

Tucanos são como irmãos

Fernando Henrique conhece bem José Serra, são amigos há muitos anos, até foram companheiros de exílio. Por isso Itamar Franco, então presidente, chamou-o ao para opinar sobre a nomeação de Serra como ministro da Fazenda. FHC perguntou: “O sr. pretende renunciar?” Conhecido pelo limitado senso de humor, Itamar ficou intrigado: “Não estou entendendo, ministro.” FHC falou mais seriamente sobre o mui amigo: “É que, ao nomear Serra, o sr. vai abdicar do poder. Conheço bem o Serra, ele é da turma do ‘eu sozinho’, tome muito cuidado...” Assim Serra acabou queimado, e FHC virou ministro da Fazenda.

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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