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Acusado de peculato, Waldir Neves já tem documentação para se aposentar

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Afastado desde o dia 8 dezembro de 2022 e usando tornozeleira eletrônica em decorrência da acusação de peculato, o conselheiro Waldir Neves já tem a documentação necessária para ingressar com o pedido de aposentadoria no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS).

O Correio do Estado apurou que Waldir Neves obteve o aval da Agência de Previdência Social de Mato Grosso do Sul (Ageprev), que administra o Regime Próprio de Previdência Social do Estado de Mato Grosso do Sul (MSPrev). Agora, o conselheiro só precisa ingressar com o pedido junto à Corte de Contas para ganhar o benefício.

Segundo informações obtidas pela equipe de reportagem, o presidente do TCE-MS, conselheiro Jerson Domingos, já teria comunicado ao colega de Corte que não pretende colocar nenhum tipo de empecilho caso Waldir Neves ingresse com o pedido de aposentadoria.

Há alguns dias, chegou a ser divulgada a informação de que uma desavença política entre a cúpula do PSDB e o atual presidente do Tribunal de Contas poderia emperrar o provável pedido de aposentadoria de Waldir Neves, porém, Domingos teria negado tal intenção.

No entanto, o Correio do Estado levantou que, caso o conselheiro oficialize mesmo o pedido de sua aposentadoria no TCE-MS, o presidente da Corte de Contas terá de comunicar tal fato ao ministro Francisco Cândido de Melo Falcão Neto, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que é o responsável pela ação impetrada pelo Procuradoria-Geral da República (PGR) que resultou no afastamento de Waldir Neves e também dos conselheiros Iran Coelho das Neves e Ronaldo Chadid.

Dessa forma, conforme a reportagem apurou, a aposentadoria do conselheiro pode ser vetada, pois há 15 dias a Corte Especial do STJ recebeu por unanimidade a denúncia da PGR contra Chadid pelo crime de lavagem de dinheiro.

Também de forma unânime, o colegiado manteve o afastamento do exercício do cargo pelo prazo de mais um ano – Chadid está proibido de frequentar a Corte de Contas desde 8 de dezembro de 2022 –  e proibiu o processamento de eventual pedido de aposentadoria nesse período.

Na prática, conforme consultas feitas pelo Correio do Estado a juristas sul-mato-grossenses, a decisão da Corte Especial do STJ abriu precedente para que a mesma punição seja estendida aos outros dois conselheiros afastados – Iran Coelho das Neves e Waldir Neves – quando chegar a vez de os ministros julgarem a denúncia feita pela PGR contra eles.

A TOQUE DE CAIXA

Conforme divulgou com exclusividade o Correio do Estado, desde o fim de julho, Waldir Neves deu início aos trâmites para solicitar a sua aposentadoria.

A reportagem obteve a informação com fontes da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) de que o conselheiro, que foi deputado estadual em 1991 na Casa de Leis, solicitou de forma oficial o pedido de contagem do tempo de serviço para fins de aposentadoria.

Conforme o Correio do Estado apurou, o pedido formal de informações à Assembleia Legislativa foi realizado ainda em julho. Durante o recesso parlamentar, Waldir Neves recebeu a devolutiva, também de forma oficial, explicando que cumpre todos os requisitos necessários para entrar com a solicitação de aposentadoria.

Ou seja, o ex-deputado estadual contribuiu tempo suficiente para o regime de previdência da Casa de Leis e também já tem a idade necessária para ingressar com o pedido de aposentadoria.

Entretanto, ele precisava do aval da Ageprev, o que também foi concedido, podendo agora dar entrada com o processo de aposentadoria junto ao Tribunal de Contas.

Saiba

A DataEasy teria desviado pelo menos R$ 106 milhões dos cofres públicos, valor que a PGR exige dos acusados como forma de indenização por danos morais coletivos.

A empresa operava em duas frentes: como cabide de emprego, contratando funcionários fantasmas para o TCE-MS, e também contabilizando suas despesas, como serviços comerciais prestados à Corte de Contas na gestão de Waldir Neves.

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DEMOCRACIA

PT inicia ofensiva contra André Mendonça e pede apoio de militantes

Mobilização começou após o presidente dizer que "se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral"

10/09/2026 07h08

"Ou o STF abre o sigilo sobre Flávio Bolsonaro ou a integridade da eleição está comprometida", disse Lula

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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou, nesta quarta-feira, 9, uma campanha nas redes sociais contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Banco Master.

Depois de Lula dar uma declaração pública pedindo a quebra integral do sigilo da investigação, petistas vieram a público criticar o juiz e iniciaram uma campanha de mobilização da militância em oposição a Mendonça.

"Na minha opinião, ou o STF abre o sigilo e mostra ao Brasil os segredos ocultos sobre Flávio Bolsonaro ou a integridade da eleição está comprometida. É preciso revelar toda a verdade sobre o candidato suspeito", disse Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT.

Poucos minutos antes, Lula pediu "explicações e medidas imediatas" para enfrentar a "crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário" em seu perfil nas redes sociais.

"Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral", afirmou o presidente e candidato à reeleição. "Por isso é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja a quem for, doa a quem doer."

Nos bastidores, alguns dos principais conselheiros de Lula veem André Mendonça como o responsável pelo momento ruim do presidente nas pesquisas de intenção de voto. Eles apontavam o entorno do ministro do STF como responsável pelos vazamentos da investigação da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha - a situação piorou após a queda do sigilo de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

A gota d’água ocorreu após a divulgação de pesquisas que apontam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, o que mergulhou a campanha de vez numa crise.

Para alguns desses conselheiros, a situação envolvendo Moraes complicou ainda mais a situação de Lula. Para esse grupo, é inevitável que parte do eleitorado brasileiro não associe Moraes a Lula. Além disso, dizem eles, ainda existe gratidão do Planalto ao que ministro fez no julgamento da tentativa de golpe de Estado, que levou, entre outros, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prisão.

A campanha pediu apoio da militância nos grupos de WhatsApp. "Faltam só 25 dias para as eleições, gente! Não tem para onde correr: a missão de hoje é para agora, hein? Precisamos falar sobre as atitudes do ministro André Mendonça no caso envolvendo a blindagem de Flávio Bolsonaro e defender que as instituições cumpram o seu papel com independência", disse um dos textos divulgados no grupo de WhatsApp "Lulaverso", criado pela campanha de Lula em 2022 e ativo até hoje.

Essa publicação foi feita antes da declaração pública de Lula. "Bora botar a boca no trombone! Cada compartilhamento, postagem e conversa importam muito. Está proibido deixar a tarefa para depois."

Éden Valadares defendeu em publicação nas redes que o momento pede reação imediata. "A situação política no Brasil é muito grave. O que eram suspeitas se confirmam em evidências, e precisamos denunciar e reagir agora. A crise institucional que se instalou no Supremo Tribunal Federal está sendo transformada em instrumento eleitoral pelo ministro relator do caso do Banco Master ao barrar as investigações sobre Flávio Bolsonaro, ao ser parcial nas apurações do banqueiro Daniel Vorcaro, ao negar ao Brasil a verdade sobre o escândalo Dark Horse", afirmou.

"A condução do processo claramente tenta influenciar as eleições brasileiras ao proteger o candidato bolsonarista à Presidência da República."

Na semana passada, o Estadão revelou que Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro trocaram 51 mensagens ao longo de 21 dias. A investigação mostrou que Vorcaro pedia auxílio e orientações ao ministro do Supremo sobre as investigações do Master. Também aparecem conversas com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, intermediadas por um advogado.

Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, 7, aponta Lula e Flávio Bolsonaro empatados em 41% no segundo turno. O cenário não era registrado desde março, quando ambos também apareciam no mesmo patamar numérico.

Política

Fachin decide tirar Moraes da relatoria do inquérito das fake news

Relator havia incluído acusações contra André Mendonça no processo

09/09/2026 19h10

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes Divulgação/STF

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (9) e ficam preservadas todas as decisões tomadas por Moraes no processo até a data de hoje.

O inquérito foi aberto pela Corte em março de 2019 e continua em andamento. Na época, o então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, defendeu a medida como forma de combater a veiculação de notícias que atingiam a honorabilidade e a segurança do STF, de seus membros e parentes. O ministro também nomeou Moraes como relator.

A decisão de Fachin ocorre durante uma crise protagonizada por Moraes e o ministro André Mendonça. Na semana passada, Moraes incluiu acusações contra Mendonça no âmbito do inquérito das Fake News. O relatório dizia que Mendonça teria, em tese, praticado uma série de condutas tipificadas como improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a determinados grupos políticos.

Dias antes, Mendonça havia retirado o sigilo de um relatório da PF que trazia mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes. Vorcaro é alvo central da Operação Compliance Zero, que trata da suspeita de fraudes financeiras bilionárias no Master, e está preso atualmente.

Nesta quarta, Fachin determinou a retirada da investigação contra Mendonça do inquérito das fake news. Todo seu conteúdo foi remetido ao próprio presidente da Corte.

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