Política

Linha Dura

Adriane anuncia tolerância zero com casos de denúncias contra secretários

Dois secretários municipais já foram afastados; um deles por suspeita de abuso sexual e outro por violência psicológica

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Após dois casos de denúncias envolvendo secretários municipais e que culminaram com o afastamento de ambos, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), anunciou, durante reunião fechada na tarde de ontem com o secretariado, que decidiu adotar tolerância zero para acusações envolvendo integrantes dos primeiros escalações da administração municipal, principalmente envolvendo violência contra as mulheres.

Conforme o Correio do Estado apurou, a chefe do Executivo municipal não gostou nada dos casos envolvendo o titular da Secretário Executivo da Juventude de Campo Grande (Sejuv), Paulo César Lands Filho, e o diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes (Funesp), Sandro Benites, ambos do primeiro escalão da gestão municipal, em um intervalo de apenas 10 dias, pois acabou respingando na imagem da administração pública.

Durante a reunião, que já tinha sido marcada para que os secretários municipais assinassem contratos de gestão para formalizar compromissos, metas e indicadores de desempenho, visando eficiência administrativa e transparência, Adriane Lopes aproveitou para fazer a recomendação à equipe para tomar cuidado com o comportamento.

Ela lembrou do provérbio de que “para a mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”, que significa que figuras públicas e autoridades devem evitar qualquer aparência de má conduta, não apenas cometer atos ilícitos.

A prefeita destacou a importância da reputação e da confiança, sugerindo que as ações devem estar acima de qualquer suspeita.

Portanto, a partir do aviso de ontem, qualquer má conduta deve ser punida com exoneração imediata para que a imagem do Poder Executivo municipal não seja manchada com a má conduta de servidores.

A reportagem apurou que Adriane Lopes aproveitou que março é o mês das mulheres para dar esse ultimato para o secretariado e demais integrantes dos primeiros escalões da prefeitura. 

ENTENDA

Nos últimos 10 dias, Sandro Benites e Paulo Lands, dois ex-vereadores, foram exonerados depois de serem alvo de denúncias feitas contra ambos na Polícia Civil, além do que, no caso de Benites, este foi alvo de medida protetiva e boletim de ocorrência por violência psicológica contra uma mulher no domingo, no Dia Internacional da Mulher.

O caso do médico ganhou repercussão após a denúncia de uma mulher de 43 anos que afirmava ser companheira dele há seis anos e que a relação foi marcada por humilhações, ameaças, repressões e controle emocional. 

No dia seguinte de seu retorno da Europa, Sandro teria ido até a casa da mulher, com quem mantinha um relacionamento há seis anos, e teria proferido ameaças e palavras que a diminuíssem. 

Benites teria a chave da casa da mulher, já que dormiam juntos esporadicamente. Assim, entrou enquanto ela dormia e iniciou a discussão, alegando que ela estaria com “outro namorado”, que era uma “inútil” e “imprestável” por, aproximadamente, duas horas. 

A motivação para o acesso de fúria teria sido a própria viagem de Benites, já que ele teria dito à companheira que a ida para Dubai seria para um encontro de amigos do grupo Legendários, do qual ele faz parte.

Porém, na verdade, a viagem era com os filhos e a atual esposa, com quem o ex-vereador alegava ter um casamento apenas de fachada, para cunho político. A esposa de Benites é diretora de Nutrição da Secretaria Municipal de Assistência Social. 

Com a descoberta, segundo amigos próximos da vítima, ela teria enviado uma mensagem terminando o relacionamento entre eles.

Pouco tempo depois, a mulher foi exonerada de seu cargo na Câmara Municipal de Campo Grande, onde trabalhava como assessora.

A demissão da mulher também fez parte das ofensas proferidas por Benites ao retornar da viagem, que dizia que ela “não conseguiu segurar seu emprego na Câmara” e que ela “perdeu o emprego porque era imprestável”. 

Essa não foi a primeira vez que Benites ameaçou a mulher. Em discussão no fim do ano de 2024, ele teria dito a ela que se não parasse, ele “daria um tiro na sua cabeça”.

OUTRO CASO

Já no caso de Paulo Lands, no dia 3 de março ele foi afastado do cargo após ser denunciado na Polícia Civil por assédio sexual e estupro. 

Conforme a denúncia registrada por um servidor que trabalhava no setor de Infraestrutura e Inovação, a vítima sofria abusos desde julho de 2025, quando o secretário começou a oferecer caronas após o expediente. 

Em um dos trajetos, o chefe teria tocado as partes íntimas da vítima, que não reagiu por medo, já que havia relação de subordinação no trabalho. 

Após uma confraternização no fim do ano, houve consumo de álcool, deixando a vítima em estado de fragilidade.

Segundo o relato, Lands ofereceu carona novamente, mas seguiu em relação à própria casa com a vítima, onde houve ato sexual não consentido. Dias após o ocorrido, o servidor foi demitido. 

Com a repercussão do caso, o secretário-executivo pediu a exoneração do cargo para prestar esclarecimentos.

Alternativa da direita

"Mais louco do Brasil" articula candidatura em 2026 e renúncia entra no radar

Juliano Ferro não confirmou se renunciará ao mandato de prefeito de Ivinhema, mas confirmou que articula participação nas eleições de outubro

10/03/2026 16h56

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, cogita renunciar

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, cogita renunciar Reprodução

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O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), pode embaralhar os planos de muitos pré-candidatos do campo da direita que estão se programando para disputar as eleições de outubro. Sem confirmar se vai renunciar ou não ao mandato, que tem validade até o fim de 2028, o autoproclamado “prefeito mais louco do Brasil” articula disputar as eleições, conforme disse ao Correio do Estado.

“Estou articulando”, disse o prefeito de Ivinhema ao ser perguntado pelo Correio do Estado se ele participaria das eleições de outubro. Pela manhã, uma carta de renúncia, com o timbre da Prefeitura de Ivinhema, vazou e provocou frisson em alguns grupos da direita.

Juliano Ferro, contudo, não diz que a carta é falsa; apenas foi direto: “Não publiquei e nem assinei”, comentou o prefeito “mais louco do Brasil”.

Várias possibilidades foram cogitadas sobre a participação de Juliano Ferro nas próximas eleições. A mais recente o colocou como eventual vice-governador em uma chapa liderada pelo deputado estadual João Henrique Catan, que recentemente deixou o PL e passou para o Partido Novo.

O Correio do Estado, contudo, apurou que Juliano Ferro deixar a prefeitura para ser vice é uma possibilidade remota. O prefeito de Ivinhema enxerga espaço mesmo é para ser candidato a deputado federal.

A seu favor, ele tem um “canhão” nas redes sociais. Atualmente, ele é o influencer que ostenta os maiores números de Mato Grosso do Sul. Tem mais de 1 milhão de seguidores no Instagram e um alto engajamento, com alguns vídeos alcançando mais de 20 milhões de visualizações.

No ano passado, em entrevista ao Correio do Estado, Juliano Ferro não descartou nem mesmo se candidatar a governador. Na ocasião, só descartou concorrer para deputado estadual e senador para não atrapalhar seus padrinhos: Zé Teixeira e Reinaldo Azambuja, ambos do PL.

Nesta terça-feira (10), Ferro está em Brasília (DF), em périplo pelos gabinetes do Congresso Nacional em busca de emendas parlamentares e verbas para o município que administra.

A carta

Na carta, que vazou na manhã de hoje e é endereçada ao presidente da Câmara Municipal, o prefeito comunica sua saída “irretratável e irrevogável”.

O documento, timbrado pela prefeitura e assinado por Ferro, cita oficialmente que o ato é motivado por “razões de ordem estritamente pessoal e política”.

Ele agradeceu a todos os vereadores, servidores, população e colaboradores pelo apoio durante o período de mandato, que seria até 2028.

A carta termina com um agradecimento e uma reafirmação do compromisso de Ferro com o bem-estar do município, mesmo fora da função executiva. Ele se colocou à disposição para os procedimentos necessários à efetivação da renúncia, incluindo a prestação de contas.

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, cogita renunciarCarta de renúncia de Juliano Ferro, que vazou nesta terça-feira (10)

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correio do estado antecipou

Após anunciar renúncia, desembargador Ary Raghiant é exonerado do TJMS

Formalização foi publicada no Diário da Justiça e passa a valer a partir de 27 de março

10/03/2026 16h30

Desembargador Ary Raghiant Neto foi exonerado do TJMS

Desembargador Ary Raghiant Neto foi exonerado do TJMS Foto: Divulgação

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O desembargador Ary Raghiant Neto foi exonerado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, a pedido. Conforme antecipou o Correio do Estado, a saída partiu do próprio desembargador, que renunciou ao cargo para voltar a se dedicar a carreira de advogado.

A exoneração foi publicada no Diário da Justiça desta terça-feira (10) e passa a valer a partir do dia 27 de março de 2026.

“Vou me dedicar à advocacia tributária e ao Direito Eleitoral, do qual sempre fui um especialista. Já comuniquei ao governador e ao presidente do TJMS que deixarei o cargo entre os dias 20 e 30 de março”, disse o magistrado ao Correio do Estado em fevereiro.

Ary Raghiant Neto tomou posse como desembargador no TJMS no dia 8 de novembro de 2022, pela vaga do Quinto Constitucional destinada à advocacia, assumindo a 37ª vaga de desembargador da Corte de Justiça, substituindo o desembargador Claudionor Miguel Abss Duarte, que se aposentou.

Atualmente, ele integra a 1ª Seção Cível e preside a 2ª Câmara Cível, além de fazer parte do Tribunal Pleno. Durante sua passagem pelo Tribunal, o magistrado atuou também na Seção Especial Cível e na 3ª Seção Cível, onde foi presidente de 2023 a 2024.

“Participar como membro do TJMS durante 3 anos e 3 meses foi uma experiência excepcional que certamente levarei comigo para o resto da minha vida. Foram tempos de muito aprendizado e de reconhecimento do verdadeiro papel do magistrado na sociedade, muitas vezes incompreendido, mas tão necessário no processo de pacificação social”, afirmou.

Atuação

O magistrado ressaltou que a função demanda estudo constante e sensibilidade para ouvir aqueles que recorrem ao Judiciário em busca de solução para seus conflitos e destacou a relevância da atuação da advocacia no funcionamento da Justiça.

Durante o tempo de atuação no Tribunal de Justiça, o magistrado julgou, como relator, 10.608 processos, sendo 8.686 julgamentos colegiados, 1.922 decisões monocráticas e 2.809 despachos.

Conforme o TJMS, o desembargador possui um acervo de 435 processos, dos quais 202 estão aguardando julgamento virtual, cinco aguardam julgamento presencial e outros cinco julgamentos virtuais estão em andamento.

Apenas 76 processos estão conclusos ao relator e outros 41 em diligências ou suspensos.

Entre as funções administrativas, o desembargador foi designado em março de 2023 como representante do TJMS junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio da Portaria nº 2.628.

Raghiant também foi indicado para compor, como representante do Tribunal Pleno, a comissão organizadora do 33º e 34º Concursos para Juiz Substituto do TJMS, este último em andamento.

Corrida pela vaga

Com a exoneração, a vaga aberta pelo Quinto Constitucional deverá seguir o procedimento previsto para escolha de um novo integrante da Corte após o dia 27 de março de 2026.

Conforme reportagem do Correio do Estado, a saída extemporânea já movimenta a advocacia de Mato Grosso do Sul, pois a vaga dele é destinada a advogados.

Portanto, posteriormente será escolhida uma lista sêxtupla pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS) para posterior escolha de lista tríplice pelo TJMS e nomeação pelo governador.

Na vez de Ary Raghiant, também participaram da lista os advogados Alexandre Ávalo, Fabíola Marquetti, Lídia Maria Lopes Rodrigues Ribas, Felipe Cazuo Azuma e Kelly Guimarães de Mello.

O Correio do Estado apurou que um dos nomes cotados para compor a referida lista tríplice é o da procuradora-geral do Estado, Ana Carolina Ali Garcia, que tem bacharelado em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), especialização em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (Ibet), MBA em Parcerias Público-Privadas e Concessões pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e formação pelo Programa de Desenvolvimento de Conselheiros pela Fundação Dom Cabral.

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