Política

CAMPO GRANDE

Adriane Lopes promove mudanças no comando da Agetran e da Agereg

Decretos publicados nesta segunda (6) oficializam remanejamento de nomes na gestão municipal

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A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), oficializou mudanças na estrutura administrativa do município com a publicação de decretos no Diário Oficial desta segunda-feira (6). As alterações atingem diretamente a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) e a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg).

Conforme os decretos, Paulo da Silva foi exonerado do cargo de diretor-presidente da Agetran e, na sequência, nomeado para comandar a Agereg, com efeito a partir de 6 de abril. Ele assume o posto anteriormente ocupado por José Mário Antunes da Silva.

José Mário, por sua vez, foi exonerado da presidência da Agereg e nomeado para o cargo de assessor especial na Secretaria Municipal de Fazenda.

As mudanças também alcançam a Agetran. Ciro Vieira Ferreira teve revogada a designação como diretor de trânsito e foi exonerado do cargo de assessor-executivo I da agência. Apesar disso, conforme informações de bastidores, ele deve assumir o comando da Agetran após a saída de Paulo da Silva.

Paulo da Silva é graduado em Contabilidade e possui experiência como professor da Fundação Bradesco e gestor na concessionária Águas Guariroba. Antes de assumir cargos na atual gestão, também atuou na Fundação Social do Trabalho (Funsat).

Atraso em benefício social

As mudanças na Agereg ocorrem em meio a críticas e cobranças relacionadas à demora na implementação da tarifa social de água e esgoto em Campo Grande.

Apesar da regulamentação municipal ter sido publicada há cerca de quatro meses, o benefício ainda não começou a ser aplicado, o que tem impactado aproximadamente 28 mil famílias de baixa renda na Capital.

A tarifa social prevê desconto de 50% na conta de água e esgoto para famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa, conforme diretrizes da Lei Federal nº 14.898/2024.

Segundo a concessionária Águas Guariroba, a aplicação do benefício depende da validação dos cadastros por parte da Agereg, responsável por confirmar os dados com base no Cadastro Único (CadÚnico). A empresa afirma que já realizou análises iniciais e identificou o potencial de inclusão de milhares de famílias no programa.

Já a Agereg sustenta que adotou as medidas necessárias para viabilizar a tarifa social, incluindo regulamentação e envio de dados, e aponta que a implementação depende da concessionária.

O impasse entre os dois órgãos tem atrasado a efetivação do benefício e gerado críticas sobre a atuação da agência reguladora, agora sob nova gestão.

No cenário estadual, a regulamentação da tarifa social já foi publicada pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos (Agems) para municípios atendidos por outras concessionárias, como Sanesul e Saae.

Além disso, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) acompanha a implementação do benefício em cidades do interior, após identificar falhas na aplicação da política pública.

Com a troca no comando da Agereg, a expectativa é que haja avanço na resolução do impasse e na implementação do programa na Capital.

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ELEIÇÕES 2026

Avante anuncia escritor Augusto Cury como pré-candidato à Presidência da República

Presidente do partido afirmou que "é hora de pensar grande" ao anunciar o nome de Cury

05/04/2026 21h00

Augusto Cury, escritor brasileiro

Augusto Cury, escritor brasileiro Foto: Divulgação

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O Avante anunciou neste domingo, 5, o escritor e psiquiatra Augusto Cury como pré-candidato à Presidência da República pela sigla. A informação foi divulgada nas redes sociais do deputado federal e presidente nacional do partido, Luis Tibé, e do próprio Cury.

No vídeo publicado, o pré-candidato destaca números de sua trajetória como autor best-seller. Em seguida, aparece ao lado de Tibé abordando temas como segurança alimentar, empreendedorismo, remuneração de policiais e professoras, além da polarização política.

"Meu objetivo é contribuir para a construção do Brasil dos nossos sonhos. Não amo o poder, não preciso do poder e não busco o poder pelo poder. Não se trata de um projeto pessoal, mas de uma jornada - uma jornada 100% baseada em projetos e 0% de ataques pessoais", afirmou Cury na legenda da publicação.

O autor também mencionou políticos com quem afirmou ter conversado "de forma calorosa, respeitosa e entusiasmada", como o ex-presidente Michel Temer, Gilberto Kassab, Aécio Neves, Renata Abreu e Aldo Rebelo.

Já o presidente do Avante afirmou que "é hora de pensar grande" ao anunciar o nome de Cury. "O povo brasileiro não aguenta mais essa polarização, e é preciso virar essa página com alguém que consiga fazer o País avançar com prosperidade e qualidade de vida", acrescentou.

Perfil

Cury nasceu em 1958 na cidade de Colina (São Paulo). É formado pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e tem pós-graduação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 2013, concluiu doutorado na Florida Christian University.

Atualmente, mantém atividades como palestrante e promove cursos na área de comportamento. Como autor, vendeu mais de 40 milhões de livros publicados em mais de 70 países, segundo perfil publicado em seu site.

Está listado entre os principais credores do grupo Fictor, com R$ 31,5 milhões a receber. O grupo ganhou os holofotes em novembro do ano passado ao anunciar intenção de compra do Banco Master, um dia antes de a instituição ser liquidada pelo Banco Central.

NOVO MINISTRO

Durigan assume Fazenda sob pressão fiscal e herda desafios de Haddad

Novo ministro enfrenta meta apertada e edição de medidas emergenciais

05/04/2026 20h00

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Há quinze dias no cargo, o novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, assumiu o comando da equipe econômica em meio a um cenário de forte pressão sobre as contas públicas. 

Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, ele assume o comando da área econômica combinando desafios fiscais estruturais herdados da gestão de Fernando Haddad com demandas emergenciais típicas de um ano eleitoral.

Logo nos primeiros dias à frente da pasta, Durigan anunciou um bloqueio de R$ 1,6 bilhão no Orçamento de 2026, valor considerado modesto por analistas diante da necessidade de cumprir o arcabouço fiscal.

O bloqueio foi necessário para acomodar o avanço de despesas obrigatórias dentro do limite de crescimento real de gastos, fixado em até 2,5% acima da inflação. Oficialmente, a equipe econômica projeta um superávit primário de apenas R$ 3,5 bilhões. No entanto, ao incluir precatórios e gastos fora do arcabouço fiscal, o próprio governo prevê déficit primário de R$ 59,8 bilhões.

Pressão por gastos

Ao mesmo tempo em que anuncia o bloqueio de gastos, o ministro articula medidas de impacto imediato, como a criação de um subsídio ao diesel importado e um pacote ainda em elaboração para reduzir a inadimplência das famílias.

Entre as primeiras iniciativas, Durigan confirmou a edição de uma medida provisória que prevê subsídio de R$ 1,20 por litro para o diesel importado, com custo estimado de R$ 3 bilhões, dividido entre União e estados.

Originalmente prevista para a semana passada, a medida provisória (MP) de subvenção ao diesel sai nesta semana porque o ministro esperava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornar das recentes viagens pelo Brasil. O governo busca segurar a alta dos combustíveis em meio à elevação dos preços internacionais do petróleo.

Inadimplência

O novo ministro também trabalha na formulação de políticas para enfrentar o avanço da inadimplência, que já compromete mais de 27% da renda mensal das famílias brasileiras, segundo dados recentes do Banco Central.

Em tese, o pacote não gerará custo para as contas públicas se envolver apenas medidas de renegociação de crédito, mas pode criar despesas caso o governo decida ampliar os subsídios ao crédito.

Taxa das blusinhas

Outra medida que pode pressionar os gastos do governo seria uma possível redução, durante a campanha eleitoral, da taxa das blusinhas, como ficou conhecida a alíquota em 20% de compras do exterior de até US$ 50.

No ano passado, o governo arrecadou R$ 5 bilhões com o tributo, ajudando a cumprir a meta fiscal – ao desconsiderar os precatórios.

Imposto de Renda

Paralelamente, o novo ministro da Fazenda propôs mudanças estruturais, como a automatização da declaração do Imposto de Renda, numa tentativa de simplificar o sistema tributário.

Essa medida, no entanto, não diminui as receitas do governo, porque envolve apenas a redução da burocracia e a evolução da atual declaração prepreenchida do Imposto de Renda.

Desafios de credibilidade

Os desafios enfrentados por Durigan refletem, em grande medida, limitações já observadas na gestão anterior. Para a doutora em Economia Virene Matesco, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), o principal problema está na dificuldade que o governo tem de cumprir as próprias metas fiscais.

“O governo atual não consegue cumprir as metas que ele mesmo estabeleceu no arcabouço”, afirmou, ao analisar o desempenho recente das contas públicas.

Segundo Matesco, a fragilidade do arcabouço fiscal e o crescimento da dívida pública, que saltou para 78,7% do PIB, comprometem a confiança na política econômica e limitam a capacidade de ação do ministro.

Ela também aponta que o avanço dos gastos obrigatórios e a rigidez orçamentária reduzem o espaço para investimentos, criando um cenário de baixo crescimento. “Existe uma crise de credibilidade fiscal”, alertou, destacando que o país enfrenta um desequilíbrio entre despesas com juros e investimentos públicos.

Baixo crescimento

Já o economista André Nassif, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), avalia que parte das dificuldades atuais decorre de metas fiscais excessivamente ambiciosas definidas no início da gestão Haddad.

Originalmente, o governo tinha estabelecido meta de déficit zero em 2024 e superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e de 1% do PIB em 2026, também com a margem de tolerância de 0,25 ponto percentual. O resultado primário representa o déficit ou superávit nas contas do governo sem os juros da dívida pública.

Na LDO de 2025, o governo prolongou a meta de déficit zero para 2025 e reduziu para 0,25% do PIB a meta de superávit para 2026 . Na época, a mudança das metas gerou mal-estar no marcado financeiro.

“O mercado entenderia se o governo estabelecesse meta de pequeno déficit em 2025, zerando o resultado primário em 2026. O importante era que houvesse um compromisso em reduzir o rombo”, afirmou.

Pouco investimento

Para Nassif, o aperto fiscal acabou limitando investimentos públicos, que seguem em patamar baixo, cerca de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), insuficiente para sustentar um crescimento econômico mais robusto.

Ele também ressalta que o país segue preso a um ciclo de crescimento irregular. “O país não está entregando crescimento econômico. Continuamos no ‘stop and go’”, disse.

Segundo o professor, com medidas emergenciais já em andamento e margem fiscal estreita, o novo ministro terá como principal desafio reconstruir a credibilidade das contas públicas sem comprometer o crescimento econômico. A equação permanece em aberto desde a gestão anterior.

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