O governador André Puccinelli (PMDB) não decidirá sozinho sobre o apoio do PMDB no segundo turno da sucessão presidencial. Nesta semana, ele acionou o presidente da sigla em Mato Grosso do Sul, Esacheu Cipriano Nascimento, para convocar uma reunião com “todos os agentes políticos eleitos” para que, em conjunto, decidam se manterão o apoio a José Serra (PSDB) ou passarão a fazer campanha para Dilma Rousseff (PT).
Ontem, após a entrega do Prêmio Nacional de Referência em Gestão Escolar, no Hotel Chácara do Lago, Puccinelli afirmou que a posição do PMDB dependerá desse encontro, marcado para a próxima quinta-feira (14). “Dizem que eu decido tudo sozinho, então democratizaremos isso”, afirmou.
Na terça-feira (5), a vice-governadora eleita Simone Tebet (PMDB) declarou que partido está dividido quanto ao apoio na sucessão presidencial. O governador afirmou, em coletiva concedida um dia após ser reeleito, que manteria o apoio a José Serra, mesmo prevendo uma derrota do tucano nas urnas. Simone defende o mesmo caminho, “por questão de coerência”. Apesar da convocação da reunião, André disse não saber de divisão no partido sobre o posicionamento no assunto.
Outro cenário
A atual conjuntura favorece uma mudança de postura no PMDB de Mato Grosso do Sul. O apoio a Serra no primeiro turno só foi selado porque a candidatura de José Orcírio dos Santos (PT) ao Governo do Estado inviabilizou uma coligação local PT-PMDB, repetindo a aliança nacional.
Com Orcírio fora da jogada, não existem impedimentos ao apoio do PMDB de Mato Grosso do Sul à eleição da sucessora de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Puccinelli já afirmou ter explicado ao vice de Dilma, o deputado federal e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, que somente a candidatura de Orcírio inviabilizava o apoio. A presença de Temer na chapa majoritária nacional também deve pesar na decisão do PMDB sobre o segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto.
A campanha de André Puccinelli também não deu atenção relevante ao presidenciável tucano. O apoio foi discreto e não foi consenso no PMDB. Somente os candidatos do PSDB deram espaço à campanha de José Serra.
O prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, e o presidente da Câmara, vereador Paulo Siufi, são dois líderes peemedebistas que declararam apoio a Dilma Rousseff e pediram votos à candidata petista à Presidência e também devem “pesar” a decisão pelo apoio nesse segundo round da campanha.

