Política

CAMPO GRANDE

Após farra em gestão passada, Proinc volta repaginado e mais inclusivo

Nomeado como Primt, o programa aumentou o número de cotas para PcD, negros e indígenas

Continue lendo...

Após uma série de polêmicas envolvendo o Programa Assistencial de Inclusão Profissional (Proinc), a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP) sancionou nesta segunda-feira (10) a Lei n. 6.923 que altera a nomenclatura para Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho (Primt). Além de mudanças nos percentuais de reserva de vagas e os serviços permitidos para retornar ao programa.

Antes o número de vagas reservadas às pessoas com deficiência que não recebem Benefício de Prestação Continuada (BPC) era de 3%, agora passa para 5%, o percentual também é igual para pessoas negras, condição esta, caso necessário, atestada por comissão de heteroidentificação a ser designada pelo Executivo Municipal e 5% para indígenas, devidamente cadastrados na Fundação Nacional do Índio (Funai).

O texto mantém os 5% das vagas reservadas para mulheres vítimas de violência doméstica encaminhadas pela Casa da Mulher Brasileira, 3% para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), 3% para Pessoas com Deficiência (PcD) que não recebam benefício de prestação continuada e 3% para egressos do sistema penitenciário. 

Outra modificação realizada foi a revogação do artigo 14 da Lei, que determinava às secretarias e autarquias, a responsabilidade de arcar com despesas de transporte, alimentação e seguro de vida dos inscritos. Com a mudança, as secretarias nas quais os trabalhadores estão subordinados, não terão mais responsabilidade sobre a alimentação dos servidores. 

Com a nova lei, o Primt permite que apenas funcionários de determinados serviços possam retornar ao programa após seis meses do fim do contrato. Sendo assim, ficam autorizados trabalhadores da área da limpeza, conservação e consertos diversos em praças, escolas, centros infantis, centros sociais, unidades de saúde ou assemelhados, aparelhos e canteiros públicos.

O programa ainda contempla funcionários que trabalham com podas, capinagem, roçada e remoção de entulhos em terrenos baldios, apenas em situação de excepcionalidade, e somente para garantir a manutenção da saúde da população, sem prejuízo de autuações e cobrança de taxa de serviços aos respectivos proprietários.

Também podem voltar ao programa quem atua em obras de canalização pluvial e/ou cloacal, com sistema de tubulação e outros aspectos referentes, limpeza de boca de lobo, desobstrução de leito de córregos e trabalhos emergenciais contra enchentes e pavimentação e tapa-buracos de logradouros, colocação de tubulação paralelepípedos, colocação e execução de sinalizações verticais e horizontais, instalação e consertos de passeios públicos, fabricação e pintura de meio-fio e sarjetas.

Investigação

Em junho de 2021, o Proinc virou alvo de investigações do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), após denúncias de que o programa apresentava na lista de empregados donos de empresa, com renda alta e que não cumpriam os requisitos, quando deveria empregar pessoas de famílias carentes e com pouca qualificação profissional.

No mesmo mês, o vereador, Professor André Luis (Rede), solicitou acesso a lista com os nomes dos beneficiários e, após comparativo, encaminhou por escrito um pedido de investigação ao delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS), Roberto Gurgel de Oliveira Filho, que, segundo apurado pelo Correio do Estado, encaminhou o caso para o Dracco.

De acordo com levantamento feito pelo gabinete do vereador Professor André Luis, foram identificados 431 contratos irregulares, sendo que 36 pessoas extrapolavam o limite de permanência no programa - de 2 a 6 anos - e algumas delas estariam há quase 10 anos. 

Outras três pessoas tinham envolvimento em ações criminosas ou pertencem ao crime organizado e 17 beneficiários possuíam padrão financeiro incompatível com a legislação que estabelece as regras do programa. Todas as informações foram encaminhadas à polícia.

Ao todo, a lista apresentava 2.856 nomes, entre eles, foi descoberto que recebiam dinheiro do programa, além de cesta-básica e passagens de ônibus, influenciadores digitais, professor que não residia em Campo Grande, amigos, parentes e agregados de servidores do alto escalão da prefeitura, comerciante, empresário e até aposentados.

Programa

O Proinc, agora Primt, é um programa de inclusão social ligado à Funsat que contempla pessoas afastadas do mercado de trabalho em uma condição de hipossuficiência, em que a renda familiar da pessoa não pode ser maior que um salário mínimo. A pessoa é encaminhada para o programa, onde faz um curso e exerce um trabalho relacionado com o que aprendeu.

Os benefícios do Primt incluem um salário mínimo por mês, uma cesta básica, vale-transporte ou oferecimento de meio de transporte próprio do município, descanso remunerado de quinze dias a cada seis meses de efetivas atividades no Programa e acesso a cursos profissionalizantes.

O programa é fruto de uma lei municipal, que determina que o número de vagas não ultrapasse 15% do quadro de servidores efetivos ativos da Prefeitura de Campo Grande, que corresponde, atualmente, ao limite de 2.610 pessoas. 

Assine o Correio do Estado

 

PODER EM DISPUTA

Crise no STF aumenta o peso das duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado

Eles terão mandatos de oito anos e participarão de decisões sobre investigações, processos e até futuras indicações de ministros

08/09/2026 08h00

Os mais bem colocados nas pesquisas são Azambuja (PL), Contar (PL), Vander (PT) e Soraya (PSB)

Os mais bem colocados nas pesquisas são Azambuja (PL), Contar (PL), Vander (PT) e Soraya (PSB) Foto: Montagem

Continue Lendo...

A crise provocada pelas suspeitas envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master aumentou o peso da disputa pelas duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado, pois os eleitos no dia 4 de outubro terão mandatos de oito anos e participarão de decisões capazes de redefinir a relação entre o Congresso Nacional e a Corte.

Afinal, cabe à Casa de Leis sabatinar e aprovar ou rejeitar os nomes indicados pelo presidente da República para o STF, além de processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade. 

Essas prerrogativas ganharam importância diante das revelações envolvendo mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e do embate entre Moraes e o ministro André Mendonça.

O Correio do Estado ouviu os quatro candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenções de votos ao Senado no Estado. O ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado estadual Capitão Contar, ambos do PL, fizeram críticas à atuação do Supremo, enquanto o deputado federal Vander Loubet (PT) e a senadora Soraya Thronicke (PSB) defenderam a apuração das denúncias com base em provas e sem julgamentos antecipados.

Azambuja afirmou que o Supremo avançou sobre atribuições dos demais Poderes e assumiu um papel político incompatível com a função constitucional da Corte. “Hoje, o STF manda demais. Usurpou espaços dos outros Poderes e assumiu um protagonismo político que precisa acabar”, declarou, completando que Moraes perdeu as condições de permanecer no cargo diante das suspeitas que passaram a ser discutidas publicamente.

“Alexandre de Moraes está, na minha avaliação, numa posição insustentável. A própria imprensa já debate abertamente sua saída”, afirmou Azambuja, completando que: “Se eu chegar ao Senado e tiver que julgar ministros do STF, vamos julgar com rigor, independência e isenção. Ninguém estará acima da Constituição”.

Já Capitão Contar defendeu que o Senado exerça suas atribuições constitucionais diante das suspeitas envolvendo integrantes do STF. “O Senado tem que cumprir o seu papel. Impeachment é uma ferramenta prevista na Constituição e, quando existem suspeitas de que um ministro extrapolou os limites de suas funções, os fatos precisam ser apurados”, afirmou.

SITUAÇÃO

Vander Loubet classificou as denúncias como graves, mas defendeu que os fatos sejam investigados antes de qualquer conclusão ou responsabilização. “As denúncias são graves e exigem a devida investigação e apuração dos fatos. Da nossa parte, da parte do PT, não vamos passar a mão na cabeça de ninguém. Se forem comprovados atos ilícitos por parte do ministro Alexandre, ele terá que responder por isso”, afirmou.

A senadora Soraya Thronicke também classificou as informações como graves, mas pediu cautela antes de qualquer julgamento. “As informações que vieram a público são graves e exigem cautela e rigor técnico na apuração dos fatos, com transparência e sem interferências”, afirmou, dizendo que preservar as instituições “não significa blindar as pessoas, assim como cobrar respostas não autoriza julgamentos antecipados”.

Diplomacia

Relações Rússia-Brasil se desenvolvem com sucesso, diz Putin em mensagem a Lula sobre 7/9

Na semana passada, Lula destacou que mantém boas relações com líderes globais

07/09/2026 22h00

O presidente russo, Vladimir Putin

O presidente russo, Vladimir Putin Foto: Reprodução / Perfil Brasil

Continue Lendo...

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou em mensagem enviada nesta segunda-feira ao presidente do Brasil e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que as relações entre Rússia e Brasil "estão se desenvolvendo com sucesso no espírito da parceria estratégica". O texto, de felicitações pelo Dia da Independência no Brasil, foi publicado no perfil da embaixada da Rússia no País.

"Os nossos países cooperam ativamente nas mais diversas áreas, coordenam esforços no âmbito da ONU, do #BRICS, do G20 e de outras estruturas multilaterais", pontua o presidente russo.

Na mensagem, Putin chama Lula de "caro amigo" e observa que "nós, sem dúvida, continuaremos o trabalho junto construtivo para fortalecer ainda mais todo o conjunto de vínculos russo-brasileiros mutuamente benéficos. Isso atende plenamente aos interesses dos nossos povos amigos, está em consonância com a construção de uma nova ordem mundial - mais justa e multipolar".

Na semana passada, Lula destacou que mantém boas relações com líderes globais, incluindo Putin, o presidente da China, Xi Jinping, o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, e o presidente dos EUA, Donald Trump, com quem teve atritos recentemente devido à imposição de tarifas pelos EUA a produtos importados do Brasil "Eu não tenho adversários", ressaltou Lula em entrevista à Rádio Progresso.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).