Resultado das Eleições 2026 mantém no poder os quatro políticos que comandaram Mato Grosso do Sul nas últimas quase três décadas; dois estarão na Assembleia, um no Senado e outro seguirá no Governo.
As urnas deste domingo (4) produziram uma fotografia incomum da política de Mato Grosso do Sul. Os quatro políticos que ocuparam, de forma consecutiva, o comando do Estado desde 1999 saíram vitoriosos das Eleições 2026 e continuarão ocupando cargos eletivos a partir do próximo ano.
Zeca do PT, André Puccinelli (MDB), Reinaldo Azambuja (PL) e Eduardo Riedel (PP) representam, juntos, praticamente três décadas da história recente do Governo de Mato Grosso do Sul. Agora, estarão distribuídos entre Assembleia Legislativa, Senado Federal e o próprio Executivo estadual.
O resultado evidencia a capacidade de sobrevivência eleitoral de nomes que atravessaram diferentes momentos políticos, mudanças partidárias, disputas acirradas e transformações no eleitorado sul-mato-grossense.
Mesmo depois de deixarem o Parque dos Poderes, os ex-governadores mantiveram força suficiente para voltar, ou permanecer, no centro das decisões políticas do Estado.
Quatro governadores, quatro vitórias
O primeiro dessa sequência é José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, que governou Mato Grosso do Sul por dois mandatos consecutivos, entre 1999 e 2006.
Neste domingo, ele garantiu novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa ao receber 42.714 votos, ficando entre os deputados estaduais mais votados do Estado.
Zeca chegou ao Governo após construir trajetória iniciada no Legislativo. Antes de assumir o Executivo, foi vereador em Campo Grande, deputado estadual e deputado federal.
Depois de deixar o governo, também voltou a ocupar cargos legislativos e, em 2026, assegurou a continuidade de sua presença na Assembleia.
Quem sucedeu Zeca no comando estadual também venceu nas urnas. André Puccinelli (MDB), governador entre 2007 e 2014, foi eleito deputado estadual com 40.602 votos e retornará à Assembleia Legislativa a partir de 2027.
Médico, Puccinelli construiu uma das trajetórias políticas mais extensas do Estado. Foi deputado estadual, deputado federal, prefeito de Campo Grande por dois mandatos e, posteriormente, governador de Mato Grosso do Sul por oito anos.
A eleição deste domingo recoloca o emedebista em um cargo eletivo estadual depois de anos em que seu nome continuou presente nas articulações e disputas políticas.
Com Zeca e Puccinelli eleitos, a Assembleia Legislativa terá, portanto, dois ex-governadores dividindo o plenário durante a próxima legislatura, dois políticos que estiveram em lados diferentes de importantes disputas estaduais e que, juntos, comandaram Mato Grosso do Sul durante 16 anos consecutivos.
Azambuja troca Governo pelo Senado
O terceiro nome da sequência é Reinaldo Azambuja (PL). Sucessor de Puccinelli, ele governou Mato Grosso do Sul entre 2015 e 2022 e voltou às urnas neste ano para disputar uma das duas vagas destinadas ao Estado no Senado Federal.
Azambuja terminou a eleição como o candidato ao Senado mais votado em Mato Grosso do Sul, com 903.554 votos, o equivalente a 34,64% dos votos válidos, e garantiu mandato de oito anos em Brasília. A segunda vaga ficou com Capitão Contar, também do PL.
Antes de chegar ao Governo, Azambuja já havia passado pela Prefeitura de Maracaju, Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Agora, acrescentará o Senado à trajetória política e passará a representar Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2027.
A vitória mantém Azambuja em posição de influência direta sobre a política estadual, mas agora a partir de Brasília, onde terá participação nas discussões sobre projetos nacionais, orçamento federal e articulação de recursos destinados a Mato Grosso do Sul.
Riedel completa sequência com reeleição
Atual ocupante do cargo, Eduardo Riedel (PP) fechou a sequência de vitórias ao conquistar mais quatro anos à frente do Governo estadual.
Com 100% das urnas apuradas, Riedel recebeu 914.323 votos, ou 67,07% dos votos válidos, e resolveu a disputa já no primeiro turno. Fábio Trad (PT), segundo colocado, terminou com 23,68%.
Riedel assumiu o Governo em janeiro de 2023 depois de vencer as eleições de 2022 no segundo turno. Antes disso, havia ocupado postos estratégicos na administração de Reinaldo Azambuja, entre eles as secretarias estaduais de Governo e de Infraestrutura.
A vitória deste domingo garante sua permanência no Parque dos Poderes até o fim de 2030 e completa um cenário no qual nenhum dos quatro políticos responsáveis pelo comando do Estado desde 1999 saiu derrotado das urnas em 2026.
Quase três décadas ainda presentes no poder
O resultado cria uma configuração simbólica na política de Mato Grosso do Sul. Entre janeiro de 1999 e dezembro de 2026, o Governo do Estado terá sido comandado apenas por Zeca do PT, André Puccinelli, Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel.
A partir de 2027, todos eles continuarão formalmente inseridos na estrutura política: Zeca e Puccinelli na Assembleia Legislativa, Azambuja no Senado e Riedel no Governo do Estado.
Ao mesmo tempo em que as eleições renovaram parte das bancadas estadual e federal, o desempenho dos ex-governadores mostra a permanência de lideranças já conhecidas pelo eleitorado e capazes de conservar capital político mesmo depois de anos e, em alguns casos, décadas, desde a primeira chegada aos principais cargos do Estado.
A composição que sairá das urnas também deverá colocar antigos aliados e adversários em novas posições a partir do próximo ano.
Enquanto Riedel inicia um segundo mandato no Executivo, precisará se relacionar com uma Assembleia que terá dois de seus antecessores e com uma bancada federal que contará com Azambuja no Senado.
Mais do que definir os ocupantes dos cargos pelos próximos anos, portanto, a eleição de 2026 mostrou que os nomes que comandaram Mato Grosso do Sul desde o fim da década de 1990 continuam encontrando espaço nas urnas.
Mudam os cargos, as siglas e as alianças, mas os quatro últimos governadores seguem no centro do poder político sul-mato-grossense.