Política

proposta polêmica

Audiência no Senado debateu regulamentação da maconha

Audiência no Senado debateu regulamentação da maconha

AGÊNCIA BRASIL

02/06/2014 - 14h49
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A polêmica sobre a definição de regras para o uso recreativo, medicinal e industrial da maconha dividiu opiniões nesta segunda-feira (2) na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado, que iniciou hoje um ciclo de audiências públicas sobre o tema. Segundo a presidenta da CDH, senadora Ana Rita (PT-ES), a sugestão apresentada por meio de iniciativa popular foi apoiada por cerca de 20 mil pessoas em nove dias. Se tiver apoio dos parlamentares, a proposta pode ser convertida em projeto de lei.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que vai coordenar a discussão sobre o tema na CDH, diz que pretende fazer uma série de audiências com especialistas de vários setores, para que ele possa ter subsídios ao relatório que vai apresentar para orientar a decisão dos integrantes da comissão sobre a polêmica. Ainda segundo o senador, o objetivo do debate não é liberar o uso da maconha no Brasil. “Não se trata de liberar, mas de regulamentar o uso, se for o caso”, esclareceu.

Durante o debate Julio Heriberto Calzada, secretário nacional de Drogas do Uruguai - único país no mundo a legalizar a produção, comercialização e distribuição da droga – admitiu que a legalização da maconha pode aumentar o número de usuários. Mesmo assim, ele acredita que a combinação com outras políticas pública pode modificar padrões de consumo e reduzir o número de usuários.

Calzada disse ainda que o Uruguai conseguiu reduzir a zero as mortes ligadas ao uso e ao comércio da maconha, desde que, em maio deste ano, o presidente José Mujica assinou um decreto para regulamentar o cultivo e a venda da droga.

Hoje, o Uruguai assegura o acesso legal à maconha por meio de autocultivo, com até seis pés por cada moradia; pela participação de clubes de cultivo, com 15 a 45 membros; ou pela aquisição a partir de um sistema de registro controlado pelo governo.

“O argumento contra é muito de ordem moral, mais que de ordem científica, mas também tenho dúvida sobre as propostas dos que defendem, eles não conseguem me dizer se aumenta o consumo. O representante do Uruguai disse que eles estão prevendo o aumento do consumo, mas que vale a pena correr o risco do aumento, desde que reduza o aumento de mortes por causa do tráfico”, disse o senador do Distrito Federal.

Para Cristovam, o debate sobre a maconha também deve analisar problema do tráfico de drogas. “Vamos continuar vivendo com tráfico de drogas? Não. Como vamos nos livrar do tráfico? Uma das propostas que têm hoje é a regulamentação", ponderou o senador.

Na audiência pública de hoje, a maioria das opiniões foram contrárias à regularização da maconha. Luiz Bassuma, ex-deputado federal, ressaltou que atualmente toda a população do Uruguai é quase a mesma do número estimado de usuários de droga no Brasil, cerca de 3 milhões. Bassuma considera que a facilitação do consumo da droga teria reflexo direto em crianças e adolescentes, sendo incorreto regulamentar seu uso em nome de uma guerra contra o narcotráfico.

A coordenadora do movimento Maconha Não, Marisa Lobo, também destacou preocupação com os jovens. Segundo ela, uma pesquisa aponta que 75% da população brasileira é contra a legalização da maconha.

“A nossa preocupação é o adolescente, que vai entrar em um mundo de prazer, e pode querer uma fuga. Temos que proteger esses adolescentes, a e a via legal é uma dela. Creio também que a repressão não está funcionando, mas a nossa cultura e educação não estão prontas para a legalização de drogas”, alertou.

Thiago Caetano Costa, estudante da Universidade de Brasília (UnB), foi o único a se pronunciar pela descriminalização da maconha entre os presentes ao debate. Para ele, a ilegalidade motiva a curiosidade dos jovens e leva ao tráfico. O estudante defendeu que usuários possam ter sua produção para consumo próprio, assim como no Uruguai. 

Eleições 2026

Eleitores podem consultar local de votação para o 2º turno neste domingo

E-Título reúne dados e pode ser usado como documento oficial, desde que tenha a fotografia do eleitor

23/10/2026 13h49

TRE-MS foi alvo de investigação do TCU, que depois passou a averiguar outros tribunais do País

TRE-MS foi alvo de investigação do TCU, que depois passou a averiguar outros tribunais do País Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Os eleitores de Mato Grosso do Sul podem consultar informações sobre a votação pelo e-Título, aplicativo que também pode ser usado como documento de identificação no dia do segundo turno, neste domingo (25), desde que tenha a fotografia do eleitor.

Por isso, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) orienta que o aplicativo seja baixado com antecedência para que o eleitor confira seus dados. Caso a foto não apareça no e-Título, será necessário apresentar outro documento oficial com foto para votar.

Além disso, o aplicativo permite consultar o local de votação, verificar a situação eleitoral, emitir certidões, consultar eventuais débitos e acessar o histórico de justificativas.

Justificativa pelo celular

Quem deixar de votar poderá justificar a ausência pelo aplicativo no próprio dia da eleição. O recurso pode ser utilizado por eleitores que estiverem em município diferente daquele onde possuem domicílio eleitoral. O aplicativo utiliza a geolocalização para confirmar a localização do usuário e, nesse caso, não é necessário apresentar um documento que comprove a ausência.

O e-Título é gratuito e está disponível para aparelhos smartphones e tablets com sistemas Android e iOS.

votos em disputa

Cinco cidades de MS têm metade dos eleitores-chave no 2º turno

Campo Grande lidera número de eleitores que não escolheram Lula nem Flávio Bolsonaro no primeiro turno do pleito

23/10/2026 07h45

Foto: Divulgação/TRE-MS

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A dois dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para este domingo, Mato Grosso do Sul tem 634.224 eleitores que não votaram no presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno, realizado no dia 4. 

O contingente representa 31,3% do eleitorado estadual, acima da média nacional de 30,5%, e inclui quem escolheu outros candidatos, votou em branco, anulou o voto ou deixou de comparecer às urnas.

Quase metade desses eleitores está concentrada em apenas cinco municípios, liderados por Campo Grande, com 191.657 eleitores, seguida por Dourados (46.909), Três Lagoas (30.469), Ponta Porã (22.715) e Corumbá (20.703).

Juntas, essas cidades reúnem 312.453 eleitores que não escolheram nenhum dos dois finalistas. Desse total, 94,3 mil votos foram destinados a candidatos que ficaram de fora do segundo turno.

Levantamento do Correio do Estado, elaborado a partir dos resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dos índices de transferência de votos da pesquisa da Quaest, registrada no TSE sob o número BR-08535/2026 e divulgada na quarta-feira, indica que Flávio Bolsonaro poderia conquistar aproximadamente 42,4 mil desses votos, enquanto Lula receberia cerca de 31,6 mil.

Entre os eleitores de Augusto Cury (Avante), terceiro colocado em Mato Grosso do Sul, o presidente leva vantagem: 48% declaram intenção de votar no petista, contra 33% no candidato do PL. Já os que escolheram Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) demonstram preferência majoritária pelo senador.

Se esse comportamento nacional se repetisse entre os eleitores sul-mato-grossenses, a vantagem de Flávio Bolsonaro no Estado, que foi de aproximadamente 356 mil votos no primeiro turno, subiria para cerca de 367 mil. 

A simulação aponta que a transferência dos votos dos três candidatos eliminados beneficiaria o senador no conjunto dos 79 municípios, sem alterar o vencedor em nenhuma cidade. Em Vicentina, por exemplo, onde Lula venceu por margem apertada, a diferença favorável ao petista cairia de 73 para apenas 46 votos.

O maior potencial de mudança, entretanto, está entre os eleitores que não compareceram às urnas. Em municípios como Vicentina, Taquarussu e Selvíria, onde a diferença entre Lula e Flávio foi pequena, o número de ausentes no primeiro turno é de 16 a 34 vezes superior à vantagem obtida pelo candidato vencedor. 

Os números mostram que, mais do que conquistar os votos deixados pelos adversários eliminados, a capacidade de mobilizar quem ficou em casa no dia 4 pode ter peso importante no resultado local da disputa presidencial.

MOBILIZAÇÃO 

De olho justamente nesse contingente, os presidentes estaduais do PL e do PT, senador eleito Reinaldo Azambuja e deputado federal Vander Loubet, respectivamente, intensificaram a mobilização de suas bases eleitorais na reta final do segundo turno. 

Apesar de atuarem em campos políticos opostos, ambos reconhecem a importância de convencer quem não votou no primeiro turno nem em Lula nem em Flávio a comparecer às urnas neste domingo e votar em um dos dois.

Azambuja informou que tem percorrido municípios do interior do Estado e ampliado a participação em programas de rádio e televisão para reforçar a campanha de Flávio Bolsonaro.

“Mobilizando tudo”, resumiu o senador eleito, ao relatar que concedeu quatro entrevistas em Três Lagoas, sendo três para emissoras de rádio e uma para televisão. 

Em Dourados, participou de outras duas entrevistas radiofônicas, com o objetivo de convencer os eleitores que não compareceram no primeiro turno a votar no candidato do PL.

O presidente estadual do PL também informou que pretendia passar ontem por Nova Andradina e Naviraí para reforçar as ações de campanha. Ele demonstrou ainda preocupação com o aumento das abstenções nas eleições brasileiras e acredita que o fenômeno poderá provocar uma nova discussão sobre a obrigatoriedade do voto.

“As abstenções estão aumentando em todo o Brasil, e não duvido que nas próximas eleições o debate do voto facultativo retorne para acabar com essa obrigatoriedade”, afirmou.

Outro fator apontado por Azambuja é a influência das condições climáticas sobre o comparecimento dos eleitores. Na avaliação dele, as chuvas registradas durante o primeiro turno contribuíram para que parte da população deixasse de votar.

“Se bem que no primeiro turno choveu muito, e isso fez com que muitos eleitores não comparecessem às urnas”, declarou o senador eleito, que também manifestou preocupação com a possibilidade de novas precipitações neste domingo.

“A meteorologista está prevendo chuva novamente para o este domingo. Vamos torcer para que não impeça os eleitores de irem votar”, completou.

APOSTA PETISTA

Do outro lado da disputa, o deputado federal Vander Loubet, presidente estadual do PT, afirmou que a campanha de Lula também está concentrando esforços para conquistar os eleitores que não votaram no presidente no primeiro turno. 

De acordo com ele, a mobilização conta com a participação de diferentes grupos, especialmente jovens e pessoas com mais de 60 anos.

“Nós trabalhamos nesta campanha de segundo turno exatamente para buscar convencer esses eleitores que não votaram no Lula no primeiro turno ou que nem compareceram às urnas. E estamos otimistas a respeito. Nossa juventude e nossos grupos com 60 anos ou mais estão nos ajudando muito nesta tarefa”, declarou.

O dirigente petista também demonstrou preocupação com as dificuldades de deslocamento enfrentadas por eleitores de comunidades indígenas e assentamentos rurais, especialmente em regiões atingidas pelas chuvas no dia 4.

Na avaliação do deputado, os problemas de transporte podem ter prejudicado o desempenho eleitoral de Lula nessas localidades, onde as condições das estradas e as distâncias até os locais de votação representam obstáculos adicionais ao comparecimento.

“Tem também a questão do transporte, que acredito que afetou nossos votos, principalmente nas aldeias e nos assentamentos, em função da chuva que prejudicou o deslocamento”, disse.

Vander revelou ainda que o partido tem procurado a Justiça Eleitoral para acompanhar a situação e assegurar condições de acesso às seções eleitorais no segundo turno. “Temos solicitado à Justiça Eleitoral um acompanhamento desta questão para que esses eleitores tenham garantido o seu direito de acessar as urnas para poderem votar”, acrescentou.

As declarações dos dois dirigentes partidários mostram que a abstenção passou a ocupar posição central nas estratégias eleitorais do PL e do PT em Mato Grosso do Sul. 

Enquanto Azambuja aposta na intensificação das atividades de campanha e na comunicação com os eleitores do interior, Vander destaca a mobilização das bases petistas e a necessidade de garantir o acesso às urnas em comunidades onde o deslocamento pode ser prejudicado pelas condições climáticas.

Com 483.210 eleitores ausentes no primeiro turno, equivalente a 23,87% do eleitorado, Mato Grosso do Sul registrou a maior taxa de abstenção do País. A dimensão desse contingente ajuda a explicar por que os dois partidos passaram a dedicar atenção especial à participação dos eleitores na votação.

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