Política

Assembleia legislativa

Bancada petista será a maior dos últimos 15 anos em MS

Tiago Botelho, Pedro Kemp, Gleice Jane e Zeca do PT farão oposição no Legislativo em 2027

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Com a eleição de Zeca do PT, Tiago Botelho, Gleice Jane e Pedro Kemp, a ala petista será a maior dos últimos 15 anos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul em 2027. Atualmente o partido conta com três cadeiras, ocupadas justamente por Kemp, Zeca do PT e Gleice Jane. 

Se por um lado as urnas confirmaram a predileção do sul-mato-grossense por Flávio Bolsonaro (PL), preferido em 73 das 79 cidades do Estado no último domingo, por outro, trouxeram alento aos petistas, que ocuparão quatro cadeiras no legislativo estadual no próximo ano. 

A última vez que o partido de esquerda fez uma oposição tão numerosa na Assembleia Legislativa foi em 2012, com cinco nomes. Na ocasião, Cabo Almi, Laerte Tetila, Paulo Duarte e Pedro Kemp foram os escolhidos pelo voto popular. Além dos quatro, Amarildo Cruz, então suplente, assumiu a vaga deixada por Alcides Bernal, que se licenciou para disputar e vencer a corrida pela prefeitura da Capital. 

Em outras ocasiões, a bancada petista também foi bastante expressiva. Entre 1999 e 2003, Laerte Tetila, Anilson Prego, Pedro Teruel e Pedro Kemp exerceram mandato. Entre 2007 e 2011, Amarildo Cruz, Paulo Duarte, Pedro Kemp e Pedro Teruel foram os escolhidos. 

Oposição forte

Questionada sobre a ampliação da bancada, Gleice Jane, reconduzida ao cargo pela primeira vez através do voto popular (em 2023, assumiu em razão da morte do deputado Amarildo Cruz) falou sobre a importância de manter a representatividade para diversas minorias que acreditaram no projeto do partido.

"Ser reconduzida para mais quatro anos de mandato aumenta ainda mais a nossa responsabilidade. Chegamos ao primeiro mandato em um momento de muitos desafios e também de muito aprendizado, conhecendo o Parlamento e, principalmente, aprofundando nosso conhecimento sobre as diferentes realidades de Mato Grosso do Sul, agora voltamos com mais experiência, com um diagnóstico mais claro das demandas do Estado e com condições de aprofundar as lutas que já iniciamos", declarou a deputada, eleita com 29.844 votos. 

Segundo Gleice Jane, o salto do partido é uma oportunidade para que a sigla siga firme na defesa de pautas importantes como a educação.

"A ampliação da bancada fortalece nossa atuação, a capacidade de fazer um debate político conectado com a vida das pessoas. Seguiremos firmes na defesa da educação, da saúde pública, do meio ambiente, das mulheres, dos servidores e servidoras públicas, dos trabalhadores e trabalhadoras e dos movimentos sociais que constroem conosco esse mandato", destacou ao Correio do Estado. 

Ex-superintendente de patrimônio da União (SPU) em Mato Grosso do Sul, Tiago Botelho estreia no legislativo estadual no próximo ano. Segundo mais votado entre os eleitos petistas (39.387 votos), destacou a importância de levar à Assembleia a representatividade de ser o primeiro deputado assumidamente gay do Estado, além de lutar pela reforma agrária, saúde e povos originários.  

"Mais importante de tudo é termos, pela primeira vez na história do Mato Grosso do Sul, um deputado estadual assumidamente LGBT. Essa representatividade é muito importante, ainda mais considerando as diversas candidaturas problemáticas que foram eleitas ao redor do país. A Assembleia terá um professor para lutar pela educação, pela UEMS, pelos povos originários, pela saúde e pela reforma agrária", frisou o professor e advogado. 

Além de Tiago Botelho e Gleice Jane, Pedro Kemp (28.397 votos) e Zeca do PT (42.714 votos) darão sequência aos respectivos mandatos. 

Votações expressivas

Próximo do presidente Lula, Zeca foi o mais votado entre os petistas. Há 12 anos, recebeu 160.556 votos na disputa para deputado federal, recorde ligeiramente superior aos números de Camila Jara, que conquistou 154.157 votos no último domingo (4).

Em um dado comparativo, a petista recebeu 14 mil votos a mai do que Marcos Pollon (PL), votado por 140 mil eleitores. 

Derrotado na disputa pelo Governo do Estado, Fábio Trad teve 322.807 votos, e destacou a importância dos números, frisando o crescimento da sigla em MS. Com exclusividade ao Correio do Estado, Trad falou sobre a campanha. 

Segundo ele, seu grupo enfrentou uma estrutura política e econômica muito superior, formada por diferentes segmentos da classe política estadual, administrações municipais e setores empresariais.

“Considerando que nós tivemos mais de 300 mil votos num contexto francamente desfavorável a nós, porque eu e a dona Gilda, sozinhos, enfrentamos as forças políticas mais poderosas do Estado”, afirmou.

Trad citou, entre os grupos que, segundo ele, atuaram em favor da candidatura adversária, setores do agronegócio e da indústria, além de deputados estaduais, vereadores e prefeitos.

Para o candidato derrotado, conseguir uma votação superior a 300 mil votos diante desse cenário demonstra que existe uma parcela expressiva do eleitorado disposta a apoiar uma alternativa política no Estado.

“Evidentemente que eu e ela, sozinhos, tendo 300 mil votos, quase que 25%, nesse universo de hostilidade francamente contrário ao nosso projeto, eu penso que nós tivemos uma grande vitória política em Mato Grosso do Sul”, disse.

Trad voltou a citar a esposa durante a entrevista e afirmou que ambos participaram diretamente da campanha com apoio da militância e de grupos que, segundo ele, se opõem ao atual modelo político estadual.

Ilhas petistas

Expressivamente mais votado entre os sul-mato-grossenses, Flávio Bolsonaro conquistou 873.351 votos (58,60%) enquanto Lula foi representado por 516.855 votos (34,68%) do eleitorado. O petista foi o 'eleito' apenas para os moradores de seis cidades: Dois Irmãos do Buriti, Japorã, Miranda, Vicentina, Paranhos e Tacuru. 

Dois Irmãos do Buriti

  • Lula: 56,40% – 3.579 votos
  • Flávio: 39,54% – 2.509 votos

Japorã

  • Lula: 67,26% – 3.273 votos
  • Flávio: 29,84% – 1.452 votos

Miranda

  • Lula: 54% – 7.626 votos
  • Flávio: 42,04% – 5.937 votos

Vicentina

  • Lula: 47,86% – 2.237 votos
  • Flávio: 46,30% – 2.164 votos

Paranhos

  • Lula: 53,65% – 3.192 votos
  • Flávio: 43,70% – 2.600 votos

Tacuru

  • Lula: 57,82% – 2.596 votos
  • Flávio: 37,75% – 1.695 votos

Composição geral 

Dos 24 deputados eleitos, 16 já integram a Assembleia Legislativa, enquanto oito chegam de fora da composição atual, o equivalente a 33,3% das cadeiras.

Entre os nomes que estreiam na Assembleia estão Daverson Matos (PL), André Salineiro (PL), Gianni Nogueira (PL) e Tiago Botelho (PT). Além disso, retornam à Casa de Leis nomes que já tiveram passagem pelo Legislativo, como André Puccinelli (MDB), Hélio Peluffo (PP) e Paulo Duarte (PSDB). 

Ao todo, PL terá 9 cadeiras, seguido pelo Partido dos Tarbalhadores (4),  PP e PSDB com 3 cada, Republicanos e MDB (2), União Brasil e Avante (1). 

Confira os eleitos:

Zé Teixeira (PL) - 54.080
Paulo Corrêa (PL) - 44.541 votos
Pedro Caravina (PSDB) - 43.845 votos
Zeca do PT - 42.714 votos
Coronel David (PL) - 41.492 votos
André Puccinelli (MDB) - 40.602 votos
Tiago Botelho (PT) - 39.387 votos
Ângelo Guerreiro  (PSDB) - 37.704 votos
Gianni Nogueira (PL) - 36.108 votos 
Odilon Ribeiro (PL) - 35.905 votos
Gerson Claro (PP) - 35.767 votos
Londres Machado (PP) - 33.581 votos
Hélio Peluffo Filho (PP) - 31.435 votos
Daverson Munhoz de Matos (PL) - 30.604 votos
Gleice Jane (PT) - 29.844 votos 
André Salineiro (PL) - 28.437 votos
Pedro Kemp (PT) - 28.397 votos
Lucas de Lima (PL) - 26.204 votos
Professor Rinaldo Modesto (União Brasil) - 23.763 votos
Márcio Fernandes (PL) - 23.122 votos
Renato Câmara (Republicanos) - 20.976 votos
Lídio Lopes (Avante) - 20.801 votos
Paulo Duarte (PSDB) - 20.029 votos
Pedro Pedrossian Neto (Republicanos) - 19.516 votos

*Saiba

Procurado pela reportagem, Zeca do PT não quis se pronunciar, enquanto Pedro Kemp não retornou contato. O espaço segue aberto. 

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Eleições

Flávio recua de desistência e confirma presença em debate da Band no domingo

Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que o anúncio de que não compareceria havia sido uma estratégia para obter a confirmação do adversário

14/10/2026 08h58

Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República

Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República Foto: Arquivo

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, voltou atrás nesta quarta-feira, 14, e confirmou que participará do debate da Band no próximo domingo, 18, com o presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que o anúncio de que não compareceria havia sido uma estratégia para obter a confirmação do adversário.

"Lula, como você é previsível. Bastou falar que não ia no debate da Band para você, no minuto seguinte, falar que vai no debate. É claro que vou ao debate, só queria que você confirmasse", declarou o candidato do PL.

O senador disse que pretende confrontar o petista e acusou o presidente de ter evitado o encontro no primeiro turno. "Eu vou estar lá para esfregar a verdade em sua cara. Já queria ter feito isso no primeiro turno, e você fugiu. Te espero no debate da Band, Lula", afirmou Flávio Bolsonaro.

O debate da Band está marcado para as 20h de domingo.

Na terça-feira, 13, Flávio havia dito que não estava prevista sua participação no debate de domingo. O senador também deixou a presença no encontro da TV Globo, marcado para 23 de outubro, sob avaliação de sua equipe.

Lula confirmou sua participação em vídeo enviado à Band na terça-feira e disse esperar que o adversário comparecesse para apresentar aos eleitores as diferenças entre as candidaturas e os programas.

Os dois ainda não se enfrentaram em debates nesta campanha.

JORNADA DE TRABALHO

Tereza e Nelsinho cobram debate sobre escala 6x1, enquanto Soraya declara apoio

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, marcou para hoje a votação em primeiro turno da PEC nº221/2019

14/10/2026 08h00

Tereza Cristina (PP), Nelsinho Trad (PSD) e Soraya Thronicke (PSB) têm posições distintas sobre a PEC

Tereza Cristina (PP), Nelsinho Trad (PSD) e Soraya Thronicke (PSB) têm posições distintas sobre a PEC Foto: Montagem

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Após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pautar para hoje a votação, em primeiro turno, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221/2019, que põe fim à escala de trabalho 6x1, o Correio do Estado procurou ontem os senadores sul-mato-grossenses Tereza Cristina (PP), Nelsinho Trad (PSD) e Soraya Thronicke (PSB) para saber o posicionamento deles sobre a questão.

Tereza Cristina e Nelsinho Trad defenderam uma discussão aprofundada sobre os impactos da proposta que será colocada em votação, enquanto Soraya Thronicke confirmou que votará a favor do parecer do relator, senador Omar Aziz (PSD-AM). Procurada pela reportagem, Tereza afirmou que não se opõe à redução da jornada, mas questionou o formato da proposta e a velocidade de sua análise.

“Não sou contra a redução da jornada de trabalho, mas precisamos discutir com profundidade os impactos dessa mudança. O Brasil é um país muito diverso, com diferentes setores e cadeias produtivas, e não podemos estabelecer na Constituição uma regra única sem considerar essas realidades. Há segmentos da economia que poderão sofrer prejuízos”, declarou.

A parlamentar também defendeu que o Senado examine o conteúdo aprovado pelos deputados e rejeitou que suas ressalvas tenham como motivação a disputa presidencial.

“O Senado não pode simplesmente carimbar o que vem da Câmara, sem o devido debate. Uma proposta dessa importância não pode ser votada de afogadilho para ser eleitoreira. Minha preocupação não é com o resultado eleitoral de Flávio Bolsonaro, mas com as consequências que uma decisão apressada pode trazer para o Brasil”, expressou.

Também procurado pelo Correio do Estado, Nelsinho Trad destacou sua formação em medicina do trabalho para defender uma jornada que considere a saúde e a qualidade de vida dos empregados. “Médico do trabalho, conheço os efeitos que o desgaste físico e emocional pode provocar na vida das pessoas. O trabalhador precisa ter tempo para descansar, cuidar da saúde e conviver com a família”, afirmou.

O senador ponderou, porém, que a mudança precisa considerar a capacidade econômica dos empregadores, especialmente dos pequenos negócios. “Mas também precisamos olhar com responsabilidade para quem gera emprego e renda, especialmente os micro e pequenos empresários, que têm uma realidade econômica diferente das grandes empresas. Não podemos avançar na proteção do trabalhador criando dificuldades que coloquem empregos em risco”, disse.

Nelsinho defendeu que a etapa de discussão seja utilizada para construir uma proposta que concilie os interesses envolvidos. “Defendo que o Congresso conduza essa discussão com responsabilidade. Ainda estamos na fase de discussão e é justamente o momento de avaliar os caminhos possíveis para construir uma jornada mais humana sem desconsiderar a realidade de quem empreende. Não é uma questão de ideologia, mas de equilíbrio, saúde e responsabilidade com o País”, manifestou.

FAVORÁVEL

Soraya, por sua vez, anunciou voto favorável ao texto e classificou a redução da jornada como uma reivindicação legítima dos trabalhadores. “Sou favorável ao fim da escala 6x1 e votarei a favor da população brasileira. Entendo as preocupações do setor produtivo, mas essa é uma demanda legítima dos trabalhadores e precisa ser debatida com responsabilidade”, disse.

A senadora defendeu a escala 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, e citou a experiência de adoção desse modelo em sua empresa. “Defendo a escala 5x2 porque acredito que ela proporciona uma relação mais equilibrada entre trabalho, descanso e vida pessoal. Como empresária, já fiz essa mudança na minha própria empresa e tive uma experiência positiva”, anunciou.

Soraya também cobrou transparência dos colegas e pediu que a população acompanhe os votos dos parlamentares. “Quem é a favor precisa assumir esse voto. Quem é contra também precisa ter coragem de deixar registrada a sua posição. O trabalhador tem o direito de saber quem defende essa mudança e quem prefere manter a escala 6x1. O voto de cada parlamentar deixa uma marca, e a população precisa estar atenta a isso”, destacou.

A proposta em análise reduz a jornada máxima de 44 horas semanais para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, e assegura dois dias de descanso remunerado. Pelo texto aprovado na Câmara dos Deputados, após dois meses da publicação da emenda constitucional, passam a valer as duas folgas e o limite de 42 horas semanais.

A redução definitiva para 40 horas ocorre um ano depois, completando uma transição de 14 meses. Um dos dias de descanso deverá ser preferencialmente aos domingos. Isso não significa que todos os trabalhadores terão folga obrigatória aos sábados e domingos, pois a organização das escalas deverá observar as características de cada atividade e as regras aplicáveis.

Durante a transição, convenções ou acordos coletivos poderão permitir a ampliação da jornada diária para acomodar as 42 horas semanais. Em MS, empresas que utilizam a escala 6x1 poderão precisar reorganizar horários, equipes e períodos de repouso para cumprir as novas exigências.

As mudanças ainda dependem da conclusão da tramitação e dos prazos de adaptação previstos. Para ser aprovada, a PEC precisa de pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores em cada um dos dois turnos.

O parecer do relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), é favorável à proposta e contrário às 36 emendas apresentadas até agora. Novas alterações ainda poderão ser propostas em plenário. Se o Senado modificar o conteúdo aprovado pelos deputados, a PEC retorna à Câmara; se mantiver o texto, poderá seguir para promulgação após a aprovação nos dois turnos.

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