A Direção Nacional do PP derrubou o ex-deputado federal Antônio Cruz da presidência do partido em Mato Grosso do Sul e nomeou o deputado estadual Alcides Bernal para dirigir o PP no Estado. A decisão põe fim ao impasse, que se arrasta desde janeiro, quando as portas do diretório regional foram fechadas por causa de troca de acusações entre correligionários.
A disputa interna chegou a parar na Justiça porque o então presidente, Antônio Cruz, não aceitou deixar o comando do partido, após oito dos 10 integrantes da executiva votarem contra sua permanência na chefia da sigla. Por decisão judicial, ele retomou o poder e fechou o diretório regional.
Correligionários dizem que Cruz só atuou, nas eleições de 2010, em prol de sua campanha à reeleição e em benefício de seu filho Augusto Cruz, que brigou por vaga na Assembleia Legislativa. Além disso, afirmam ter provas que o ex-deputado desviou dinheiro do fundo partidário.
Cruz, por sua vez, rebateu as acusações. "Gente que comia do meu pão e se promovia em cima do meu nome virou as costas para mim, porque não me reelegi e tentaram tirar de mim o comando do partido para tentar negociá-lo nas próximas eleições", declarou. "Jamais faria a bobeira de pegar dinheiro do partido. É inadmissível uma acusação dessa", acrescentou.
Por não se entenderem, pelo menos três correntes do PP procuraram a direção nacional para assumir o comando do partido no Estado. O próprio Cruz pediu a nomeação de comissão provisória, com ele na presidência da equipe. Bernal também foi a Brasília, da mesma forma que o presidente municipal da sigla em Campo Grande, Paulo Matos.
Enfim, a decisão
Depois cinco meses de pressão, anteontem à noite, em reunião, a direção nacional decidiu nomear comissão provisória para dirigir o PP em Mato Grosso do Sul. Por ser o único com mandato estadual, Bernal foi o escolhido para comandar o partido. O mandato de Cruz venceu no final de maio.
Para deixar no passado os problemas, Bernal aposta na união dos correligionários. O prova de fogo ele acredita enfrentar nas eleições de 2012. "O desafio será tornar o partido maior no Estado, elegendo vereadores, prefeitos e vices", comentou, recentemente. Para atingir a meta, "estamos abrindo portas do PP para novas lideranças".
Maiores colégios eleitorais do Estado, Campo Grande e Dourados serão prioridade do partido. "Nas eleições de 2008, em Dourados, não tivemos nenhum candidato a vereador. Isso é inadmissível", comentou Bernal. Na Capital, o plano é lançar candidato a prefeito ou aliar-se a outra legenda, indicando o candidato a vice.



