Política

Após debandada

Beto Pereira projeta Tarcísio como sucessor natural de Flávio

Presidente estadual do Republicanos disse que governador de São Paulo é virtual nome da oposição para 2030

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Presidente estadual do Republicanos, o deputado Beto Pereira destacou que a debandada de Flávio Bolsonaro (PL) rumo aos Estados Unidos após a derrota nas urnas no último final de semana, naturalmente fará com que o espaço deixado pelo senador seja ocupado pelo colega de partido Tarcísio de Freitas, governador reeleito em São Paulo.

Segundo Beto Pereira, Tarcisio além de ser o principal nome de oposição ao Governo Lula 4, é o virtual candidato à Presidência da República para 2030. 

"Naturalmente o Tarcisio exerce essa liderança na direita de todo o Brasil. A fuga [de Flávio] impulssionou isso, e ele tende assumir um espaço de protagonismo deixado pela familia Bolsonaro, a partir de agora ele é o virtual candidato à presidencia em 2030", destacou ao Correio do Estado. 

Desde o último domingo eleitoral, diversos partidos reconheceram a vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições deste ano.

Entre as siglas que reconheceram a vitória estão o PL [partido de Flávio Bolsonaro], o próprio Republicanos, além de: União Brasil, MDB, PSD, PSDB, PDT, PSB, PSOL, Podemos, Avante, Democrata, Democracia Cristã (DC), UP, PSTU, Solidariedade, o PP, e o PRD. 

Os posicionamentos individuais e coletivos apenas isolam a narrativa imposta pelo próprio senador, que alega perseguição por parte do Judiciário. 

 

Integrantes do Centrão avaliam como "delirante" a carta publicada nesta quarta-feira (28), em que o então candidato se autoproclamou "o verdadeiro presidente eleito do Brasil".

A avaliação é que a empreitada do senador não terá endosso institucional nem de próprio partido, o PL. Nesta manhã, Valdemar da Costa Neto, presidente nacional da sigla, se reservou apenas a dizer que "não gostou" das alegações e ações de Flávio. 

No documento, o senador repete, sem provas, que teria havido fraude eleitoral no segundo turno. Pouco depois, no entanto recuou e alterou o documento para se apresentar como "o líder do Brasil".

Parlamentares do Centrão ouvidos pelo Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) consideram que Flávio "ficará falando para as paredes" e que mesmo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, fugirá de defender a tese do senador. Questionado pela reportagem do Estadão, o PL preferiu não se manifestar sobre o documento.

Há uma preocupação, no entanto, sobre se Flávio conseguirá mobilizar apoiadores a irem para as ruas, em protestos que poderiam inflamar o debate político.

Na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), não quis comentar sobre a carta golpista.

Após a proclamação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no domingo, ele e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foram os primeiros a reconhecer a vitória do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com informações de Estadão Conteúdo

*Colaborou Daniel Pedra 

democracia

Aliados do Centrão classificam carta de Flávio Bolsonaro como 'delirante'

Sob reserva, parlamentares ironizaram o conteúdo da carta, incluindo o fato de Flávio se comparar a nomes como o jurista Ruy Barbosa

29/10/2026 07h23

Nos EUA, Flávio se encontrou com o irmão, o ex-depuado Eduardo, e com Alexandre Ramagem, que também era deputado federla

Nos EUA, Flávio se encontrou com o irmão, o ex-depuado Eduardo, e com Alexandre Ramagem, que também era deputado federla

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Integrantes do Centrão avaliam como "delirante" a carta publicada na quarta-feira, 28, em que o candidato à Presidência da República derrotado Flávio Bolsonaro (PL) se autoproclamou "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". A avaliação é que a empreitada do senador não terá endosso institucional nem de próprio partido, o PL.

Flávio publicou na quarta o documento em que repete, sem provas, que teria havido fraude eleitoral no segundo turno. Pouco depois, no entanto, o senador recuou e alterou o documento para se apresentar como "o líder do Brasil".

Parlamentares do Centrão ouvidos pelo Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) consideram que Flávio "ficará falando para as paredes" e que mesmo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, fugirá de defender a tese do senador.

Questionado pela reportagem, o PL preferiu não se manifestar sobre o documento.

Há uma preocupação, no entanto, sobre se Flávio conseguirá mobilizar apoiadores a irem para as ruas, em protestos que poderiam inflamar o debate político.

Na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), não quis comentar sobre a carta golpista. Após a proclamação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no domingo, ele e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foram os primeiros a reconhecer a vitória do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Sob reserva, parlamentares ironizaram o conteúdo da carta, incluindo o fato de Flávio se comparar a nomes como o jurista Ruy Barbosa.

Avaliam também que a atitude de Flávio poderia causar um "efeito rebote", fortalecendo o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF), acusados pelo senador de arquitetar um golpe contra ele.

Aliados evitam endossar Flávio

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que entende o sentimento de indignação de Flávio Bolsonaro, mas que a eleição acabou e é preciso agora respeitar o resultado das urnas e seguir em frente.

"A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente", afirmou o governador em entrevista exclusiva ao Estadão.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se manifestou e evitou apoiar a tentativa de Flávio de se colocar como o "presidente eleito".

"Não comentarei sobre o assunto. Não vou me envolver", respondeu o norte-americano, após ser questionado.

Na carta, Flávio agradece Trump por tê-lo acolhido nos Estados Unidos.

Diplomacia

Simone Tebet é cotada para ser a primeira mulher a comandar o Itamaraty

Associação de diplomatas pede a Lula uma mulher no Ministério das Relações Exteriores; ex-ministra de MS aparece entre os nomes avaliados para 2027

28/10/2026 19h13

Ex-ministra Simone Tebet é cotada nos bastidores para assumir o Ministério das Relações Exteriores em 2027, em meio à mobilização de diplomatas pela escolha de uma mulher para o cargo.

Ex-ministra Simone Tebet é cotada nos bastidores para assumir o Ministério das Relações Exteriores em 2027, em meio à mobilização de diplomatas pela escolha de uma mulher para o cargo. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.

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A ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (PSB), natural de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, passou a ser mencionada nos bastidores de Brasília como uma das possíveis escolhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para comandar o Ministério das Relações Exteriores a partir de 2027.

A articulação ocorre em meio à mobilização de diplomatas que defendem a nomeação de uma mulher para a chefia do Itamaraty, cargo que nunca foi ocupado por uma representante feminina.

Nesta quarta-feira (28), a Associação de Mulheres Diplomatas Brasileiras (AMDB) encaminhou uma carta ao presidente Lula defendendo que a composição do novo governo contemple uma mulher à frente da diplomacia brasileira.

O documento não apresenta candidatas específicas, mas a sul-mato-grossense aparece entre os nomes considerados por integrantes do Ministério das Relações Exteriores.

A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles, que aponta a experiência política de Tebet e sua proximidade com o setor produtivo como fatores favoráveis a uma eventual indicação.

A mobilização também ganhou espaço nas redes sociais. Em publicação na conta oficial da Associação de Mulheres Diplomatas Brasileiras no Instagram, a entidade divulgou uma campanha com a hashtag #MulherChanceler e a mensagem: “Queremos uma mulher no comando do Ministério das Relações Exteriores!”.

A iniciativa reforça a defesa de maior representatividade feminina na diplomacia brasileira e busca sensibilizar o governo federal para a escolha de uma mulher para o cargo, até hoje nunca ocupado por uma representante feminina.

Entre os argumentos considerados nos bastidores está a capacidade da ex-ministra de estabelecer diálogo com diferentes setores econômicos, especialmente o agronegócio, que possui participação expressiva nas exportações brasileiras.

A trajetória política construída em Mato Grosso do Sul também é vista como um diferencial. Antes de integrar o governo federal, Tebet exerceu os cargos de prefeita de Três Lagoas, vice-governadora do Estado e senadora da República.

Disputa pelo comando do Itamaraty

Apesar da movimentação em torno do nome de Simone Tebet, ainda não existe uma definição sobre quem assumirá o Ministério das Relações Exteriores no próximo mandato presidencial.

Entre as possibilidades discutidas por integrantes da diplomacia está a escolha de um nome político, sem necessariamente pertencer à carreira diplomática. Nesse cenário, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad também aparece entre os possíveis indicados.

Por outro lado, a permanência do atual chanceler, Mauro Vieira, continua sendo considerada uma alternativa relevante. Sua recondução representaria a continuidade da atual orientação da política externa brasileira.

As discussões também alcançam a Secretaria-Geral das Relações Exteriores, considerada o segundo posto mais importante da estrutura do Itamaraty. Os embaixadores Gisela Padovan e Mauricio Lyrio estão entre os nomes mencionados para a função.

A campanha por maior participação feminina ocorre em um cenário de desigualdade na representação diplomática.

Conforme informações divulgadas pela própria AMDB, as mulheres representam aproximadamente 23% do corpo diplomático brasileiro e ocupam apenas 12% das chefias de missões diplomáticas no exterior.

Após derrota nas urnas, Tebet pode voltar ao primeiro escalão

A possibilidade de assumir o Itamaraty surge poucas semanas depois de Simone Tebet não conseguir uma vaga no Senado por São Paulo nas eleições de outubro.

A ex-ministra conquistou aproximadamente 8,3 milhões de votos, mas terminou a disputa na terceira colocação, atrás de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), eleitos para representar o estado no Congresso Nacional.

Para concorrer ao cargo, Tebet havia deixado o Ministério do Planejamento e Orçamento, pasta que comandou desde o início do terceiro mandato de Lula, em janeiro de 2023.

Mesmo sem conquistar uma cadeira no Senado, a ex-ministra permanece entre as lideranças políticas consideradas para integrar a próxima equipe do presidente.

Caso seja escolhida, a sul-mato-grossense retornará ao primeiro escalão do governo federal em uma função de projeção internacional, responsável pela condução das relações diplomáticas do Brasil e pela representação dos interesses do país no exterior.

A eventual nomeação também teria significado histórico, ao colocar, pela primeira vez, uma mulher no comando do Ministério das Relações Exteriores.

Por enquanto, entretanto, o nome de Tebet permanece no campo das articulações políticas, sem anúncio oficial por parte do Palácio do Planalto.

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