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Bolsonaro diz não ver nepotismo em escolha do filho

Bolsonaro diz não ver nepotismo em escolha do filho

ESTADÃO CONTEÚDO

13/07/2019 - 23h00
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O presidente Jair Bolsonaro rebateu ontem (12) as críticas de políticos da oposição de que a escolha do filho Eduardo Bolsonaro, deputado pelo PSL de São Paulo, para chefiar a embaixada do Brasil nos Estados Unidos configuraria prática de nepotismo. 

Segundo o presidente, se houvesse essa restrição, ele "jamais" faria a indicação. "Alguns falam que é nepotismo. Essa função, tem decisão do Supremo (Tribunal Federal), não é nepotismo, eu jamais faria isso", disse o presidente, durante transmissão ao vivo pelo Facebook ao lado do apóstolo Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, e do ex-deputado Missionário José Olímpio (DEM-SP).

Ao fazer a menção ao Supremo, Bolsonaro se referiu à súmula aprovada em 2008 pelo plenário da Corte, definindo que viola a Constituição a nomeação de parente, cônjuge ou companheiro para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou também de função gratificada na administração pública. Mas o entendimento até agora do STF é de que isso não se aplicaria à nomeação de familiares para cargos de natureza política. 

Bolsonaro reafirmou que, se depender dele, só falta o filho aceitar a indicação e o Senado aprovar o nome. Anteontem, o deputado disse que, se for indicado, "aceita a missão". "Querem que eu bote quem lá? Celso Amorim? Aloysio Nunes, que foi motorista do (guerrilheiro Carlos) Marighella? Meu filho é muito melhor do que eu, já esteve em vários países da Europa", disse Bolsonaro.

O Supremo tem pendente a análise de um caso que discute a indicação de parentes para cargos de natureza política. Não existe, porém, previsão de quando os ministros vão avaliar o tema - sob relatoria do ministro Luiz Fux. Levantamento feito pelo Estado mostra que ministros da Corte já tomaram (de forma individual ou em colegiado) pelo menos oito decisões no sentido de que o veto não alcança nomeações políticas. Nenhuma delas, no entanto, tratava de representação diplomática no exterior. 

Casos

Em outubro de 2008, por 7 a 1, o plenário confirmou liminar do então ministro Cezar Peluso que garantia o cargo de Eduardo Requião como secretário de Transportes do Paraná, governado na época pelo seu irmão, Roberto Requião. Dos sete votos favoráveis ao irmão de Requião, três vieram de ministros que ainda integram o tribunal - Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Celso de Mello. Os outros quatro ministros que se posicionaram nesse sentido já se aposentaram.

O único voto divergente na época foi o do ministro Marco Aurélio Mello. Anteontem, ao analisar o caso envolvendo Eduardo Bolsonaro, ele disse ao Estado que a indicação para a embaixada americana seria nepotismo e "um tiro no pé".

Outros processos envolvendo a nomeação de familiares de políticos foram apreciados pelo tribunal ao longo dos últimos anos. Em maio de 2009, por exemplo, Celso de Mello garantiu a permanência de Ivo Ferreira Gomes, irmão do então governador do Ceará, Cid Gomes (hoje no PDT), no cargo de chefe de gabinete. A nomeação havia sido contestada pelo Ministério Público do Ceará na época.

'Polêmica'

O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, disse ontem que a intenção do presidente "deu polêmica" e poderia ter sido comunicada na próxima semana, após a votação da reforma da Previdência no plenário da Câmara dos Deputados.

"Deu polêmica, reconheço, saiu na imprensa. Agora, vamos aguardar. Poderia ter anunciado na semana que vem? Talvez, durante o recesso parlamentar", disse o ministro durante café da manhã com jornalistas.

Ramos afirmou que soube da possível indicação pela imprensa e que não faz juízo de valor sobre o assunto. Também defendeu o direito de o presidente manifestar esse tipo de intenção. Para o ministro da Secretaria de Governo, uma eventual decisão "não contraria a lei".

'Tenho vivência no mundo'

Após a sinalização do pai de que pode indicá-lo ao cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou não ver "nenhum desconforto" e apresentou credenciais. "É difícil falar de si próprio, né?", disse o "03", antes de declarar que é cotado por sua experiência, não por ser filho do presidente Jair Bolsonaro.

"Sou presidente da Comissão de Relações Exteriores, tenho uma vivência pelo mundo, já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos Estados Unidos, no frio do Maine, Estado que faz divisa com o Canadá, no frio do Colorado, em uma montanha lá. Aprimorei o meu inglês e vi como é o trato receptivo do norte-americano para com os brasileiros", disse.

Eduardo afirmou ainda que tem o apoio do chanceler, Ernesto Araújo, para assumir o mais importante e disputado posto diplomático brasileiro. "Ele (Araújo) expressou apoio ao meu nome. Acredito que agora só falta conversar com o presidente Jair Bolsonaro e reafirmar se essa é mesmo a vontade dele. Estamos acompanhando os fatos. Está tudo na esfera da cogitação e sendo encaminhado", disse o deputado a jornalistas na saída de reunião com Araújo.

Segundo Eduardo, ele deve conversar com pai sobre o assunto até amanhã. Na quarta-feira passada (10), o deputado completou 35 anos - idade mínima para um brasileiro assumir uma representação diplomática no exterior. No dia seguinte, Bolsonaro declarou que indicaria o filho para o cargo. "(Eduardo) É amigo dos filhos do (Donald) Trump, fala inglês, fala espanhol, tem vivência muito grande de mundo", disse o presidente.

'Sem precedentes em países democráticos'

Ex-embaixador nos Estados Unidos, o diplomata Rubens Ricupero criticou a possível nomeação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para chefiar a embaixada do Brasil em Washington. "Trata-se de medida sem precedentes em nossa tradição diplomática e na história diplomática de países civilizados e democráticos", afirmou Ricupero ao Estado.

Um dos diplomatas brasileiros mais respeitados, Ricupero foi embaixador do Brasil nos Estados Unidos entre 1991 e 1993 e atuou como secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

Para ele, a nomeação de parentes próximos para funções diplomáticas é típica de "monarquias absolutas". "Caracteriza também os governantes populistas como Donald Trump, que só confiam na própria família", afirmou.

Ricupero, atualmente professor na Faap, disse ainda que Eduardo já atua, na prática, como "chanceler informal" e que, agora, poderia, de fato, assumir um cargo diplomático. No entanto, o fato de o deputado ser filho do presidente, preocupa, segundo o ex-embaixador.

"Funções como as de embaixador devem ser institucionalizadas, e não personalizadas. Pelo motivo óbvio de que, num caso como de um filho representando o próprio pai, haveria maior possibilidade de que as ações do embaixador visassem a interesses pessoais e de família, não os interesses do País." 

Autor do livro A Diplomacia na Construção do Brasil: 1750-2016, sobre a história diplomática do País, Ricupero citou o caso de José de Paula Rodrigues Alves, filho mais velho de Rodrigues Alves (1902-1906), mas lembrou que ele se tornou embaixador quando o pai já não era mais presidente. "Ele foi diplomata de carreira e só chegou ao posto de embaixador depois de percorrer todos os outros degraus e muitos anos depois do falecimento do pai (em 1919)." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

próxima legislatura

Tereza Cristina reafirma desejo de ser a primeira mulher presidente do Senado

Senadora afirmou que ainda é muito cedo para definir os rumos da disputa e que irá articular com novos eleitos e atuais integrantes da Casa

12/10/2026 16h44

Senadora Tereza Cristina reafirmou desejo de comandar o Senado

Senadora Tereza Cristina reafirmou desejo de comandar o Senado Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

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A senadora Tereza Cristina (PP) voltou a afirmar que pretende disputar a presidência do Senado e manifestou novamente o desejo de se tornar a primeira mulher a comandar o Senado.

"Eu sempre disse que gostaria de ser a primeira mulher presidente do Senado. Eu gostaria de deixar um legado, principalmente para as mulheres", disse, em entrevista à GloboNews.

A senadora de Mato Grosso do Sul disse que já conversou sobre o assunto com o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP) e ponderou que a definição depende das articulações políticas para a próxima legislatura e que ainda é cedo para definir os rumos da disputa.

"Eu acho que está muito cedo ainda. Eu já coloquei a minha pretensão de ser, gostaria de ser, mas a gente vai sentar à mesa", disse.

Questionada sobre a possibilidade de concorrer contra o atual presidente do Senado, ela disse que essa hipótese ainda não foi discutida diretamente entre os dois.

"Eu sempre disse a ele que eu gostaria de ser a sua sucessora. A sua sucessora pode ser agora ou pode ser depois", declarou.

Tereza disse ainda que, sendo uma senadora de centro-direita, estaria muito mais alinhado com Rogério Marinho (PL-RN), que também tem pretensões de ser presidente da Casa.

A senadora avaliou que a eleição para a presidência do Senado também dependerá do cenário político após a escolha do próximo presidente da República, que será definido no dia 25 de outubro, no segundo turno das eleições entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Ela defendeu conversas com os parlamentares que assumirão os mandatos em 2027 e com os atuais integrantes da Casa antes de uma definição.

Por fim, a senadora afirmou que pretende conduzir as articulações com disposição para negociar, sem abrir mão de seus objetivos.

"Eu sou uma pessoa do diálogo, sou uma pessoa tranquila, mas sou uma pessoa firme nos meus propósitos", declarou.

ELEIÇÕES 2026

Lula perde força nos 79 municípios de MS e Flávio Bolsonaro eleva domínio eleitoral

Presidente teve queda na participação nos votos válidos em todas as cidades, enquanto o PL avançou sobre antigos redutos do PT

12/10/2026 08h46

Comparação mostra que 15 municípios que haviam dado vitória a Lula em 2022 passaram a favorecer Flávio Bolsonaro neste ano

Comparação mostra que 15 municípios que haviam dado vitória a Lula em 2022 passaram a favorecer Flávio Bolsonaro neste ano Fotos: Reprodução X / Danilo Verpa

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), perdeu participação nos votos válidos em todos os 79 municípios de Mato Grosso do Sul no primeiro turno das eleições, em comparação com o desempenho registrado quatro anos antes. O resultado mostra o enfraquecimento eleitoral do petista e o fortalecimento do bolsonarismo, que ampliou sua presença territorial com a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Conforme levantamento exclusivo realizado pelo Correio do Estado com base nos dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula passou de cerca de 39% para 34,7% dos votos válidos em Mato Grosso do Sul, uma redução de aproximadamente 4,4 pontos percentuais (p.p.). Flávio Bolsonaro conquistou 58,6%, superando os 52,7% obtidos por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no primeiro turno de 2022, um avanço de 5,9 pontos percentuais.

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno das eleições na liderança em 73 dos 79 municípios, consolidando a predominância bolsonarista em praticamente todo o território estadual. O crescimento ocorreu tanto em cidades pequenas quanto nos principais centros urbanos, incluindo Campo Grande, Dourados, Corumbá e Três Lagoas.

MUDANÇA DE LADO

A comparação das votações mostra que 15 municípios que haviam dado vitória a Lula em 2022 passaram a favorecer Flávio Bolsonaro neste ano. São eles: Aquidauana, Corumbá, Ladário, Alcinópolis, Selvíria, Anaurilândia, Angélica, Taquarussu, Itaquiraí, Juti, Novo Horizonte do Sul, Bodoquena, Jateí, Jaraguari e Terenos.

O levantamento também inclui Coronel Sapucaia, Lula e Jair Bolsonaro empataram em 2022, com 4.254 votos cada. Neste ano, Flávio Bolsonaro venceu no município.

Em Corumbá, Lula havia conquistado 46,9% dos votos válidos em 2022, superando Jair Bolsonaro, que recebeu 44,7%. Neste ano, o petista recuou para 45%, enquanto Flávio alcançou 49,4%, invertendo a liderança no município pantaneiro.

Situação semelhante ocorreu em Aquidauana, em que Lula passou de 47,4% para 44%, enquanto a votação bolsonarista avançou de 46,2% para 50,6%.

Comparação mostra que 15 municípios que haviam dado vitória a Lula em 2022 passaram a favorecer Flávio Bolsonaro neste anoEscreva a legenda aqui

Em Selvíria, a mudança foi ainda mais expressiva. O presidente havia recebido 57,1% dos votos válidos em 2022 e caiu para 46,4% neste ano. No mesmo período, o desempenho do campo bolsonarista saltou de 37,1% para 47,6%.

Alcinópolis também apresentou uma mudança significativa: Lula caiu de 49,7% para 38,5%, enquanto a votação bolsonarista passou de 42,7%, em 2022, para 53,2% neste ano, agora com Flávio.

MAIORES PERDAS

Antônio João foi o município em que Lula registrou a maior redução percentual de sua votação. O petista passou de 46,5% dos votos válidos, em 2022, para 34,9%, neste ano, uma queda de 11,6 pontos percentuais. Na mesma cidade, a votação bolsonarista avançou de 47,9% para 60,8%, crescimento de 12,9 pontos percentuais.

Depois de Antônio João, as maiores perdas proporcionais do presidente ocorreram em Alcinópolis, com queda de 11,2 p.p., Selvíria, com recuo de 10,6 p.p., Caracol, com 10,1 p.p., e Santa Rita do Pardo, onde a redução foi de 9,8 p.p. Outros municípios também apresentaram retrações importantes, como Água Clara, Costa Rica, Anaurilândia, Bandeirantes e Maracaju.

Em Maracaju, Lula caiu de 32,6% para 23,8%, enquanto a votação bolsonarista avançou de 62,2% para 71,9%. Em Costa Rica, o presidente perdeu cerca de 9 pontos percentuais, passando de 38,7% para 29,6%. Flávio Bolsonaro alcançou 64,5%, contra 55,2% registrados pelo pai em 2022.

Em números absolutos, Lula teve 71.468 votos a menos em MS do que em 2022. O petista só ampliou sua votação, em números absolutos, em Japorã e Coronel Sapucaia.

RESISTÊNCIA LULISTA

Apesar do avanço bolsonarista, Lula conseguiu preservar a liderança em seis municípios de Mato Grosso do Sul, contra 21 em 2022: Japorã, Tacuru, Dois Irmãos do Buriti, Miranda, Paranhos e Vicentina.

Japorã continua sendo o principal reduto petista do Estado. O presidente recebeu 67,3% dos votos válidos neste ano, contra 70% em 2022. Mesmo com a redução de 2,7 pontos percentuais, manteve uma vantagem expressiva sobre Flávio Bolsonaro, que alcançou 29,8%.

Em Tacuru, Lula passou de 63,9% para 57,8%, enquanto a votação bolsonarista cresceu de 31% para 37,8%.

Dois Irmãos do Buriti apresentou movimento semelhante. Lula obteve 56,4%, abaixo dos 62,1% registrados quatro anos antes. Flávio Bolsonaro alcançou 39,5%, superando os 31,6% recebidos por Jair Bolsonaro.

Em Miranda, Lula terminou com 54% dos votos válidos, contra 42% de Flávio. Já em Paranhos, o presidente recebeu 53,6%, enquanto o senador do PL conquistou 43,7%.

A disputa mais equilibrada entre os municípios mantidos pelo petista ocorreu em Vicentina, onde Lula recebeu 47,9% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro, 46,3%. Em 2022, o petista havia feito 55,3% no município, o que representa uma queda de 7,4 pontos percentuais.

CAPITAL E DOURADOS

Nos dois maiores colégios eleitorais de Mato Grosso do Sul, o bolsonarismo também ampliou sua vantagem sobre Lula. Em Campo Grande, o presidente passou de 34,6% dos votos válidos, em 2022, para 32,4%, neste ano, recuo de 2,2 pontos percentuais.

Flávio Bolsonaro conquistou 58,7% na Capital, superando os 54,6% obtidos por Jair Bolsonaro quatro anos antes. Com isso, a vantagem bolsonarista sobre o petista passou de 20 p.p. para 26,3 p.p.

Em Dourados, segundo maior município do Estado, a diferença foi ainda mais expressiva. Lula caiu de 35,7% para 31,4%, enquanto o bolsonarismo avançou de 55,8% para 61,7%. Flávio terminou o primeiro turno com vantagem de 30,3 pontos percentuais sobre o presidente.

Em Três Lagoas, a participação de Lula nos votos válidos passou de 38,9% para 34,1%, enquanto a votação bolsonarista cresceu de 52,7% para 58,6%. Os resultados reforçam que a ampliação da vantagem da direita ocorreu também nos principais centros urbanos e econômicos do Estado.

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Matéria atualizada para corrigir informações, incluir mais informação no dia 12/10/2026 às 13:30. 

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