Política

Eleições 2024

Bolsonaro traça estratégia de 'jogo de War' para frear esquerda nas capitais

O partido ensaia unificar a direita em capitais como Salvador, Florianópolis e Campo Grande

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) indicou que deve atuar com pragmatismo nas eleições para as prefeituras das capitais, traçando o que chamou de estratégia "jogo de War", com apoio a nomes competitivos de outros partidos para frear candidaturas de aliados do presidente Lula (PT).

Bolsonaro confirmou apoio à reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB) em São Paulo, movimento que impôs a desistência do deputado federal Ricardo Salles (PL), classificado pelo ex-presidente como o seu "candidato do coração".

Diante da aliança, o coronel Mello Araújo (PL), ex-comandante da Rota e nome de confiança de Bolsonaro, pode ser indicado para o posto de vice na chapa liderada por Nunes, que deve comparecer a um ato convocado pelo ex-presidente na avenida Paulista no próximo domingo (25) em meio às investigações da Polícia Federal sobre a suposta atuação em uma trama golpista.

O PL de Bolsonaro também desistiu da corrida pela Prefeitura de Natal e selou apoio ao deputado federal Paulinho Freire (União Brasil) com a promessa de unificar a direita na capital potiguar em torno de uma única candidatura.

O partido ensaia movimentos semelhantes em capitais como Salvador, Florianópolis e Campo Grande com aliados que disputam a reeleição. Em Porto Alegre, a aliança já foi sacramentada.

Em uma transmissão na internet no fim de janeiro, Bolsonaro pregou "estratégia e paciência" na definição das candidaturas e destacou que os partidos de direita não devem se dividir onde houver possibilidade de vitória do PT e partidos aliados de Lula.

"A ideia é lançar candidatos no maior número possível de municípios, ter candidatos nas capitais. Em algumas não vai ser possível, vamos partir para uma negociação fazendo da melhor maneira possível. A gente tá jogando War aqui, pessoal", disse o ex-presidente, em referência ao jogo de tabuleiro de estratégia de guerra e que pode incluir objetivos diferentes de cada participante e para cada região.

Um dos entraves para o avanço das articulações tem sido a proibição de contato entre Bolsonaro e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no dia 8 de fevereiro. Ambos são investigados no STF sob suspeita da prática do crime de tentativa de golpe de Estado.

O PL não elegeu prefeitos nas capitais na eleição de 2020, assim como o PSL, partido ao qual Bolsonaro era filiado na época. Atualmente, o único prefeito de capital do PL é João Henrique Caldas, o JHC, que se filiou ao partido em 2022 após deixar o PSB.

Desta vez, o partido vai para as eleições municipais com uma meta ousada de eleger mil prefeitos e deve ter candidato próprio em ao menos 14 capitais. Mas a ordem é buscar consensos com outros partidos de direita e tentar consolidar uma base sólida para pavimentar as eleições de 2026.

Esse deve ser o caminho nas capitais dos estados do Sul. Em Porto Alegre, o PL tem o vice-prefeito Ricardo Gomes, que deve repetir a dobradinha com o prefeito Sebastião Melo (MDB), candidato à reeleição. A tendência é de uma disputa polarizada na capital gaúcha com o PT, que prevê a candidatura da deputada federal Maria do Rosário.

Em Florianópolis, o PL articula uma possível indicação do candidato a vice do prefeito e candidato à reeleição Topázio Neto (PSD), que é considerado favorito e ampliou sua base nas últimas semanas com o apoio do MDB e Republicanos.

O cenário é mais nebuloso em Curitiba, onde aliados de Bolsonaro e do governador Ratinho Júnior (PSD) seguem divididos em mais de uma candidatura. Uma eleição suplementar para o Senado, em caso de cassação do senador Sergio Moro (União Brasil-PR) na Justiça Eleitoral, pode mexer no tabuleiro municipal.

Dentre as capitais do Nordeste, Natal e Salvador têm negociações mais avançadas. Na capital potiguar, o deputado General Girão (PL) retirou-se da disputa após articulação do senador Rogério Marinho (PL) para unir a direita. Os aliados de Lula, por outro lado, se dividem em ao menos três pré-candidaturas.

Em Salvador, o PL sinaliza uma aliança com o prefeito e candidato à reeleição Bruno Reis (União Brasil). Os partidos ainda afinam os detalhes da parceria, que caminha para ser selada em março.

A ideia é firmar a aliança ainda no primeiro turno para se contrapor à candidatura do vice-governador Geraldo Júnior (MDB), que unificou a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Neste cenário, o PL deve centrar forças na eleição de vereadores em Salvador e prefeitos no interior do estado.

Também há negociações em curso para unificar o campo bolsonarista em capitais como Campo Grande (MS), onde PP e PL têm pré-candidatos, e Boa Vista (RR), estado em que aliados do ex-presidente articulam uma convergência em torno do nome da deputada estadual Catarina Guerra (União Brasil).

Na rota contrária, o partido deve partir para uma estratégia de candidatura própria em capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Manaus, Belém e Recife.

No Rio de Janeiro, o PL dobrou a aposta na candidatura do deputado federal Alexandre Ramagem, alvo de investigação por um suposto esquema de espionagem ilegal.

A aliança em torno de Ramagem é articulada pelo governador Cláudio Castro (PL), que sondou partidos aliados para apoiá-lo contra o prefeito Eduardo Paes (PSD). Um dos entraves é o MDB, que insiste na candidatura do deputado federal Otoni de Paula. O PL, por sua vez, cobra reciprocidade ao apoio a Ricardo Nunes em São Paulo.

Em capitais como Manaus (AM), Belém (PA) e João Pessoa (PB), a disputa é dentro do próprio PL, com mais de um pré-candidato à prefeitura no partido.

Na capital do Amazonas, dois militares disputam a indicação: o deputado federal Capitão Alberto Neto e o Coronel Alfredo Menezes. Ambos têm um acordo e podem compor uma chapa pura.

Em Belém, o deputado federal Delegado Eder Mauro e o delegado da Polícia Federal Everaldo Eguchi, candidato a prefeito derrotado em 2020, disputam a indicação para concorrer contra o prefeito Edmilson Rodrigues (PSOL).

O panorama em João Pessoa é mais crítico, já que há um descompasso entre a cúpula e parte das bases do partido. O PL definiu como candidato o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, nome que sofre resistência da ala mais radical do bolsonarismo.

O comunicador Nilvan Ferreira (PL), que foi o segundo colocado na eleição de 2020 e pleiteava nova candidatura, anunciou desistência no último dia 2, tecendo críticas ao partido.

Em outras capitais do Nordeste, o cenário é visto como adverso. No Recife, o ex-ministro do Turismo Gilson Machado Neto (PL) vai enfrentar o prefeito, João Campos (PSB), favorito à reeleição.

O PL de Pernambuco avalia que a candidatura é importante para disseminar o nome de Gilson no eleitorado de olho na disputa para o Senado em 2026, em caso de derrota na eleição municipal.

Em Fortaleza, o PL lançou o deputado federal André Fernandes, mas o parlamentar não descarta a possibilidade de aliança com o ex-deputado Capitão Wagner, derrotado duas vezes para a prefeitura de Fortaleza e candidato a governador mais votado na capital nas eleições de 2022.

Um dos temores da direita no Ceará é a possibilidade de divisão do eleitorado, que pode deixar os aliados de Bolsonaro fora do segundo turno. Isso porque a esquerda também vai para a disputa dividida, com candidaturas do prefeito Sarto Nogueira (PDT), e do PT, que comanda o governo estadual.

eleições 2026

Adesivo eleitoral pode levar à perda da cobertura de seguro

Seguradoras alertam sobre mudanças no veículo durante campanhas

10/08/2026 14h30

Carros que colocarem adesivos eleitorais devem avisar a seguradora previamente

Carros que colocarem adesivos eleitorais devem avisar a seguradora previamente Foto: Joédson Alves / Agência Brasil

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Motoristas que pretendem adesivar veículos com propaganda eleitoral ou utilizá-los em atividades de campanha nas eleições 2026 devem informar previamente a seguradora para evitar problemas em caso de sinistro. O alerta é da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Segundo a vice-presidente da Comissão de Seguro Auto da entidade, Keila Farias, a adesivação com material eleitoral e o uso do automóvel em atividades de campanha podem ser considerados pelas seguradoras como aumento de risco, devido à maior exposição a acidentes, vandalismo e circulação em eventos públicos.

A FenSeg acrescenta que mudanças no perfil de uso do veículo sem atualização da apólice podem resultar em recusa de indenização por roubo, furto ou colisão.

As seguradoras argumentam que a utilização do carro para transporte de material de campanha, deslocamento de equipes ou atividades de apoio altera as condições avaliadas quando o contrato foi firmado.

A entidade também destaca que danos a adesivos, plotagens e envelopamentos geralmente não estão cobertos pelos seguros convencionais. Além disso, prejuízos decorrentes de tumultos, motins e atos de vandalismo costumam estar entre as exclusões previstas nos contratos.

Como evitar a perda da cobertura

  • Informar a seguradora antes de adesivar o veículo
  • Comunicar qualquer mudança na utilização do carro durante a campanha eleitoral
  • Consultar o corretor de seguros antes de prestar serviços a candidatos ou partidos
  • Solicitar um endosso para registrar formalmente a alteração na apólice, quando necessário
  • Verificar se o envelopamento exige atualização do registro do veículo junto ao Detran
  • Conferir quais danos e situações estão excluídos da cobertura contratada

COSTURA POLÍTICA

Secretário diz que acordo entre Azambuja e Nelsinho pode redesenhar disputa de 2028

Walter Carneiro Jr. reforça que aliança não é apenas eleitoral e vê condições para grupo permanecer unido no próximo pleito

10/08/2026 07h35

Walter Carneiro Júnior é o titular da Casa Civil do Estado

Walter Carneiro Júnior é o titular da Casa Civil do Estado Foto: Reprodução

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O acordo político que colocou o senador Nelsinho Trad (PSD) como primeiro-suplente de Reinaldo Azambuja (PL) na disputa pelo Senado pode ultrapassar as eleições deste ano e influenciar diretamente a formação das alianças para o pleito municipal de 2028.

A avaliação é do secretário de Estado da Casa Civil, Walter Carneiro Júnior, completando que a composição entre o ex-governador e o senador não deve ser vista apenas como uma solução para acomodar as forças políticas que integram a base do governador Eduardo Riedel (PP) na eleição deste ano, mas como parte de uma aliança com potencial para permanecer unida nos próximos pleitos.

"Esse time político não se uniu agora, há muito tempo já caminham juntos. O que está sendo construído é algo maior do que uma composição eleitoral pontual", afirmou ao Correio do Estado.

A declaração ganha peso diante do novo desenho político estabelecido após Nelsinho desistir da tentativa de reeleição ao Senado e aceitar ocupar a primeira-suplência de Azambuja.

A movimentação aproximou ainda mais duas das principais forças políticas da base governista e abriu espaço para que o entendimento firmado neste ano seja reproduzido nas eleições seguintes.

Walter Carneiro Jr. não confirmou, porém, nenhum acordo envolvendo nomes ou candidaturas para 2028. Segundo o secretário, a composição atual cria condições políticas para a continuidade da aliança, mas eventuais definições sobre a próxima eleição deverão ocorrer mais adiante.

"Vejo esse entendimento como um gesto de maturidade política. Reinaldo e Nelsinho estão demonstrando que é possível colocar o projeto de Estado acima das disputas individuais", declarou.

Para Carneiro Jr., a união de lideranças com experiência e presença política permite construir uma base que pode se consolidar ao longo do tempo e alcançar futuras eleições.

Além da perspectiva de continuidade da aliança, ele revelou que um dos principais fatores que pesou na desistência de Nelsinho foi um obstáculo jurídico envolvendo a candidatura à reeleição pelo PSD e a permanência do partido na coligação encabeçada por Riedel.

"O governador validou uma decisão tomada pelos nove partidos que fazem parte da nossa coligação, foi uma decisão colegiada apresentada pelos presidentes de partido. Uma decisão de cunho muito pessoal do senador Nelsinho, que enxergou um cenário muito difícil quando foi colocado que, juridicamente, ele não teria como disputar a reeleição pelo PSD coligado com a chapa encabeçada pelo governador Eduardo [Riedel]. Talvez esse tenha sido o maior entrave", explicou.

Walter Carneiro Jr. classificou a decisão de Nelsinho como um "ato de grandeza", por abrir mão de um projeto individual em favor da manutenção da unidade política.

A nova composição também amplia o espaço de Azambuja na campanha pela reeleição de Riedel. O secretário não chegou a apontar formalmente o ex-governador como coordenador político da campanha, mas deixou claro que ele terá posição estratégica.

"Ele já é o nome escolhido da nossa coligação para representar Mato Grosso do Sul no Senado. Trata-se de uma liderança política consolidada, com ampla experiência administrativa e reconhecida capacidade de diálogo e articulação", afirmou.

Na avaliação de Carneiro Jr., caso seja eleito, Azambuja também poderá desempenhar papel importante na articulação da bancada federal do Estado.

Ele afirmou ainda que os nove partidos reunidos em torno de Riedel caminharão com um único candidato à Presidência da República. "Em Mato Grosso do Sul, a realidade política é diferente, nossa base política de centro-direita está unida e caminhará de forma coesa. Teremos um único candidato à Presidência da República, que é o Flávio Bolsonaro [PL]", declarou.

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