Política

eleições 2024

Bolsonaro vem a Campo Grande para definir o "destino" do PL no município

Os apoiadores do ex-presidente da República esperam por uma candidatura própria do partido, sem aliança política

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No dia 24, o ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL) deve visitar Campo Grande para acompanhar sua esposa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, em evento do PL Mulher de Mato Grosso do Sul, agendado para o espaço Bosque Expo, no Shopping Bosque dos Ipês, na saída para Cuiabá (MT).

Porém, mais do que fazer companhia para a esposa, ele terá a difícil missão de definir o “destino” do partido nas eleições municipais deste ano em Campo Grande, pois, a cerca de oito meses do primeiro turno do pleito, o PL ainda não tem um nome consolidado para ser o pré-candidato a prefeito da Capital.

O virtual pré-candidato seria o atual presidente estadual da sigla, deputado federal Marcos Pollon, porém, em razão do fraco desempenho nas pesquisas de intenções de votos realizadas no ano passado, o nome dele deixou de empolgar a cúpula nacional do PL, algo que ficou claro na live de Bolsonaro realizada na noite de domingo.

Na transmissão via YouTube, ao falar sobre candidaturas próprias do partido pelo País, ele deu como exemplo a cidade de Campo Grande, porém, apesar de citar que o PL deve ter candidato próprio na Capital, em nenhum momento mencionou o nome de Marcos Pollon como o pré-candidato da legenda.

“Onde tem mais de 200 mil habitantes. Por exemplo, Campo Grande, estamos acertando ver se teremos candidato em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, porque podemos ir para o segundo turno. E se não for, a gente encerra com aquele de oposição à esquerda”, justificou.

Entretanto, na mesma declaração, Bolsonaro reforçou a preocupação com a divisão de votos da direita na Capital, citando o PP, da prefeita Adriane Lopes, reforçando que não seria aconselhável que os dois partidos da mesma orientação política lançassem candidatos para a prefeitura municipal, pois isso dividiria os votos e acabaria por favorecer o PT, sendo mais viável um diálogo entre ambos – leia-se uma aliança.

Além disso, conforme as pesquisas, o deputado estadual Coronel David (PL) e o ex-deputado estadual Capitão Contar (PRTB) aparecem com porcentuais muito melhores do que o apresentado por Marcos Pollon, o que acaba por colocar em xeque o nome do presidente estadual da legenda como melhor opção de candidatura na Capital.

RACHADO

Para agravar ainda mais o quadro, o ex-presidente da República terá pela frente um diretório estadual rachado, tendo, de um lado, Marcos Pollon e, do outro, o deputado federal Rodolfo Nogueira, o Gordinho do Bolsonaro, que conta ainda com o apoio do deputado estadual João Henrique Catan.

Em decorrência disso, caberá a Bolsonaro apaziguar a situação dentro do PL de Mato Grosso do Sul para, só depois, conseguir definir se a legenda terá candidatura própria ou não em Campo Grande. 

Correndo por fora, ele ainda tem a pressão da senadora Tereza Cristina (PP), sua amiga e ex-ministra da Agricultura em sua gestão, para que declare apoio à reeleição de Adriane Lopes.

Segundo fontes ouvidas pelo Correio do Estado, o ex-presidente é muito próximo de Tereza Cristina, de quem costuma ouvir muitos conselhos, portanto, em função da confusão em que está o PL no Estado, Bolsonaro pode tomar uma decisão salomônica e optar por orientar o partido a caminhar com o PP em Campo Grande.

O problema é que os apoiadores dele na Capital esperam que ele aponte para uma candidatura própria do PL, onde há muitos bolsonaristas, e isso poderia pesar para fortalecer um nome da direita contra os demais adversários postos no cenário.

Outro agravante é que a estadia de Bolsonaro em Campo Grande será bem curta e, dificilmente, ele terá tempo hábil para desatar tantos nós dentro do partido.

A reportagem tentou contato com Marcos Pollon para ouvir o posicionamento dele sobre a visita do ex-presidente da República, porém, até o fechamento desta edição, não obteve sucesso.

SAIBA

O PL Mulher de Mato Grosso do Sul realiza, no dia 24, no Bosque Expo – Centro de Eventos, no Shopping Bosque dos Ipês, evento político para reunir as mulheres conservadoras do Estado. Marcado para as 10h, o encontro terá a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em suas redes sociais, a presidente do PL Mulher de Mato Grosso do Sul, Naiane Bittencourt, convida todas as mulheres do Estado a participarem do evento.

Eleições 2026

Eleitor tem até 3 de outubro para ativar e-Título antes das eleições

Aplicativo permite consultar local de votação e pode ser usado para identificação, mas primeiro acesso

21/09/2026 17h00

Antônio Cruz/Agência Brasil

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Quem pretende utilizar o e-Título nas Eleições 2026 precisa concluir o primeiro acesso e a validação do aplicativo até sábado (3), véspera do primeiro turno, marcado para domingo (4). A orientação é especialmente importante para quem ainda não acessou o aplicativo, já que o download e o primeiro acesso ficam indisponíveis no dia da votação.

Segundo o advogado especialista em Direito Eleitoral Newton Lins, o eleitor deve verificar antecipadamente se o aplicativo está funcionando e se os dados estão atualizados para evitar problemas no dia da eleição.

“O eleitor precisa entender que baixar o e-Título não significa que ele já estará pronto para ser utilizado. É necessário fazer o primeiro acesso e concluir a validação das informações. Deixar esse procedimento para o dia da eleição pode gerar uma dificuldade desnecessária justamente no momento em que o eleitor precisa estar com sua documentação regularizada”, afirma.

O e-Título também permite consultar o local de votação, a zona e a seção eleitoral. O serviço pode ser acessado pelo aplicativo e pelo Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A ferramenta pode ser utilizado como documento de identificação no momento da votação quando o aplicativo apresenta a fotografia do eleitor. Nesse caso, basta apresentar a tela do celular ou tablet com o documento digital.

Já quem possui e-Título sem fotografia precisa levar também um documento oficial de identificação com foto. Capturas de tela não substituem o aplicativo como documento de identificação.

Newton Lins orienta que essa conferência seja feita antes da eleição. “O uso do e-Título traz praticidade, mas também exige atenção às condições estabelecidas pela Justiça Eleitoral. O eleitor deve conferir previamente se a fotografia aparece no aplicativo e se os dados estão corretos. Caso não haja fotografia, é necessário levar um documento oficial com foto. O print também não substitui o aplicativo”, explica.

Além da identificação, o aplicativo reúne outros serviços eleitorais e permite consultar informações relacionadas à votação. A ferramenta utiliza mecanismos de segurança para validar a identidade do eleitor, incluindo recursos de validação facial.

Para o especialista, a conferência antecipada também deve incluir outras informações necessárias para o dia da votação. “A tecnologia facilita o acesso do cidadão aos serviços eleitorais, mas não elimina a necessidade de planejamento. Conferir o aplicativo, o local de votação e a documentação antes da eleição é uma forma de evitar imprevistos no dia do voto”, afirma.

O e-Título é gratuito e está disponível para celulares e tablets com sistemas Android e iOS. Para quem pretende utilizar a versão digital do título no primeiro turno, a recomendação é fazer o download, o primeiro acesso e a validação até 3 de outubro.

Manipulação de imagem

Justiça Eleitoral multa deputado por usar vídeo de 2018 com Bolsonaro como se fosse atual

Luiz Ovando (PP) distorceu gravação antiga para simular apoio recente do ex-presidente e foi condenado a pagar R$ 5 mil pelo TRE-MS

21/09/2026 14h58

Luiz Ovando (PP) foi multado pela Justiça Eleitoral

Luiz Ovando (PP) foi multado pela Justiça Eleitoral Reprodução

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O deputado federal Luiz Ovando (PP), candidato à reeleição, foi multado pela Justiça Eleitoral por tentar induzir o eleitor a erro, por meio de um vídeo de 2018, com o ex-presidente Jair Bolsonaro, veiculado como se fosse atual.

A condenação pela distorção foi proferida pelo relator do processo no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva, ao julgar procedente a representação ajuizada pela Procuradoria Regional Eleitoral no estado. Com a decisão, o parlamentar foi condenado ao pagamento de multa no valor de R$ 5 mil.

Reedição e descontextualização temporal

A infração envolveu o impulsionamento pago de um vídeo gravado originalmente durante a campanha de 2018, no qual Jair Bolsonaro manifestava apoio político a Luiz Ovando. Para o pleito de 2026, a peça foi reeditada com a inserção do novo número de candidatura (1122), a sigla do seu atual partido (PP) e a legenda “ELEIÇÃO 2026”, sem apresentar nenhum aviso claro ou ostensivo sobre o ano original do registro.

De acordo com o TRE-MS, a alteração dos elementos visuais criou uma “grave descontextualização temporal”, levando o eleitor médio ao engano de supor que a declaração e o pedido de voto haviam sido renovados para a disputa eleitoral recente.

A decisão ressaltou ainda o descolamento da realidade provocado pela propaganda impulsionada. 
Jair Bolsonaro foi condenado em 2025 por tentativa de golpe de Estado e cumpre prisão domiciliar, estando sob proibição judicial expressa de utilizar redes sociais. 

Assim, a exibição do vídeo reformatado em 2026 gerava no eleitorado a falsa impressão de se tratar de uma manifestação recente e consentida, situação incompatível com as restrições impostas ao ex-presidente.

Argumentos da defesa e posicionamento do Tribunal

Em sua defesa, o deputado alegou que o registro continha uma declaração autêntica de apoio, sem alteração de áudio ou uso de “deepfake”. 

Luiz Ovando argumentou que as modificações nos elementos visuais serviram apenas para cumprir a obrigação legal de identificar o anunciante e a legenda atual, substituindo dados desatualizados do antigo partido (PSL).

O tribunal, contudo, rejeitou a tese defensiva. O relator fixou o entendimento de que o dever de identificar a candidatura responsável não autoriza a manipulação de mídia histórica sem esclarecer sua origem temporal ao público. 

A distorção configurou infração ao artigo 9º-C da Resolução TSE nº 23.610/2019, que proíbe o uso de conteúdos manipulados ou descontextualizados na propaganda eleitoral.

Ao aplicar a sanção prevista na Lei das Eleições, o relator ponderou que o investimento financeiro para impulsionar e distribuir conteúdo descontextualizado agrava o potencial lesivo ao pleito.

Contudo, considerando que o deputado não possuía reincidência e demonstrou postura colaborativa ao cumprir a ordem judicial de remoção do vídeo em menos de 24 horas, a multa foi estabelecida no patamar mínimo legal de R$ 5 mil.

Outro lado

O deputado federal, por sua vez, reclamou da decisão, por meio de sua assessoria de imprensa. Ele desprezou a justificativa da Justiça Eleitoral classificou como “censura” a decisão de desembargador. 

“História não se apaga. Eu apoio Jair Bolsonaro desde 2018. Esse apoio não foi inventado agora e não nasceu por causa de uma eleição. O vídeo é verdadeiro, o apoio existiu e faz parte da minha história. Mandar retirar essa imagem não muda os fatos. Na minha avaliação, isso é censura”, afirmou Dr. Luiz Ovando.

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