Política

dívida de campanha

Calote de comitê de Delcídio revolta cabos eleitorais

Alex do PT é acusado de chamá-los de ‘bando de pés-rapados’

jéssica benitez

28/10/2014 - 11h30
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Mãe de uma criança de 4 anos, Maria Daniela Rodrigues dos Santos, 29, moradora da Vila Margarida, trabalhou na semana final de campanha como cabo eleitoral do então candidato a governador do Estado, senador Delcídio do Amaral (PT), mas até agora não recebeu os R$ 200 prometidos pela organização petista. Desempregada, ela conta que a prima, Lucineide Rodrigues, está na mesma situação. O combinado era que o pagamento fosse efetuado na última sexta-feira (24), mas foi adiado para sábado, véspera de eleição, e depois para domingo.

No entanto, no dia do pleito, o combinado continuou sem ser cumprido. “Chegamos lá ao comitê e a Maria José falou que não ia pagar a gente. Nos chamou de barraqueiras. O vereador Alex estava junto falou que somos um bando de pés-rapados e ficava mandando a gente procurar emprego”, contou a jovem referindo-se ao suplente de vereador Marcos Alex (PT), que assumirá vaga deixada em 2015 pelo ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos, Zeca do PT, na Câmara Municipal.

Maria Daniela contou, ainda, que sua filha e o sobrinho, de 10 meses, também eram usados na campanha na tentativa de causar comoção nos eleitores que passavam pelas ruas do bairro, por tratar-se de mulheres jovens com crianças pequenas para sustentar. “Eles usavam a gente como exemplo, falavam ‘estão essas mães com os filhos pequenos’. Nossas crianças ficaram na garoa com a gente porque não tinha com quer deixar para a gente ir trabalhar, agora estão com dor de garganta e ficamos aqui sem receber”, disse.

Ambas trabalharam por uma semana nas ruas da Vila Margarida distribuindo santinhos e balançando bandeiras das 13h até o início da noite. A jovem conta que não assinaram contrato para provar que estavam trabalhando, porém uma das coordenadoras da função, conhecida por elas apenas como Maria José, tirou cópia dos documentos das duas e prometeu que teriam contratos em mãos até o final da campanha eleitoral. “Agora não há como provar nada mostrando papel, mas temos como provar porque o povo do bairro viu a gente na rua e moro aqui a vida toda, todo mundo me conhece”, garantiu.

No término do primeiro turno fato semelhante ocorreu. No dia 6 de outubro fiscais de urna contratados pela coligação ‘Mato Grosso do Sul com a Força de Todos’ estiveram no comitê petista para reivindicar pagamento. Eles só conseguiram remuneração após denunciarem o caso à imprensa.

Baixa

Prefeitura de Sidrolândia exonera secretário após operação do Gaeco

Welbet José Biaggi de Amorim é o terceiro servidor afastado pela administração desde o início do mês

29/10/2026 17h30

Welbet José Biaggi de Amorim é o terceiro servidor afastado pela administração desde o início do mês

Welbet José Biaggi de Amorim é o terceiro servidor afastado pela administração desde o início do mês Foto: Reprodução / Redes Sociais

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O secretário especial de administração de Sidrolândia Welbet José Biaggi de Amorim foi exonerado nesta quinta-feira (29)  após ser alvo de uma ação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) que investiga fraude em licitações em contratos que somam R$ 3 milhões. A demissão do secretário foi assinada pelo prefeito  Rodrigo Basso (PL). 

Welbert é o terceiro integrante do alto escalão da prefeitura a ser desligado da gestão só neste mês. Em nota, a prefeitura alegou dificuldades financeiras para desligar servidores e descartou motivações politico-partidárias, uma vez que o desligamento ocorreu após a eleição do último domingo (25). 

Conforme operação do Gaeco, um grupo de empresários atuava em uma espécie de cartel, ajustando previamente os preços das propostas apresentadas nos pregões para simular a competição e elevar artificialmente os valores das contratações públicas. 

Alvo da Operação Trama Oculta, Welbet de Amorim foi desligado de conselhos, comissões, comitês e demais órgãos colegiados municipais. Conforme a polícia, há casos em que servidores eram cooptados para facilitar fraudes e superfaturamentos em troca de propina.  ue a gestão atual não possui relação direta com as fraudes apontadas na nova operação.

"É importante esclarecer que as medidas de desligamento não possuem motivação político-partidária, tampouco representam perseguição, retaliação ou desvalorização dos profissionais que prestaram serviços ao Município“, diz a nota divulgada pela adminsitração municipal. 

Além de Welbert,  o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente, Enelvo Felini Júnior, e o ex-secretário de Agricultura e Abastecimento, Cleyton Martins Teixeira, foram afastados por 180 dias por determinação judicial no âmbito da Operação Dirty.

Foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão e 14 mandados de medidas cautelares diversas da prisão. Os alvos foram localizados nos municípios de Anastácio, Caarapó, Campo Grande, Dourados, Mundo Novo, Jardim e Sidrolândia.

Um grupo de empresários do ramo de confeccções atuava em uma espécie de cartel, ajustando previamente os preços das propostas apresentadas nos pregões para simular a competição e elevar artificialmente os valores das contratações públicas. Em alguns casos, valiam-se também da cooptação de servidores públicos para viabilizar as fraudes e favorecer o superfaturamento. Até o momento, foram identificadas 15 licitações fraudadas. 

 

 

Após debandada

Beto Pereira projeta Tarcísio como sucessor natural de Flávio

Presidente estadual do Republicanos disse que governador de São Paulo é virtual nome da oposição para 2030

29/10/2026 15h45

Deputado federal Beto Pereira, presidente do Republicanos-MS

Deputado federal Beto Pereira, presidente do Republicanos-MS Foto: Divulgação / Câmara dos Deputados

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Presidente estadual do Republicanos, o deputado Beto Pereira destacou que a debandada de Flávio Bolsonaro (PL) rumo aos Estados Unidos após a derrota nas urnas no último final de semana, naturalmente fará com que o espaço deixado pelo senador seja ocupado pelo colega de partido Tarcísio de Freitas, governador reeleito em São Paulo.

Segundo Beto Pereira, Tarcisio além de ser o principal nome de oposição ao Governo Lula 4, é o virtual candidato à Presidência da República para 2030. 

"Naturalmente o Tarcisio exerce essa liderança na direita de todo o Brasil. A fuga [de Flávio] impulssionou isso, e ele tende assumir um espaço de protagonismo deixado pela familia Bolsonaro, a partir de agora ele é o virtual candidato à presidencia em 2030", destacou ao Correio do Estado. 

Desde o último domingo eleitoral, diversos partidos reconheceram a vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições deste ano.

Entre as siglas que reconheceram a vitória estão o PL [partido de Flávio Bolsonaro], o próprio Republicanos, além de: União Brasil, MDB, PSD, PSDB, PDT, PSB, PSOL, Podemos, Avante, Democrata, Democracia Cristã (DC), UP, PSTU, Solidariedade, o PP, e o PRD. 

Os posicionamentos individuais e coletivos apenas isolam a narrativa imposta pelo próprio senador, que alega perseguição por parte do Judiciário. 

 

Integrantes do Centrão avaliam como "delirante" a carta publicada nesta quarta-feira (28), em que o então candidato se autoproclamou "o verdadeiro presidente eleito do Brasil".

A avaliação é que a empreitada do senador não terá endosso institucional nem de próprio partido, o PL. Nesta manhã, Valdemar da Costa Neto, presidente nacional da sigla, se reservou apenas a dizer que "não gostou" das alegações e ações de Flávio. 

No documento, o senador repete, sem provas, que teria havido fraude eleitoral no segundo turno. Pouco depois, no entanto recuou e alterou o documento para se apresentar como "o líder do Brasil".

Parlamentares do Centrão ouvidos pelo Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) consideram que Flávio "ficará falando para as paredes" e que mesmo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, fugirá de defender a tese do senador. Questionado pela reportagem do Estadão, o PL preferiu não se manifestar sobre o documento.

Há uma preocupação, no entanto, sobre se Flávio conseguirá mobilizar apoiadores a irem para as ruas, em protestos que poderiam inflamar o debate político.

Na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), não quis comentar sobre a carta golpista.

Após a proclamação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no domingo, ele e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foram os primeiros a reconhecer a vitória do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com informações de Estadão Conteúdo

*Colaborou Daniel Pedra 

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