Política

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Câmara dá prazo para que a prefeitura explique sobre "gastança" com pessoal

Carlão informou que se até o dia 11 de maio não houver resposta será criada uma comissão especial para investigar os gastos

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A Prefeitura de Campo Grande tem até o dia 11 de maio deste ano para responder ao requerimento da vereadora Luiza Ribeiro (PT) pedindo esclarecimento sobre o furo contábil de R$ 386.186.294,18, somente na análise do ano passado, encontrado por inspeção fiscal realizada pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) nas despesas com pessoal nos exercícios de 2021 e 2022.
Segundo o presidente da Câmara Municipal, vereador Carlos Augusto Borges (PSB), o Carlão, caso o Executivo não responda ao requerimento, a Casa de Leis criará uma comissão especial para investigar divergência. “Temos a garantia de que virá uma resposta sobre o ofício da vereadora Luiza Ribeiro”, afirmou ao Correio do Estado, informando que também já se reuniu com o TCE-MS para tratar do relatório da inspeção fiscal. 
Ele revelou à reportagem que a Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal analisará a resposta da prefeitura. “Nós estamos aguardando esse ofício. O TCE deu prazo de 20 dias, mas, regimentalmente, a Corte de Contas pode prorrogar por mais dez ou quinze dias. A Câmara Municipal, por sua vez, aguardará essa resposta”, explicou.
Já a vereadora Luiza Ribeiro disse ao Correio do Estado que a comissão especial para investigar essa “gastança” da prefeitura só será criada depois que os parlamentares tiverem os dados necessários. “Deixamos para resolver isso depois de termos a documentação”, revelou, completando que é prerrogativa do Legislativo fiscalizar o Executivo.

ENTENDA O CASO


Relatório de inspeção fiscal produzido pelo TCE-MS apontou uma série de irregularidades nas despesas com pessoal no Município de Campo Grande, como estouro do limite prudencial da LRF nos anos de 2021 e 2022, período analisado pela Corte de Contas, além de pagamentos de jetons e gratificações genéricas que turbinaram supersalários pagos à elite do serviço público.
O furo contábil encontrado pelos auditores do TCE-MS, somente na análise do ano passado, é de R$ 386.186.294,18. 
O valor refere-se às divergências entre as despesas com pessoal, as despesas com folha de pagamento extraídas in loco e a despesa que de fato foi executada.
O resultado do relatório pode tornar o ex-prefeito Marquinhos Trad (PSD) inelegível. Segundo consta no documento elaborado a pedido do corregedor-geral do TCE-MS, conselheiro Osmar Domingues Jeronymo, a despesa total com pessoal nos exercícios de 2021 e 2022 atingiu, respectivamente, 59,16% e 57,02% da receita corrente líquida ajustada da prefeitura municipal.
Portanto, ainda de acordo com o relatório de inspeção fiscal, a despesa do Poder Executivo encontra-se acima do limite de 54% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), fato que teria sido motivado, em grande parte, pelos pagamentos de jetons e gratificações genéricas que turbinaram supersalários da elite do serviço público municipal.
Dessa forma, o Executivo encontra-se enquadrado no regime estabelecido no artigo 15 da Lei Complementar nº 178, de 13 de janeiro de 2021, que estabelece o Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal e o Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal, devendo eliminar o excedente de pelo menos 10% a cada exercício a partir deste ano, de forma a enquadrar no limite até o término do exercício de 2032.
Segundo o advogado especialista em Direito Eleitoral Douglas de Oliveira, mestre e doutorando em Direito, o resultado de relatório de inspeção fiscal realizado pelo TCE-MS pode, sim, causar uma possível inelegibilidade, caso seja instaurado um procedimento de improbidade administrativa.
“No entanto, isso vai gerar propositura de uma ação pelo Ministério Público que abrirá prazos a serem cumpridos, enfim, será julgado daqui a um bom tempo. Então isso não seria imediato. Porém, a depender da decisão do TCE-MS, isso pode ser já com efeitos imediatos”, ressaltou o jurista.

OUTRO LADO


O ex-prefeito da Capital Marquinhos Trad (PSD) contestou o resultado do relatório. Em contato com o Correio do Estado, Marquinhos disse que nunca houve folha secreta na sua gestão, que foi de 1º de janeiro de 2017 a 2 abril de 2022. 
“Os indícios de irregularidades apontados pela fiscalização técnica do TCE – item número 11 – foram em decorrência de que, a partir de janeiro de 2022, passou-se a incluir na folha os vínculos dos aposentados e pensionistas do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande [IMPCG], com isso, os arquivos gerados e enviados ao TCE, via Sicap [Sistema de Controle de Atos de Pessoal], passaram a constar vários vínculos de aposentados e pensionistas [equivocadamente]”, declarou.
De acordo com o ex-prefeito, após a constatação de tais equívocos, a Secretaria Municipal de Gestão de Campo Grande (Seges), junto da Agência Municipal de Tecnologia da Informação e Inovação (Agetec), realizou um levantamento, abrindo arquivo por arquivo manualmente, e retificou os arquivos gerados, excluindo os vínculos dos inativos (IMPCG). “Por isso esse montante de exclusões. 
O arquivo atualizado foi enviado em fevereiro deste ano ao TCE”, garantiu.
Quanto à transformação de cargos em comissão, segundo Trad, esta não poderia ser realizada por decreto. Tal afirmativa não resiste à análise do Art. 68, VI da Lei nº 5.793, de 2017. Com relação à despesa com pessoal estar acima do limite de 54% estabelecido pela LRF, “o município encontra-se enquadrado no Artigo 15 da Lei Complementar nº 178, de 2021, portanto, não há nada ilegal”, disse o ex-gestor.

SAIBA

Nós estamos aguardando esse ofício. O TCE deu prazo de 20 dias, mas, regimentalmente, a Corte de Contas pode prorrogar por mais dez ou quinze dias”, diz presidente Carlão, ao explicar a movimentação do caso.

Amparo político

Prefeito de Porto Murtinho fecha apoio com Vander Loubet, sobrinho de rival histórico

Cintra está em seu quarto mandato à frente do município e carrega um histórico de duelos acirrados com Heitor Miranda, tio de Vander

24/08/2026 14h30

Cintra ao lado de Vander Loubet / Foto: Reprodução

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O prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra (PSDB), anunciou oficialmente o apoio à pré-candidatura do deputado federal Vander Loubet (PT) ao Senado para as Eleições 2026.

O movimento sela uma aliança entre o tucano com o sobrinho de seu maior rival histórico na política local, Heitor Miranda, irmão do deputado Zeca do PT.

A articulação faz parte de uma estratégia de Vander que já atraiu mais de 40 prefeitos bolsonaristas e de centro em Mato Grosso do Sul, consolidando a adesão de Vander em bases aliadas à direita no estado. A declaração foi firmada pelo prefeito neste fim de semana, após visita de Vander ao município.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Nelson Cintra justificou a decisão com base na identificação regional do parlamentar petista e na longa convivência entre os dois.

“Temos uma história de 49 anos juntos, Vander trabalhou no banco, é deputado e é filho dessa terra. Nós desejamos boa sorte e queremos você como nosso Senador”, declarou o prefeito tucano.

Cintra está em seu quarto mandato à frente do município e carrega um histórico de duelos acirrados com Heitor Miranda (irmão de Zeca do PT e tio de Vander), que governou a cidade entre 1989 e 1992.

O ápice do embate ocorreu na eleição municipal de 2008, quando Cintra venceu Heitor por uma margem de apenas 12 votos, feito que culminou uma batalha jurídica com dezenas de ações por compra de voto e uso da máquina pública.

No pleito seguinte, Cintra apoiou Rosângela Baptista, que venceu Heitor por 83 votos, mas acabou cassada pela Justiça Eleitoral, permitindo o retorno do rival petista ao cargo em 2013. Heitor Miranda seguiu à frente do município até 2016 e faleceu em 2022 em virtude de problemas cardíacos. 

A adesão tucana expõe a eficácia da tática de Vander Loubet para capturar o segundo voto ao Senado junto aos gestores municipais em 2026.

O petista avança sobre prefeitos da base do governador Eduardo Riedel (PP) e do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL). 

A estratégia ganhou força após o recuo de Nelsinho Trad (PSD), que abriu mão da disputa para figurar como primeiro-suplente na chapa de Azambuja.

Além de Cintra, o prefeito de Ivinhema Juliano Ferro (PL), mesmo no partido de Azambuja e do ex-candidato Capitão Contar, anunciou voto casado em Azambuja e Vander Loubet.

Julio Buguelo (PSD), de Glória de Dourados e correligionário de Nelsinho Trad, declarou apoio à reeleição de Riedel e dividirá seus votos para o Senado entre Azambuja e Vander.

O petista também somou apoios expressivos em Jateí, por meio do vice-prefeito Tiquinho, e do vereador Marquinhos Trad em Campo Grande.

HORÁRIO ELEITORAL

Eduardo Riedel exalta gestão e Fábio Trad prega avanços em MS

Governador levará indicadores econômicos, sociais e fiscais à TV, enquanto petista priorizará saúde, educação e segurança pública

24/08/2026 07h45

Governador Eduardo Riedel (PP) e o ex-deputado Fábio Trad (PT)

Governador Eduardo Riedel (PP) e o ex-deputado Fábio Trad (PT) Foto: Montagem

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A disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul ganhará espaço no rádio e na televisão a partir desta sexta-feira, com o início do horário eleitoral gratuito. 

O Correio do Estado apurou que, de um lado, o governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, pretende transformar os indicadores econômicos, sociais e fiscais em uma vitrine de sua administração. 

Do outro, o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) apostará nas deficiências dos serviços públicos e na mensagem de que Mato Grosso do Sul “pode muito mais”.

As estratégias revelam caminhos distintos para a abertura do horário eleitoral, pois, enquanto Riedel buscará transformar a eleição em um julgamento positivo de sua gestão, Fábio tentará levar o debate à qualidade dos serviços públicos e à distribuição dos resultados econômicos entre a população.

TRÊS EIXOS

A estratégia de Riedel será dividida em três eixos. O primeiro, chamado de “progresso”, apresentará dados sobre crescimento econômico, atração de investimentos privados, qualificação profissional, expansão da indústria e competitividade tributária.

Entre os números que serão utilizados pela campanha está o crescimento de 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul em 2025, pois, conforme o material preparado para a propaganda, o resultado colocou o Estado na terceira posição nacional e ficou acima do dobro da média brasileira.

No campo social, a campanha adotará o conceito “sem deixar ninguém para trás”. A intenção é de sustentar que o avanço econômico registrado no Estado chegou às famílias de menor renda e abriu oportunidades para diferentes camadas da população.

Riedel destacará que Mato Grosso do Sul ocupa a primeira posição nacional em mobilidade social, indicador relacionado às possibilidades de os filhos alcançarem condições de vida melhores que as dos pais.

A propaganda ainda deve mencionar a garantia de alimentação regular para mais de 67 mil famílias e os resultados alcançados na vacinação infantil, área na qual Mato Grosso do Sul recebeu avaliação máxima e passou a ser apresentado como referência nacional.

O terceiro eixo será dedicado à gestão administrativa. A campanha pretende ressaltar que o Estado conquistou nota A do Tesouro Nacional em qualidade fiscal pelo quarto ano consecutivo, sendo o único do País a manter essa avaliação durante todo o período.

Também serão explorados o Selo Diamante em Transparência Pública, concedido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), e a presença de Mato Grosso do Sul entre os 10 estados mais digitais do País.

ADVERSÁRIO

Na oposição, Fábio Trad pretende concentrar os primeiros programas nos problemas enfrentados pela população em áreas consideradas essenciais.

Saúde, educação, segurança pública, emprego e renda, infraestrutura e desenvolvimento dos municípios do interior estarão entre os principais assuntos da campanha petista.

A ideia central será discutir formas de melhorar a qualidade dos serviços públicos e ampliar as oportunidades para quem vive e trabalha em Mato Grosso do Sul.

Fábio tentará defender que o crescimento econômico do Estado precisa ser percebido de maneira mais concreta na vida da população.

Com a mensagem de que “Mato Grosso do Sul pode muito mais”, o candidato deve questionar se os indicadores apresentados pelo governo correspondem à realidade enfrentada diariamente pelos moradores nos postos de saúde, nas escolas, nas ruas e na busca por emprego.

Os primeiros programas também terão a missão de apresentar Fábio a uma parcela do eleitorado. A campanha contará sua trajetória pessoal, a carreira como advogado e a experiência adquirida nos mandatos na Câmara dos Deputados.

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