Política

CAMPO GRANDE

Vereadores condenam "contracheques ocultos" de secretários e falam em abrir CPI

Correio do Estado denunciou que secretários têm contracheque paralelo, com renda de mais de R$ 30 mil, que não consta no Portal da Transparência

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Vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande devem apurar denúncia do chamado "contracheque oculto", dos secretários do Município, com ganhos extras de mais de R$ 34 mil mensais, e não descarta abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Conforme indicou reportagem do Correio do Estado, Servidores do primeiro escalão da Prefeitura tiveram altos rendimentos e têm folha de pagamento oculta, documento que não é diponibilizado no portal da transparência do município.

Uma integrante do primeiro escalão do município ganhou, em novembro, R$ 54 mil, quando somados os dois contracheques: o oficial e o oculto.

A justificativa para o pagamento são que se tratam de "jetons" e "encargos especiais".

Cobrança

Na Câmara Municipal, a maioria se disse favovável a uma investigação para apurar o caso, além de julgarem como absurdo o fato, tendo em vista que a prefeitura diz não ter dinheiro para reajuste de professores e outros servidores.

Vereador Marcos Tabosa (PDT) usou a tribuna para criticar os altos salários, denunciados pelo Correio do Estado, e afirmou que há cerca de sete meses ele vem denunciando que o Portal da Transparência não é transparente.

"A gente tem que aprofundar nos supersalários, a gente não tem direito de acessar holerite dos servidores, então só através de uma CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] para investigar e chegar ao fundo", disse.

O vereador disse ainda que muitos servidores ganham menos de um salário mínimo, enquanto outros têm supersalários. Ele cita também o caso de professores e agentes de saúde, que lutam por reajustes.

"Pros professores falta caixa né? A prefeita Adriane Lopes (Patriota) é conivente com essa situação, porque há seis anos ela sabe que tem folha extra, que ninguém sabia que era oculta", acrescentou.

Como hoje foi a última sessão da Câmara Municipal antes do recesso, qualquer medida será tomada em fevereiro, no retorno dos trabalhos.

"No começo dos trabalhos de fevereiro já vou entrar com o pedido [de CPI], vou tentar as assinaturas", finalizou.

Vereador André Luis (Rede) também disse ser favoravél a instauração de uma CPI, mas foi enfático ao afirmar que o caso também deve ser investigado pela polícia.

"Isso é caso de polícia, tem que fazer comunicação, boletim de ocorrência, isso é criminoso, é um crime como patrimônio público administrativo, isso aqui é muito grave, isso pode dar cassação da prefeita", afirmou.

Ele disse também que espera que haja uma explicação para o caso ou que seja engano, pois a prefeitura já disse por diversas vezes ue não tem dinheiro para pagar reajuste dos professores e profissionais de saúde.

"Ela está rompendo a Lei de Responsabilidade Fiscal,a Lei Orçamentária Anual não tem previsão de aumento pra ninguém, então não tem nem previsão de aumento. Eu vou fazer pessoalmente fazer um ofício à Secretaria de Finanças pedindo explicação sobre isso e, a partir disso, nós vamos tomar as providências cabíveis", salientou.

O vereador Júnior Coringa (PSD) também disse que tem que proposta uma investigação para o próximo ano, além de propor que qualquer folha extra seja colocada no Portal da Transparência.

"Até porque tem um teto, que é o [salário] da prefeita", explica.

O vereador Dr. Jamal (MDB) disse que irá atrás de mais informações sobre o assunto e irá checar a denúncia para tomar as medidas "dentro da lei", mas também defendeu uma CPI para investigação.

Betino (Republicanos) disse que a questão do secretariado é uma prerrogativa do Executivo. "A Câmara pode pedir investigação sobre isso, mas por se tratar de uma prerrogativa, do executivo, ela tem liberdade de fazer ou não", opinou.

Professor Riverton (PSD), disse que tomou conhecimento do caso pela reportagem do Correio do Estado e disse que cada vereador pode pedir esclarecimentos, ainda mais em casos que superam o teto, mas que ele acredita que a prefeita tem responsabilidade e é o momento para fazer uma "fazer uma revitalização na gestão, no secretariado e ajustar as contas".

"Absurdo"

Coronel Alírio Vilassanti (União Brasil) avaliou como absurdo os supersalários dos secretários.

"É um absurdo porque nós temos dentro da estrutura da Prefeitura servidores que ganham menos de um salário mínimo, não tá pagando adicional de insalubridade, não tá pagando aumento do professor, adicional para o pessoal da guarda", comentou.

O parlamentar afirmou que irá se aprofundar na denúncia para cobrar providências da prefeita e propor investigação na Câmara.

Ronilço Guerrero disse ter sido surpreendido com a denúncia e afirmou que também irá se inteirar do que está acontecendo, ouvir a Secretaria de Finanças, para depois ver as medidas a serem pedidas, como abertura de CPI ou outra investigação.

"Vamos ver com a nossa bancada, vamos ver o que está acontecendo, eu acredito que toda e qualquer denúncia deve ser investigada", disse.

Professor Juari (PSDB) disse que a Câmara não tinha conhecimento, pois os chamados pagamentos extras não aparecem no portal da transparência, mas que, se proceder, "é um absurdo".

"Agora justifica o porquê de não ter dinheiro para pagar os professores. Enquanto o professor início de carreira ganha tR$ 3,3 mil, um servidor da prefeitura ganha R$ 50 mil. Quantos professores pagaria com o salário de um servidor desse?", questionou.

Ele disse também que a CPI é a última instância e que primeiro os parlamentares devem cobrar explicações da prefeitura e secretário de governo através de requerimentos.

Líder da prefeita na Câmara, Beto Avelar (PSD) se limitou a dizer que desconhece a existência de supersalários.

Eleições

Sóstenes quer usar documentário sobre Bolsonaro para fazer campanha para Flávio

A ideia do deputado é alugar um carro de som para convidar a população, durante o dia, para a exibição do filme e, à noite, exibir o documentário em praça pública.

16/04/2026 21h00

Bolsonaro foi condenado a mais e 27 anos de prisão

Bolsonaro foi condenado a mais e 27 anos de prisão Foto: Ton Molina / STF

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O deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara, afirmou na noite desta quarta-feira, 15, que pretende usar o documentário "A Colisão dos Destinos", sobre a vida política de Jair Bolsonaro (PL) para fazer campanha para Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Sóstenes discursou na pré-estreia do filme, em Brasília.

"Já falei para todos. Eu vou fazer campanha com este documentário nos municípios do meu Estado para todos verem a história de um homem que admiramos, que o Brasil admira, e que tenho certeza que ao ocupar praças vai emocionar as pessoas", afirmou o deputado.

Segundo Sóstenes, a ideia é alugar um carro de som para convidar a população, durante o dia, para a exibição do filme e, à noite, exibir o documentário em praça pública. O deputado afirma ainda que a iniciativa não configura campanha antecipada para Flávio e os demais candidatos do PL.

"Este é uma ferramenta de trabalho pra pré-campanha. Não existe ilegalidade, nós estamos convidando para ver um filme em praça pública", disse Sóstenes.

Por ter sido gravado em 2024, o deputado afirma que pode ser utilizado fora da época oficial de campanha. Na época das gravações, Bolsonaro ainda não tinha sido condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, nem declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"Por não estar atualizado, nos dá uma brilhante ferramenta de pré-campanha", diz o líder do PL na Câmara.

Segundo o secretário-geral da Comissão de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF), advogado João Marcos Pedra, a ação revela um impasse entre o direito à liberdade de expressão e a proibição de propaganda eleitoral antecipada.

"Caso a exibição do filme não constitua um ato de comício ou tentativa de amplificar uma pré candidatura, não há ilegalidade. Mas utilizar esse formato como a tentativa de enaltecer Flávio Bolsonaro às custas de um filme do seu pai pode ser configurado pela Justiça Eleitoral como ato ilícito", diz o especialista ao Estadão.

Ele explica que a questão principal não é apenas o conteúdo do filme, mas a forma com que ele será divulgado, e os interesses implícitos e explícitos com o a promoção do documentário em ano eleitoral.

"Qualquer evento em ano eleitoral constitui um risco para a campanha de quem está no poder e de quem será favorecido com a divulgação daquele evento. A lei das eleições é um instrumento que traz limitações a esse título, especialmente durante a pré-campanha, momento em que é vedado o pedido de voto", diz Pedra.

"Além disso, realizar ato de campanha em local público, ainda que de forma implícita, pode ensejar o reconhecimento de conduta vedada pela lei das eleições", completa.

O filme é produzido e dirigido por Doriel Francisco e aborda a infância, vida militar e trajetória política de Bolsonaro até o episódio da facada durante campanha presidencial em Juiz de Fora (MG), em setembro de 2018.

Investigação

Caso Master: Governo Lula muda estratégia e quer paternidade de combate à corrupção

O governo bate na tecla de que as investigações de corrupção foram abertas por essa gestão, e não pelo ex-presidente Jair Bolsonaro

16/04/2026 19h00

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 Divulgação: MPC-MS

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O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, convocou uma entrevista coletiva nesta quinta-feira, 16, com a presença da cúpula da Polícia Federal para falar sobre a quarta fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa Lima e Silva afirmou que a entrevista foi uma solicitação da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo Lula.

Na prática, diante do prejuízo que escândalos de corrupção têm causado à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva a um novo mandato, a ordem no Palácio do Planalto e no PT é mostrar que o presidente tem feito tudo para combater fraudes. É nessa lista que se encaixa o escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

No momento em que as pesquisas de intenção de voto indicam uma disputa acirrada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, o governo bate na tecla de que as investigações de corrupção foram abertas por essa gestão, e não pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

"A Secretaria de Comunicação é o órgão do governo que tem a sensibilidade de perceber a intensidade das demandas e sempre que formos instados para prestar informações à imprensa, que desempenha um papel fundamental em nossa sociedade democrática, nós prestaremos essas informações nos limites daquilo que for possível", afirmou o ministro da Justiça.

A estratégia traçada é para Lula assumir a paternidade do combate à corrupção que atinge o "andar de cima" ou, como diz o presidente, os "magnatas". O discurso de "ricos contra pobres" ou "99% contra 1%" é um dos motes da campanha à reeleição.

Pesquisas qualitativas em poder do Planalto mostram que todos os recentes escândalos foram debitados na conta do governo federal, fato que causou impacto na popularidade do presidente.

No mês passado, o próprio Lula deu a senha da reação ao sustentar que o escândalo do Master é o "ovo da serpente" de Bolsonaro e do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Ainda nesta terça-feira, 14, Lula admitiu ter pedido ao atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, que tornasse pública a "origem" da fraude do Master, mostrando "quem é o artista principal e quem é o coadjuvante".

Lima e Silva destacou na entrevista que a pasta comandada por ele não faria "espetacularização" nem ultrapassaria os limites legais na divulgação das informações.

A investigação que resultou na quarta fase da Operação Compliance Zero é sigilosa, mas o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça tornou pública a decisão que decretou a prisão de Paulo Henrique.

Em despacho anterior, porém, Mendonça havia assinalado que o teor da diligência deve ser mantido sob sigilo pelos delegados do caso e compartimentado, sem o repasse de informações para os superiores hierárquicos.

O titular da Justiça argumentou que a ação da Polícia Federal faz parte de iniciativas do governo federal de combate a crimes financeiros e também escalou um secretário da pasta, Chico Lucas, secretário nacional de Segurança Pública, para defender as ações da administração Lula.

"Essa operação é dentro desse contexto e dentro dessa diretriz do presidente Lula, de atacar o andar de cima e os magnatas do crime com a independência necessária para a Polícia Federal atuar", disse o secretário.

Pouco antes, no Planalto, o novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, havia afirmado que o governo Lula não vai socorrer o BRB.

"Eu sou radicalmente contrário a socorrer o BRB. Quando vi a notícia (sobre a nova operação da PF), pensei: Será que prenderam o Ibaneis?", fustigou ele, em café da manhã com jornalistas, numa referência ao ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha. "Ao final, vamos saber quem são os responsáveis por tamanho malfeito, doa a quem doer".

No Ministério da Justiça participaram da entrevista coletiva o diretor-executivo da PF, William Murad, e o diretor de Combate ao Crime Organizado, Dennis Calli. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, está em viagem ao exterior.

Todos os presentes se limitaram a traçar um panorama geral da Compliance Zero e a citar dados da decisão da quarta fase da operação.

"Temos o levantamento do sigilo em relação a algumas partes das operações, mas nós temos limitações para entrar em detalhes específicos sobre isso. O foco foi a corrupção dos gestores e todo o esquema de lavagem de dinheiro decorrente desses atos de corrupção. Esse é um ponto relevante que se conecta com a primeira fase e com todo o esquema criminoso", afirmou Murad.
 

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