Fica convocada para esta terça-feira (17), por parte do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, a reunião para apreciação de pareceres que devem julgar os atos que podem afastar Marcos Pollon (PL-MS) de seu cargo parlamentar.
Essa apreciação de pareceres, que deve começar por volta de 13h30 (pelo horário de Mato Grosso do Sul), analisa duas representações contra Marcos Pollon por, até então, "suposto procedimento incompatível com o decoro parlamentar".
Segundo o parlamentar douradense do Partido Liberal (PL-MS), em nota, o ato é considerado "perseguições" e retaliações "contra atuação em favor da anistia", com uma das representações tendo como "estopim" o "motim" que invadiu o plenário da Câmara dos Deputados, e a segunda as declarações que teriam sido proferidas por ele ao presidente, Hugo Motta (REP-PB).
Em julgamento, Pollon disse que sua conduta foi amparada pelo "direito à livre manifestação de pensamento", que seria inerente à sua atividade enquanto parlamentar.
“Meu único ‘crime’ foi falar, falar em defesa de pessoas que eu conheço, que acompanho há anos, falar contra injustiças, falar pela liberdade e pela anistia de pessoas que sofreram perseguição política e daqueles que perderam a vida injustamente na cadeia. Se isso virar motivo para processo disciplinar, algo está muito errado”, disse.
Relembre
Esse julgamento já havia sido interrompido em 12 de dezembro de 2025, após uma sessão marcada por impasses regimentais e pela ausência de Pollon, que apresentou atestado médico após passar mal durante reunião do Conselho no dia anterior.
Como dito anteriormente, graças ao protesto ocorrido em agosto do ano passado, Pollon acabou "pagando o pato" entre os 14 deputados apontados por impedir o funcionamento da sessão, na tentativa de forçar a votação de anistia para os nomes que seriam condenados por golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Além de sentar na cadeira do presidente, posteriormente, uma fala de Pollon contra o então presidente da Casa de Leis, Hugo Motta, teria gerado a segunda representação, após Marcos se referir a ele como "bosta" e fazendo chacota da altura do deputado republicano.
“A anistia está na conta da p… do Motta. Nós queremos colocar o povo para enfrentar o Alexandre de Moraes, mas nós não podemos peitar o bosta do Hugo Motta, um baixinho de 1,60m”, disse Pollon segundo o relatório do corregedor Diego Coronel, obtido pela coluna da Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo.
Conforme a representação da Mesa Diretora, que tem como relator o deputado Ricardo Maia (MDB), a fala teria sido feita em 03 de agosto, gravada e amplamente divulgada em redes sociais, o que teria "atingido a honorabilidade e credibilidade" da Casa de Leis.
Essas duas representações de Pollon chegaram a totalizar 120 dias de punição por dois fatos: Ofender a presidência da Câmara (Motta) e obstruir a mesa diretora (sentar-se na cadeira de Motta).


