Política

MUDANÇA DE CENÁRIO

Carta de Bolsonaro pode causar reviravolta nas candidaturas ao Senado do PL em MS

Segundo a publicação de Michele Bolsonaro, o ex-presidente indica seu apoio na candidatura de Marcos Pollon ao Senado Federal

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A ex-primeira-dama, Michele Bolsonaro, divulgou, na tarde deste sábado (28), em sua rede social uma carta, supostamente escrita à mão pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, onde o mesmo apoia a candidatura do deputado federal Marcos Pollon (PL) ao Senado em Mato Grosso do Sul. 

Michele afirma que a postagem foi um pedido de Bolsonaro, após encontrá-lo neste sábado. "A pedido dele, faço esta postagem sobre os últimos acontecimentos. Sempre tive um carinho e respeito muito especiais pela família do meu amigo Marcos Pollon. Sua esposa, Nay, @naiane_bittencourt24 é uma mulher cristã, íntegra e dedicada, que esteve ao meu lado na construção do PL Mulher, um trabalho sério e muito bem organizado. Sou grata por conhecer essa família de perto e testemunhar seus valores. O Deputado Marcos Pollon é o nosso candidato ao Senado Federal por Mato Grosso do Sul", disse a ex-primeira-dama na publicação.

A publicação ocorre após o vazamento de anotações de Flávio Bolsonaro indicando Capitão Contar e Reinaldo Azambuja como os escolhidos para disputar o cargo de senador pelo Partido Liberal no Estado. O documento que vazou mostra também que o deputado federal Marcos Pollon "pediu R$ 15 milhões para não ser candidato" ao Senado.

Lista aponta Azambuja e Capitão Contar como candidatos ao Senado Federal e a pedida  milionária de Marcos Pollon / Reprodução

No final de janeiro, o Correio do Estado já havia noticiado a movimentação dos grupos de extrema direita de Mato Grosso do Sul, indicando a tendência do “voto casado” na eleição para o Senado. Nesse cenário, a aposta é nos candidatos Capitão Contar (PL) e Marcos Pollon (PL), classificados como dois “puros-sangue” dessa ala considerada mais radical, mas que tem demonstrado bom desempenho nas duas últimas eleições gerais, em 2018 e 2022.

Movimentação

A articulação entre Pollon e Contar está sendo feita via Brasília e até fora do País, e passa por políticos influentes no campo da extrema direita, como o deputado federal do Novo pelo Rio Grande do Sul, Marcel van Hattem, e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está há quase um ano nos Estados Unidos.
O Correio do Estado apurou que a possibilidade já foi tratada entre os dois possíveis candidatos ao Senado e também com outros dois caciques da extrema direita.

Pollon teria sido orientado por Eduardo Bolsonaro – seu padrinho político – a apostar na candidatura ao Senado e deixar de lado uma possível disputa ao governo. O deputado federal, de fato, tem feito menos movimentos nessa possível pré-candidatura pelo Novo, partido que pretende se filiar em março, deixando espaço aberto para outros nomes que devem se juntar ao grupo, como o deputado estadual João Henrique Catan, que, assim como Pollon, tem encontrado portas fechadas no PL e deve mudar de legenda, e o empresário Jaime Valler.

Já Capitão Contar é pré-candidato ao Senado pelo PL em MS, assim como o ex-governador do Estado Reinaldo Azambuja, que no ano passado assumiu o comando do PL no Estado.

Tanto Contar quanto Azambuja têm a “bênção” do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para disputar o Senado pelo partido.

A estratégia da extrema direita, que é forte nos meios digitais, pode criar problemas para candidatos que apostavam em conquistar o segundo voto de eleitores mais fiéis a Jair Bolsonaro, que poderiam optar por Capitão Contar.

O voto casado Contar-Pollon pode dificultar a vida de candidatos vistos como mais moderados, e que também se posicionam à direita do espectro político, como Reinaldo Azambuja e Nelsinho Trad (PSD).

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ELEIÇÕES 2026

Às vésperas da janela partidária, Tereza diz que PP não terá candidato ao Senado

O anúncio, feito pela presidente estadual da legenda, pôs fim à pretensão do presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro

28/02/2026 07h35

A senadora Tereza Cristina (PP) participou do encontro

A senadora Tereza Cristina (PP) participou do encontro "Café & Política" na manhã de sexta-feira Café & Política

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Às vésperas da abertura da janela partidária, a presidente estadual do PP, senadora Tereza Cristina, anunciou, na sexta-feira, durante evento político, em Campo Grande, que o partido não terá candidato ao Senado no pleito de outubro deste ano.

O anúncio da parlamentar jogou um balde de água fria na pretensão do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), deputado estadual Gerson Claro (PP), de ser o escolhido pela legenda para concorrer ao cargo de senador da República e, agora, terá de buscar a reeleição.

Segundo Tereza Cristina, a decisão faz parte de um acordo político construído ainda nas tratativas para a filiação do governador Eduardo Riedel ao partido.

“O PP, quando das minhas conversas iniciais com o governador Riedel lá atrás, se ele viesse para o PP, nós não teríamos candidato ao Senado. Por quê? Porque isso é uma construção e a política é muito o hoje, então, hoje é não”, afirmou.

Atualmente, as negociações no campo da direita apontam para uma possível chapa pura do PL, com os nomes do ex-governador Reinaldo Azambuja, que é presidente estadual da legenda, e do ex-deputado estadual Capitão Contar.

Ao justificar a decisão, a senadora destacou a estratégia eleitoral do grupo, que provavelmente será disputada em um cenário polarizado com o PT.

“Nós temos que ser pragmáticos, ou seja, ganhar a eleição. E vocês sabem que o campo em que eu milito é o da direita, conservadora, centro-direita. E o que queremos? Ganhar do PT”, ressaltou.

Para ela, o objetivo é montar um “tabuleiro” capaz de garantir duas vagas ao campo político que representa. 

“Então nós temos que ter um tabuleiro muito bem montado para ganhar a eleição para governador e tentar fazer dois candidatos da direita ao Senado. Portanto, sendo muito pragmática, é isso. O PP tem ótimos candidatos a senador, mas isso só vai acontecer se, no fim das contas, for necessário”, argumentou.

Questionada se o candidato a vice-governador seria alguém do PP para manter as alianças, Tereza afirmou que há um acordo em curso com o PL e que o cenário ainda pode mudar até as convenções.

“Hoje o PP não tem candidato ao Senado, porque existe um acordo. Amanhã pode mudar, porque na política é assim. Até a gente chegar às convenções, muita coisa pode acontecer, mas nós temos um projeto para eleger dois senadores do nosso campo”, reforçou.

A senadora mencionou o entendimento atual com Reinaldo Azambuja e a pré-candidatura do Capitão Contar, ponderando que “ainda não está batido o martelo”.

“Na política, dois e dois não são exatamente quatro, pode ser três vírgula oito ou quatro vírgula dois, portanto, nós temos que aguardar. Esse tabuleiro vai ser montado”, projetou.

Com relação à composição majoritária estadual, Tereza Cristina citou que Riedel tem sinalizado que vai manter o atual vice-governador José Carlos Barbosa (PSD), o Barbosinha, em sua chapa.

“O Eduardo tem dito que o Barbosinha é o vice ideal, mas, como o governador é do PP, não cabe um vice do PP. Eu penso que essa vaga terá de acomodar os aliados. É para isso que você faz uma coligação. Senão, você faria chapa pura do começo ao fim”, comentou.

A presidente estadual do PP também destacou que o calendário eleitoral será determinante nas próximas definições e que algumas coisas poderão mudar no meio do caminho.

“A gente tem que ter um pouco de paciência até o dia 4 de abril, quando muita gente vai se desincompatibilizar. Depois temos até julho, começo de julho, com as convenções, quando a coisa vai fervilhar”, concluiu.

O Correio do Estado apurou que a definição sobre a candidatura ao Senado pelo PP seria depois que a janela partidária fosse aberta e, portanto, o anúncio público feito pela senadora pegou todos de surpresa, inclusive Gerson Claro, que ainda tinha esperança de concorrer ao cargo de senador da República.

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DESBLOQUEADAS

STF forma maioria para liberar emendas de Ramagem e Eduardo a suplentes; Zambelli fica de fora

Acompanharam o voto de Dino os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Edson Fachin, Cármen Lúcia e Nunes Marques, formando maioria no plenário virtual

27/02/2026 23h00

Eduardo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro Foto: Divulgação

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O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira, 27, para referendar a decisão do ministro Flávio Dino que liberou as emendas individuais ao Orçamento de 2026 apresentadas pelos ex-deputados Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para que sejam assumidas por seus suplentes. Ao mesmo tempo, a Corte manteve a negativa de reabertura de prazo para apresentação de emendas ao suplente da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP).

Acompanharam o voto de Dino os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Edson Fachin, Cármen Lúcia e Nunes Marques, formando maioria no plenário virtual.

Pela decisão, as emendas de Ramagem e Eduardo Bolsonaro, que estavam bloqueadas, poderão ser geridas pelos suplentes Dr. Flávio (PL-RJ) e Missionário José Olímpio (PL-SP), respectivamente. Eles poderão indicar beneficiários e promover remanejamentos, sem qualquer vinculação às indicações originalmente feitas pelos ex-parlamentares.

A ação havia sido ajuizada pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que havia pedido o bloqueio integral de R$ 80 milhões em emendas do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro sob o argumento de que ambos não estavam em efetivo exercício do mandato por residirem fora do país à época da apresentação das emendas. Dino havia determinado o bloqueio em dezembro.

Ao votar, Dino afirmou que a "indevida demora" na formalização da perda dos mandatos permitiu que os então deputados apresentassem emendas ao Orçamento de 2026 antes da declaração oficial de cassação. Segundo o ministro, impedir agora a utilização dos recursos causaria prejuízos desproporcionais às populações representadas.

"Longe de significar ilegítimo 'ativismo judicial', o acolhimento do pleito da Câmara implica - com a correta técnica interpretativa - atalhar prejuízos violadores do princípio da proporcionalidade", escreveu o relator.

Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem tiveram a perda dos mandatos declarada pela Mesa Diretora da Câmara em 18 de dezembro. Eduardo está autoexilado nos Estados Unidos, enquanto Ramagem, condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por participação na trama golpista, está foragido do País.

Caso Zambelli

No caso de Carla Zambelli, o STF manteve o entendimento de que não cabe reabrir o prazo para apresentação de emendas. Durante o período destinado à inclusão das propostas no Orçamento de 2026, entre 24 de outubro a 14 de novembro de 2025, a então deputada não apresentou nenhuma indicação. Ela já estava foragida na Itália.

Para Dino, permitir a reabertura do prazo violaria o princípio do planejamento orçamentário e comprometeria a lógica do ciclo fiscal.

Zambelli foi condenada pelo STF a dez anos de prisão e à perda do mandato por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em ação realizada pelo hacker Walter Delgatti Neto. A condenação transitou em julgado, e ela fugiu para a Itália. Posteriormente, também foi condenada por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

Zambelli renunciou ao mandato em 14 de dezembro do. A Câmara havia rejeitado a perda do mandato dela, mas a Primeira Turma do Supremo determinou a cassação. Como mostrou o Estadão, a estratégia de Zambelli, segundo aliados, foi a de aceitar a derrota para evitar a ampliação de danos e emplacar uma narrativa de perseguição por parte da Justiça.

Ela aguarda decisão da Justiça italiana, que concluiu no dia 12 deste mês o julgamento sobre sua extradição ao Brasil para início do cumprimento da pena. A análise ocorreu na Corte de Apelação de Roma.

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