Política

Polêmica

Catan reage à decisão da Justiça e diz que vídeo era crítica política

Deputado afirma que remoção de conteúdo representa censura e promete recorrer; governador diz que não acompanha ataques nas redes sociais

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A decisão da Justiça Eleitoral que determinou a retirada de um vídeo produzido com inteligência artificial pelo deputado estadual e pré-candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul, João Henrique Catan (Novo), repercutiu durante a sessão desta quinta-feira (11) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS).

Da tribuna, o parlamentar criticou a medida judicial, classificando-a como uma afronta à liberdade de expressão e ao papel fiscalizador do Poder Legislativo.

A determinação foi assinada pelo juiz eleitoral Fernando Bonfim Duque Estrada, que concedeu liminar em ação movida pelo Partido Progressistas (PP).

Como noticiado pelo Correio do Estado na última terça-feira (9), a decisão determinou a retirada do vídeo intitulado "Os Intocáveis" das redes sociais do deputado no prazo de 24 horas. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 1 mil, limitada ao valor total de R$ 30 mil.

Além da retirada do conteúdo, a decisão judicial também proíbe novos impulsionamentos, republicações, retransmissões ou qualquer outra forma de divulgação do material questionado. O vídeo utilizava recursos de inteligência artificial para retratar, de forma satírica, integrantes da cúpula do Governo de Mato Grosso do Sul.

A ação judicial argumenta que a publicação continha irregularidades relacionadas ao uso da tecnologia durante o período pré-eleitoral.

Ao comentar o caso, João Henrique Catan afirmou que a medida representa um precedente perigoso para a atividade parlamentar.

“Considero um verdadeiro atentado à democracia, à liberdade de expressão, à garantia suprema e constitucional e à imunidade formal e material que têm os parlamentares desta Casa. A mídia nacional repercutiu decisão liminar da Justiça Eleitoral para a retirada de um vídeo que resumia algo preocupante”, declarou.

Segundo o deputado, o conteúdo fazia referência a questionamentos levantados por comerciantes em relação ao programa estadual Regulariza-MS e tinha caráter de fiscalização política.

“O vídeo resumia algo que muito preocupou os comerciantes e continua preocupando, um programa do Governo do Estado chamado ‘Regularize-lá’, que foi levantado um débito e passivo desses empresários, causando dúvidas. O vídeo dos Intocáveis é uma peça de fiscalização e houve cobrança para que o Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu críticas contundentes para que tirasse do ar, e a Justiça Eleitoral retirou nosso primeiro episódio do ar”, afirmou.

Catan também argumentou que o material foi publicado meses antes do período eleitoral mais intenso e que não havia definição formal sobre o início da pré-campanha.

“O material é de março e não existe uma determinação de qual é a data da pré-campanha. É um vídeo com conteúdo crítico que foi trazido a essa tribuna e provocou ação do Governo a voltar atrás, por atuação dessas denúncias e críticas, e o entendimento de que não tinha marca d’água e tarjeta que tinha sido criado por programas de computador”, disse.

O parlamentar ainda destacou o alcance das publicações e defendeu o uso da sátira como instrumento legítimo do debate político.

“Desde o primeiro minuto do governo eu combato todas as irregularidades e desvios aqui na Casa de Leis e nessa tribuna. Fazemos as denúncias. Esse vídeo teve a visualização medida em 400 mil, outros chegaram a um milhão. Proibir a charge, a crítica e a sátira é um ataque ao direito de liberdade de expressão do pensamento, que não é só do parlamentar, e constitui modalidade de censura própria. Combaterei todos os intocáveis desse Estado, subo aqui com muita tranquilidade e segurança”, concluiu.

Resposta de Riedel

Questionado sobre o episódio durante o 4º Congresso dos Municípios de Mato Grosso do Sul, realizado na quarta-feira (10), o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, afirmou que não participou da iniciativa judicial e evitou entrar em confronto direto com o deputado.

Segundo Riedel, embora seja frequentemente alvo de críticas e publicações nas redes sociais, prefere concentrar sua atuação na gestão do Estado.

O governador ressaltou que a ação foi conduzida pela federação partidária formada por PP e União Brasil, que entendeu haver elementos suficientes para recorrer à Justiça.

Riedel observou ainda que a decisão liminar foi favorável aos autores da ação e classificou como infundadas as acusações apresentadas por João Henrique. Para ele, o debate político não deve se sobrepor às demandas administrativas do Estado.

“Foi uma primeira ação e ele já perdeu essa ação, teve uma liminar deferida em função dos absurdos que ele coloca na rede. Eu não acompanho, não vejo e não respondo, porque eu acho que a gente tem muito serviço para fazer, muito trabalho para fazer e elas são completamente infundadas, então deixa ele ir trabalhando por essa linha e eu vou trabalhando pelo Mato Grosso do Sul”, afirmou o governador.

Ano Eleitoral

Grupo de Riedel recorre à Justiça Eleitoral para tentar barrar ataques de adversário

Após conseguirem a retirada de vídeo produzido com IA, advogados apresentam nova ação contra João Henrique Catan

11/06/2026 08h00

O deputado estadual João Henrique Catan concorre a governador

O deputado estadual João Henrique Catan concorre a governador Foto: Luciana Nassar/Alems

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A 66 dias do início oficial da propaganda eleitoral, a disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul já chegou aos tribunais.

Após uma série de publicações críticas do deputado estadual João Henrique Catan (Novo), pré-candidato a governador, o grupo político ligado ao governador Eduardo Riedel (PP), que vai tentar a reeleição, recorreu à Justiça Eleitoral para conter o que considera serem ataques à imagem do chefe do Executivo estadual.

Em uma das ações, o juiz eleitoral Fernando Bonfim Duque Estrada já determinou a retirada, em até 24 horas, do vídeo “Os Intocáveis MS – Episódio 01”, publicado nas redes sociais de João Henrique Catan, pois a produção utiliza inteligência artificial (IA) para fazer uma sátira de integrantes da cúpula do governo estadual.

A decisão atendeu ao pedido apresentado por advogados ligados à Federação Partidária União Progressista, formada pelo PP e o União Brasil, alegando que o conteúdo tem caráter depreciativo e potencial para disseminar desinformação contra o governador. 

O magistrado também proibiu novas publicações, republicações ou impulsionamentos do material, além de conteúdos semelhantes produzidos com IA sem a devida identificação exigida pela legislação eleitoral.

Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 30 mil. A decisão também determinou que a Meta, empresa responsável pelas plataformas Instagram e Facebook, seja comunicada para remover o conteúdo.

Segundo os autores da representação, além do teor considerado negativo, o vídeo teria infringido as normas eleitorais ao não informar claramente que se tratava de uma produção criada com IA.

Menos de 24 horas depois da decisão favorável, o grupo político de Riedel não se limitou ao caso do vídeo e ingressou com uma nova representação contra João Henrique Catan, desta vez, por suposta propaganda eleitoral antecipada negativa.

A ação questiona o impulsionamento de uma publicação no Instagram com a frase “a lama asfáltica voltou”.

Para os advogados da União Progressista, a postagem busca associar a atual gestão estadual a investigações de corrupção ocorridas em governos passados, sem apresentar elementos concretos que sustentem a relação.

Na petição, a federação argumenta que a estratégia teria o objetivo de influenciar antecipadamente o eleitorado e comprometer a igualdade de condições entre os futuros candidatos ao governo estadual.

Diante da nova representação, o juiz Fernando Bonfim Duque Estrada determinou a citação de Catan para apresentar defesa no prazo de dois dias e solicitou manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral antes de decidir sobre o mérito.

À reportagem, Riedel lembrou que Catan entrou com várias ações contra o governo estadual e perdeu todas.
“E eu também nunca respondi à maneira como ele age em TikTok, mídia social e tudo mais, com gracinhas, brincadeiras e ironias. Acho que política é séria e eu não entro nessa discussão. Agora, o partido ao qual eu pertenço vem acompanhando de perto toda essa ação, não só por parte do deputado, mas por parte de quem agride de maneira injustificada, muitas vezes, o próprio partido ou seus membros”, declarou.

Questionada pelo Correio do Estado se o pré-candidato do Novo correria o risco de ficar impedido de registrar candidatura, a vice-presidente da Comissão de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS), Andressa Nayara Basmage, explicou que as representações ajuizadas até o momento têm natureza estritamente sancionatória.

“Em caso de eventual procedência dessa ação, a consequência jurídica prevista é a aplicação de multa e a adoção de medidas relacionadas ao conteúdo divulgado. Não se trata de ações aptas a impedir o registro de candidatura ou a gerar inelegibilidade. Para que houvesse repercussão sobre a elegibilidade, seria necessária a existência de condenação em ações próprias previstas na legislação eleitoral, o que não é o objeto dos processos atualmente em tramitação”, detalhou.

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Governo Federal

Durigan diz que bets trazem 'prejuízo às famílias' e promete mais rigor do governo com apostas

A fala ocorre dois dias após o Ministério da Fazenda recuar da decisão de classificar em sigilo de até 100 anos documentos sobre registros de bets no País

10/06/2026 22h00

"Bets trazem 'prejuízo às famílias'" Bruno Peres

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, fez ataques às bets nesta quarta-feira, 10, afirmando que as empresas de apostas trazem "prejuízos às famílias". Ele prometeu mais rigor do governo com as casas de apostas

"Trinta mil empresas de bets já foram derrubadas, e o mercado preditivo foi proibido", afirmou na abertura da 7ª Reunião do Conselhão, no Palácio do Itamaraty.

A fala ocorre dois dias após o Ministério da Fazenda recuar da decisão de classificar em sigilo de até 100 anos documentos sobre registros de bets no País.

Na segunda-feira, 8, Durigan anunciou que a Pasta fará uma força-tarefa com a Controladoria-Geral da União (CGU) para permitir o acesso aos documentos.

No domingo, 7, o Estadão revelou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia decidido impor sigilo a processos que tratam da autorização para funcionamento de casas de apostas no Brasil. Em alguns casos, o Ministério da Fazenda aplicara a regra que proíbe o acesso público aos documentos por até 100 anos.

Ao negar acesso aos processos com documentos apresentados pelas empresas de apostas, o governo também impediu o acesso a pareceres e notas técnicas elaborados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.

A reportagem havia solicitado, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), a íntegra do processo que autorizou a casa de apostas 1xBet, empresa de origem russa banida em vários países e que ganhou o aval do governo Lula, em julho, para funcionar no Brasil. O pedido de acesso às informações foi negado.

Como mostrou o Estadão, essa bet operava ilegalmente no País enquanto aguardava o aval da Fazenda. Além disso, não funciona mais no endereço que informou à Receita Federal e ao governo, segundo processos judiciais.

Nesta segunda, o ministro da Fazenda informou que, nos próximos dias, todos os processos que tratam de empresas de prêmios e apostas no País terão "ampla transparência".

Durigan usou o discurso para defender uma política econômica que faça, de forma pragmática, o que chamou de "harmonização com política social".

"Eu acho que, no Brasil, nesta quadra histórica e com o presidente como nosso líder, nós temos esse chamado de dar um passo à frente e apresentar essa proposta. Uma política econômica que seja humanista, progressista, que tenha responsabilidade fiscal, de maneira muito seriamente colocada como guia para a tomada das nossas decisões, e que faça, de maneira pragmática e politicamente responsável, a harmonização com a política social", afirmou.

O ministro afirmou também que o desafio da geração dele, que possui 42 anos, é proporcionar uma política econômica humanista

No discurso, o ministro da Fazenda criticou a taxa de juros, que atualmente é de 14,5%, chamando o porcentual de "pouco civilizada".

Sobre o Desenrola 2.0, Durigan destacou que uma mobilização nacional feita pela equipe econômica conseguiu atingir seis milhões de pessoas desde o lançamento do programa, no início do mês passado.

O ministro também destacou os números da inflação, afirmando que ela está "sob controle" e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai registrar a menor taxa no final de um mandato na história. "O Brasil está crescendo muito mais que o esperado", afirmou.

Ao falar sobre os números da agricultura, Durigan disse que a competitividade no setor causa temor em outros países. "Ao mesmo tempo em que tivemos três Planos Safra recordes, nós tivemos recordes de mínimas de desmatamento ambiental. Isso não é trivial", afirmou o ministro da Fazenda.

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