Política

ALIADOS

De olho em candidatura ao Senado, Vander aproxima-se mais do PSDB

Manutenção de nomeado por Bolsonaro no comando do Dnit no Estado seria pedido do governador Eduardo Riedel ao deputado do PT

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Com foco em uma das duas vagas ao Senado Federal em 2026, o deputado federal Vander Loubet (PT-MS), atual coordenador da bancada federal de Mato Grosso do Sul, estaria se aproximando ainda mais do PSDB no Estado para formar uma possível coligação com a legenda, que lançaria o nome do ex-governador Reinaldo Azambuja para a segunda vaga.

Segundo fontes petistas ouvidas pelo Correio do Estado, o parlamentar já teria tirado da gaveta a campanha para ser o candidato ao Senado pelo partido, e esse planejamento inclui uma aliança com Reinaldo Azambuja, que deixou o cargo de governador após oito anos com aprovação de mais de 70% e ainda elegendo seu sucessor, o atual governador Eduardo Riedel.

Para a ala do PT de Mato Grosso do Sul que não comunga com Vander Loubet, o deputado federal estaria passando por cima de tudo e de todos para viabilizar sua candidatura como senador, acreditando que a chance de vitória seria mais garantida estando lado a lado com o tucano Reinaldo Azambuja.

NOVOS ARES

Ao Correio do Estado, Vander Loubet não descartou ser o candidato do PT ao Senado Federal nas eleições gerais de 2026, porém, disse que ainda é muito cedo para falar desse pleito. Mas deixou uma coisa clara: não pretende mais sair candidato a deputado federal.

“Não quero mais ser deputado federal. Já adquiri muita experiência em cinco mandatos e, agora, meu foco é fazer um bom sexto mandato para encerrar bem minha passagem pela Câmara dos Deputados”, declarou à reportagem.

Ao ser questionado se pode ser o nome do PT para o Senado em 2026, ele afirmou que seria mentira falar que não tem uma “pontinha” de esperança, mas que vai trabalhar ao longo dos próximos quatro anos para fazer um trabalho de excelência como parlamentar e mais ainda como coordenador da bancada federal de Mato Grosso do Sul.

DESEMPENHO

Vander Loubet explicou que tudo isso vai depender de como será a gestão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de como será a participação do PT na administração do governador Eduardo Riedel e de como serão os seus próximos quatro anos. 

Na possibilidade de tudo correr muito bem, o parlamentar admitiu que, com certeza, isso vai ajudar a pavimentar uma provável candidatura ao Senado. Nos bastidores do PT, as lideranças já dão como certo o lançamento de Vander Loubet ao cargo em 2026.

Os mais afoitos projetam até uma dobradinha do ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB) com Vander Loubet, de olho nas duas vagas ao Senado por Mato Grosso do Sul nas próximas eleições gerais.

Porém, o nome dele não é consenso dentro do PT, já que a ala mais jovem, encabeçada pela deputada federal Camila Jara e pelo ex-candidato a senador Tiago Botelho, defende uma renovação total no partido em Mato Grosso do Sul.

No entanto, a experiência de Vander Loubet no Congresso Nacional, a aproximação com o presidente Lula e a boa articulação com lideranças de outros partidos fortalecem ainda mais o lançamento do seu nome para ser o candidato do PT ao Senado em 2026.

PEDIDO DE RIEDEL

Uma clara demonstração dessa “aproximação” de Vander Loubet com o PSDB seria a manutenção de Euro Nunes Varanis Júnior como superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Mato Grosso do Sul. 

Ele foi efetivado no comando do órgão federal em 2020 pelo então ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), que atualmente é governador de São Paulo, eleito com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O deputado federal confirmou ao Correio do Estado que a manutenção de um bolsonarista no comando do Dnit foi um pedido pessoal do governador Eduardo Riedel. 

SERVIDOR DE CARREIRA

“O Euro Nunes era um nome defendido pelo governador Eduardo Riedel, então analisamos a situação. Ele é servidor de carreira do Dnit e se colocou à disposição para contribuir com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com as pautas que nossa bancada federal defende, então, isso foi positivo e contribuiu para esse consenso em mantê-lo”, afirmou.

O Dnit é o órgão federal com mais recursos e cacife político, sendo o mais disputado entre os oito deputados federais e três senadores para indicação do superintendente. Questionado pela reportagem se há outros nomes na mesma situação de Euro Nunes – ligados ao ex-presidente Bolsonaro –, Vander disse que não tem uma lista fechada e que há vários nomes sugeridos e sondados.

“Prefiro não trabalhar com especulação, porque pode não dar certo, então as pessoas ficariam expostas. Ou porque a gente pode sondar uma pessoa em reservado e a pessoa vazar a informação como se fosse algo certo. Por isso, à medida que a gente for conseguindo os devidos consensos, vamos ter condições de divulgar esses nomes”, declarou o parlamentar.

INTERESSES COMUNS

Vander Loubet ainda ressaltou que cada senador e deputado federal tem seus interesses, e alguns desses interesses são comuns, então é em cima disso que ele tem trabalhado o diálogo. 

“As diferenças ideológicas e disputas políticas vão continuar, isso é da democracia, da política, mas naquilo que for do interesse público para nosso estado vamos buscar juntar as forças, seja na questão da infraestrutura, da saúde, da assistência social, em todas as áreas.

Esse tem que ser o papel da coordenação da bancada: definir os denominadores comuns e trabalhar em cima deles”, assegurou.

Ele também citou que a ministra do Orçamento e Planejamento, Simone Tebet, segue como um canal importante na relação entre o governo do Estado e o governo federal. 

SIMONE TEBET

“Sempre que é necessário, eu a procuro ou ela me procura para conversar e tratar dos temas de interesse do nosso estado, principalmente na questão da liberação de recursos. Nosso estado tem bastante espaço e atenção no governo Lula, como sempre foi”, garantiu.

Para finalizar, Vander Loubet disse que o seu trabalho na coordenação vai sempre se pautar pelo diálogo franco e aberto. “Vamos ouvir todas as demandas e discutir cada uma, analisando o que pode ser feito”.

CACS

“Como um bom exemplo disso, posso citar o caso dos colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs). O governo federal vai restringir o acesso às armas, para barrar a liberação feita pelo Bolsonaro, e, em Mato Grosso do Sul, nós temos o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS), que representa esse grupo e me procurou para discutir a situação”, revelou.

O coordenador da bancada federal adiantou que está marcando uma agenda em Brasília (DF) com o secretário nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Tadeu Alencar, que está liderando o grupo de trabalho a respeito das novas regras para os CACs. 

“Obviamente, a situação dos CACs não vai continuar a ser como era no governo Bolsonaro, mas o Pollon vai poder apresentar os argumentos dele e a gente vai ver os pontos que podem ser discutidos. Naquilo que for possível, pode-se chegar a um meio-termo. Acredito que é nesse sentido que temos de trabalhar em todas as áreas”, finalizou.

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Amparo político

Prefeito de Porto Murtinho fecha apoio com Vander Loubet, sobrinho de rival histórico

Cintra está em seu quarto mandato à frente do município e carrega um histórico de duelos acirrados com Heitor Miranda, tio de Vander

24/08/2026 14h30

Cintra ao lado de Vander Loubet / Foto: Reprodução

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O prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra (PSDB), anunciou oficialmente o apoio à pré-candidatura do deputado federal Vander Loubet (PT) ao Senado para as Eleições 2026.

O movimento sela uma aliança entre o tucano com o sobrinho de seu maior rival histórico na política local, Heitor Miranda, irmão do deputado Zeca do PT.

A articulação faz parte de uma estratégia de Vander que já atraiu mais de 40 prefeitos bolsonaristas e de centro em Mato Grosso do Sul, consolidando a adesão de Vander em bases aliadas à direita no estado. A declaração foi firmada pelo prefeito neste fim de semana, após visita de Vander ao município.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Nelson Cintra justificou a decisão com base na identificação regional do parlamentar petista e na longa convivência entre os dois.

“Temos uma história de 49 anos juntos, Vander trabalhou no banco, é deputado e é filho dessa terra. Nós desejamos boa sorte e queremos você como nosso Senador”, declarou o prefeito tucano.

Cintra está em seu quarto mandato à frente do município e carrega um histórico de duelos acirrados com Heitor Miranda (irmão de Zeca do PT e tio de Vander), que governou a cidade entre 1989 e 1992.

O ápice do embate ocorreu na eleição municipal de 2008, quando Cintra venceu Heitor por uma margem de apenas 12 votos, feito que culminou uma batalha jurídica com dezenas de ações por compra de voto e uso da máquina pública.

No pleito seguinte, Cintra apoiou Rosângela Baptista, que venceu Heitor por 83 votos, mas acabou cassada pela Justiça Eleitoral, permitindo o retorno do rival petista ao cargo em 2013. Heitor Miranda seguiu à frente do município até 2016 e faleceu em 2022 em virtude de problemas cardíacos. 

A adesão tucana expõe a eficácia da tática de Vander Loubet para capturar o segundo voto ao Senado junto aos gestores municipais em 2026.

O petista avança sobre prefeitos da base do governador Eduardo Riedel (PP) e do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL). 

A estratégia ganhou força após o recuo de Nelsinho Trad (PSD), que abriu mão da disputa para figurar como primeiro-suplente na chapa de Azambuja.

Além de Cintra, o prefeito de Ivinhema Juliano Ferro (PL), mesmo no partido de Azambuja e do ex-candidato Capitão Contar, anunciou voto casado em Azambuja e Vander Loubet.

Julio Buguelo (PSD), de Glória de Dourados e correligionário de Nelsinho Trad, declarou apoio à reeleição de Riedel e dividirá seus votos para o Senado entre Azambuja e Vander.

O petista também somou apoios expressivos em Jateí, por meio do vice-prefeito Tiquinho, e do vereador Marquinhos Trad em Campo Grande.

HORÁRIO ELEITORAL

Eduardo Riedel exalta gestão e Fábio Trad prega avanços em MS

Governador levará indicadores econômicos, sociais e fiscais à TV, enquanto petista priorizará saúde, educação e segurança pública

24/08/2026 07h45

Governador Eduardo Riedel (PP) e o ex-deputado Fábio Trad (PT)

Governador Eduardo Riedel (PP) e o ex-deputado Fábio Trad (PT) Foto: Montagem

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A disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul ganhará espaço no rádio e na televisão a partir desta sexta-feira, com o início do horário eleitoral gratuito. 

O Correio do Estado apurou que, de um lado, o governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, pretende transformar os indicadores econômicos, sociais e fiscais em uma vitrine de sua administração. 

Do outro, o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) apostará nas deficiências dos serviços públicos e na mensagem de que Mato Grosso do Sul “pode muito mais”.

As estratégias revelam caminhos distintos para a abertura do horário eleitoral, pois, enquanto Riedel buscará transformar a eleição em um julgamento positivo de sua gestão, Fábio tentará levar o debate à qualidade dos serviços públicos e à distribuição dos resultados econômicos entre a população.

TRÊS EIXOS

A estratégia de Riedel será dividida em três eixos. O primeiro, chamado de “progresso”, apresentará dados sobre crescimento econômico, atração de investimentos privados, qualificação profissional, expansão da indústria e competitividade tributária.

Entre os números que serão utilizados pela campanha está o crescimento de 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul em 2025, pois, conforme o material preparado para a propaganda, o resultado colocou o Estado na terceira posição nacional e ficou acima do dobro da média brasileira.

No campo social, a campanha adotará o conceito “sem deixar ninguém para trás”. A intenção é de sustentar que o avanço econômico registrado no Estado chegou às famílias de menor renda e abriu oportunidades para diferentes camadas da população.

Riedel destacará que Mato Grosso do Sul ocupa a primeira posição nacional em mobilidade social, indicador relacionado às possibilidades de os filhos alcançarem condições de vida melhores que as dos pais.

A propaganda ainda deve mencionar a garantia de alimentação regular para mais de 67 mil famílias e os resultados alcançados na vacinação infantil, área na qual Mato Grosso do Sul recebeu avaliação máxima e passou a ser apresentado como referência nacional.

O terceiro eixo será dedicado à gestão administrativa. A campanha pretende ressaltar que o Estado conquistou nota A do Tesouro Nacional em qualidade fiscal pelo quarto ano consecutivo, sendo o único do País a manter essa avaliação durante todo o período.

Também serão explorados o Selo Diamante em Transparência Pública, concedido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), e a presença de Mato Grosso do Sul entre os 10 estados mais digitais do País.

ADVERSÁRIO

Na oposição, Fábio Trad pretende concentrar os primeiros programas nos problemas enfrentados pela população em áreas consideradas essenciais.

Saúde, educação, segurança pública, emprego e renda, infraestrutura e desenvolvimento dos municípios do interior estarão entre os principais assuntos da campanha petista.

A ideia central será discutir formas de melhorar a qualidade dos serviços públicos e ampliar as oportunidades para quem vive e trabalha em Mato Grosso do Sul.

Fábio tentará defender que o crescimento econômico do Estado precisa ser percebido de maneira mais concreta na vida da população.

Com a mensagem de que “Mato Grosso do Sul pode muito mais”, o candidato deve questionar se os indicadores apresentados pelo governo correspondem à realidade enfrentada diariamente pelos moradores nos postos de saúde, nas escolas, nas ruas e na busca por emprego.

Os primeiros programas também terão a missão de apresentar Fábio a uma parcela do eleitorado. A campanha contará sua trajetória pessoal, a carreira como advogado e a experiência adquirida nos mandatos na Câmara dos Deputados.

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