Política

CAMPO GRANDE

Denúncia de propina de R$ 1 milhão faz Câmara manter veto de emendas ao Plano Diretor

O vereador Professor André Luís apontou que colega da Casa de Leis teria coagido empreiteiras para apresentar emendas

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O que era para ser uma tranquila sessão na Câmara Municipal de Campo Grande para analisar o veto da prefeita Adriane Lopes (PP) às emendas apresentadas pelos vereadores ao Projeto de Lei nº 11.274/24, que altera a Lei nº 6.795/2022 e prevê mudança na Zona de Expansão Urbana (ZEU), acabou virando uma verdadeira “praça de guerra” entre os parlamentares e terminou pela manutenção do veto determinado pela chefe do Executivo.
 
A confusão começou com o vereador Professor André Luís (PRD) fazendo uso da palavra na abertura da sessão desta terça-feira (25) para fazer uma denúncia de que um colega parlamentar teria cobrado R$ 1 milhão de empreiteiras para apresentar emendas ao projeto de lei, violando o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental (PDDUA) e as quais foram classificadas como retrocesso ambiental e urbanístico pela Procuradoria-Geral do Município (PGM).
 
“Presidente, esse é um assunto que eu vou reiterar hoje, que eu fiquei horrorizado, horrorizado com as letras maiúsculas, vereador Jean Sandim, e separado as letras, com as emendas apresentadas ao Plano Diretor de Campo Grande. Gostaria de pedir primeiro que fosse tirado o meu nome dessas emendas, pois não autorizo colocar meu nome nessas emendas apresentadas. É uma aberração, uma teratologia {algo monstruoso}, o que está se fazendo com o Plano Diretor”, declarou o parlamentar.


 
O Professor André Luís completou que estão tentando expandir Campo Grande, que tem 40% de áreas não ocupadas adequadamente. “Que são objeto constante de invasão, mas que não são monitoradas.

E a gente está aumentando ainda essa área.

Eu fico muito preocupado com isso porque eu recebi uma denúncia, que eu vou atrás para saber, diz que essas emendas foram apresentadas por vereadores que coagiram as empreiteiras a pagar R$ 1 milhão por elas”, ressaltou.
 
O vereador acrescentou ainda que iria atrás da confirmação dos fatos, pois entende que seja uma vergonha para a Casa de Leis. “O que está acontecendo? Nós estamos rasgando o Plano Diretor e isso não pode acontecer.

Eu vou falar em todas as minhas palavras durante o dia sobre essa teratologia e requeiro que retirem o meu nome dessas emendas apresentadas para alteração do Plano Diretor, que de novo, é uma teratologia e isso faz mal para Campo Grande”, pontuou.
 
De acordo com ele, a denúncia partiu de uma pessoa que frequenta a sua casa e seria muito séria e honesta. “Essa pessoa me falou que as empreiteiras de Campo Grande foram coagidas a pagar R$ 1 milhão a um determinado vereador, o qual eu não vou citar o nome porque não sou leviano, mas vou atrás de provas, quando tiver a prova, vou apresentar para o senhor presidente.

Essas emendas são teratogênicas, elas destroem o Plano Diretor de Campo Grande, pois causam uma expansão desenfreada, sendo que a cidade já tem 40% de área não ocupada”, argumentou.
 
André Luís ainda ressaltou que é preciso voltar a atenção para dentro das áreas não ocupadas e não é o que está acontecendo. “Tive agora no fim de semana, lá no Jardim Veraneio, está uma maior bagunça, estão acabando com o Jardim Veraneio, antigamente havia no bairro um córrego chamado de Pedregulho.

Os moradores da associação me chamaram há um ano atrás, aquele córrego não insiste mais, acabou, só ficou o pedregulho, o córrego já foi embora”, lamentou.
 
Para o vereador, a única emenda que vale a defesa é a da sua autoria, pois só permite a abertura de um novo bairro em Campo Grande, quando o local tiver asfaltamento, drenagem pluvial, água encanada, enfim, toda a infraestrutura.

“Sem isso não pode acontecer, seu presidente. Senão nós vamos repetir a história lá do Bairro do Noroeste, que é um bairro que não tem calçada, não tem rua e não tem vereador bom como o senhor, porque o senhor cuidou do Nova Lima, que tem a mesma idade do Noroeste. O senhor conseguiu dar dignidade pro pessoal do Nova Lima. E o pessoal do Noroeste até hoje tá desamparado dessa casa de doença”, alertou.

Nome aos bois

Já o presidente da Câmara Municipal, vereador Carlos Augusto Borges (PSB), o “Carlão”, cobrou do colega parlamentar falar o nome do vereador ou da empreiteira que pagou R$ 1 milhão para a apresentação de emendas ao Plano Diretor.  

“Vossa excelência tem que falar o nome do vereador que recebeu porque a Câmara fez duas emendas, que quem fez foi um técnico contratado, João Alberto, enquanto as outras emendas foram dos vereadores Papy (Republicanos), que fez uma, Otávio Trad (PSD), que fez outra, e o senhor. Acredito que vossa excelência não recebeu R$ 1 milhão para fazer?”, questionou.
 
Carlão ainda prosseguiu, informando que as emendas foram rejeitadas pela Prefeitura de Campo Grande, até as emendas tecnicamente feitas por João Alberto.

“E não vejo nada de errado em manter esse veto, até porque, as emendas que nós fizemos, o João Alberto explicou, que era para questão técnica. Ele foi secretário da área, é engenheiro e debateu com o Plano Urbanístico da cidade. Mas esses projetos do Plano Diretor, quando vêm para cá, eles querem que a Câmara carimba. Eles querem que a Câmara seja um local de carimbo da Prefeitura, a Câmara não pode fazer emenda. Quando faz emenda, sai uma notícia leviana dessa aí, que fala que um vereador pegou isso, pegou aquilo. E o vereador tem de fazer a emenda mesmo. Por isso, gostaria que o doutor André citasse o nome. Até porque isso aí dá cassação de mandato. E eu já ponho no Conselho de Ética hoje ainda. Mas tem que ter nome”, cobrou.

O presidente da Casa de Leis acrescentou que esteve no Paço Municipal para pedir que a prefeita Adriane Lopes vetasse algumas emendas porque foram emendas que não tiveram ampla discussão. “E outra coisa, a questão dessa empreiteira fazer isso, então se a pessoa fez esse compromisso lá, ela vai quebrar a cara, porque nós vamos trabalhar para manter o veto.

Eu pedi para vetar e agora vou trabalhar para manter o veto. Então se tem alguém que fez esse tipo de vantagem para a empreiteira, vai quebrar a cara, porque a prefeita vetou e nós vamos manter o veto, portanto, não vai ter nada. Eu acredito que nós temos que pensar na cidade”, assegurou.
 
Carlão concluiu que, se a denúncia for comprovada, a Casa de Leis terá de ir a fundo “porque um tomate podre não pode estragar toda a caixa”. “Se tiver algum vereador com essa conversa aí, tem que ser punido. Eu não converso com empreiteira, não conheço ninguém de empreiteira e, com certeza, vamos zelar pelo nome da Câmara, vamos zelar pelo nome de todos os vereadores”, declarou.

Carapuça serviu

Como um dos autores de emendas ao Plano de Direto, o vereador Papy (PSDB) entendeu que o colega Professor André Luís estaria falando dele e fez uma defesa calorosa de sua honra. “Tenho 16 anos de Câmara, tenho oito anos aqui como assessor parlamentar e estou concluindo meu oitavo ano como vereador de mandato.

Sou formado em gestão pública, tenho duas pós-graduações nessa mesma área, sou apaixonado por esse tema, me dedico e estudo principalmente a gestão moderna, de como você cria a mobilidade urbana, a expansão territorial e principalmente o desenvolvimento privado na cidade.

A derrubada dos vetos é fundamental na proteção do desenvolvimento da cidade”, declarou.
 
Para ele, se o veto fosse mantido, a Casa de Leis corria o risco de prejudicar em bilhões de reais o investimento privado no município.

“Ameaçados por uma ilação infundada, cruel e injusta a um vereador da verdade. Saindo da boca de um parlamentar, o que é mais grave ainda. Estou disposto a debater com qualquer um desses especialistas sobre a expansão urbana de Campo Grande. Nós não podemos aceitar que a cidade fique na mão de dois, três investidores, enquanto você cessa o direito, impede o direito de outras pessoas a investirem em Campo Grande. A cidade está caindo aos pedaços na questão de investimentos e nós lá represando na Secretaria Municipal de Planejamento Urbano mais de 450 projetos, que estão lá pedindo para investir em Campo Grande. Eu quero fazer desenvolvimento em Campo Grande”, assegurou.
 
Papy ainda completou que essas pessoas não estão investindo porque temos uma especulação imobiliária em Campo Grande, uma legislação protecionista, e que impede o crescimento da cidade.

“E usam dos argumentos mais traiçoeiros, que é fazer acusações, imputando o crime aos seus colegas. Se nós não tivermos votos para derrubar os vetos, eu gostaria de pedir vista a esse projeto, amigos. Para dar mais tempo ao esclarecimento de todos os colegas. E não votamos aqui por medo de ameaças infundadas. Isso é vergonha. Um parlamentar se abaixa ao nível de acusar colegas aqui de corrupção. Eu estou envergonhado”, ressaltou.
 
Ele também acrescentou que tem uma história a zelar e um nome.

“Meu pai dizia que o maior patrimônio de um homem é o seu nome. Isso não pode acontecer. Justamente para defender o interesse de alguns que exploram essa cidade há anos. Reservando grandes áreas da cidade, onde o desenvolvimento é completo e em torno somente pela especulação imobiliária, que gera aumento imobiliário em bairros pequenos. Quando você tem especulação imobiliária num bairro, gera a expectativa da valorização imobiliária, o pãozinho na padaria fica mais caro, o mercado aumenta o preço. O lava-jato fica mais caro. Afinal de contas, aqui é um bairro agora nobre. E não aconteceu nada no bairro. Não chegou investimento público, não chegou investimento privado, mas somente pela especulação, o povo mais pobre começa a pagar mais caro no bairro”, relatou.
 
Conforme Papy, o vereador André Luís estaria defendendo a especulação imobiliária nociva, maldosa e cruel.

“Nós estamos no País das Maravilha, da Alice. Está sobrando dinheiro? Não, nós precisamos do dinheiro privado na cidade. Precisamos dos grandes empreendimentos, das grandes indústrias. Nós vamos deixar dois, três cheios de ar em Campo Grande e eles aqui vão determinar para onde que a cidade cresce. Eu concluo dizendo a minha fala que o Plano Diretor apresentou uma faixa de expansão para que haja investimento. E esse investimento é controlado pelo próprio município que autoriza investimento por investimento. Não é um descontrole”, finalizou, desafiando quem quer que seja a debater esse assunto com ele. “Não vou abaixar a cabeça para ninguém que faz ilações infundadas, acusações traiçoeiras e caluniosas”.

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Em sabatina

Riedel descarta decretar uma nova intervenção na Santa Casa

O governador afirma que o maior hospital de MS precisa solucionar problemas internos e revela passivo de R$ 600 milhões

16/09/2026 07h55

O governador Eduardo Riedel, candidato à reeleição pelo PP, durante a sabatina feita pela imprensa

O governador Eduardo Riedel, candidato à reeleição pelo PP, durante a sabatina feita pela imprensa Marcelo Victor/Correio do Estado

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Ao participar ontem da primeira entrevista do projeto Frente a Frente, realizado pelo Correio do Estado, JD1 Notícias, Campo Grande News, SBT MS, TV Guanandi e A Crítica, o governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, descartou uma nova intervenção na Santa Casa de Campo Grande e defendeu a profissionalização da gestão como caminho para enfrentar a crise financeira e administrativa do hospital.

Questionado sobre as denúncias que atingiram a antiga cúpula da instituição e sobre a possibilidade de o poder público reassumir o comando do hospital, Riedel afirmou que uma intervenção não resolveria, por si só, os problemas acumulados pela entidade.

“Eu acho que intervenção não é a solução. A solução é a profissionalização da gestão, e isso deve sair de dentro da Santa Casa. Essa é a minha opinião pessoal. Quem tem que definir é o Conselho de Administração da Santa Casa”, declarou.

O governador ressaltou que a contratualização dos serviços da Santa Casa é feita pela Prefeitura de Campo Grande e ponderou que uma eventual intervenção exigiria respostas sobre quem assumiria as dívidas acumuladas pelo hospital.

“Não é simples uma intervenção. Quem é que fica com o passivo? Quem é que fica com os R$ 600 milhões de passivos constituídos da Santa Casa: o interventor ou o CNPJ?”, questionou.

Apesar das críticas à administração, Riedel classificou a Santa Casa como uma instituição fundamental para a saúde pública de Mato Grosso do Sul e assegurou que o governo estadual continuará apoiando financeiramente o hospital.

Segundo ele, porém, novos repasses precisam estar vinculados à produtividade, à eficiência e à transparência.

“A Santa Casa sempre cobrou aumento de transferência de recursos, e eu sempre falei: vamos mudar a contratualização, vamos aumentar o recurso por produtividade, porque eu quero ver o que acontece lá dentro”, afirmou.

Conforme os números apresentados pelo governador, o Estado repassou R$ 98 milhões ao hospital em 2024 e R$ 149 milhões em 2025. Até agosto deste ano, teriam sido transferidos R$ 106 milhões. A projeção é de que os repasses se aproximem de R$ 190 milhões até o fim deste ano.

“Essa é uma relação de mão dupla, porque o dinheiro é da sociedade sul-mato-grossense. Eu vou cobrar eficiência e transparência sempre. O que está acontecendo na Santa Casa é uma questão que a Santa Casa vai ter que resolver”, disse.

INCENTIVOS FISCAIS

Durante a entrevista, Riedel também defendeu a manutenção dos incentivos fiscais concedidos pelo governo estadual. Questionado sobre o volume de benefícios previsto para este ano, o candidato afirmou que os incentivos são utilizados tanto para atrair empresas quanto para reduzir o preço de produtos essenciais.

De acordo com ele, a política de atração de investimentos contribuiu para a criação de mais de 140 mil empregos em três anos e meio. O governador também relacionou os benefícios fiscais ao aumento da renda média e à redução do desemprego no Estado.

“Se eu continuar no governo, vou continuar a linha dos incentivos para atrair cada vez mais investimentos, capital e novos negócios para o Estado, porque eles são um motor da economia”, declarou.

Riedel argumentou que parte dos empreendimentos não seria instalada em Mato Grosso do Sul sem os benefícios. Por isso, segundo ele, o incentivo não pode ser considerado apenas uma renúncia de receita.

“Incentivar algo que não existiria não é abrir mão de receita, porque essa receita não existe. Ao dar o incentivo, o Estado gera uma série de outras receitas com a ativação da economia e com as empresas que passam a participar do processo”, disse.

Ao comentar a situação das finanças estaduais, Riedel afirmou que a arrecadação tem crescido abaixo da inflação e admitiu que este ano exige atenção diante da compressão do orçamento. Mesmo assim, disse que o Estado conseguiu manter os investimentos entre 12% e 15% da receita corrente líquida.

“Antes de pensar em arrecadar mais, a gente tem que pensar em gastar melhor. O Brasil gasta muito e gasta mal. Temos que olhar o tempo todo para a qualidade do gasto”, afirmou.

EDUCAÇÃO

Riedel disse ainda que Mato Grosso do Sul não precisa, neste momento, adotar uma parceria público-privada na educação, mas não descartou o modelo no futuro, caso haja viabilidade financeira.

Segundo ele, uma eventual PPP ficaria restrita à construção e à administração da estrutura física das escolas. Professores, conteúdo pedagógico e responsabilidade pelo desempenho dos estudantes continuariam sob o comando do Estado.

“Se tiver viabilidade do ponto de vista financeiro e a administração puder ser mais bem gerida, é um bom caminho. No nosso caso, não temos necessidade porque temos o patrimônio constituído e uma rede de escolas muito boa”, declarou.

O governador informou que foram aplicados R$ 1,2 bilhão na reforma de aproximadamente 270 escolas estaduais, incluindo intervenções nas redes elétrica e hidráulica, climatização, laboratórios de informática e robótica e bibliotecas.

SEGURANÇA

No tema da segurança pública, Riedel afirmou que o enfrentamento à violência contra as mulheres será incluído na grade escolar da rede estadual a partir de 2027.

Para o governador, as políticas de combate ao feminicídio precisam começar antes de os casos chegarem às delegacias. “Quando esse assunto chega à segurança pública, é porque nós já falhamos como sociedade. Precisamos criar consciência e estabelecer uma rede de proteção para que não chegue à delegacia”, disse.

Riedel afirmou que mais de 20 mil servidores de 47 municípios foram capacitados para reconhecer indícios de violência. Também citou a existência de salas Lilás em 72 cidades, a construção de outras duas Casas da Mulher Brasileira e mudanças nos procedimentos adotados pelas forças de segurança e pelo sistema de Justiça.

MEIO AMBIENTE

Sobre a expansão da indústria de celulose, Riedel reconheceu que os empreendimentos provocam impactos sociais nas cidades, especialmente durante a fase de construção.

Ele disse que o Estado utilizou a experiência de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo para exigir mais contrapartidas da fábrica da Arauco em implantação em Inocência.

“Você vai a Inocência e vê o efeito social, mas não tem hoje o drama que tivemos em Ribas, porque as contrapartidas exigidas da empresa foram trabalhadas a partir daquele aprendizado”, afirmou.

Entre as medidas citadas estão alojamentos afastados da área urbana, transporte para os trabalhadores, reforço na segurança pública e uma unidade de saúde equipada para atender empregados e moradores.

Riedel também defendeu os benefícios ambientais das florestas plantadas, mas admitiu que alterações como a proliferação de macrófitas no Rio Pardo precisam ser investigadas e corrigidas. “Qualquer mudança ou intervenção tem que ser olhada com cautela e corrigida”, declarou.

DESENVOLVIMENTO

Ao falar sobre desenvolvimento econômico, Riedel afirmou que pretende ampliar a industrialização da produção estadual.

O governador disse que não quer limitar a cadeia da celulose à produção da matéria-prima e das grandes fábricas.

“Eu não quero parar na fábrica de celulose. Quero fábrica de papel, de produtos acabados, distribuição, rede logística e a Rota Bioceânica funcionando para levar o produto acabado para fora do País”, afirmou.

O candidato também mencionou a instalação do primeiro data center de Mato Grosso do Sul, em Ivinhema.

O empreendimento é abastecido por energia produzida a partir de biomassa e atende a uma empresa de mineração de bitcoins. 

Na agricultura familiar, Riedel prometeu reforçar assistência técnica, infraestrutura e agroindustrialização.
Ele citou como exemplo o apoio a pequenas unidades de processamento de mandioca para produção de farinha e outros alimentos. 

Adiamento

Crise no STF deve se prolongar

Paralisação das investigações sobre Moraes deixa o STF sem desfecho e coloca a credibilidade da Corte no centro da disputa política

16/09/2026 07h45

Ministros do STF, Alexandre de Moraes e André Mendonça

Ministros do STF, Alexandre de Moraes e André Mendonça Fotos: Divulgação STF

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A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, de suspender a sessão extraordinária sem deliberação final abriu margem para a ampliação de uma das maiores crises institucionais da história recente da corte.

O adiamento ocorreu após o ministro Flávio Dino solicitar pedido de vista, dispositivo que lhe concede até noventa dias para analisar os autos, paralisando a votação sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A apuração se baseia em relatório de quatro delegados da Polícia Federal (PF) que apontou Moraes como interlocutor do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro.

O ambiente no plenário ao longo de mais de seis horas foi marcado por confronto direto e ofensas entre magistrados. A divergência central envolve questão de ordem de Gilmar Mendes, respaldada por Moraes, para que os pedidos de investigação contra Moraes e contra o ministro André Mendonça fossem apreciados conjuntamente. A sessão para analisar o caso de Mendonça estava marcada para o dia 23.

No placar temporário registrado por Fachin, formou-se maioria de quatro votos a três votos contra a unificação. Votaram pela manutenção de análises separadas Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

Posicionaram-se a favor do julgamento conjunto Cristiano Zanin e Moraes. Embora Dino tenha sinalizado alinhamento à unificação, seu pedido de vista impediu a conclusão do resultado.

A inclusão do voto de Dino pode levar a um empate em quatro a quatro no plenário. Nesse cenário, subsistem dúvidas regimentais sobre a proclamação do resultado, pois o regimento prevê que o voto do presidente valeria como minerva. A situação ganha complexidade pelo fato de Fachin acumular a condição de relator.

As divergências procedimentais foram criticadas por Dino. O ministro contestou a decisão de Fachin de avocar a relatoria referente a Moraes, afastando Mendonça, relator originário do caso Master. Dino sustentou que a alteração feriu o devido processo legal. “Houve um sacrifício dos ritos, sacrifício das formas, sacrifício do devido processo legal. Se você não tem rito, você tem dois pesos e duas medidas, que é a negação da Justiça”, argumentou Dino.

Em seu voto, Moraes defendeu a instrução unificada. “Não há razão para que a instrução e o julgamento não sejam conjuntos. As delegações são bases fáticas e probatórias comuns, se sobrepõem, porque uma anula a outra, uma afasta a outra”, destacou Moraes. A tese de adiar o debate já fora sugerida por Gilmar Mendes em ofício a Fachin.

A tramitação registrou desfalques. Dias Toffoli declarou-se suspeito e manteve o afastamento dos casos do Banco Master assumido em março, após ligações de familiares com fundo do banco.

Já Kassio Nunes Marques declarou-se impedido e retirou-se da sessão. Como presidente do TSE, Nunes Marques justificou sua ausência.

“Eu entendo que essa missão é mais importante que é assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026”, declarou.
Tensão

O ápice da tensão ocorreu durante a manifestação de Gilmar Mendes, que teceu acusações severas contra André Mendonça. O decano acusou o colega de atuar com viés político-eleitoral e adotar métodos de organizações criminosas.

“Já disse isso em outro momento: até a máfia tem ética. É preciso ter decência, não se comportar desta forma. Um tribunal que isso admite já não delibera com liberdade”, afirmou Gilmar Mendes.

Classificando a conduta como “um jogo de omertá, de máfia”, o decano criticou a apuração parcial no ciclo eleitoral. “Como se a gravidade da notícia variasse conforme o nome do magistrado a que se refere, ou conforme o tribunal que ele integra”, disse Gilmar.

O ministro completou: “Evidente que se trata de um pixuleco, de um boneco eleitoral. É disso que nós estamos falando, sob pena de que o resultado, qualquer que seja ele, nasça marcado pela suspeita de haver servido a alguém”.

A intervenção de Gilmar desencadeou confronto verbal direto com Mendonça. Aos gritos e apontando o dedo, o decano afirmou: “Isso não se faz. Pessoas decentes não fazem isso”. 

Mendonça reagiu: “Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não está falando com qualquer um. Respeite este tribunal”. Ao que Gilmar retrucou: “Quem não se dá respeito não merece respeito”.

Executivo

A crise repercutiu no Executivo. Em entrevista à Record, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou Mendonça de promover vazamentos seletivos. “Aquilo que o André Mendonça tinha guardado como segredo de Estado e só soltando o que interessava a ele, agora pode ser aberto para toda a sociedade saber quem tava metido nisso”, declarou Lula.

O chefe do Executivo cobrou rigor para evitar a degradação da imagem do Judiciário. “Chegamos a um momento determinante na história deste País. Não há ninguém que possa fugir do julgamento quando tem suspeita e acusação contra ele. A Suprema Corte precisa ser exemplo e não contribuir com a desconfiança da sociedade”, afirmou o petista.

Lula enfatizou a responsabilidade de Fachin: “O Fachin tem agora a faca e o queijo na mão para abrir tudo e saber quem fez o que na Suprema Corte. E quem fez o que [fez] tem que ser punido, julgado”.

Lula já havia comentado a situação ao SBT, cobrando providências. “Falta apurar. Quem é culpado de verdade? Se o Moraes é o culpado, tem que pagar, se o Mendonça é o culpado, tem que pagar, se o Fachin é culpado, tem que pagar”, cobrou o presidente. 

A equipe de Flávio Bolsonaro tenta associar Lula a Moraes, enquanto o Planalto atua para desvincular o presidente do conflito. Com o pedido de vista de Dino, a crise no STF permanece sem desfecho rápido.

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