Política

MUNICIPALISTAS

De prefeitos a deputados: MS elege 7 ex-gestores para a Assembleia

André Puccinelli e Zeca do PT, dois ex-governadores, também foram eleitos deputados estaduais

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Dos 24 deputados estaduais eleitos em Mato Grosso do Sul, sete são ex-prefeitos dos municípios de Três Lagoas, Ponta Porã, Aquidauana, Corumbá, Ivinhema, Bataguassu e Campo Grande. 

Os ex-prefeitos que ocuparão as cadeiras na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) são: Pedro Caravina (PSDB), André Puccinelli (MDB), Ângelo Guerreiro (PSDB), Hélio Peluffo Filho (PP), Renato Câmara (Republicanos), Paulo Duarte (PSDB) e Odilon Ribeiro (PL).

O ex-governador e ex-prefeito de Campo Grande André Puccinelli (MDB) foi eleito deputado estadual com 40.602 votos e retorna à Assembleia Legislativa, onde já exerceu mandato. Puccinelli foi prefeito da Capital sul-mato-grossense por dois mandatos seguidos, em 1996 e 2000. Como governador, ocupou o cargo entre 2007 e 2014.

Pedro Caravina (PSDB) foi prefeito de Bataguassu por dois mandatos consecutivos, nos anos de 2012 e 2016. Ele também presidiu a Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul). Em 2021, assumiu o cargo de secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra). Na gestão de Eduardo Riedel (PP), ocupou o cargo de secretário de Governo e Gestão Estratégica.

Ângelo Guerreiro (PSDB), ex-prefeito de Três Lagoas por dois mandatos (2016 e 2020), foi eleito com 37.704 votos. Com forte liderança na região do Bolsão, sua trajetória política está ligada a pautas como industrialização, saúde e assistência social.

Odilon Ribeiro (PL), ex-prefeito de Aquidauana por dois mandatos (2016 e 2020), foi eleito deputado estadual com 35.905 votos. Empresário e produtor rural, possui forte base política na região do Pantanal. Sua atuação está relacionada ao municipalismo, agronegócio, ecoturismo e infraestrutura regional.

Ex-prefeito de Ponta Porã por dois mandatos (2016 e 2020), o arquiteto Hélio Peluffo Filho (PP), de 65 anos, foi eleito com 31.435 votos. Foi secretário municipal de Planejamento entre 1987 e 1988 e, posteriormente, exerceu mandato de vereador.

Apesar de não ter o apoio de Juliano Ferro, com quem mantém rivalidade e já levou até à condenação por ameaça no Tribunal de Justiça, Renato Câmara (Republicanos) foi reeleito para o quarto mandato consecutivo na Assembleia Legislativa. Ele foi prefeito de Ivinhema por dois mandatos, entre os anos de 2004 e 2012.

Ex-prefeito de Corumbá, Paulo Duarte (PSDB) retorna à Assembleia Legislativa com 20.029 votos. O economista e auditor fiscal da Receita Estadual assumiu a Cidade Branca no ano de 2012 e também foi secretário de Estado da Fazenda, de Infraestrutura e de Governo, na gestão de Zeca do PT. 

O Partido Liberal (PL) elegeu  a maior bancada, com nove cadeiras. O Partido dos Trabalhadores (PT) terá quatro deputados, enquanto PSDB e Progressistas (PP) terão três representantes cada. Republicanos terá dois parlamentares, e MDB, União Brasil e Avante, uma cadeira cada.

Eleição Presidencial

Onda bolsonarista faz Flávio avançar e empareda Lula para o segundo turno

Ultrapassagem de Flávio e desempenho de seus aliados projetam dificuldades enormes para o presidente; PT tem votação abaixo do esperado

05/10/2026 08h20

Logo após o fim da apuração dos votos, Lula, ao lado de Alckmin, fez balanço do resultado das urnas, enquanto Flávio Bolsonaro comemorou com aliados em Brasília

Logo após o fim da apuração dos votos, Lula, ao lado de Alckmin, fez balanço do resultado das urnas, enquanto Flávio Bolsonaro comemorou com aliados em Brasília Foto: Montagem

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A arrancada dos bolsonaristas no primeiro turno das eleições gerais ontem foi um fato político de repercussão. Pelo avanço das forças de Flávio Bolsonaro (PL) e por seus próprios erros, o presidente Lula (PT) chega à segunda rodada emparedado.

Se havia o receio entre petistas de que um empate ou uma vantagem mais estreita do filho de Jair Bolsonaro no primeiro turno deixaria o tira-teima difícil, a situação do presidente se tornou dramática, embora não seja irreversível.

A seu favor, há a possibilidade de que a migração dos nanicos à direita que perderam força no pleito tenha atingido o limite, mas é incerto onde Lula poderá buscar votos, salvo por acontecimentos imprevisíveis. A aposta indicada em sua primeira fala é a comparação de biografias, algo difícil de medir.

O resultado surpreende quando é observada a curva das intenções de voto da campanha anódina, marcada pela contaminação do caso do Banco Master no Judiciário, e não, como seria racional imaginar, na candidatura de Flávio, envolvido com Daniel Vorcaro.

Mas o movimento bolsonarista já se insinuava no fim da corrida, como indicava o Datafolha na véspera. Ele absorveu não apenas boa parte da esquerda, mas a própria direita mais moderada.

E Lula, acima de tudo, perdeu a liderança para si mesmo. Sua campanha foi marcada por três defesas.

Na defesa da democracia, Lula aproveitou a balbúrdia bolsonarista do 8 de Janeiro para assumir a bandeira da democracia. Deu certo por algum tempo, mas, a partir de meados de 2023, o petista passou a contar apenas com a bancada de Alexandre de Moraes no Supremo. O preço foi conhecido neste ano.

No caso da soberania, Donald Trump deu ao presidente um presente com seu tarifaço e punições de 2025. Ele pôde assumir a defesa do interesse nacional, ganhou pontos na avaliação e ainda dobrou o americano.

Embora não tenha ocorrido um ataque frontal como o Planalto temia, a estratégia não funcionou eleitoralmente.

Também estão os números frios. O lulismo reclama da falta de reconhecimento dos bons indicadores da economia, mas esqueceu o contexto. Se o desemprego está em baixa, basta caminhar por grandes cidades para enxergar onde estão os postos de trabalho. A inflação pode estar sob controle, mas o endividamento das famílias eliminou qualquer sensação de bem-estar.

Talvez entorpecido pela segurança que a aliança com o Supremo lhe dava diante do Congresso à direita, o governo passou quatro anos vendo PL, Centrão e PSD montarem máquinas eleitorais para o controle de emendas parlamentares.

Lula ficou com palanques e bancadas potenciais fracas. Tudo isso trouxe uma capilaridade ao discurso antipetista que nem mesmo o carisma do presidente conseguiu conter, apesar de um arsenal de emergência com proibição de bets, fim da escala 6x1 e reajuste do Bolsa Família.

Logo após o fim da apuração dos votos, Lula, ao lado de Alckmin, fez balanço do resultado das urnas, enquanto Flávio Bolsonaro comemorou com aliados em Brasília

Candidato Teflon

De seu lado, Flávio vestiu o figurino teflon. Candidato com o maior passivo judicial na disputa, passou meses quase sem precisar se expor – a ausência do debate, uma escolha também de Lula, só o favoreceu.

Quando os questionamentos chegaram, era tarde, e a dissolução da realidade na vida digital facilitou sua trajetória: qualquer investigação da Polícia Federal vira perseguição, dúvida sobre medalha para miliciano, detalhe.

Não é diferente do que aconteceu com o maior ícone do bolsonarismo, Trump, eleito apesar de uma condenação criminal. Para manter o exemplo americano, Lula acabou encarnando o Joe Biden que os petistas menos deslumbrados temiam: um candidato desgastado.

Agora, o político brasileiro mais importante do século 21 no País terá de enfrentar o risco de encerrar a carreira em derrota. Ou uma vitória de Pirro, com a estrutura política dominada por adversários, sem falar nas eventuais pressões vindas dos EUA.

Flávio contará com o sentimento de virada, que muitas vezes define eleições. Isso deverá atrair apoios antes improváveis. Ele nunca foi a escolha do condomínio da centro-direita sequestrado pela vanguarda bolsonarista, mas isso tende a mudar.

Eventual triunfo será apenas o começo. Se vencer ao fim, contudo, terá de conviver com um ecossistema de aliados com interesses próprios, como o governador reeleito com folga em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Bancada Federal

PL elege três deputados e passar a ter a maior bancada de MS na Câmara

Camila Jara é reeleita como a candidata mais votada do Estado; bancada terá quatro mulheres pela 1ª vez

05/10/2026 08h10

O deputado federal sul-mato-grossense Marcos Pollon

O deputado federal sul-mato-grossense Marcos Pollon Foto: Runo Spada/Câmara dos Deputados

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Mato Grosso do Sul terá três deputados federais do Partido Liberal (PL) a partir de 2027. Com 100% das urnas apuradas às 20h de ontem, o partido elegeu Marcos Pollon, Mara Caseiro e Rodolfo Nogueira e passou a formar a maior bancada do Estado na Câmara dos Deputados.

Dos oito parlamentares eleitos, cinco foram reeleitos e três conquistaram o primeiro mandato federal. A disputa também ampliou a presença feminina na representação de Mato Grosso do Sul em Brasília.

Camila Jara (PT) foi reeleita e terminou a eleição como a candidata mais votada para a Câmara no Estado, com 154.157 votos. A petista terá mais quatro anos de mandato a partir de fevereiro de 2027.

Marcos Pollon (PL) ficou em segundo lugar na votação, seguido por Rose Modesto (União Brasil). Pollon também foi reeleito e permanecerá na Câmara. Rose, que já foi deputada federal entre 2019 e 2023, retorna ao Congresso Nacional.

A quarta maior votação ficou com Mara Caseiro (PL), atualmente deputada estadual. Com a eleição, ela deixa a Assembleia Legislativa e passa a integrar a bancada federal de Mato Grosso do Sul.
Rodolfo Nogueira (PL) também garantiu a reeleição. O parlamentar, que integra a atual bancada federal, permanecerá na Câmara no próximo mandato.

O Republicanos elegeu dois deputados. Beto Pereira foi reeleito, enquanto Isa Marcondes conquistou uma das cadeiras. A nova deputada federal tem atuação política como vereadora em Dourados e assumirá seu primeiro mandato em Brasília.

A última vaga ficou com Dagoberto Nogueira (PP), que também foi reeleito.

O deputado federal sul-mato-grossense Marcos Pollon

QUATRO MULHERES

A nova composição da bancada federal de Mato Grosso do Sul terá quatro mulheres, o maior número registrado na representação do Estado na Câmara. Além de Camila Jara, que foi reeleita, passam a integrar a bancada Mara Caseiro, Isa Marcondes e Rose Modesto.

Com isso, as mulheres ocuparão metade das oito cadeiras destinadas a MS na Câmara dos Deputados. A atual bancada conta com apenas uma mulher, Camila Jara. As outras três parlamentares eleitas ontem substituem deputados que não conseguiram a reeleição ou não disputaram novamente a vaga.

A renovação da bancada federal será de três cadeiras. Permanecem na Câmara, além de Camila Jara, Marcos Pollon, Rodolfo Nogueira, Beto Pereira e Dagoberto Nogueira.

As mudanças serão provocadas pela eleição de Mara Caseiro, Isa Marcondes e pelo retorno de Rose Modesto.

Com três representantes, o PL será responsável pela maior bancada de Mato Grosso do Sul na Câmara. O Republicanos terá dois deputados, enquanto PT, União Brasil e PP terão um parlamentar cada.
Os eleitos assumem os novos mandatos em fevereiro de 2027.
 

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