Política

CÂMARA

Bancada de Mato Grosso do Sul prevê derrota da PEC do Voto Impresso

Presidente da Câmara, Arthur Lira, deve pôr proposta de emenda à Constituição em votação hoje

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A proposta de emenda à Constituição (PEC) que propõe estabelecer a obrigatoriedade de impressão dos votos durante as eleições brasileiras deve ir a votação nesta semana, e a expectativa dos líderes dos partidos, inclusive daqueles que são favoráveis à PEC, é de que a matéria seja rejeitada.

Ontem, o presidente da Câmara, deputado federal Arthur Lira (PP-AL), disse que deve pautar para hoje a discussão da PEC. Lira ainda afirmou que espera que a decisão dos deputados seja acatada com tranquilidade pelos Poderes.

Integrante da comissão especial que derrotou a PEC na semana passada, o deputado federal Fábio Trad (PSD-MS) acredita que a proposta não vai passar no Plenário. 

“Creio que será rejeitada porque a grande maioria dos partidos já fechou questão, principalmente os partidos da base [do governo] e até do Centrão e partidos próximos”, disse ao Correio do Estado.

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Para ser aprovada, a proposta de emenda à Constituição precisa ter pelo menos 308 votos favoráveis, em um universo de 513 deputados, tarefa, que até mesmo os governistas – nos bastidores – consideram difícil.

O presidente da Câmara disse que a resistência é grande. Na avaliação dele, com 15 a 16 partidos contrários ao tema na Casa, as chances de aprovação da PEC seriam poucas.

“E, nesse caso, também quem for vencido tem que serenar”, disse Lira. Segundo ele, Bolsonaro garantiu, em conversa por telefone na sexta-feira, que respeitaria o resultado do Plenário.

Além de ter falado com Bolsonaro, Lira disse ter conversado com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, alguns ministros da Corte, líderes partidários, deputados e o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, antes de decidir levar a PEC a votação.

“De tudo que tenho acompanhado e lido, acredito que essa proposta do voto impresso vai ser derrotada no Plenário, assim como aconteceu na comissão especial. O clima me parece ser amplamente favorável à defesa do nosso sistema atual de votação e das urnas eletrônicas”, disse o deputado federal Vander Loubet (PT-MS). 

“Já passou da hora de Bolsonaro parar de perder tempo com isso e focar no que é importante: concluir a vacinação da população contra a Covid-19 e criar um programa efetivo de geração de emprego e renda para a população”, completou o deputado petista.

“Pelo que conversamos lá no Congresso, pelo que a ‘rádio corredor’ fala, as expectativas para amanhã não são boas”, disse a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), que acredita que a PEC do Voto Impresso, de autoria da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), seja rejeitada na Câmara e não chegue ao Senado. 

“Minha opinião sobre o assunto, porém, é que eu acho que nada é tão bom que não possa ser melhorado”, afirmou a senadora.

“Eu acho que vai ser derrotado o voto impresso. Se não venceu pela comissão, não vai passar no Plenário. Os partidos já estão fechados, todo mundo sabe que é algo que não tem abertura, inclusive, o próprio Bolsonaro”, afirmou o deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT-MS).

MISSÃO DE PAZ

Líderes do Congresso, integrantes do governo e ministros do STF e do TSE articulam estratégias para reduzir a tensão entre os Poderes após a análise do voto impresso na Câmara.

A ideia é criar um ambiente que possibilite a Bolsonaro conter as críticas ao atual sistema eleitoral (as urnas eletrônicas), para permitir uma trégua na relação do Planalto com o Supremo. Reconhecem, porém, a dificuldade de controlar o presidente.

Uma das soluções em negociação é o aumento no número de urnas eletrônicas que seriam submetidas ao teste de integridade, o que seria mais uma prova da lisura do pleito e daria a Bolsonaro uma narrativa para justificar a apoiadores que a luta pela mudança no modelo teve resultado.

Cerca de 100 urnas são submetidas a esse teste. O TSE já avalia para quantos equipamentos a medida poderia ser ampliada. Ao todo, hoje são usadas cerca de 500 mil urnas na eleição.

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Eleições 2026

A uma semana do 2º turno, quem não votou pode voltar às urnas

Em MS 483,2 mil eleitores faltaram no primeiro turno; ausência não impede nova votação, mas precisa ser justificada até 3 de dezembro

16/10/2026 16h03

Mulher votando nas Eleições 2026

Mulher votando nas Eleições 2026 Foto: Paulo Ribas

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Quem não votou no primeiro turno das Eleições 2026 poderá votar normalmente no segundo turno, marcado para 25 de outubro, mesmo que ainda não tenha justificado a ausência. Em Mato Grosso do Sul, 483.210 eleitores não compareceram às urnas em 4 de outubro, o equivalente a 23,87% do eleitorado, conforme dados publicados pelo Correio do Estado, apoiado nos números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A ausência na primeira etapa não impede a participação na próxima votação, desde que o título eleitoral esteja regular, sem suspensão ou cancelamento. A regra é do TSE, que considera cada turno uma eleição independente.

No segundo turno, os eleitores de todo o país voltam às urnas para escolher o presidente da República. Em Mato Grosso do Sul, a disputa pelo Governo do Estado foi definida no primeiro turno, com a reeleição de Eduardo Riedel. Por isso, a votação de 25 de outubro no Estado será destinada à escolha entre os dois candidatos à Presidência que avançaram para a etapa final.

Prazo

Quem faltou no primeiro turno e não justificou a ausência no dia da votação tem até 3 de dezembro de 2026 para regularizar a situação. O procedimento pode ser feito pelo aplicativo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral do TSE ou presencialmente em qualquer cartório eleitoral.

Pela internet ou pelo aplicativo, o eleitor deve preencher as informações solicitadas e apresentar documentação que comprove o motivo da ausência. O pedido será analisado pela Justiça Eleitoral.

É importante lembrar que votar no segundo turno não elimina a necessidade de justificar a falta no primeiro. Cada ausência deve ser regularizada separadamente.

Quem também deixar de votar em 25 de outubro terá até 8 de janeiro de 2027 para justificar a ausência referente ao segundo turno.

De acordo com o TSE, quem não justificar a ausência dentro do prazo ou tiver o pedido rejeitado poderá pagar multa de R$ 3,51 por turno.

A falta de votação, justificativa e pagamento das multas pode gerar pendências eleitorais. Em caso de três eleições consecutivas sem votar, justificar ou quitar os débitos, contando cada turno como uma eleição, o título poderá ser cancelado, conforme as regras eleitorais.

 

Fiscalização

Novas regras do TSE fecham o cerco contra pesquisas fajutas

As novas funcionalidades do Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais são obrigatórias desde o dia 5 e exigem dos institutos mais detalhamentos

16/10/2026 08h00

O TSE atualizou o PesqEle, que passou a exigir mais detalhes sobre metodologia, perfil dos entrevistados e coleta de dados

O TSE atualizou o PesqEle, que passou a exigir mais detalhes sobre metodologia, perfil dos entrevistados e coleta de dados Foto: Arquivo

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A partir de agora, os institutos que realizam pesquisas eleitorais são obrigados a detalhar a metodologia, o perfil dos entrevistados e a execução da coleta de dados nos registros apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ampliar a transparência e permitir a conferência dos levantamentos.

As novas funcionalidades do Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) padronizam e detalham informações já previstas na regulamentação, sem criar novas obrigações legais.

O diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, afirma que o instituto já adota os procedimentos de transparência e controle exigidos pela Justiça Eleitoral. 

“As práticas estão alinhadas às boas práticas defendidas pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa [Abep]”, pontuou.

Para ele, o maior detalhamento das informações amplia as condições de fiscalização dos levantamentos e dificulta a divulgação de resultados sem respaldo técnico.

A avaliação é compartilhada pelo presidente do Conselho Regional de Estatística da 1ª Região (Conre-1), Alexandre Vasconcelos Lima, cuja área de atuação inclui Mato Grosso do Sul.

Segundo ele, as mudanças permitem confrontar o planejamento das pesquisas com o trabalho efetivamente realizado pelos institutos. “O eleitor ganha a possibilidade de que a pesquisa seja conferida e não apenas acreditada”, afirmou.

DETALHAMENTO 

A regulamentação das pesquisas está reunida na Resolução nº 23.600/2019, alterada pela Resolução nº 23.747, aprovada no dia 26 de fevereiro e publicada no dia 4 de março. As regras preveem o detalhamento da amostra final e o envio do relatório completo dos resultados.

Quando a metodologia não permitir identificar as entrevistas por setor censitário, o instituto deve apresentar justificativa técnica, com indicação da unidade territorial usada e controles aplicados.

No sistema atualizado, os institutos devem esclarecer, entre outros pontos, a população representada, o planejamento da amostra, a forma de acesso aos entrevistados, a ordem das perguntas e o eventual uso de áudios, vídeos ou imagens.

Na complementação do registro, devem informar dados efetivos da coleta, como horários das entrevistas, recusas, substituições, ponderação das respostas e limitações metodológicas.

Conforme Lima, esse conjunto de informações ajuda a verificar se a distribuição das entrevistas corresponde ao planejamento e se o perfil das pessoas ouvidas representa adequadamente a população pesquisada.

O presidente do Conre-1 ressalta que o benefício ao eleitor depende do exame dos documentos. “A transparência só protege o eleitor se alguém efetivamente examinar esses documentos. A fiscalização técnica, inclusive por estatísticos, continua indispensável”, disse.

Ao avaliar as alterações normativas aprovadas em fevereiro, Lima considera que houve antecedência formal suficiente para a preparação dos institutos. Na prática, entretanto, afirma que a adaptação foi desigual.

Ele também afirma que registros desta eleição apresentam metodologias reproduzidas de um levantamento para outro, preenchimento com textos padronizados e justificativas genéricas.

Outro ponto destacado pelo presidente do conselho é o cuidado com a aplicação dos questionários. Lima ressalta que a apresentação de fotografias, vídeos, jingles ou discursos pode fazer com que a resposta reflita também a reação ao material exibido. Até a ordem das perguntas pode interferir no resultado.
 

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