Política

DECISÃO

Desembargador de MS 'trava' processo contra empresário denunciado por corrupção

Investigação tem a ver com fraude em pregão que definiu locação de equipamentos hospitalares; para denunciado, apuração teria sido 'viciada'

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Desembargador Carlos Eduardo Contar, do TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), via liminar (decisão provisória) suspendeu, isto é, mandou parar a movimentação do processo que investiga o empresário Rodolfo Pinheiro Holsback, 59, que, desde 2021, é investigado por corrupção.  

Contra o réu corre uma ação judicial por suposta fraude na contratação de empresa de locação de equipamentos hospitalares, que é de Holsback, firmada com o estado de MS.  

Para o Ministério Público (Ministério Público de MS), o negócio foi consolidado por meio de trapaça. 

Habeas Corpus 

De acordo com a apelação do empresário que motivou a suspensão do processo, a investigação contra Holsback é sustentada por alegações surgidas no âmbito da Lama Asfáltica, operação da Polícia Federal, deflagrada em julho de 2015  

A apuração, que desvelou um dos maiores esquemas de corrupção que se tem notícia em MS, culminou com a prisão de graúdos da política sul-mato-grossense. 

Inicialmente, o caso foi parar na Justiça Federal, depois remetida à justiça estadual. 

Em trecho da apelação, defensores do empresário narram que “as decisões prolatadas pela Justiça Federal e as respectivas provas colhidas não poderiam ser validadas pela autoridade apontada como coatora [no caso, a justiça estadual por meio da Primeira Vara Criminal de Campo Grande], nem mesmo sob o pálio da Teoria do Juízo Aparente”. 

Os defensores catalogaram, também, situações que tirariam o poder do judiciário federal na investigação hoje conduzida pela justiça estadual, entre as quais: 

1 - As decisões prolatadas para sua obtenção foram emitidas por juízo incompetente; 

2 - Houve quebra ilegal do sigilo fiscal do paciente, pois não existiu prévia autorização judicial nem a instauração e finalização de processo administrativo de fiscalização no âmbito da Receita Federal; e 

3 – A atuação anterior da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, por intermédio da Controladoria Regional da União no Estado de Mato Grosso do Sul, foi viciada. 

As justificativas dos defensores convenceram o desembargador Carlos Eduardo Contar, que definiu a questão, ontem, quarta-feira (8). 

“... há séria controvérsia acerca da regularidade dos meios de obtenção das provas, assim como do cumprimento dos ritos processuais, de modo que não vislumbro qualquer impedimento ao sobrestamento [suspensão] da ação penal, até o julgamento final do remédio heróico. Dessarte, defiro a liminar pleiteada em favor de Rodolfo Pinheiro Holsback, para o fim de determinar o sobrestamento da ação penal nº 0902578-63.2021.8.12.0001, até o julgamento do mérito do writ [o habeas corpus, no caso]”. 

Na prática 

Pela interpretação e decisão do desembargador Contar, o processo contra o empresário Holsback deve ficar parado até que a apelação seja julgada, por definitivo pelo Tribunal de Justiça. Isso deve ocorrer em até 15 dias. Havia nesse período diversas audiências marcadas para tratar do caso, mas foram canceladas. 

A decisão de Contar é tida como monocrática, quando proferida por apenas um magistrado.

O desfecho deve ser definido por meio de um colegiado, quando a questão for deliberada por pelo menos três magistrados.

E, ainda assim, se o TJ-MS não concordar com o entendimento do desembargador, a suspensão do processo, no caso, o empresário tem ainda como recorrer ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). 

O caso 

De acordo com a denúncia do MPMS, para vencer o pregão, a empresa de Holsback, a HBR Medical Equipamentos Hospitalares Ltda (atual Health Brasil Inteligência em Saúde Ltda) venceu a concorrência por meio de fraude. 

O empresário em questão foi alvo da Redime [resgate], operação tocada pelo Gaeco ( (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), braço do MPMS, em 2020

O pregão deu a empresa em questão o direito a um contrato com o Estado de 6 de novembro de 2015 a 5 de novembro de 2021, período de 72 meses de vigência. 

Em trecho da denúncia do MPMS, é dito que Holsback “juntamente com seu sócio falecido Roberto de Barros Lavarda, corromperam o denunciado Marcelo Henrique de Mello, então servidor público estadual e em razão de sua atuação decisiva no certame licitatório, pagando-lhe vantagem indevida na importância de R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais), além de refeições e diárias em hotéis. Mello é um médico. 

Segue a denúncia do MPMS assinada pelos promotores de Justiça Humberto Lapa Ferri e Adriano Lobo Viana de Resende, da 31ª e 29ª promotorias.

“Cumpre mencionar que Marcelo foi o mentor operacional do programa de governo denominado Caravana da Saúde e, sendo médico e tendo sido nomeado para cargo comissionado, passou a exercer a função de assessor para ações de regionalização da Secretaria Estadual de Saúde, tornando-se o responsável pelos principais atos criminosos que beneficiaram a empresa HBR Medicamentos”. 

No processo que alcança hoje perto 5,2 mil páginas, constam decisões favoráveis e contrárias ao empresário. O contrato com a empresa de Holsback teria sido superfaturado e, segundo cálculos do MPMS, causado um prejuízo de R$ 46 milhões aos cofres do Estado.

Houve confisco de somas milionárias, que depois foi derrubado por força de medidas judiciais. Hoje, o empresário tem uma fazenda supostamente avaliada em R$ 54 milhões, situada no município de Dois Irmãos do Buriti,  sob bloqueio judicial. 

 

Relatoria

Fux é sorteado relator de ação que busca acesso a visitas de esposa de Moraes ao Senado

Kilter acionou a Justiça Federal do Paraná, que declarou sua incompetência para julgar o caso.

22/09/2026 13h30

Ministro Luiz Fux

Ministro Luiz Fux FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ AGÊNCIA BRASIL

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux foi sorteado relator do mandado de segurança que busca obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a liberar informações sobre as entradas e saídas da mulher de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e do banqueiro Daniel Vorcaro das dependências do Senado.

Moraes havia sido sorteado relator no dia 18, mas, na última segunda-feira, 21, ele se declarou suspeito para julgar o caso.

O pedido foi feito pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), candidato a deputado federal, após ter um pedido com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) negado pelo Senado.

O argumento da negativa foi que os dados de acesso de pessoas às dependências do Senado são informações de caráter pessoal.

Após a negativa do Senado, Kilter acionou a Justiça Federal do Paraná, que declarou sua incompetência para julgar o caso. A juíza Thais Sampaio da Silva Machado entendeu que apenas o Supremo pode julgar um mandado de segurança contra ação do presidente do Senado.

Eleições 2026

Eduardo Riedel deve vencer eleições a governador no 1.º turno

A 12 dias da eleição para governador, pesquisa mostra Eduardo Riedel com 64,15% e Fábio Trad com 18,70% dos votos válidos

22/09/2026 07h45

Marcelo Victor

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A 12 dias do primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4 de outubro, o governador Eduardo Riedel (PP) aparece com 64,15% dos votos válidos na disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul e seria reeleito sem necessidade de segundo turno, aponta a nova rodada da pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Resultado (IPR) e Correio do Estado.

Ainda nesse recorte, que exclui eleitores indecisos e aqueles que declararam voto branco ou nulo, o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) tem 18,70%, portanto, Riedel está acima dos 50% necessários para eliminar do pleito a realização de um segundo turno. Pelas regras eleitorais, só há segundo turno para governador quando nenhum candidato alcança maioria absoluta dos votos válidos. 

A conversão para votos válidos considera 583 das 784 entrevistas realizadas pelo instituto. Foram retiradas da conta as 143 respostas de indecisos e as 58 respostas de branco ou nulo, que juntas representam 25,64% da amostra. No resultado original da pesquisa estimulada, Riedel tem 47,70% das intenções de voto e Fábio Trad, 13,90%. 

Depois dos dois primeiros, aparecem o ex-senador Delcídio do Amaral (PRD), com 6,86% dos votos válidos, o deputado estadual João Henrique Catan (Novo), com 3,43%, e Lucien Rezende (Psol), com 3,09%. O indígena Daniel Lemes (PCO) e o Economista Renato Gomes (DC) têm 1,37% cada, enquanto o jornalista Jeferson Bezerra (Agir) registra 1,03%.

No resultado sobre o total de entrevistados, antes da exclusão dos indecisos, brancos e nulos, Delcídio soma 5,10%, Catan aparece com 2,55% e Lucien tem 2,30%. Daniel Lemes e Renato Gomes registram 1,02% cada, e Jeferson Bezerra, 0,77%.

A distância entre Riedel e Fábio Trad no cálculo dos votos válidos é de 45,45 pontos porcentuais. O recorte, porém, representa uma conversão matemática das respostas da pesquisa e não uma projeção do resultado das urnas.

Na comparação com a rodada de agosto, considerando os porcentuais sobre o total da amostra, Riedel passou de 44,77% para 47,70%, uma variação de 2,93 pontos porcentuais. Fábio Trad oscilou de 13,78% para 13,90%. Catan passou de 4,85% para 2,55%. 

ESPONTÂNEA

O domínio de Riedel também aparece quando são calculados os votos válidos da pesquisa espontânea, modalidade em que o entrevistador não apresenta uma lista de candidatos.

Fonte: IPR/Correio do Estado 

Nesse cenário, foram contabilizadas 224 respostas válidas entre os 784 entrevistados. Riedel concentra 77,68% dos votos válidos, seguido por Fábio Trad, com 12,95%, e Catan, com 4,02%.

Delcídio aparece com 1,79%, Renato Gomes com 1,34% e Lucien Rezende com 0,89%. Reinaldo Azambuja, Jeferson Bezerra e Tiago Botelho ficam com 0,45% cada.

A diferença entre o número de votos válidos e o total da amostra é explicada principalmente pelo elevado número de eleitores que ainda não citaram espontaneamente um candidato. Na pesquisa original, 69,64% se declararam indecisos e 1,79% responderam branco ou nulo. Riedel foi citado espontaneamente por 22,19% do total de entrevistados e Fábio Trad, por 3,70%.

REJEIÇÃO

A pesquisa também perguntou em quem o eleitor não votaria de jeito nenhum para governador. Fábio Trad é citado por 15,18%, seguido por Delcídio do Amaral, com 7,27%, e Eduardo Riedel, com 5,61%. 

João Henrique Catan aparece com 1,66%. Jeferson Bezerra e Lucien Rezende têm 1,28% cada, Daniel Lemes registra 0,64% e Renato Gomes, 0,38%.

Ao mesmo tempo, 50,13% afirmaram não rejeitar nenhum candidato. Outros 9,44% disseram rejeitar todos, 4,97% não souberam responder e 2,17% optaram por branco ou nulo.

DADOS

O levantamento foi realizado entre os dias 15 e 19 de setembro de 2026 e ouviu 784 eleitores com 16 anos ou mais em Mato Grosso do Sul. A margem de erro é de 3,5 pontos porcentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. 

A pesquisa IPR/Correio do Estado está registrada na Justiça Eleitoral sob os números BR-05239/2026 e MS-06794/2026.

O primeiro turno das eleições deste ano será realizado no dia 4 de outubro, enquanto um eventual segundo turno para governador está previsto para o dia 25 de outubro.

ANÁLISE

Para o diretor do IPR, Aruaque Fressato Barbosa, a sequência de pesquisas mostra que Eduardo Riedel chega aos últimos dias de campanha mantendo praticamente o mesmo patamar registrado no início do ano, enquanto os adversários não conseguiram avançar de forma consistente.

“Riedel chega à reta final com um eleitorado bastante estável. Nas cinco pesquisas, as oscilações ficaram dentro da margem de erro e, agora, ele volta praticamente ao mesmo porcentual registrado no começo da série”, afirmou Aruaque Barbosa.

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