Política

DECISÃO

Dilma veta 12 dos 84 artigos do Código Florestal

Dilma veta 12 dos 84 artigos do Código Florestal

TERRA

25/05/2012 - 13h50
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A presidente Dilma Rousseff vetou nesta sexta-feira 12 artigos do Código Florestal. A redação final será publicada no Diário Oficial da União. O texto aprovado na Câmara dos Deputados no mês passado chegou ao Planalto com 84 artigos. Dilma cortou trechos da proposta que abririam margem para anistia a desmatadores, como o trecho que suprime punição para quem desmatou após julho de 2008. Para eliminar vácuos legais devido ao corte dos artigos, o governo vai editar uma medida provisória (MP). O texto tem 32 modificações, sendo que 14 recuperam o texto do Senado. São cinco novos artigos e 13 ajustes e readequação de conteúdo.

Os ajustes serão feitos por medida provisória. "As diretrizes adotadas compreendem recompor texto do Senado e preservar acordos e respeitar o Congresso. Não anistiar o desmatador", afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, ao apresentar as modificações no código. Com os vetos e a edição da MP, o governo quer dar um formato ao Código Florestal mais próximo à versão que foi aprovada no Senado. Na ocasião, a proposição foi considerada mais equilibrada sem ser muito rigorosa nem indulgente aos desmatadores.

Ao chegar na Câmara, a bancada ruralista fez alterações de última hora que incomodaram o governo, dando ao texto abrindo os precedentes para anistia maior que a acordada. Dilma está debruçada sobre o tema há duas semanas e vem convocado reunião com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, diariamente, inclusive aos fins de semana. O último encontro aconteceu pela manhã desta sexta-feira com os líderes do governo no Congresso Nacional, na Câmara dos Deputados e no Senado. A presidente quer minimizar o desgaste com o parlamento que o veto pode causar.

Após veto

"Até a hora final tem espaço", diz Tereza Cristina sobre ser vice de Flávio Bolsonaro

Prazo para senador escolher vice de chapa encerra no próximo dia 5

03/08/2026 16h30

Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

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Mesmo após a direção nacional do Progressistas (PP) decidir manter neutralidade na disputa presidencial e barrar a participação de Tereza Cristina como candidata a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), a senadora destacou que "até a hora final tem espaço" para repensar a candidatura. 

A declaração da ex-ministra do governo Bolsonaro ocorreu nesta segunda-feira (3), e sucede uma enxurrada de questionamentos dentro da própria coligação partidária. 

Durante convenção em Campo Grande no último final de semana, ela recebeu apoio do candidato à reeleição à governadoria Eduardo Riedel  (PP), que pediu que o partido reconsiderasse a decisão, opinião compartilhada pelo ex-governador e postulante ao senado Reinaldo Azambuja (PL), também presente.

"O Progressista não está em cima do muro (...) nós vamos brigar até terça-feira, meia-noite para que isso aconteça, Tereza", disse Riedel. O prazo mencionado pelo governador é o período limite para que Flávio nomeie alguém à vice, uma vez que as convenções partidárias encerram na quarta-feira (5). 

"Eu sou do PP e não me dou por vencido. Condeno fortemente a decisão tomada pelo PP inicialmente", declarou.Para o governador, a senadora possui experiência e capacidade para integrar uma chapa presidencial.

"A senadora Tereza talvez seja uma das pessoas públicas do Brasil que mais podem contribuir com o nosso futuro pela história, pela atuação, pela ação e pela capacidade de reunir pensamento e ação em prol de mudanças estruturantes. A gente precisa muito da senadora Tereza nesse momento na majoritária nacional", afirmou.

Também durante a convenção, o ex-governador Reinaldo Azambuja manifestou apoio à senadora e afirmou que o grupo político ainda acredita na possibilidade de ela integrar a chapa de Flávio Bolsonaro.

"Nós ainda não desistimos. A Tereza ainda vai ser a vice do Flávio Bolsonaro, porque essa união não é por nós, é pelo Brasil", declarou.

Azambuja destacou a trajetória política da parlamentar e afirmou que ela reúne os atributos necessários para ocupar o cargo.

"Essa atuação firme, com seriedade, com honestidade, com transparência. Essa pequena grande mulher, nós não desistimos ainda", disse.

O ex-governador também direcionou críticas ao presidente nacional do Progressistas, Ciro Nogueira, responsável pela condução da decisão de manter o partido neutro na disputa presidencial.

"Não adianta o senhor Nogueira, presidente do seu partido, querer criar problema. Nós vamos para cima dele, Tereza", afirmou.

Candidato à presidente, Flávio segue sem nomear vice de chapa. Além de Tereza Cristina,  a deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) também é cotada para a vaga. 

Queda

Prisão de Razuk derruba 'último barão' do jogo do bicho em MS

Além do ex-deputado, por décadas o campo da contravenção estadual é ocupado por Fahd Jamil e Jamil Name Filho, o Jamilzinho

03/08/2026 16h00

Ex-deputado estadual Neno Razuk (PL)

Ex-deputado estadual Neno Razuk (PL) Luciana Nassar/Alems

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A prisão do ex-deputado Neno Razuk, ocorrida na Bolívia, neste domingo (2), marca a queda de um dos últimos 'barões' do Jogo do Bicho em Mato Grosso do Sul.

Além do ex-deputado, por décadas o campo da contravenção estadual é ocupado por Fahd Jamil e Jamil Name Filho, o Jamilzinho.  

De modo geral, Fahd Jamil estruturou, a partir das décadas de 1970 e 1980, uma rede voltada à exploração do jogo do bicho por meio de um modelo de divisão territorial entre aliados.

A estratégia permitiu a expansão da atividade e reduziu conflitos entre grupos que atuavam em diferentes regiões.

Nesse cenário, a família Name, encabeçada por Jamil Name, passou a exercer influência sobre a exploração da contravenção em Campo Grande.

Ele  tornou-se um dos principais nomes ligados ao jogo do bicho na Capital, posição posteriormente compartilhada com o filho, Jamilson Name Filho.

A organização manteve o controle da atividade e ampliou sua estrutura, contudo, segundo as investigações, a força do grupo começou a ser abalada em 2019, com a deflagração da Operação Omertà.

A ação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) resultou na prisão de integrantes da família Name e de pessoas apontadas como integrantes da organização criminosa.

O Ministério Público denunciou o grupo por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e homicídios.

Com o enfraquecimento da estrutura comandada pelos Name, sobretudo com a morte do patriarca em 2021, uma nova disputa pelo controle do jogo do bicho ganhou espaço no Estado.

As investigações da Operação Successione, deflagrada em 2025, apontam que o ex-deputado estadual Neno Razuk teria assumido papel central nesse processo.

De acordo com o MPMS, a família Razuk já possuía histórico de atuação na contravenção. O patriarca Roberto Razuk teria administrado a exploração do jogo do bicho na região sul de Mato Grosso do Sul, especialmente em Dourados, dentro da divisão territorial atribuída a Fahd Jamil.

Após sua morte, a estrutura teria sido herdada pelo filho, Neno Razuk. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, a organização liderada por Neno Razuk buscou ampliar sua área de influência após a queda da família Name por meio de uma  estrutura hierarquizada para controlar a exploração do jogo do bicho em diferentes municípios.

As investigações apontam a participação de familiares, colaboradores e agentes públicos no funcionamento da organização, além da suposta prática de crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e roubos contra grupos rivais.

Em primeira instância, Neno Razuk foi condenado por organização criminosa, exploração do jogo do bicho e roubo majorado. A defesa nega as acusações e recorre das decisões judiciais. 

Prisão de Neno Razuk 

Após ficar mais de um mês foragido, o ex-deputado estadual Neno Razuk (PL) foi preso na Delegacia da Polícia Federal de Corumbá após ser detido na divisa com Puerto Quijarro, pela Polícia Boliviana no último final de semana. 

De acordo com as informações divulgadas pelo site Diário Corumbaense, o ex-parlamentar seguia de carro em direção a Santa Cruz de la Sierra quando foi detido em uma blitz.

De acordo com o delegado da PF de Corumbá, Estevão Baesso, Neno Razuk foi entregue à Polícia Federal por volta da meia-noite, na divisa que liga os dois países.

Após ser preso, foi encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) para exame de corpo de delito.

Neno Razuk é um dos réus em investigação decorrente da Operação Successione, que apura a atuação de uma organização criminosa ligada à exploração ilegal do jogo do bicho no Estado.

Em denúncia apresentada pelo MPMS, o ex-deputado, familiares e outros investigados são apontados como integrantes de uma estrutura criminosa ligada à exploração de jogos de azar em MS. 

Após o MPMS suspeitar que Neno teria deixado o Brasil, o órgão ministerial solicitou que ele fosse inserido na lista vermelha de procurados da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). À caminho de Campo Grande, ele ficará detido na Penitenciária Federal. 

Em nota, a defesa do ex-deputado disse que ele entrou na Bolívia antes da expedição do mandado de prisão, não se apresentando à Justiça de forma imediata em razão da ausência da completude de julgamento.

Segundo à defesa, a captura perante a polícia boliviana impossibilitou que ele se apresentasse espontanemante no Brasil. 

Operação Successione

Neno Razuk é um dos réus em investigação decorrente da Operação Successione, que apura a atuação de uma organização criminosa ligada à exploração ilegal do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.

Em denúncia apresentada pelo MPMS, o ex-deputado, familiares e outros investigados são apontados como integrantes de uma estrutura criminosa que teria atuado na exploração de jogos de azar no Estado.

Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas na quarta fase da operação. Entre os acusados estão, além de Neno, o pai e irmãos do ex-parlamentar.

A acusação sustenta que o grupo teria utilizado uma estrutura armada e recorrido a outros crimes para garantir espaço e domínio na exploração da contravenção em Mato Grosso do Sul.

Jamil Name, Jamilzinho e Fahd Jamil / Foto: Reprodução

Fahd Jamil 

Tido como o precurssor da contravenção em Mato Grosso do Sul, atividade que se mistura ao contrabando na região de fronteira com o Paraguai desde a década de 70, Fadh Jamil foi alvo da terceira fase da Operação Omertà e responde por crimes como pertencimento a organização criminosa, porte ilegal de arma de fogo e outros correlatos a homicídios praticados pela milícia armada.

Conhecido como Rei da Fronteira, Fahd foi preso em 19 de abril de 2021 e cumpriu prisão domiciliar de 9 de junho do mesmo ano até agosto de 2022, quando a prisão foi revogada e substituída pelo monitoramento eletrônico. Posteriormente, em abril de 2023, essa medida também foi revogada, sendo ele liberado do uso da tornozeleira.

No mesmo ano, em 9 de junho, pagou fiança de R$ 990 mil e foi autorizado a permanecer em prisão domiciliar.

A defesa solicitou a prisão domiciliar sob alegação de que o acusado tem saúde debilitada, e necessita de cuidados especiais. Esta prisão domiciliar foi revogada em agosto de 2022.

O grupo de Fahd Jamil mantinha na Fazenda Três Cochilhas, em Ponta Porã, uma espécie de quartel-general da pistolagem.  

O assassinato do ex-chefe de segurança da Assembleia Legislativa, Ilson Martins Figueiredo, que ocorreu em 11 de junho de 2018, é o crime que expõe a aliança entre o que os investigadores chamam de organizações criminosas de Fahd Jamil e Jamil Name, também tido como uma espécie de 'barão' da contravenção em MS.  

Conforme o Ministério Público Estadual (MPE), o crime foi encomendado por Fahd Jamil e executado pelo suposto grupo criminoso chefiado pelos Name.

O grupo de Fahd Jamil também teria executado o pistoleiro Alberto Aparecido Roberto Nogueira (o Betão), em abril de 2016, e Orlando da Silva Fernandes (o Bomba) em outubro de 2018.

Com 85 anos e aval da Justiça, atualmente trata uma doença pulmonar em São Paulo.

Jamil Name Filho, Jamilzinho 

Herdeiro dos negócios do pai, Jamilzinho e o irmão Jamilson Name, deputado pelo PP, foram alvos de uma da sexta fase da Operação Omertà, denominada de "Arca de Noé", em dezembro de 2020. Na ocasião, 13 pessoas foram presas. Todas elas eram gerentes do jogo do bicho em Campo Grande.

Em fevereiro do ano passado, Jamilson Name (PSDB) foi sentenciado a 8 anos de prisão.

Jamilson Name foi apontado como líder da organização, cuidando especialmente da parte financeira. Ele seria o idealizador das atividades da empresa, e começou a ter ainda mais destaque e autonomia após a prisão do pai, Jamil Name e do irmão, Jamil Name Filho.

Jamilzinho, também era alvo da Arca de Noé, mas foi inocentado pela 1ª Vara Criminal de Campo Grande. Ele, porém,  já soma cinco condenações provenientes de inquéritos da Operação Omertà, que somadas chegam a penas de 69 anos de prisão.

Atualmente cumpre prisão na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. 

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