Política

análise

Direita de MS pode se prejudicar com excesso de pré-candidatos ao Senado

Especialistas acreditam que até o fim das convenções partidárias a quantidade de pré-candidatos devem diminuir muito

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Ao longo da última semana o número de pré-candidatos da direita às duas vagas ao Senado por Mato Grosso do Sul chegou a oito postulantes aos cargos e, conforme os analistas políticos ouvidos pelo Correio do Estado, esse excesso de nomes pode acabar prejudicando em vez de ajudar nas eleições do próximo ano.

Estão no páreo o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL), o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Gerson Claro (PP), o deputado federal dr. Luiz Ovando (PP), o senador Nelsinho Trad (PSD), o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Elias Verruck (PSD), e a senadora Soraya Thronicke (Podemos).

Para o diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, essa crescente movimentação de pré-candidatos alinhada à direita para disputar as duas cadeiras do Senado deve prejudicar sim essa ala política.

“O eleitorado é dividido basicamente em direita, centro-direita, esquerda, centro-esquerda, centro, centro moderado e nenhum deles. E essa quantidade significativa de pré-candidatos ligados à direita vai disputar a mesma fatia do eleitorado e, como só os eleitores da direita não serão suficientes para elegê-los, terão obrigatoriamente de buscar votos em outros grupos políticos”, pontuou.

Portanto, de acordo com ele, com essa tendência de aumento de candidatos à direita, pode abrir um espaço para um pré-candidato do centro ou do centro moderado captar votos dos eleitores que não se identificam como direita, como centro-direita, como centro ou como nada.

“Aquelas pessoas que não querem saber de política, mas precisam votar, só que não votam em radicalismo da direita e nem radicalismo da esquerda, votariam em um pré-candidato de fora dessas duas bolhas. Porque, como são dois votos, dificilmente alguém moderado, ou de nenhuma corrente, vai votar em dois pré-candidatos, por exemplo, da direita, ou em dois da esquerda. Enfim, vai procurar alguém ali que tenha um perfil mais parecido com o deles”, projetou.

Aruaque Barbosa completou que é preciso entender quais serão os nomes e quais serão as linhas ideológicas defendidas na campanha para poder fazer uma mensuração mais detalhada sobre isso porque, às vezes, alguém que é de direita, que se alinha como da direita, vai para a campanha e faz um discurso mais moderado.

“Porque, como o Senado são dois votos, é muito arriscado o pré-candidato focar apenas nos eleitores da direita esperando que isso o faça ganhar a eleição. É questão de estratégia, quem errar menos, vai ter uma vantagem sobre o adversário, por isso, entender o momento do eleitorado pode ser crucial”, alertou.

O diretor do IPR explicou que os fatos que estão acontecendo atualmente no Brasil refletem diretamente aqui, por exemplo, a questão da violência, a questão da geração de emprego e a questão de perspectivas para o ano de 2026. “Enfim, todas essas ações que são políticas e estão sendo comentadas vão refletir aqui e isso vai determinar quais serão as estratégias dos pré-candidatos a senadores da República no próximo ano”, afirmou.

EMBOLADO

Na visão do cientista político Tércio Albuquerque, ao se considerar os oito pré-candidatos ligados à direita, como Nelsinho e Soraya, ou à extrema direita, como Capitão Contar, dr. Luiz Ovando e Gianni Nogueira, ou ao centro-direita, com Azambuja, Verruck e Gerson Claro, todos estarão buscando praticamente o mesmo eleitorado. “As exceções podem ser Gerson Claro e Jaime Verruck, que talvez alcancem eleitores de centro e até de centro-esquerda”, pontuou.

No entanto, de acordo com ele, dificilmente se confirmarão as oito pré-candidaturas. 

“Porque a pressão político-partidária, principalmente da extrema-direita contra os de centro-direita vai ser grande, especialmente por se considerarem os únicos legitimados a usar o ‘legado bolsonarista’, o que vai realmente confundir o eleitor e ‘embolar’ as pesquisas”, comentou.

Quanto a reais possibilidades, Tércio Albuquerque falou que é possível afirmar, neste momento, que essa aliança “forçada” entre Azambuja e Contar pode acabar por atrapalhar as pretensões do segundo, que hoje não tem praticamente nenhuma estrutura política articulada para enfrentar Nelsinho, Soraya e Gianni.

“Já os considerados novos no cenário, Jaime Verruck e Gerson Claro, tendem a aumentar a dificuldade de articulação do governador Eduardo Riedel (PP), que está se comprometendo em espalhar apoio para além das suas forças, visando uma reeleição que, ao que parece, até agora já está assegurada”, afirmou.

Ele pontuou que é importante aguardar o próximo ano para saber quem realmente vai chegar com alguma condição para enfrentar as convenções partidárias e qual o valor que poderá abocanhar nessa divisão dos fundos partidários.

REDUÇÃO

Na opinião do professor do curso de Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Daniel Miranda, no Estado, assim como em Santa Catarina e outros estados nos quais a direita tem mais força, calcula-se que haverá duas vagas para esse campo político e, como isso só acontece a cada oito anos (2 vagas no Senado), é esperado que haja maior concorrência.

“Essa é a grande questão. Por enquanto, tudo é fumaça e balão de ensaio. Ano que vem, quando for para valer, é provável que metade ou mais dessas pré-candidaturas fiquem pelo caminho, mas, até lá, cada um vai tentar emplacar seu nome e derrubar algum concorrente mais direto. Além disso, tal proliferação de nomes pode ter relação com o fato de o grupo liderado pelo Azambuja ter se dividido em vários partidos, PL, União Brasil e PP, principalmente”, assegurou.

Para ele, embora seja um grupo político que esteve unido até às eleições estaduais passadas, agora, provavelmente, devem estar ocorrendo disputas internas acirradas. 

“E, por estarem em partidos diferentes e tais partidos serem grandes, cada um deve calcular que tem chance de emplacar seu nome. O fato que, se tais pessoas estão permitindo que seus nomes circulem como pré-candidatos, é porque há um jogo de bastidores pesado ocorrendo”, argumentou.

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ATENÇÃO, ELEITORES!

Eleições 2026: TRE-MS atende eleitores no bairro Lageado para regularizar situação

O atendimento acontecerá na Escola Estadual Thereza Noronha de Carvalho, das 8h às 15h, neste sábado (7)

03/03/2026 16h00

A proposta reduz o período em que um político condenado fica impedido de disputar uma eleição

A proposta reduz o período em que um político condenado fica impedido de disputar uma eleição Arquivo

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O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) realizará, neste sábado (07), uma edição do atendimento itinerante em Campo Grande. A ação acontecerá das 8h às 15h, na Escola Estadual Thereza Noronha de Carvalho, localizada na Rua João Selingarde, 770, no bairro Parque Lageado.

A iniciativa serve para facilitar o acesso da população aos principais serviços relacionados ao título de eleitor. Na ocasião, serão oferecidos: emissão do primeiro título, transferência de domicílio eleitoral, regularização da situação eleitoral e atualização de dados cadastrais.

A ação integra o cronograma de atendimentos itinerantes realizados pelo TRE-MS, que tem percorrido diversas regiões do Estado e da Capital, estreitando a relação entre os serviços oferecidos pela Justiça Eleitoral às comunidades.

O eleitor pode consultar sua situação eleitoral no site do TSE, acessando a aba “Autoatendimento Eleitoral”. No portal, é possível verificar pendências, emitir certidões, atualizar dados e acompanhar informações sobre o título.

Prazo

O atendimento para regularização do título eleitoral segue até 6 de maio, das 8h às 18h, em todas as unidades da Justiça Eleitoral do Estado. Na Capital, o atendimento acontece na Rua Delegado José Alfredo Hardman, nº 180.

O cadastro será encerrado 150 dias antes do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, marcado para 4 de outubro, onde o eleitorado definirá os ocupantes dos cargos de presidente da República, governador de estado, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital.

Até essa data-limite, os eleitores podem solicitar alistamento, revisão eleitoral, regularização do título, cadastro biométrico, atualização de dados, transferência de local de votação e esclarecer dúvidas sobre o processo eleitoral em qualquer unidade da Justiça Eleitoral.

Além do atendimento presencial, os serviços também estarão disponíveis pelo aplicativo e-Título e pelo sistema de autoatendimento eleitoral, acessível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

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NA ASSEMBLEIA

PT sobe o tom contra Fiems e exige abertura imediata de CPI

A bancada do partido na Casa de Leis considera muito graves as denúncias envolvendo o desvio de recursos públicos pela instituição

03/03/2026 08h00

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A bancada do PT na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), formada pelos deputados estaduais Gleice Jane, Zeca do PT e Pedro Kemp, quer a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar contratos da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems), que já são alvo da 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de Campo Grande.

Conforme o inquérito civil instaurado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o objetivo é apurar eventuais irregularidades envolvendo as empresas Inovaseg Comercial de Equipamentos e Serviços Ltda. e a Souza Alves & Cia Ltda., ambas com os sócios Diogo de Souza Alves e Evanildo Albuquerque da Rosa no comando, ou seja, são do mesmo grupo econômico, o que aumentou as suspeitas do órgão.

O MPMS pretende apurar se houve algum direcionamento no momento da licitação ou até a participação de alguns funcionários ou diretores da Fiems para facilitar a concorrência.

No levantamento feito pela reportagem, foi encontrado um contrato firmado entre a Fiems e a empresa Souza Alves & Cia com início em dezembro de 2022 e término em dezembro de 2023, com o valor de R$ 405.736,30.

O contrato tinha como objetivo a “compra de materiais de expediente” e teve como contratante o Serviço Social da Indústria de Mato Grosso do Sul (Sesi-MS), que faz parte do sistema Fiems.

Foi identificado mais um contrato com a empresa, desta vez no valor de R$ 514.799,95, com objeto “registro de preços para fornecimento futuro e eventual de materiais elétricos para atender às necessidades das Unidades Operacionais do Senai-MS”.

Curiosamente, a Souza Alves & Cia tem mais dois contratos com o mesmo objeto, sob preço de R$ 352.999,98, enquanto a Inovaseg tem três contratos, que, somados, ultrapassam a casa dos R$ 500 mil.

O maior deles é avaliado em R$ 405 mil e o segundo é de aproximadamente R$ 98 mil, ambos com o mesmo objeto dos contratos firmados com a Souza Alves & Cia.

Também foram identificados contratos menores envolvendo as duas empresas, avaliados entre R$ 20 mil e R$ 30 mil. Somados, os contratos entre o sistema Fiems e as empresas de Diogo de Souza Alves e Evanildo Albuquerque da Rosa alcançaram o montante de R$ 1,8 milhão.

Os contratos da Fiems também estão sendo alvo de inquérito aberto pelo Ministério Público de MS - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Diante desse cenário, a líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa, deputada estadual Gleice Jane, informou ao Correio do Estado que já solicitou à equipe técnica um levantamento detalhado para a preparação do pedido de abertura da CPI da Fiems na Casa de Leis, que necessita da assinatura de, no mínimo, oito deputados estaduais, ou seja, um terço do total de 24 parlamentares.

Além disso, o requerimento a ser encaminhado à Mesa Diretora deve indicar claramente o acontecimento de relevante interesse para a vida pública e para a ordem constitucional, legal, econômica ou social do Estado que será investigado.

Após a conferência das assinaturas e dos requisitos, o presidente da Casa de Leis, deputado estadual Gerson Claro (PP), deve proceder à leitura do requerimento em plenário e publicá-lo no Diário Oficial.

Em seguida, os líderes partidários indicam os deputados estaduais que farão parte da comissão, respeitando a proporcionalidade das bancadas. A CPI tem poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, podendo convocar autoridades, ouvir testemunhas e requisitar documentos.

“Estamos estudando a possibilidade de abrir a CPI da Fiems. Vamos fazer alguns requerimentos de informações e buscar os elementos necessários, pois consideramos graves as denúncias que estamos acompanhando pela mídia, uma vez que envolvem recursos públicos utilizados com desvio de finalidade, comprometendo a efetividade de políticas públicas de desenvolvimento econômico para o Estado”, declarou Gleice Jane.

Já o deputado estadual Zeca do PT reforçou que é uma obrigação institucional da Assembleia Legislativa e do partido, por meio da bancada, investigar os contratos da Fiems.

“Não é possível que isso continue acontecendo. São recursos públicos federais, e eu vou propor, além do pedido de criação da CPI, o encaminhamento da denúncia ao Ministério Público Federal [MPF]”, adiantou.

De acordo com ele, a Fiems, o Sebrae-MS e a Famasul estariam “manipulando recursos federais na defesa da política da extrema direita e de subversão da ordem institucional na tentativa de golpear a democracia”.

“Nós temos que investigar, pois chega de fazer corpo mole para as irregularidades cometidas por empresariado e fazendeiros do nosso estado”, ressaltou.

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