Política

Declaração

Em carta, Flávio Bolsonaro diz que é 'verdadeiro presidente do Brasil'

Eleição foi reconhecida pelo Judiciário do Brasil, por organismos internacionais e pela oposição, incluindo o PL, partido de Flávio

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O senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou uma carta, nesta quarta-feira (28), após fugir para os Estados Unidos, comunicado em que ele se apresenta como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reeleito após conquistar 64,2 milhões de votos no 2º turno [quase 4,5 milhões de votos a mais que Flávio].

A eleição foi reconhecida pelo Judiciário do Brasil, por organismos internacionais e pela oposição, incluindo o PL, partido de Flávio.

Após a repercussão, Flávio editou a carta e retirou o trecho onde se autodeclarou “verdadeiro presidente eleito”. Na nova versão, ele se apresentou como “líder do Brasil”.

O candidato derrotado na eleição brasileira culpa o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pelos “mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno” conquistados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A afirmação não é verdadeira. Zanin prorrogou as votações até às 19h, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) só registrou 34 mil votos após as 17h.

“Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível”, diz trecho.

Na carta, Flávio diz que após a “repugnante fraude eleitoral o ministro Alexandre de Moraes, do STF, colocou em prática um “plano previamente elaborado” — o pedido de apreensão do passaporte. Senador afirma que Moraes “muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime”.

Flávio nega ter fugido do Brasil: “Eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.”

O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)  disse ainda que pretende liderar a oposição diretamente dos Estados Unidos.

“Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direito o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, afirmou Flávio.

No documento, Flávio agradece ainda ao presidente da Argentina, Javier Milei, pela “coragem e senso de justiça e legalidade” e ao líder dos Estados Unidos, Donald Trump, por o acolher no país.

Confira a íntegra da carta

Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.

Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema.

Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.

A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime. Sendo impedido de origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento.

Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.

Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment. Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política.
Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil.

Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.

Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de Nova York. Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa.

Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.

Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos jurídico, de corrupção e de perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado. Nenhuma nação consegue viver em paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam.

À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal.

Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.

E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista.

Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar.

Que Deus abençoe o Brasil.

Com informações de Metrópoles

Postura

Democratas condenam decisão de Trump de conceder visto a Flávio

"Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra do Sudão", diz comitê

28/10/2026 15h00

Senador Flávio Bolsonaro durante discurso após perder o pleito do último domingo (25)

Senador Flávio Bolsonaro durante discurso após perder o pleito do último domingo (25) Foto: Divulgação / Redes Sociais

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O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos criticou a decisão do governo de Donald Trump de conceder visto ao senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Nas redes sociais, o comitê, ligado aos democratas fez um comparativo entre a atual política migratória estadunidense aplicada a pessoas que fogem de conflitos e o tratamento concedido a Flávio e à família Bolsonaro.

“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, diz o post do comitê no X.

“Aparentemente, fugir da violência não qualifica [o migrante a entrar nos Estados Unidos]. Negar resultados eleitorais, sim”, continuou o post, ao citar que o Departamento de Estado planeja conceder vistos a Flávio e sua família.

Em perfil no Instagram, o parlamentar democrata Joaquin Castro afirmou que “perder as eleições não é motivo para asilo”, referindo-se à derrota de Flávio na candidatura ao cargo de presidente da República que teve resultado no último domingo (26).

“Ainda assim, o governo Trump está concedendo refúgio a Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. No Brasil, ele está sob investigação por suposta corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas e foi ordenado a entregar seus passaportes”, postou.

Para Castro, o governo Trump deve explicações ao Congresso norte-americano “por seu papel em ajudar [Flávio] Bolsonaro a fugir do Brasil, violando a legislação brasileira”.

Entenda

Flávio Bolsonaro, a esposa e as duas filhas chegaram nesta quarta-feira (28) à Miami depois de cruzarem a fronteira brasileira com a Argentina e pegarem voo rumo aos Estados Unidos. A aeronave privada chegou a fazer uma parada no Equador.

Na terça-feira (27), um aliado próximo de Flávio e uma fonte do governo norte-americano confirmaram à agência Reuters que o senador havia fugido para os Estados Unidos. Flávio descumpriu o prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os passaportes à Polícia Federal.

Na véspera, em vídeo publicado nas redes sociais após ser intimado pelo Judiciário, Flávio negou ter a intenção de deixar o Brasil e disse que ficaria no país para, segundo ele, organizar a oposição contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no domingo ao derrotar o senador no segundo turno da eleição presidencial, por mais de 4,4 milhões de votos.

Lavagem de dinheiro

Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio, no âmbito de um inquérito em que o senador é investigado por lavagem de dinheiro, juntamente com o advogado Willer Tomaz, amigo dele. Ambos negam qualquer irregularidade.

A decisão do ministro do STF foi tomada depois de o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, dizer, em uma transmissão nas redes sociais, que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição presidencial e liderar a oposição brasileira do exterior.

Pesar

Morre o escritor e professor Paulo Sérgio Nolasco, membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras

Nolasco participou da criação do Mestrado em Letras da UFMS e presidiu a comissão responsável pela implantação do mesmo curso na UFGD

28/10/2026 14h30

Professor Paulo Sérgio Nolasco dos Santos

Professor Paulo Sérgio Nolasco dos Santos Foto: Divulgação / ASL

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Morreu nesta quarta-feira (28), aos 68 anos, o escritor re professor Paulo Sérgio Nolasco dos Santos, titular da Cadeira nº 20 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL). 

Natural de Dourados, nasceu em 1º de junho de 1958, Paulo Nolasco construiu uma trajetória de destaque no ensino superior, na pesquisa e na crítica literária, dedicando sua vida ao estudo da literatura e à formação de novas gerações de pesquisadores e profissionais das Letras.

Graduado em Letras pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), mestre em Teoria da Literatura pela Universidade de Brasília (UnB) e doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi professor universitário e teve atuação fundamental na consolidação da pós-graduação em Letras em Mato Grosso do Sul.

Participou da criação do Mestrado em Letras da UFMS e presidiu a comissão responsável pela implantação do mesmo curso na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). 

Reconhecido por sua atuação no campo da Literatura Comparada e dos estudos culturais, integrou importantes instituições científicas e literárias, como a Associação Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC), da qual foi membro do Conselho, e a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL), onde coordenou grupos de trabalho dedicados à área. Sua participação em congressos no Brasil e no exterior e o diálogo permanente com pesquisadores nacionais e estrangeiros ampliaram sua contribuição para os estudos literários.

Como escritor e crítico literário, deixou uma produção intelectual expressiva, com livros dedicados à literatura comparada, à crítica e às relações culturais do Brasil Central.

Entre suas obras estão Nas malhas da rede: uma leitura crítico-comparativa de Julio Cortázar e Virginia Woolf (1998), Literatura Comparada: Interfaces e transições (2001), Ensaios farpados: Arte e cultura no Pantanal e no Cerrado (2003/2004) e O Outdoor invisível: crítica reunida (2006). Seus estudos contribuíram para ampliar a reflexão sobre as literaturas de fronteira, os regionalismos culturais e as particularidades da produção intelectual de Mato Grosso do Sul.

Paulo Sérgio Nolasco dos Santos tomou posse na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras em 27 de novembro de 2006. Também era membro da Academia Douradense de Letras, mantendo estreita ligação com sua cidade natal e com os intelectuais que contribuíram para a construção da identidade cultural sul-mato-grossense. 

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras manifesta sua solidariedade aos familiares, amigos, colegas, alunos e admiradores, ressaltando a importância de sua trajetória e o seu legado intelectual. Até a publicação desta matéria, não há mais detalhes sobre a causa da morte e locais de velório e sepultamento. 
 

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